Quadro "O Pesadelo" de Henry Fuseli (1741-1825)

* A Peste Onírica é um delírio subversivo. Postamos aqui nossas réles "produçõezinhas"; nossos momentâneos surtos de divagações em nome do Real do Simbólico e do Imaginário. Estão aqui nossos ensaios para que possamos alçar outros vôos num futuro próximo. Aproveitem os links, os materiais, as imagens, as viagens. Sorvam nossas angústias, nossas dores e masquem nossa pulsão como se fosse um chiclete borrachento com sabor de nada. Pirateiem, copiem, contribuam e comentem para que possamos alimentar nosso narcisismo projetivo. E sorvam de nossa libido, se assim desejarem.


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segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Aaron Swartz–Documentário:

Aaron Swartz

No início de 2013, Aaron Swartz – criador do RSS 1.0 e um dos fundadores do Reddit – cometeu suicídio. Ele tinha 26 anos. Ele queria tornar públicos os artigos da base acadêmica JSTOR, e por isso poderia ser condenado a até 50 anos de prisão e a US$ 4 milhões em multas.

O filme The Internet’s Own Boy: The Story of Aaron Swartz foi legendado de forma não-oficial, por um esforço coletivo, e está disponível abaixo - clique no botão “Legendas” para ativá-las. Vale lembrar que o filme está disponível em licença Creative Commons.

O documentário foi produzido por Brian Knappenberger – que dirigiu um documentário sobre o Anonymous e financiado através do Kickstarter que superou a meta: Knappenberger pediu US$ 75.000, mas recebeu quase US$ 94.000. O filme estreou em janeiro no festival de cinema em Sundance, e nos cinemas americanos e video on demand em junho.

O Menino da Internet: a História de Aaron Swartz conta como o jovem criou o protocolo RSS, usado em inúmeros sites até hoje; como ajudou a criar o Reddit, uma das maiores comunidades online; e sua luta contra o projeto de lei antipirataria SOPA através da entidade Demand Progress.

Mais informações: http://gizmodo.uol.com.br/documentario-aaron-swartz/

 

O Menino da Internet: a História de Aaron Swartz

 

 

Perdão, Aaron Swartz:

A morte de um gênio da internet, aos 26 anos, é um marco trágico do nosso tempo. É hora de pensar sobre nossas ações – ou omissões

ELIANE BRUM - 21/01/2013.

– Eu sinto fortemente que não é suficiente simplesmente viver no mundo como ele é e fazer o que os adultos disseram que você deve fazer, ou o que a sociedade diz que você deve fazer. Eu acredito que você deve sempre estar se questionando. Eu levo muito a sério essa atitude científica de que tudo o que você aprende é provisório, tudo é aberto ao questionamento e à refutação. O mesmo se aplica à sociedade. Eu cresci e através de um lento processo percebi que o discurso de que nada pode ser mudado e que as coisas são naturalmente como são é falso. Elas não são naturais. As coisas podem ser mudadas. E mais importante: há coisas que são erradas e devem ser mudadas. Depois que percebi isso, não havia como voltar atrás. Eu não poderia me enganar e dizer: “Ok, agora vou trabalhar para uma empresa”. Depois que percebi que havia problemas fundamentais que eu poderia enfrentar, eu não podia mais esquecer disso.

Aaron Swartz tinha 22 anos quando explicou por que fazia o que fazia, era quem era. Aos 26, ele está morto. Foi encontrado enforcado em seu apartamento de Nova York na sexta-feira, 11 de janeiro. Provável suicídio. Talvez a maioria não o conheça, mas Aaron está presente na nossa vida cotidiana há bastante tempo. Desde os 14anos, ele trabalha criando ferramentas, programas e organizações na internet. E, de algum modo, em algum momento, quem usa a rede foi beneficiado por algo que ele fez. Isso significa que, aos 26 anos, Aaron já tinha trabalhado praticamente metade da sua vida. E, nesta metade ele participou da criação do RSS (que nos permite receber atualizações do conteúdo de sites e blogs de que gostamos), do Reddit (plataforma aberta em que se pode votar em histórias e discussões importantes), e do Creative Commons (licença que libera conteúdos sem a cobrança de alguns direitos por parte dos autores). Mas não só. A grande luta de Aaron, como fica explícito no depoimento que abre esta coluna, era uma luta política: ele queria mudar o mundo e acreditava que era possível.

E queria mudar o mundo como alguém da sua geração vislumbra mudar o mundo: dando acesso livre ao conhecimento acumulado da humanidade pela internet. E também usando a rede para fiscalizar o poder e conquistar avanços nas políticas públicas. Movido por esse desejo, Aaron ajudou a criar o Watchdog, website que permite a criação de petições públicas; a Open Library, espécie de biblioteca universal, com o objetivo de ter uma página na web para cada livro já publicado no mundo; e o Demand Progress, plataforma para obter conquistas em políticas públicas para pessoas comuns, através de campanhas online, contato com congressistas e advocacia em causas coletivas. Em 2008, lançou um manifesto no qual dizia: “A informação é poder. Mas tal como acontece com todo o poder, há aqueles que querem guardá-lo para si”.

Indignado com a passividade dos acadêmicos diante do controle da informação por grandes corporações, ele conclamava a todos para lutar juntos contra o que chamava de “privatização do conhecimento”. Baixou milhões de arquivos do judiciário americano, cujo acesso era cobrado, apesar de os documentos serem públicos. Chegou a ser investigado pelo FBI, mas sem consequências jurídicas. Em 2011, porém, Aaron foi alcançado.

>> O risco de criar um mártir da pirataria

Em alguns dias, ele baixou 4,8 milhões de artigos acadêmicos de um banco de dados chamado JSTOR, cujo acesso é pago pelas universidades e instituições. Aaron usou a rede do conceituado MIT (Massachusets Institute of Technology) para acessar o banco de dados, fazendo download de muitos documentos ao mesmo tempo, o que era – é importante ressaltar – permitido pelo sistema. Não se sabe o que ele faria com os documentos, possivelmente dar-lhes livre acesso. Mas, se era esta a intenção, Aaron não chegou a concretizá-la. Ao ser flagrado, ele assegurou que não pretendia lucrar com o ato e devolveu os arquivos copiados para o JSTOR, que extinguiu a ação judicial no plano civil.

Havia, porém, um processo penal: Aaron foi enquadrado nos crimes de fraude eletrônica e obtenção ilegal de informações, entre outros delitos. “Roubo é roubo, não interessa se você usa um computador ou um pé-de-cabra, e se você rouba documentos, dados ou dólares”, afirmou a procuradora dos Estados Unidos em Massachusetts, Carmen Ortiz (United StatesAttorney). Aaron seria julgado em abril. E, se fosse acatado o pedido da acusação, esta seria a sua punição: 35 anos de prisão e uma multa de 1 milhão de dólares.

Aaron Swartz morreu antes, aos 26 anos. E, como disse Kevin Poulsen, na Wired: “O mundo é roubado em meio século de todas as coisas que nós nem podemos imaginar que Aaron realizaria com o resto da sua vida”. Na The Economist, ele assim foi descrito: “Chamar Aaron Swartz de talentoso seria pouco. No que se refere à internet, ele era o talento”. Susan Crawford, que foi conselheira de tecnologia do governo de Barack Obama, afirmou, como conta John Schwartz, noThe New York Times: “Aaron construiu coisas novas e surpreendentes, que mudaram o fluxo da informação ao redor do mundo”. E, acrescentou: “Ele era um prodígio complicado”.

Li em vários artigos que Aaron seria depressivo. Em alguns textos, a suposta depressão foi citada como causa de sua decisão, como se a doença pudesse estar isolada – e não associada aos possíveis abusos cometidos contra ele no curso do processo judicial. É evidente que qualquer pessoa, e especialmente se ela for saudável, sofreria com a perspectiva de passar as próximas três décadas na cadeia – mais ainda se isso significasse um tempo superior à toda a sua vida até então. Esta é uma possibilidade capaz de abater até o mais autoconfiante e otimista entre nós, o que não equivale a dizer que todos lidariam com esse pesadelo da mesma forma. Se é perigoso encontrar um culpado para uma escolha tão complexa quanto o suicídio, também é perigoso quando a depressão é vista como algo apartado da vida vivida – e a patologia é colocada a serviço da simplificação. Se as doenças falam do indivíduo, falam também do seu mundo e de seu momento histórico. (leia mais sobre a trajetória de Aaronaqui e aqui.)

Se Aaron Swartz encerrou a própria vida, esta foi a sua decisão. Tornar-se adulto é também bancar as suas escolhas – e, neste sentido, estar só. Digo isso para que a nossa dor não esvazie de protagonismo o último ato de Aaron, o que equivaleria a desrespeitá-lo. Aaron é responsável por sua escolha, por mais que ela possa ser lamentada. E só ele poderia afirmar por que a fez.

Isso não significa, porém, que vários atores do caso judicial que envenenou a vida de Aaron nos últimos dois anos, com aparentes excessos, não precisem também assumir responsabilidades e responder por suas respectivas escolhas.Um dos mentores de Aaron, Larry Lessig (escritor, professor de Direito da Universidade de Harvard, cofundador do Creative Commons) afirmou que ele tinha errado, mas considerou a acusação e a possível punição uma resposta desproporcional ao ato. Logo após a morte de Aaron, escreveu: “(Ele) partiu hoje, levado ao limite pelo que uma sociedade decente só poderia chamar de bullying”.

Colunistas como Glenn Greenwald, do Guardian, acreditam que o processo penal era uma resposta do governo dos Estados Unidos contra o seu ativismo libertário: “Swartz foi destruído por um sistema de ‘justiça’ que dá proteção integral aos criminosos mais ilustres – desde que sejam membros dos grupos mais poderosos do país, ou úteis para estes –, mas que pune sem piedade e com dureza incomparável quem não tem poder e, acima de tudo, aqueles que desafiam o poder”. Em declaração pública, a família afirmou: “A morte de Aaron não é apenas uma tragédia pessoal. É produto de um sistema de justiça criminal repleto de intimidações”. A família também responsabilizou o MIT pelo desfecho.

Em comunicado, o presidente do MIT, L. Rafael Reif, anunciou a abertura de um inquérito interno para apurar a responsabilidade da instituição nos acontecimentos que levaram à morte de Aaron. Reif escreveu: “Eu e todos do MIT estamos extremamente tristes pela morte deste jovem promissor que tocou a vida de tantos. Me dói pensar que o MIT tenha tido algum papel na série de eventos que terminaram em tragédia. (...) Agora é o momento de todos os envolvidos refletirem sobre suas ações, e isso inclui todos nós do MIT”.

É tarde para o MIT, é tarde para nós. Mas, ainda assim, necessário. É importante pensar sobre o significado da tragédia de Aaron Swartz. E, para começar, só o fato de ela poder significar algo para todos, sendo ele um jovem americano encontrado morto num apartamento em Nova York, é bastante revelador desse mundo novo que Aaron ajudava a construir. Esse mundo que nos une em rede, simultaneamente, que faz o longe ficar perto. Nesse contexto, a tragédia de Aaron Schwartz não é apenas um episódio, mas o marco de um momento histórico específico. Nele, diferentes forças econômicas, políticas e culturais se batem para impor ou derrubar barreiras no acesso ao conhecimentona internet. E este é, junto com a questão socioambiental, o maior debate atual. E é ele que está moldando nosso futuro.

Como disse Tatiana de Mello Dias, em seu blog no Estadão, “poucas pessoas traduziram tão bem a época em que nós estamos vivemos quanto Aaron Swartz”. Isso faz com que possamos pensar que sua morte é também, simbolicamente, um fracasso da geração a qual pertenço. Essa geração que testemunhou o nascimento da internet, que está decidindo – na maioria dos casos por omissão – como o conhecimento vai circular dentro dela e que, por ter crescido num mundo sem ela, nem chega a compreender totalmente o que está em jogo. E por isso deixa a geração de Aaron tão só.

Obviamente sou capaz de perceber os poderosos interesses envolvidos nas decisões relacionadas à internet, boa parte deles conduzidos também por gente da geração a qual pertenço. Mas me refiro aqui à passividade de muitos, no exercício da cidadania, diante de um dos debates cruciais do nosso tempo. E aqui vale uma observação: quando se diz que a juventude atual é alienada, que não trava lutas políticas como seus pais e avós, não é também deixar de enxergar o que se passa na internet, a “rua/praça” de uma série de movimentos políticos levados adiante pelos mais jovens? Já não é um tanto estúpido pensar em mundo real/mundo virtual como oposições? Criticar o “ativismo de sofá” dos mais jovens, menosprezando as ações na rede, não seria má fé ou ignorância? Talvez, como pais e adultos desse tempo, parte de nós tenha apenas medo e vergonha daquilo que não compreende. E, em vez de tentar compreender, num comportamento humano tão triste quanto clássico, desqualifica e rechaça. Afinal, literalmente, a internet tirou o chão que acreditávamos existir debaixo dos nossos trêmulos pés. Ou, pelo menos, nos mostrou que não havia nenhum.

Aaron não era apenas um gênio da internet, ainda que essa palavra “gênio” já tenha sido tão abusada. Talvez o maior ato político de Aaron tenha sido o que fez com seu talento. Ele usou-o para lutar pelo acesso livre ao conhecimento, via internet. Isso, em si, já o tornaria perigoso para muitos. Mas há algo que pode ter soado ainda mais imperdoável: Aaron não queria ganhar dinheiro com o seu talento. Ele não era aquilo que as crianças são ensinadas a admirar: um jovem gênio milionário da internet, como Mark Zuckerberg, o criador do Facebook. Aaron Swartz era um jovem gênio que não queria ser milionário. E, convenhamos, nada pode ser mais subversivo do que isso.

Ao ler sobre a morte de Aaron Swartz, lembrei de dois versos. Ao fim ou diante dele, apesar de todos os argumentos, é só a poesia que dá conta da tragédia. Um é do eternamente jovem Rimbaud (1854-1891): “Por delicadeza, perdi minha vida”. E o outro foi escrito por um Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) já velho: “Alguns, achando bárbaro o espetáculo, prefeririam (os delicados) morrer”.

Quando lemos o que Aaron Swartz escreveu, ouvimos o que disse, ele que acreditava tanto em mudar o mundo, é difícil não pensar: por que ele desistiu de nós, ele que acreditava tanto? Que mundo é esse que criamos, onde alguém como Aaron Swartz acredita não caber?

Então, é isso. Ele nos deixou sozinhos no mundo que legamos à sua geração. Entre os tantos feitos admiráveis deixados por Aaron em sua curta trajetória, ao morrer ele deixou também um outro legado: a denúncia do nosso fracasso.

Perdão, Aaron Swartz.

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domingo, 6 de outubro de 2013

Notícias de uma guerra particular (Filme) X Por um novo modelo de polícia no Brasil:

 

notícias de Uma Guerra Particular

 

Filmado ao longo de dois anos (1997-1998), o documentário “Notícias de uma Guerra Particular” retrata o cotidiano doloroso da batalha contra o narcotráfico no Rio de Janeiro. O cineasta João Moreira Salles e a produtora Kátia Lund dividiram a direção e o roteiro do filme, que conta com a participação de conhecidos nomes da área de segurança pública do estado, como o ex-capitão do BOPE e atual comentarista de segurança da Rede Globo, Rodrigo Pimentel. Foi da fala do próprio Pimentel que saiu o título para o filme.

Ao longo do documentário, conhecemos o dia-a-dia dos três lados mais diretamente envolvidos (e prejudicados) por essa “guerra particular”: o policial, o traficante e o morador da favela. Os lados fortemente armados do conflito fazem afirmações, porém já conhecidas: os traficantes que aprendem a matar desde criança acham tudo normal e os policiais que matam sentem a sensação de “dever cumprido”. Já os moradores, presos no meio do fogo cruzado, ficam divididos e acabam sendo prejudicados de todas as formas possíveis, já que a ameaça é constante e vem tanto dos criminosos como do Estado.

 

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“Notícias de uma Guerra Particular” tem o grande mérito de expor uma realidade que muitos preferem ignorar. O filme, lançado em 1999, continua extremamente atual, o que é visível pela fala do ex-chefe da Polícia Civil, Hélio Luz:

“(...) a polícia precisa ser corrupta e violenta, nós fazemos a segurança do Estado, (...) temos que manter os excluídos sob controle. Vivemos numa sociedade injusta e a polícia garante essa sociedade injusta (...)”.

 

Veja o documentário abaixo:

 

 

 

 

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NOVO MODELO DE POLÍCIA:

Artigo de Marcos Rolim

 

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Esta semana, o Senador Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC 51) que reformula o atual modelo de polícia.

A proposta é avançada e pretende corrigir destacadamente duas distorções: a absurda partição do ciclo de policiamento e a inexistência de carreiras únicas em cada instituição policial.

Explico: em todo o mundo civilizado cada polícia atua desde os serviços de patrulhamento até as tarefas de investigação. Como regra, os patrulheiros atuam uniformizados e os policiais dos departamentos de investigação se dedicam ao esclarecimento de crimes. Estas duas dimensões básicas do trabalho policial conformam o chamado “ciclo de policiamento” e estão presentes em todas as polícias do mundo, menos no Brasil. Aqui, por razões históricas, optamos pela partição do ciclo, atribuindo à Polícia Militar (PM) o patrulhamento e à Polícia Civil (PC) a investigação, razão pela qual não temos duas polícias em cada estado, mas duas metades de polícia. É esta divisão do ciclo a responsável pela persistente hostilidade entre as duas polícias que, como regra, não dividem informações, não compartilham recursos e alimentam infinitas disputas de prerrogativas.  Não satisfeito em criar estas metades de polícia, o modelo vigente ainda produziu um segundo “corte”, desta vez horizontalmente dentro de cada instituição. Nas PCs, o corte se dá entre delegados e não-delegados e na PMs, entre oficiais e não-oficiais. Cada uma destas camadas se organiza a partir de interesses específicos e mecanismos de seleção diferentes e, entre elas, há enormes desigualdades salariais, de poder e prestígio. Como resultado, temos instituições fraturadas, que não oferecem aos policiais uma carreira de verdade; motivo pelo qual as polícias brasileiras nunca completam seus efetivos. Também aqui, nosso modelo é único. Em todo o mundo, há uma só carreira em cada polícia. Assim, nas democracias avançadas, todo o chefe de polícia terá sido patrulheiro, porque todos os policiais iniciam no serviço rotineiro de patrulha. Depois, na medida em que dão mostras de suas capacidades, vão progredindo na carreira.

 

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No Brasil, não temos, ainda, sequer um campo autônomo da segurança pública. Nossas duas metades de polícia se originam de outros dois “campos”: as PMs, do campo da Defesa e as PCs, do campo da Justiça. As primeiras, espelhadas no Exército, foram vocacionadas para a guerra; as segundas, espelhadas no Judiciário, foram vocacionadas para os tribunais; o que faz com que, ainda hoje, muitos policiais se imaginem “guerreiros” ou “juízes”. Também por estes mitos, não avançamos na construção de polícias democráticas e eficientes.

 

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Neste quadro, a PEC 51 desconstitucionaliza o modelo de polícia, permitindo que Estados e Municípios sejam protagonistas na definição das polícias que desejam. Uma boa noticia, em síntese. Talvez o Brasil também tenha acordado para a gravidade do tema e se tenha criado a oportunidade de discutir o cesto ao invés das maçãs.

 

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(E então???)

Lembramos do Pedreiro Amarildo, assassinado pela PM do RJ. E, então?

Lembramos da BM do RS, prendendo e batendo em professores e militantes sociais. E, então?

 

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!!!

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Sigmund Freud - A Invenção da Psicanálise Documentário da GNT (1997):


Finalmente o documentário completo!!! Uhhuuuu!


O documentário mostra muito material fotográfico e vídeos raros como o de Jung descrevendo seu primeiro encontro com Freud e relato de Ernest Jones, como também as últimas imagens de Freud em seu apartamento em Viena, pouco antes do exílio em Londres, feitas por Marie-Bonaparte, neta de Napoleão Bonaparte. Traz ainda a única gravação em áudio da voz de Freud em entrevista à BBC de Londres em 07 de dezembro de 1938. Mostra, detalhadamente, a trajetória da psicanálise, desde seu nascimento até as direções tomadas no período após a morte de Freud, associando-a aos fatos históricos de cada época. Todo o filme é comentado por Elisabeth Roudinesco e Peter Gay, que escreveu a biografia de Freud, chamada “Freud: Uma vida para nosso tempo”.

Adoroooo ver a Elisabeth Roudinesco neste vídeo (MUSA)!







sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Lixo Extraordinário Documentário:


Vik Muniz


Achei interessante este documentário, embora procurasse outro material para refletir algumas coisas:





Hoje fiquei pensando sobre isso, se devo me sentir envergonhada, constrangida, pobre, feia e encardida só pq paro para dar uma bisbilhotada em lixeiras, especificamente naquelas que vejo um monte de papeis?

Adoro materiais do lixo!

Encontrei algumas pérolas no lixo de minha cidade: Um livro do Guy de Maupassant, Pedro Demo, Mario Osório Marques (Um ex-padre Capuchinho que fundou uma Universidade chamada Unijuí), livros sobre a América Latina (bem interessantes), Graciliano Ramos, Umbanda, metodologia científica...

Devo parar de remexer no lixo?

Deveríamos parar de produzir tanto lixo!


Talvez, nós é que sejamos o verdadeiro lixo! Reciclável?


terça-feira, 27 de agosto de 2013

Arthur Bispo do Rosário:


Bispo do Rosário enfrente a um de seus painéis.


“Sofro sonhos”.
(Arthur Bispo do Rosário) 


Bispo do Rosário passou mais de 50 anos internado na Colônia Juliano Moreira, onde produziu muitos objetos a partir do lixo e da sucata. Objetos que foram considerados como obras de arte vanguardistas, comparadas à obra de  Marcel Duchamp.







Biografia Clínica - Arte e Loucura.



O Bispo





Documentário “O Prisioneiro Da Passagem” de Hugo Denizart:




(Se alguém encontrar link do filme (completo) Senhor do Labirinto, vamos compartilhar, pois não consegui encontrar).


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Chomsky fala, em entrevista, sobre Žižek e Lacan:



Reproduzindo...


Há poucas semanas colocaram no youtube declarações de Chomsky sobre Zizek e Lacan. Julie Wark, membro do Conselho Editorial de SinPermiso e amiga pessoal de Chomsky, as transcreveu e traduziu para o Sin Permiso (SP).

Não é nova a hostilidade do grande cientista e veterano ativista político estadounidense a todas as variantes do obscurantismo pós-modernista em geral, e em particular, da “French Theory” e seus múltiplos derivados. Já faz duas décadas, por exemplo, escrevia:

“Os intelectuais de esquerda participaram ativamente da animada vida da cultura operária. Alguns buscaram compensar o caráter de classe das instituições culturais com programas de educação operários ou mediante obras de divulgação – que tiveram um êxito muito grande – sobre matemáticas, ciências e outros temas. É doloroso constatar que hoje em dia seus pretensos herdeiros ao contrário privam os trabalhadores desses instrumentos de emancipação, informando-nos, deste modo, que o ‘projeto dos Enciclopedistas’ está morto, que temos que abandonar as ‘ilusões’ da ciência e da racionalidade.  Será uma mensagem que fará felizes os poderosos, satisfeitos por monopolizar esses instrumentos para seu próprio uso.”

E faz pouco mais de 8 anos, que Chomsky explicava que quando abre uma revista especializada de matemáticas, normalmente não entende muita coisa, mas se tem interesse em compreender algum tema em especial, “sei o que tenho que fazer”. Se dirige a um amigo ou colega com conhecimentos sobre o tema que busca explicação, e lhe pede que o explique. O objetivo se cumpre de forma habitual. Mas, em notabilíssimo contraste, quando trata de ler algo escrito pelos pós-modernos que não entende, não serve de nada. “Os que praticam estas artes não parecem capazes de explicar-me o conteúdo do que se diz”. E acrescenta uma continuação: “é o contrário do que ocorre habitualmente nas ciências, nas matemáticas, na composição musical ou em outros domínios”.

A pequena entrevista que na continuação traduzimos segue esta mesma linha, que expressa com simpática contundência a indignação do homem de ciência e do homem de ação contra o não tão inócuo charlatão de salão.

George Hegel: Em uma de nossas conversas no passado, você disse que não lhe interessava muito a teoria, nem pensa que seja útil ou que tenha aplicações práticas na hora de combater e mudar estes sistemas de poder. Não obstante, em nossos tempos um dos intelectuais esquerdistas mais polivalentes, Slavoj Žižek, tem uma perspectiva quase diametralmente oposta em seu trabalho. Ele se baseia no trabalho de Derrida e Lacan e outros para explicar sua crítica do capitalismo global, a ideologia do império, e assim sucessivamente. Me explique por que você não escreveu mais livros sobre teoria política, econômica ou social e que pensa do trabalho de Slavoj Žižek, na medida que você o leu ou conheça, seu uso do trabalho do psicanalista francês Lacan e, por suposto, de Derrida, o desconstrucionismo e todo seu legado?

O aclamado e “pop” filósofo Slavoj Zizek recebe a crítica de Noam Chomsky.

Noam Chomsly: Você se refere a “Teoria” e quando disse que não me interessava por teoria, o que queria dizer é que não me interessa essa adoção de posturas mediante o uso de termos extravagantes compostos de arquisílabos, nem, menos, a ficção travestida de dispor de uma “teoria”, quando não há nenhuma teoria em absoluto. Não nada de teoria em todo este rolo, não, não, desde logo, no sentido de “teoria” de quem esteja minimamente familiarizado com as ciências, ou com qualquer outro campo sério. Tente você buscar em todo o trabalho que mencionei alguns princípios dos quais seria possível deduzir conclusões ou proposições empiricamente verificáveis e a um nível um pouco mais alto do que se possa explicar a um menino de doze anos em cinco minutos. Veja se você pode encontrar algo assim, uma vez decodificadas todas as palavras extravagantes. Eu, não posso. Carece, pois, de interesse para mim este tipo de pavoneio presunçoso.

Žižek representa um exemplo extremo do mesmo. Não vejo o menor conteúdo no que diz. Respeito Jacques Lacan, decerto é que cheguei a conhecê-lo pessoalmente. E nesse plano, me agradava bastante. Nos reuníamos de vez em quando em Paris. Mas, para dizer a verdade, sempre pensei que era um charlatão integral. Não fazia senão floreios ante as câmeras de televisão, à maneira típica de tantos intelectuais de Paris. Não tenho a menor ideia de que por que tudo isto lhe parece a você tão influente. Eu não vejo nada que mereça ter essa influência. Quiçá você me possa explicar por que pensa que é influente; se há algo importante, eu, sou incapaz de vê-lo. Não me interessam os falsários intelectuais vazios de conteúdo.

George Hegel: Creio que lhe interessa a muita gente…, sobretudo porque este trabalho é cada vez mais popular em ambientes contestatórios… recordo que ouvi o nome de Žižek há poucos anos, e agora quando vou a diferentes círculos organizadores de acontecimentos, protestos, reuniões ou assembleias, ouço todavia seu nome ou comentários sobre seu trabalho… e me parece que você, há pouco, teve uma reunião com Angela Davis, uma conversa em Boston moderada por Vijay Prashad. Eu gostaria de ver mais conversas desse tipo, até entre gente com diferentes perspectivas, por exemplo você mesmo com Slavoj Žižek, o trabalho do qual é cada vez mais influente… Você pensa que seria útil fazer esse tipo de debate, como mínimas conversações com outras pessoas da esquerda que oferecem trabalhos a gente que sim, que os encontrem interessantes? Acredita que temos que pensar nisso?

Noam Chomsky: Disse que seu trabalho é cada vez mais influente… Permita-me que duvide. Creio que suas poses e posturas são cada vez mais influentes. Mas você pode dizer a que trabalho se refere? Porque o que é, eu não o encontro. É um bom ator. Faz blefes em cena e que as coisas pareçam apaixonantes, mais você encontra algum conteúdo? Eu, não. Não tenho o menor interesse em ter uma conversa com ele, e suponho que ele tampouco gostaria de conversar comigo. Ao contrário, a conversa com Angela Davis foi boa. É uma pessoa intelectualmente estimável, pensa seriamente e tem coisas a dizer, e algumas, interessantes.

Traduzido do Espanhol ao português por Rafael V. da Silva em 09/07/2013.
Tradução ao português publicada originalmente em:


Mais aqui na #BoiTempo.



Um duelo de gigantes em 1971 Chomsky vs Foucault:

Debate by Noam Chomsky and Michel Foucault on the question of Human Nature. (Legenda Pt):



ORIGINAL:






sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Aldous Huxley de Portas Abertas:



“Quando se traça um ideal, pode-se vislumbrar o que se pretende, mas é preciso evitar o impossível”.
(Aristóteles)

Se Aldous Huxley estivesse vivo, provavelmente seria um bebedor de santo daime e, quem sabe, viveria em alguma região da Amazônia. Mas ele não era hippie nem tão pouco tropicalista.

Toda uma geração que contestou velhos costumes adotou Huxley como amuleto de subversão. Foram seus escritos, seu pensamento e seus relatos de experiências que trouxeram importantes reflexões para o mundo científico e para vivências individuais sobre questões que, se perpassam a questão das drogas, em verdade miram a própria existência humana em toda sua complexidade. Huxley acreditou que o Peiote (mescalina) pudesse provocar a abertura da consciência humana (experiências alteradoras ou geradoras de consciência). Portas da Percepção é até hoje exemplar raro de exercício lírico e investigativo sobre a experiência psiconáutica.

Admirável Mundo Novo, publicado em 1932 continua contestando nosso sistema e nossos ideais sociais. Um livro visionário, pois, a sociedade contemporânea perpetua sua fuga do sofrimento e da angústia humana. Se no livro, as pessoas encontraram através do soma uma forma de atingir o gozo pleno, o nosso soma atual parece ser o consumo – consumo de produtos, medicamentos, drogas, alimentos, pessoas, imagens. Consumo de toda e qualquer coisa capaz de nos tirar da angústia da existência. Consumimos a nós mesmos.

A Sociedade imaginada por Huxley utilizou a genética, a clonagem para o condicionamento e o controle dos indivíduos. Nesta sociedade futurista, todas as crianças são concebidas pela gestação de proveta. Estes “novos” indivíduos são geneticamente condicionados para pertencerem a uma das 5 categorias da população. Da mais inteligente a mais estupida: Alpha (a elite), Betas (executantes/trabalhadores), Gammas (empregados subalternos), Deltas e os Ípsilones (destinados aos trabalhos árduos). “Admirável Mundo Novo” ou na melhor das traduções em espanhol “El Mundo Feliz”, descreve de maneira perspicaz o que seria uma ditadura perfeita, que tem a aparência de uma democracia capaz de nos fazer crer na liberdade. Um cárcere sem muros no qual os prisioneiros jamais sonham com a fuga. Um sistema escravo onde, graças ao sistema de consumo e de entretenimento, os escravos tendem a amar sua servidão.

O mais bacana de tudo é encontrar figuras incontestes da história social e científica, como figuras emblemáticas desta sociedade futurista, como a exemplo do Henry Ford, Freud, Marx, Pavlov, além das diversas citações das obras de Shakespeare.

Admirável Mundo Novo é o mundo em que vivemos...

Encontrei algumas coisas do Huxley e vou fixar aqui para compartilhar:


Filme, Admirável Mundo Novo (1980):



 Entrevista com Aldous Huxley, feita pelo jornalista Mike Wallace em 1958:



Aldous Huxley (Película documental):



Palestra de Guilherme Freire no Círculo de Estudos Políticos:




"Para todos aqueles que recusaram a ‘pílula vermelha’"
Aldous Huxley 1958.



Aldous Huxley para Ingerir Oniricamente:

(Doses diárias e generosas para ver tudo colorido ou não...)






Carta escrita por Aldous Huxley para George Orwell:

Wrightwood. Cal.

21 de Outubro de 1949

Caro Sr. Orwell,

Foi muito gentil de sua parte pedir para os seus editores me mandarem uma cópia do seu livro. Chegou quando eu estava no meio de um trabalho que exigia bastante leitura e consultas a referências; e devido a minha visão deficiente é necessário que eu modere a minha leitura. Eu tive que esperar um longo tempo para embarcar na leitura de 1984.

Concordando com todas as críticas escritas sobre ele, não preciso dizer a você, mais uma vez, o quão bom e profundamente importante o seu livro é. Deixe-me então falar sobre o assunto que o livro aborda – a revolução final? Os primeiros sinais de uma filosofia da revolução final – a revolução que vai além da politica e economia, que visa à subversão total da psicologia e fisiologia do indivíduo – serão achados no Marquês de Sade, que se considerava o continuador, o consumador, de Robespierre e Babeuf. A filosofia da minoria dominante em 1984 é um sadismo que foi levado para sua conclusão lógica, além do sexo e da negação dele. Mesmo que na realidade a política “bota-na-cara” (boot-on-the-face) possa seguir indefinidamente, parece improvável. Acredito que a minoria oligárquica encontrará métodos menos árduos e sem desperdícios de governar e satisfazer seu desejo de poder, e esses métodos vão lembrar aqueles que eu descrevi em Admirável Mundo Novo. Eu tive recentemente a oportunidade de examinar a história do magnetismo e hipnotismo animal, e fiquei impressionado pela maneira como, durante 150 anos, o mundo se recusou a conhecer seriamente as descobertas de Mesmer, Braid, Esdaile e o resto.

Em parte por causa do materialismo vigente e em parte por causa da respeitabilidade, filósofos do século 19 e homens da ciência não estavam dispostos a investigar os fatos mais estranhos da psicologia para os homens práticos, como os políticos, soldados e policiais, para aplicar no campo do governo. Graças à ignorância voluntária de nossos pais, o acontecimento da revolução final foi adiado em cinco ou seis gerações. Outro acidente de sorte, foi à inabilidade de Freud para hipnotizar com sucesso e sua consequente descredibilidade do hipnotismo. Isso atrasou a aplicação do hipnotismo na psiquiatria por pelo menos 40 anos. Mas agora a psicanálise esta sendo combinada à hipnose; e a hipnose se tornou mais fácil e indefinidamente expansível com o uso de barbitúricos [soníferos, calmantes], que induzem a hipnose e estados sugestíveis mesmo nos assuntos mais recalcitrantes.

Na próxima geração eu acredito que os governantes do mundo vão descobrir que condicionamento infantil e narco-hipnose são mais eficientes, como instrumentos de governo, do que clubes e prisões, e que o desejo de poder pode ser completamente satisfeito sugerindo às pessoas o amor pela servidão assim como por punições até torna-los obedientes. Em outras palavras, eu sinto que o pesadelo de 1984 é destinado a modular, se integrar ao pesadelo de um mundo mais parecido com aquele que imaginei em Admirável Mundo Novo.  A mudança será trazida como resultado de um necessário aumento na eficiência. Enquanto isso, é claro, talvez ocorra uma grande guerra biológica ou atômica – nesse caso nós teremos tipos inimagináveis de pesadelos.

Obrigado mais uma vez pelo livro.

Sinceramente,

Aldous Huxley




Discurso de Aldous Huxley em 1962, pouco antes de sua morte, sobre a ditadura científica do futuro retratada em seu livro "Admirável Mundo Novo", escrito em 1932:



Livros de Huxley em português:

(Façam uma caçada pela net, bibliotecas, sebos e digitalizem para bebermos e perpetuarmos os sonhos. A internet está encolhendo): 

  • Geração Devassa
  • A Eminência Parda
  • A feira de Crone
  • Admirável Mundo Novo (Ouvindo Livros)
  • Adônis e o Alfabeto
  • As Despedidas Estéreis
  • Contos Escolhidos - Aldous Huxley
  • Demônios da Loucura
  • Felizmente Sempre
  • Fogo-Fátuo
  • Folhas Inúteis
  • Geração Perdida
  • Huxley e Deus
  • O Despertar do Mundo Novo
  • Satânicos e Visionários
  • Visionários e Precursores
  • Também o Cisne Morre (Leitura online)




Ahhh podemos cantar:



“O mal da ficção (…) é que ela faz sentido demais. A realidade nunca faz sentido. (…) A ficção tem unidade, a ficção tem estilo. A realidade não possui nem uma coisa nem outra. Em seu estado bruto, a existência é sempre um infernal emaranhado de coisas (…) O critério da realidade é a sua incongruência intrínseca.”

(Huxley – O Gênio e a Deusa.)


Coragem! Vocês precisam lembrar que a tristeza e a angústia fazem parte da história da humanidade.


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