Quadro "O Pesadelo" de Henry Fuseli (1741-1825)

* A Peste Onírica é um delírio subversivo. Postamos aqui nossas réles "produçõezinhas"; nossos momentâneos surtos de divagações em nome do Real do Simbólico e do Imaginário. Estão aqui nossos ensaios para que possamos alçar outros vôos num futuro próximo. Aproveitem os links, os materiais, as imagens, as viagens. Sorvam nossas angústias, nossas dores e masquem nossa pulsão como se fosse um chiclete borrachento com sabor de nada. Pirateiem, copiem, contribuam e comentem para que possamos alimentar nosso narcisismo projetivo. E sorvam de nossa libido, se assim desejarem.


domingo, 8 de maio de 2011

Era das Utopias

*Pequei este texto e vídeos do YouTube. Acredito que a ordem dos vídeos não esteja correta, talvez, mesmo repetida... Não tive tempo de corrigir, portanto, postei desta forma meio anárquica. O objetivo é guardar, juntar as coisas para que possa voltar aqui e ter por perto para assistir. 
Estou tomada pela Utopia, penso que mais coisas dentro deste tema se farão presentes. Tudo responsabilidade do Professor Edson Luiz André de Souza que nos mostrou 'Uma Invenção de Utopia'.

Att, 

Lu May

Era das Utopias é uma minissérie de seis episódios divididos em três temas: 'Utopia Socialista', 'Utopia Capitalista' e 'Novas Utopias'. 'Qual sua utopia?' é a pergunta que vai guiar a nova minissérie da TV Brasil, dirigida pelo cineasta Silvio Tendler.

"O que nós queremos de fato é que as idéias voltem a ser perigosas" - Escrito num muro de Paris, 1964

Comentários TV Brasil: Utopia. O substantivo vem das palavras gregas ou e topos, que significam sem lugar. Refere-se a um lugar ou posição ideal, ainda não atingido.
Sonho impossível de realizar.
Ideal inatingível.

"Eu sempre trabalhei muito na questão das ideologias. São vinte anos de pesquisa em torno destas questões ideológicas que pautaram minha geração" - Silvio Tendler

A utopia pela igualdade entre os homens inspirou gerações. O mundo soviético inspirou os sonhadores. Com o fim da II Guerra Mundial, os Estados Unidos são a potência emergente. O american way of life passa a ser o modelo de civilização, quase uma norma. O mundo assiste a um confronto cultural, social, religioso, político e ideológico.

Os primeiros capítulos tratam do surgimento da utopia socialista e todas as suas conseqüências durante o século XX. Já os capítulos referentes à utopia capitalista mostrarão a derrocada do Socialismo com a queda do muro de Berlim, em 1989; os desdobramentos gerados e, tantos outros fatos que nos levaram às novas utopias, derivadas do conflito entre novas tecnologias e velhas mazelas. Para Tendler, a luta das atuais gerações é a preservação do planeta. "Salvar o planeta dos danos causados pela utopia capitalista e pela utopia comunista é a nova utopia", afirma o diretor.

Trailler


Novas Utopias (1)

Novas Utopias (2)


Utopia Capitalista (3)


Utopia Capitalista (4)


Utopia Socialista (5)


Utopia Socialista (6) Final


Para Baixar a série completa e em ordem siga o Link:



Imagens de Utopia

Do pouco que há em mim, ainda... Sobrou uma curiosidade, mas é só imagem. Não sei se dentro tem alguma coisa. Reproduzo essas imagens para quem sabe depois falar.
Escrevi o título como imagens de utopia. Mas qual seria a imagem da utopia? Aqui não tem imagem dela! O que seria esta forma, se é que tem forma?




sábado, 16 de abril de 2011

Documentário "O dia que Durou 21 Anos"

Passeata do Cem Mil - Brasil 1968

Os anos de chumbo no Brasil aparecem como uma memória rasa. E tudo que possa vir em  lembrança desta época, da Ditadura Militar, parece ser um delírio. Classificam esta parte da história como uma subversão. As resistências são tão poderosas que a ditadura continua a cometer censuras e barreiras. Quando digo que é um delírio, é porque tem um mecanismo em nossa sociedade que tenta fazer, desta memória, uma coisa que não existiu. E quando alguém mostra, ou se mostra publicamente, sobre o tema do golpe militar de 64, ele corre o risco de ser taxativamente, classificado como um louco. Existe uma questão obscura que oculta um passado de resistência e morte.  

Existem grupos que defendem intempestivamente este momento histórico, cultuam os pressupostos deste período com relativo gozo de prazer. Acreditam eles que a sociedade deveria se pautar nos princípios do período militar e, ainda, voltar ao estado de ditadura. Anseiam pela volta da Doutrina Nacional, com conceitos que foram incorporados nos mais diversos materiais de estudo das academias militares e, mesmo, em segmentos da educação. Quanto a esta última, muitas coisas, felizmente se transformaram e se transformam continuamente. A Doutrina Nacional contém princípios destinados a manter um status quo. Tais princípios evidenciam a figura do inimigo público, rotulado de comunismo ateu, perverso, expansionista, agitador e desestabilizador da ordem constituída. Então, todo aquele que questionar é necessariamente um inimigo. Eles  refutam os Direitos Humanos, desqualificando e negando a diferança dos homens, das classes e de suas aspirações de liberdade.

Desqualificar aqueles que anseiam pela abertura de nossa memória é praxe de alguns grupos dentro da sociedade brasileira. Nos assusta um pouco, quando estes grupos, tem se mostrado, ultimamente nos meios de comunicação, mas, principalmente nas mídias eletrônicas e alternativas. Penso, que eles, de certa forma, se fortalecem nos meios alternativos e se expressão da forma mais violenta e cruel, a exemplo, o preconceito selvagem contra homossexuais, nordestinos, negros e outros grupos das minorias organizadas. Lógico, que o preconceito não se restringe a seguidores da doutrina dos regimes autoritários. No entanto, eles se aproveitam desta deixa para formar facções que dizem preservar os "bons costumes" da família e da ordem social.

Nós não queremos o terror institucionalizado, pois entendemos que é uma afronta aos Direitos Humanos.
Faz anos que certos setores da sociedade civil lutam e se movimentam para a aberturas dos arquivos da Ditadura, mas sempre encontram entraves e desafios intransponíveis. É triste constatar que a grande maioria dos jovens brasileiros não conhece a história do período militar (Enquanto que a luta contra o regime era composta em sua maioria por jovens estudantes). Eles se encontram num quadro de alienação produzido pela condução histórica de nosso país. Conseguimos grandes êxitos no transcorrer dos anos, mas a memória continua fraca, lenta e resistente. A eleição da Presidente Dilma trouxe à tona muito, daquilo que, ainda, tentam esconder, tanto que, procuraram de todas as formas, classificar a sua história política de militância com atos de difamações grotescos, burros e desprezíveis, quando tentavam associar a sua imagem a um quadro de terrorismo. Avançamos e elegemos no Brasil a primeira mulher, a primeira militante de esquerda que participou ativamente da luta contra a ditadura e a primeira mulher guerrilheira. Mas, precisamos avançar mais, para superar as lacunas de nossa história e resgatar a nossa dignidade - resgatar, acima de tudo a verdade.

Em outros países da América Latina, como a exemplo da Argentina, que também passou por um regime ditatorial violento, com uma cifra de 30 mil mortos e desaparecidos, estabeleceu diferentes mecanismos de apuração das violações de direitos humanos. Muitas pessoas que praticaram de crimes contra os direitos humanos, foram levados ao banco dos réus. O Brasil ainda não fez isso. A luta pela verdade precisa prevalecer.

Disponibilizo aqui no Blogui, para assistir e divulgar o Documentário: "O Dia que Durou 21 Anos" de Flávio Tavares e de Camilo Tavares. 

Este documentário foi exibido na TV Brasil, nem todos viram, nem todos querem ver....

* O documentário expõe a efervescência da sociedade brasileira no período de 64. Para evitar que Goulart chegasse forte às eleições de 1965, foi criado o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática), que teria dado cobertura às ações dos Estudos Unidos para derrubar João Goulart.


Documentário Completo:




Episódio 1

Episódio 2

Episódio 3


No Blog do Mello você pode encontrar comentários e outras informações.

*** Material para Download: Projeto Brasil Nunca Mais.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Políticas Públicas para a Mulher: materiais para download



Ganhei alguns livros hoje. Um baita material para pesquisa em Políticas Públicas e, claro, para pensar e trabalhar   na área social.
Nada que seja, assim, de difícil acesso, pois, todas estas traças encontram-se disponíveis para download na Biblioteca (Publicações) da Secretaria de Políticas para a Mulher do Governo Federal. Tem coisas muito boas para pesquisa.
Disponibilizo aqui alguns troços que pensei serem de boa hora.




Para seguir a construção de pesquisa visite, também, a Secretaria de Direitos Humanos do Governo Federal. Ali encontrei umas coisas massa. Livros, filmes... Está bem interessante, mas pode melhorar muito mais, principalmente, com a abertura dos arquivos da Ditadura Militar.


Baixar Livro:




Campanha pela Memória e pela Verdade:




"Para que não esqueça, para que nunca mais aconteça".

sábado, 9 de abril de 2011

Kierkegaard em 90 minutos





Um Kierkegaard para refletirmos:


"Se a ciência fosse desenvolvida no tempo de Sócrates como é hoje, os sofistas e aqueles que pretendiam ensinar filosofia teriam sido cientistas. Teriam pendurado microscópios nas portas para atrair negócios e colocado avisos anunciando: “Aprendam e vejam num poderoso microscópio como a humanidade pensa.” (E ao ler esse anúncio, Sócrates teria dito: “É exatamente assim que se comportam os homens que não pensam.”)"


Soren Kierkegaard (Afonsinas selecionados)


Abaixar Livro: KIERKEGAARD em 90 minutos - Paul Strathern.

O BRASIL DIANTE DO HORROR

Reproduzindo um texto para pensarmos....

Marcos Rolim - 09/04/2011


Theodor W. Adorno disse que, após Auschwitz, seria mesmo impossível escrever poemas.


Com isto, talvez tenha tentado mostrar que depois da radicalidade do mal, mesmo nossos sentimentos haveriam de se alterar profundamente. Não é possível, afinal, ter acesso a uma dor tão disseminada sem que o mundo se mova e outras sejam suas formas. O massacre de Realengo é algo tão absurdamente cruel que é preciso que algo de substancial mude no Brasil. Se há uma homenagem a fazer às vítimas - após o silêncio a ser repartido entre todos como uma pausa para assimilar o que não pode ser compreendido - ela deve se feita nos termos de uma mudança.

Em 1996, em Dumblane, na Escócia, um homem invadiu uma escola e matou 16 crianças e um adulto. O impacto foi tamanho que a população recolheu mais de 700 mil assinaturas, com o apoio da imprensa, pelo banimento das armas de fogo, o que foi assegurado pelo parlamento logo depois.  Desde então, armas de mão (hand guns) só podem ser usadas por policiais, e mesmo assim, apenas por um grupo deles, especialmente treinados. Pois bem, penso que é chegado o momento do Brasil discutir esta proposta. David Coimbra a defendeu em sua coluna de sexta em ZH, em contraste com a névoa de opiniões desencontradas e especulações sem sentido que marcaram boa parte da cobertura jornalística no dia da tragédia.


Precisamos, é claro, reforçar a segurança nas escolas; especialmente para assegurar uma triagem efetiva de visitantes. Mais: toda escola deve possuir um plano minucioso para o caso de tiros em seu interior ou nas vizinhanças. Algo a ser treinado em diferentes versões e com simulações repetidas, de tal forma que todos saibam o que fazer em situações do tipo. Mesmo porque é possível que Realengo se repita naquilo que se convencionou chamar de “efeito copycat” (trabalhei este e outros temas em “Desarmamento: evidências científicas: ou tudo aquilo que o lobby das armas não gostaria que você soubesse”, disponível para download em:http://bit.ly/eDqCgu)


É impossível erradicar o mal da agência humana. Ele diz respeito à condição básica da liberdade mesmo. O que podemos e devemos fazer é diminuir suas possibilidades trágicas, reduzindo o potencial de letalidade da ação. O que será muito mais difícil de fazer com 16 milhões de armas de fogo circulando no Brasil. O assassino de Realengo era, muito provavelmente, um maluco que encontrou na moral sexual tipicamente religiosa o amparo para sua misoginia. Mas fosse só isto, jamais teríamos um massacre. A tragédia se tornou possível, porque o assassino tinha duas armas de mão e muitos carregadores. Sem estes instrumentos delineados para matar, nunca os danos seriam de tal monta. Não por acaso, massacres em escolas ocorrem com tanta freqüência nos EUA, o país com mais armas nas mãos de civis em todo o mundo. A propósito, em 1997, nenhuma criança foi morta por arma de fogo no Japão. 19 foram mortas no Reino Unido; 57 na Alemanha, 109 na França, 153 no Canadá e....5.285 nos Estados Unidos (!).  Queremos caminhar para uma realidade assim?


sexta-feira, 1 de abril de 2011

Deputado Bolsonaro Homofóbico e Preconceituoso

http://www.avaaz.org/po/homofobia_nao/?copy
http://www.avaaz.org/po/homofobia_nao/?rc=fb&ref=nf

ESTÁGIO EM ENFASE SOCIAL




Um resumo de experiência: (Fala proferida aos estudantes do 1° e 2° semestre de Psicologia da UNIJUÍ) 
* Luciana V. K. Mai.

Partiremos de uma primeira questão:
- O que são processos sociais?
Tentando responder:
É aquilo que circunda a condição humana: (movimentos, mudanças, condição sócio-histórica no contexto de cada época). Os processos sociais são referidos as questões macro e micro histórica. Primeiro, a leitura de um todo da sociedade, numa amplitude mais abrangente conforme seus aspectos inerentes ao socios. Depois, e o mais importante, refere-se as questões do indivíduo, as questões do sujeito: as suas singularidades e a sua subjetividade. A partir disso poderemos ter uma leitura dos processos sociais.

Em Psicologia das Massas e Analise do Ego (1921), Freud nos oferece uma “bomba” quando nos diz o seguinte:
“A psicologia individual é ao mesmo tempo uma psicologia social”.

Em meu estágio trabalhei, por exemplo, com o processo de exclusão social, de vulnerabilidade social e com o fenômeno da violência. Na prática trabalhei com várias subjetividades, aquilo que é de cada sujeito e que comumente dizemos: cada caso é um caso, respeitando, assim, aquilo que vem de maneira singular: o pedido, a demanda, o sofrimento de cada sujeito.

Eugène Enriquez nos oferece esta máxima:
“Torna-se claro que o indivíduo não existe fora do campo social... A psicanálise é uma ciência psicosocial tendo como característica perceber que é a outra cena (aquela do inconsciente, aquela do imaginário) é tão interessante quanto aquela do visível, o objeto habitual das ciências sociais”.

O estágio em ênfase social, erroneamente, parece se confundir com um trabalho meramente burocrático, de pesquisas e entrevistas.... Especialmente aquilo que não é da clínica, por exemplo. E, enquanto, estudantes de psicologia, estamos ávidos pelo atendimento clínico. Mas lhes digo, na ênfase social também produzimos uma escuta – a escuta do social, portanto, temos como prática a clínica do social. A ferramenta (instrumento) essencial de qualquer prática referente a psicologia, sem dúvida é a clínica, bem como as suas ferramentas teóricas que garantem um lugar ético e profissional. O método clínico dentro das instituições é o pilar mestre, independente do projeto que se escolhe. No meu estágio procurei marcar uma posição ética a qual, por minhas afinidades, foi a ética da psicanálise.

Meu estágio em ênfase social foi no CREAS – Centro de Referência Especializado de Assistência Social do Município de Ijuí. O objetivo era trabalhar junto as famílias dos adolescentes que cumpriam medidas sócio-educativas de internação, ou seja, adolescentes infratores.

terça-feira, 8 de março de 2011

Continente Negro



O "Continente Negro" é menstrual.
E é grávido de luas.
Ele é capaz de gerar a vida e gerar a morte.
O Continente Negro é bélico.
E é sentimental demais.
Ele gosta de sexo, prazer e amor.
O Continente Negro usa várias máscaras e véus.
Ele pode querer ou não ter muitos filhos,
Geralmente os tem...
É capaz de gerar alimento para suprir suas crias.
Ele é auto-sustentável.
O Continente Negro é do mais alto clã das bruxarias.
Tem poderes extraordinários,
principalmente, o segredo místico de fazer várias coisas ao mesmo tempo.
Ele pode enfeitiçar homens e comer mulheres.
Sim o Continente Negro pode amar a si próprio e comer de si mesmo.
Afinal, o que quer esse Continente?
Ele é terra firme, cercado de águas turbulentas...
A missão dele é atormentar a vida dos bípedes sem penas.


segunda-feira, 7 de março de 2011

Falando Nisso: Informativo da Clínica de Psicologia da Unijuí.



Gostaria de falar Nisso...

Em 04 de outubro de 1993 foi fundada a Clínica de Psicologia da Unijuí. Ela presta serviços a comunidade de Ijuí e de outras localidades. Atende crianças, adolescentes e adultos. O trabalho da clínica é pautado pelos referenciais psicanalíticos. Uma proposta de escuta livre, implicando o paciente em sua queixa, para assim, resignificar as motivações de seu sofrimento. 

No percurso dos trabalhos da Clínica um informativo surgiu, o qual foi batizado de Falando Nisso. O número 1 foi impresso e divulgado em outubro de 1999. Neste informativo, hoje em formato de revista, podemos encontrar as produções teóricas oriundas da prática clínica e dos estudos teóricos/conceituais da psicologia, bem como da psicanálise. Produções de professores, estagiários da clínica e de pesquisadores de áreas afins. O Falando Nisso é um rico material de pesquisa sobre as questões que interpelam a psicologia. Pensando nisso, disponibilizo aqui o link de acesso ao Falando Nisso. O material pode ser baixado gratuitamente a partir do site da universidade. Encontramos do número 1 (onde tudo começou) ao número 35. Juntamente com este material, também, podem ser usufruídos os Anuários da Clínica, que são os registros de todas as atividades da clínica. Mas, o nosso objetivo é falar nisso, portanto, é só seguir o passo, baixar, ler e falar nisso e em outras coisas que isso implicar. (trocadilhos malditos)...



sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Trote Universitário:


Copiei esta matéria, justamente, porque, nesta época do ano, voltamos às aulas e nos deparamos com os ditos trotes (Trotear que nem cavalo) - trotes chatos e na maioria das vezes, nojentos.  É com prazer que leio as opiniões do professor Paulo Denisar Fraga, querido mestre, que tive a oportunidade de conhecer.  Ele ensinou que a vida é muito mais que só carregar o piano... Recomendo a leitura do livro: A Violência no Escárnio do Trote Tradicional.

*****

Primeiro trote registrado no Brasil terminou em morte

Professores contam a origem do trote e afirmam a sua conotação violenta

por MARIANA NADAI | 11/02/2011
Em 1831, durante a recepção dos novos alunos da Faculdade de Direito de Recife, atual Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o calouro Francisco Cunha e Menezes se revoltou com as brincadeiras realizadas pelos veteranos. Na tentativa de deixar o local, Francisco foi interceptado a facadas por um dos estudantes mais velhos e morreu. A cena descrita marca o primeiro trote que se tem registro no Brasil.


Muito antes do assassinato de Francisco Cunha e Menezes, estudantes do mundo todo já sofriam com as recepções violentas dentro das universidades. “O primeiro trote que se tem registro aconteceu em 1342, na Universidade de Paris. Também há relatos de trotes na Universidade de Heidelberg, na Alemanha, em 1491”, diz Antônio Álvaro Soares Zuin, professor do departamento de Educação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e autor do livro O Trote na Universidade: Passagens de um Rito de Iniciação. 

De acordo com Zuin, os veteranos faziam coisas pavorosas com os calouros. “Na Universidade de Heidelberg, por exemplo, os 'bixos' eram obrigados a se masturbar, tinham que beber urina com vinho e comer alimentos com fezes”, diz o professor. No fim dos trotes, para assegurar que essa tradicional recepção fosse perpetuada, os calouros eram obrigados a assinar um termo de compromisso de que iriam realizar as mesmas ações no ano seguinte. 


Para Paulo Denisar Fraga, professor do Instituto de Ciências Humanas e Letras, da Universidade Federal de Alfenas (Unifal-MG) e autor do livro A Violência no Escárnio do Trote Tradicional, o trote, na sua origem, estava diretamente relacionado com os estudantes oriundos do meio rural. “O trote teve seu auge na Idade Média, quando os estudantes do meio rural chegavam à universidade. Na passagem do meio rural para o urbano, os estudantes eram execrados. Para eles, havia uma bestialidade na origem dos calouros e o trote representava uma espécie de batismo para a entrada no novo mundo”, afirma.


O trote é sempre violento?


Sim! Pelo menos é o que afirmam os professores. “Os trotes surgiram como uma forma de discriminação. O termo varia em muitas línguas. No francês, por exemplo, trote é brimade, que significa maltratar. Em inglês, vem de to haze, com o mesmo sentido do francês. Ou seja, sempre com o significado de enganar ou fazer joguete de alguém”, constata Fraga.



Segundo Zuin, a origem da palavra no português está relacionada diretamente ao trotar do cavalo. “Esses animais não sabem trotar, eles são domesticados para isso. A intenção de usar essa palavra para designar a recepção dos estudantes mostra essa relação do veterano de querer domesticar o calouro, o ‘bixo’”, explica. 

Para fugir da violência, muitos estudantes tentaram saídas alternativas. Nos Estados Unidos da década de 1960, por exemplo, os veteranos passaram a trocar as tradicionais hell weeks, ou semana dos infernos, dos novos alunos, pelas help weeks (semana da ajuda). Na mesma época, no Brasil, os calouros eram mobilizados para o movimento pelas reformas de base, do governo do presidente João Goulart. “Mas o AI-5 apertou o controle sobre as universidades e contribuiu para a degeneração dos trotes”, afirma Fraga. 


Atualmente, as universidade, na tentativa de acabar com as recepções violentas, criou o trote solidário. Nessa modalidade, ao invés dos calouros terem os cabelos raspados, serem pintados, ou, na pior das hipóteses, sofrerem agressões físicas, eles são convidados a fazer boas ações, como doar sangue ou recolher roupas e alimentos para pessoas carentes.

Entretanto, na visão de Zuin, até mesmo os trotes solidários são violentos. “Claro que eles são um avanço aos trotes tradicionais, mas o termo é contraditório. Caso você não queira colaborar voluntariamente, é visto como uma pessoa chata, que não participa das atividades. Ou seja, mesmo sendo uma ação solidária, você continua sendo domesticado a fazê-la. Ele é um avanço, mas não é a solução definitiva”, diz.


Paulo Fraga não chega a ser tão radical quanto Antonio Zuin, mas, para o professor da Unifal-MG, a expressão “trote voluntário” não está bem empregada. “O uso do termo trote tem que ser abandonado, independente do adjetivo que estiver ao seu lado, como nos 'trotes solidários'. Para mim, o correto seria dizer recepções solidárias. Assim, o termo cumpre o papel de combater e ocupar o lugar dos trotes, propondo uma introdução adequada à vida acadêmica, e não a formas explícitas ou veladas de violência e desrespeito entre as pessoas”, propõe.


domingo, 13 de fevereiro de 2011

Hilda Hilst



Quando se está com dor, nada mais agradável do que a literatura. Quando quero sair de mim e, assim, entrar, inevitavelmente, numa espécie de mim-outra, eu leio o que não se recomenda ler. Quando daquela melancolia insuportável, uma dor-veneno vem de mansinho comer por dentro e comer muito, então, nada mais justo do que alimentar o monstruoso e fazer um caldo, quase sopa, daquelas coisas inquietantes, angustiantes, melodramáticas, trágicas, insuportaveis, desonestas, verdadeiras, solitárias, narcisistas, egoístas... A dor da alma é obscena, por isso, vai se mostrando aos pouquinhos, depois engole você e se esconde dentro das palavras.

Fiz uns recortes de coisas da Escritora Hilda Hilst. Uns videos bem bacanas e uns livros para capturar.
A receita é esta: Hilda Hilst para que tudo seja uma grande obscenidade, inclusive Deus. Para que tudo seja, em cada momento, um júbilo. Um noviciado da dor, da vida, da vontade, do desejo...

Alcoólicas

de Hilda Hilst

É crua a vida. Alça de tripa e metal.
Nela despenco: pedra mórula ferida.
É crua e dura a vida. Como um naco de víbora.
Como-a no livor da língua
Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me
No estreito-pouco
Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida
Tua unha plúmbea, meu casaco rosso.
E perambulamos de coturno pela rua
Rubras, góticas, altas de corpo e copos.
A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos.
E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima
Olho d'água, bebida. A Vida é líquida.
(Alcoólicas - I)


***
Videos:

H H Falando

Reportagem especial sobre Hilda Hilst.
(Parte 1,2,3,4)
(1)
(2)
(3)
(4)

Zélia Duncan fala de H H:


Osmo: Peça de Teatro

Cena do Filme: Do Começo ao Fim. 

***
Livros de Hilda Hilst para degustar ao som de boleros e tangos:
A Obscena Senhora D.
Poesia Completa.
O Caderno Rosa de Lori Lamby.
Cartas de um Sedutor.
Cartas de um Sedutor. (Outra versão de arquivo)
Estar Sendo. Ter Sido.
O Rato no Muro.
Contos D'Escarnio.
Biografia e Resumo de Obras.
Revista Cult - 1998.


***
Sites Oficiais da Escritora:
http://www.angelfire.com/ri/casadosol/hhilst.html

***



"Fidelidade é qualidade de cachorro." (LFT - lembrando das palavras de HH)


"Alguns doutos em ciências descobriram que quanto maior o intestino, mais místico o indivíduo. E quem mais místico que Deus? Grande Intestino, orai por nós."


"Esquerda, direita, tudo a mesma esterqueira."


"Quem és? Pergunto ao desejo. Respondeu: lava. Depois pó, Depois nada."



"E por que haverias de querer minha alma na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas, obscenas,
porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo, prazer, lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando Aquele Outro.
E te repito: por que haverias de querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me."



quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Onde Estivestes de Noite



Meu desânimo parece incompreensível... Uma onda de desassossego, seguido de pensamentos repetitivos. Um suspiro... e faço força para escrever, pensar no nada, respirar... Esta semana encontrei um livro de Lygia Fagundes Telles. Um livro barbada, pois, comprei pela bagatela de 3 reais. Nem acreditei, mas foi a melhor coisa que me aconteceu. Consegui ler um dos contos, chamado "Onde Estiveste de Noite?" É um relato de um momento singular da autora, uma lembrança de uma lembrança - Lembrança de Clarice Lispector. Não tenho vontade de escrever sobre a coisa, nem tão pouco, dizer nada de nada, por isso, copiei o conto de Clarice e colei ele aqui. Bem, faltou o conto de Lygia, que, na verdade, é o protagonista, mas me desculpem, agora não, depois eu procuro. Quem tiver força vai ler, quem tiver vontade vai usufruir, quem... quem... quem... Não importa. Tudo fragmentado neste momento... Ah, o conto de Clarice tem o mesmo nome, porém, não faz ponto de interrogação. Sutil detalhe compreensível. 

***

Onde Estivestes de Noite
(Clarice Lispector)

A noite era uma possibilidade excepcional. Em plena noite fechada de um verão escaldante um galo soltou seu grito fora de hora e uma só vez para alertar o início da subida pela montanha. A multidão embaixo aguardava em silêncio.
Ele-ela já estava presente no alto da montanha, e ela estava personalizada no ele e o ele estava personalizado no ela. A mistura andrógina criava um ser tão terrivelmente belo, tão horrorosamente estupefaciente que os participantes não poderiam olhá-lo de uma só vez: assim como uma pessoa vai pouco a pouco se habituando ao escuro e aos poucos enxergando. Aos poucos enxergavam o Ela-ele e quando o Ele-ela lhes aparecia com uma claridade que emanava dela-dele, eles paralisados pelo que é Belo diriam: "Ah, Ah". Era uma exclamação que era permitida no silêncio da noite. Olhavam a assustadora beleza e seu perigo. Mas eles haviam vindo exatamente para sofrer o perigo.
[...]
Aquela que de noite gritava "estou em espera, em espera", de manhã, toda desgrenhada disse para o leite na leiteira que estava no fogo:
- Eu te pego, seu porcaria! Quer ver se tu te mancas e ferves na minha cara, minha vida é esperar. É sabido que se eu desviar um instante o olhar do leite, esse desgraçado vai aproveitar para ferver e entornar. Como a morte que vem quando não se espera.
Ela esperou, esperou e o leite não fervia. Então, desligou o gás.
No céu o mais leve arco-íris: era o anúncio. A manhã como uma ovelha branca. Pomba branca era a profecia. Manjedoura. Segredo. A manhã preestabelecida. Ave-Maria, gratia plena, dominus tecum. Benedicta tu in mulieribus et benedictum frutus ventri tui Jesus. Sancta Maria Mater Dei ora pro nobis pecatoribus. Nunca et ora nostrae morte Amem.
Padre Jacinto ergueu com as duas mãos a taça de cristal que contém o sangue escarlate de Cristo. Eta, vinho bom. E uma flor nasceu. Um flor leve, rósea, com perfume de Deus. Ele-ela há muito sumira do ar. A manhã estava límpida como coisa recém-lavada.
AMÉM

Os fiéis distraídos fizeram o sinal da Cruz.

AMÉM
DEUS
FIM


Epílogo:
Tudo o que escrevi é verdade e existe. Existe uma mente universal que me guiou. Onde estivestes de noite? Ninguém sabe. Não tentes responder - pelo amor de Deus. Não quero saber da resposta. Adeus. A-Deus.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Fome e Desejo



Será que sabemos o que é a fome? O que é fome?
A fome só existe no momento em que vê a comida. Antes disso não sabe o que é fome. Não existe fome; não existe nada.
"Cada um fora alguma vez feliz e ficara com a marca do desejo".
Se um dia, por algum momento, não existia a fome, então, não existia o desejo. 
"Não existia a benção da fome".
Antes era limpo, livre e distante do desejo humano. Depois veio a fome e nos tornamos monstruosos. E, assim, envolvemos a criatura numa rede de tiranias e sufocamos a nós e ao outro. O que nos move é a fome - uma fome insaciável. "Fome que nasceu quando a boca já está perto da comida". 
Dividimos todos os dias em todos os momentos, sem sossego, sem trégua o nosso movimento faminto. Sim somos milhões de famintos - milhões de estranhos que dividem pão e amor. "Come come e reparte".
Em cada poro de nosso corpo um grito de fome e de nossa boca o pedido:
- Mostre-me o caminho à você, seja o mestre. Não me diga nada e nem me deixe acompanhá-la, apenas me induza, como se adivinhasse aquilo que me sutura.
Eu tenho fome, mas não sei de quê. 

* Os grifos são frases de Clarice Lispector, do conto "A Repartição dos Pães".
* A imagem da chuva, que tem haver com fome e desejo? Para mim, solidão e liberdade. A melancolia da chuva transmuta-se em puro desejo. Desejo de.


Livros para Baixar e Ler:




AddThis