sábado, 2 de agosto de 2014
Nuestro Derecho a las Drogas – Thomas Szasz:
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
A democracia para além do estado democrático de direito - Vladimir Safatle
Palestra do professor livre-docente do Departamento de Filosofia da USP, Vladimir Safatle, durante o "Forum Senado Brasil 2012" em Brasília, Brasil.
Revista Biografia: Aprender a escrever à mão na era do teclado [Fábio...
“As coisas são mais simpáticas quando escritas à mão”
quarta-feira, 5 de março de 2014
Sentido e Graça na Vida:
“No momento em que nos perguntamos sobre o valor e o sentido da vida, estamos doentes, pois objetivamente tais coisas não existem”.
[carta de Freud pra Marie Bonaparte, 13/08/1937]
"Diz a lenda que perguntaram pro Sigmund como o ser humano ficava neurótico e ele falou que é quando pensamos no sentido & valor da vida, pois não teria nem sentido nem valor na vida - a não ser o valor e o sentido que podemos dar a ela..."
“Sofri sempre mais com a consciência de estar sofrendo que com o sofrimento de que tinha consciência. A vida das minhas emoções mudou-se, de origem, para as salas do pensamento, e ali vivi sempre mais amplamente o conhecimento emotivo da vida. E como o pensamento, quando alberga a emoção, se torna mais exigente que ela, o regime da consciência, em que passei a viver o que sentia, tornava-me mais quotidiana, mais epidérmica, mais titilante a maneira como sentia.”
(Fernando Pessoa – Livro do Desassossego)
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Brasil: 50 anos do golpe civil-militar (Entrevista com Rosa Cardoso):
Em Abril deste ano completa-se 50 anos do golpe militar no Brasil. Nesta entrevista a Professora Rosa nos traz algumas notícias que a CNV tem investigado nestes 2 anos de atuação.
A Comissão Nacional da Verdade (CNV) foi criada pela Lei 12528/2011 e instituída em 16 de maio de 2012. A CNV tem por finalidade apurar graves violações de Direitos Humanos ocorridas entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988.
Membros
*Comissão Nacional da Verdade: http://www.cnv.gov.br/index.php
Rosa Maria Cardoso da Cunha (13 de dezembro de 1946) é advogada e professora universitária. Graduada em direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 1969, é mestre em direito penal pela USP e fez o curso de doutorado em ciência política pelo Iuperj, atualmente vinculado a UERJ. Criminalista, atuou em defesa de presos políticos no RJ, SP e no DF. Na advocacia tem trabalhado particularmente nos delitos previstos na legislação penal especial. Integrou o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (1999/2002) e foi Secretária Adjunta de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (91/94). É professora concursada da UFF e convidada de diversas outras universidades. É autora de livros jurídicos e sobre política. Foi a quarta coordenadora da CNV, entre maio e agosto de 2013.
Curiosidade: Rosa foi advogada da Presidente Dilma Rousseff que passou quase três anos presa entre 1970 e 1972 acusada de terrorismo pela ditadura militar brasileira.
Saudade da Dilma Terrorista!!!
Tipologias do Terror:
Imagem do filme La Antena, 2007.
Os tupamaros uruguaios, o peruano Sendero Luminoso, a salvadorenha Frente Farabundo Marti de Libertação Nacional (FMLN), o filipino Novo Exército Popular e o malaio Partido Comunista, por décadas, foram rotulados de terroristas com inspiração maoísta. Também os sandinistas eram vistos como sinônimo de terror. Em seu combate, os Estados Unidos financiaram os "contras". Usaram a velha tática do terror contra terror sem nenhum respeito à soberania.
A rebeldia curda na ex-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, no Irã, no Iraque e principalmente na Turquia considera-se como o que existe de pior no terrorismo. A perseguição implacável ao PKK, por razões geopolíticas, é ajudada por muitos e combatida por poucos. No México, o subcomandante Marcos não foge da rotulagem de terrorista apesar de suas ações radicais em favor das liberdades e dos direitos da maioria indígena em Chiapas.
O Exército Revolucionário Irlandês (IRA) mais o ETA (Pátria Basca e Liberdade), colocados nos porões da tortura pela repressão do Reino Unido e da Espanha, fazem da resistência sua razão de vida.
A desintegração da Iugoslávia tampouco processou-se fora do alcance do terror, do processo chamado de limpeza étnica.
O Movimento de Resistência Afrikânder, grande caçador e matador de negros no apartheid, nunca foi considerado como movimento terrorista pelos racistas brancos da África do Sul e da antiga Rodésia. Para a elite dominante sul-africana, terrorista era o Congresso Nacional Africano.
Outro fato histórico a ser lembrado é o terrorismo das ditaduras militares de direita espalhadas entre 1960 e 1980 por toda a América Latina. No Brasil, por exemplo, o terror do regime militar contou com a ajuda de muitas burocracias na implementação da repressão. Inclusive a diplomacia brasileira não negou préstimos à ditadura a que tão lealmente serviu rastreando e denunciando as vítimas do golpe militar em exílio no exterior.
Durante o século XIX até meados da segunda parte do século XX, o Ocidente confundia anarquismo com terrorismo. Possivelmente porque os anarquistas, de forma menos condescendente que os marxistas, sempre lutaram pela radical eliminação do Estado nacional.
A utopia anarquista, dentre as utopias, talvez tenha sido a mais reprimida. O suicídio montado na prisão alemã de Stammheim contra a liderança da Facção do Exército Vermelho, somado ao fim dado às Brigadas Vermelhas, na Itália, deu provas de ações nada democráticas contra o anarquismo em nome da razão de Estado.
Dos anarquistas nasceram ideias, sonhos, quase todos transformados em pesadelo por causa da repressão.
Dos protestos estudantis nascidos na França em 1968, por paradoxal que pareçam, transformaram-se em sementes para posterior germinação do terror.
O medo e a alienação, provaram que juntos, são as drogas mais nocivas das relações sociais perpetuando, assim a lei do mais forte. O terrorismo das injustiças sociais é alimento do vírus da violência, da despolitização e do silêncio dos injustiçados. A tipificação de terrorismo geralmente sacrifica, na maioria das vezes, pobres, excluídos e miseráveis. Então, "alguém" cria de forma genial um Bacillus Anthracis e será inocentado de todo e qualquer terrorismo.
Pior de tudo isso é viver o terrorismo da omissão. Não existe paz sem voz, paz sem voz não é paz é medo!
*Referência:
PROCÓPIO, Argemiro. Terrorismo e relações internacionais. Rev. bras. polít. int. [online]. 2001, vol.44, n.2, pp. 62-81. ISSN 0034-7329. http://dx.doi.org/10.1590/S0034-73292001000200004
Caldeira de Hamburgo é usada pela PM de São Paulo:
1º Imagem: Alemanha 1986.
2º Imagem: Brasil – SP 2014.
São Paulo – Brasil 2014, manifestantes rodeados pela Polícia Militar. Mais de 260 prisões entre manifestantes e jornalistas. A imprensa foi censurada violentamente pelos policiais.
sábado, 15 de fevereiro de 2014
A Psicanálise Brasileira nos Porões da Ditadura:
O Lobo, o Carneiro e a psicanálise
Essa é uma história de horror. Uma estranha mistura de envolvimento de um médico candidato a psicanalista com a tortura, e mais a conivência, cumplicidade e covardia de entidades psicanalíticas
por Emiliano José — publicado 12/02/2014 na Carta Capital.
Amilcar Lobo, em novembro de 1968, inscreve-se como candidato à formação analítica na Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro (SPRJ), uma das entidades ligadas à International Psychoanalitical Association (IPA). Queria ser psicanalista. No final de 1969, forma-se em Medicina, presta serviço militar no Exército e, no início de 1970, passa a servir no DOI-CODI do Rio de Janeiro. Isso mesmo: servir ao aparato da repressão, ser um dos executores do terror.
E continua sua formação psicanalítica. Até 1974, por longos quatro anos, “dá assistência” aos presos políticos antes, durante e depois das sessões de torturas. Atende pelo nome de Dr. Carneiro – será que há alguma explicação psicanalítica para o codinome? Talvez Freud explicasse. O lobo e o cordeiro, desculpem, carneiro.
Antes, faz “prevenção”: indaga sobre alguma doença, pergunta do coração, se há algum problema cardíaco, ausculta, tenta descobrir quais os limites do preso, qual o seu provável grau de resistência, quem sabe tente fazer um perfil psicológico – afinal, está fazendo formação para analista. Domina alguma coisa da alma humana, ou pretende dominar. Um laboratório, estranho laboratório para a formação de uma analista.
Durante, testa até que ponto a vítima pode aguentar o suplício. Acompanha os choques, o pau-de-arara, a pancadaria, a selvageria. Olha com atenção o estado do preso: é assistente da tortura, em duplo sentido. Está fazendo sua formação para analista naquele laboratório do terror.
Depois, cuida dos farrapos saídos das torturas, prepara-os para nova rodada. Conversa com os farrapos, observa o estado de cada um deles. Objetos de seus estudos, certamente. Serve ao DOI-CODI, na rua Barão de Mesquita, onde tanta gente foi assassinada, e à “Casa da Morte”, em Petrópolis, de onde uma única presa saiu viva, Inês Etienne Romeu. A história macabra de Lobo é relativamente conhecida exatamente pelo corajoso testemunho de Inês.
Dia desses, ao acaso, e sei lá se há acaso na vida, a psicanálise costuma responder não a essa indagação, peguei o livro de Cecília Coimbra – Guardiães da Ordem: uma viagem pelas práticas psi no Brasil do “Milagre”, da Oficina do Autor, 1995 –, e me surpreendi ao ler os relatos sobre o procedimento de entidades psicanalíticas. Cecília faz um relato precioso sobre a trajetória de Lobo e o envolvimento covarde e cúmplice das entidades psicanalíticas. O caso de Lobo explodiu primeiro na Argentina, na revista Questionamos número 2, coordenada pela psicanalista argentina Marie Langer, em 1973. A denúncia chegara através do jornal Voz Operária, do PCB.
Graças à coragem da psicanalista Helena Besserman Viana, do Rio de Janeiro, outras denúncias são feitas na França, nos EUA, no Canadá e na Espanha. Chegam ao conhecimento do então presidente da IPA,fundada por Freud em 1910, Serge Lebovici. A SPRJ defende Lobo perante a IPA – “é uma calúnia”. E pede o testemunho do comandante do I Exército, general Sílvio Frota, um dos mais cruéis dirigentes da tortura no País, que naturalmente defende o seu assistente.
Isso mesmo: pediu o testemunho de Sílvio Frota. Este, na declaração enviada à SPRJ, afirma, em sua declaração de apoio a Lobo, que com ela pretende “desfazer intrigas e aleivosias assacadas proposital e maldosamente por inimigos do regime e seus patronos”. Destaca que Lobo “sempre teve procedimento digno e humano”. Veja-se até onde foi a entidade. A IPA, lamentavelmente, aceita a explicação da SPRJ. Entidades psicanalíticas claramente de braços dados com a ditadura e os torturadores. Quase inacreditável, mas verdadeiro.
De passagem, não custa dizer que a psicanalista Helena Viana é implacavelmente perseguida pela Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro (SBPRJ), também vinculada à IPA. Quando em 1975 requer sua inscrição na entidade como membro titular – era associada desde 1970 – enfrenta um sem-número de acusações, todas de natureza política. É acusada de ter denunciado Lobo, um torturador, e isso constituía um pecado para a entidade.
Ao invés de incriminar o médico-torturador-candidato a analista, transforma Helena em ré. Acusam-na de ter “uma posição política conhecida e ser devidamente registrada no DOPS, desviando-se dos padrões éticos exigidos de ‘neutralidade’ no exercício profissional”. Ou seja, ser neutro – e Freud acreditava em neutralidade? há algum ser neutro na humanidade? – significava não se imiscuir em denúncias de regimes ditatoriais e menos ainda denunciar um torturador. A psicanalista foi a Londres conversar com a direção da IPA, que covardemente prefere aceitar a versão de Leão Cabernite, então presidente da SPRJ, “de que tais acusações (contra o médico-torturador, analisando-torturador) não passam de interesses ocultos para denegrir a psicanálise”.
Os incessantes rumores sobre o caso Lobo, no entanto, para além dos esforços para abafá-lo, criam desconforto, incômodo na SPRJ – o que diria Freud, hein? O desconforto era sintoma de quê? O incômodo ou desconforto cresce de maneira a provocar, em meados dos anos 70, o afastamento voluntário de Lobo da entidade. Ele, no entanto, não consegue esconder as garras. Numa conferência de WilfredBion, no Rio de Janeiro, aproxima-se de Helena Viana, e sussurra ao ouvido dela: “tome cuidado, você pode ser dar mal, algo pode lhe acontecer”. Hélio Pellegrino e Eduardo Mascarenhas, psicanalistas conhecidos, são perseguidos e expulsos da SPRJ por lembrarem a denúncia da revista Questionamos. A posição da entidade era muito clara, portanto. Também não escondia as garras. Afinal, Lobo, a SPRJ e a SBPRJ e a IPA estavam articuladas na defesa de Lobo.
Se as entidades psicanalíticas evidenciam sua cumplicidade com a ditadura e com a tortura, o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (CREMERJ) não lava as mãos. Em 1988, cassa o direito de Lobo de exercer a profissão, cassação ratificada pelo Conselho Federal de Medicina. Leão Cabernite e Ernesto La Porta, psicanalistas e orientadores na formação analítica de Lobo, seus ardorosos defensores (o que diria Freud, hein?), são cassados pelo CREMERJ e o Conselho Federal, lamentavelmente, não confirma a decisão.
Os argumentos da SPRJ na defesa de Lobo são impressionantes pela desfaçatez, pela tentativa de escamotear o fato dele ser um torturador, ou pela naturalização da tortura. O orientador dele na última fase – é, Lobo poderia se tornar um psicanalista, insistamos! –, Leão Cabernite, afirmou, sem rodeios, que o trabalho de análise de seu analisando foi inviabilizada pelos “rumores” de que fosse torturador: “foi contaminada pela intromissão da realidade externa”.
Isso: a realidade externa, essa entidade perversa, não pode e não deve imiscuir-se na formação de um analista. Não importa como o analisando se situe no mundo. Interessa apenas a redoma da psicanálise, o mundo privado do analista e do analisando. O mundo mesmo, que fique lá fora, que não turve a mente do analista e nem do analisando. Cabernite afirmava nunca ter sido político, e que “a ideologia dele era a psicanálise”. Freud deu voltas no túmulo!
As denúncias da Questionamos, para o orientador de Lobo, eram características de “órgãos estrangeiros, hostis à psicanálise”. Só faltou dizer explicitamente ser coisa de comunistas. Não custa lembrar que muitos psicanalistas argentinos tiveram que sair às pressas do País quando sobreveio a ditadura, em março de 1976. A diáspora da psicanálise argentina ocasionada pela ditadura é relativamente conhecida. Era o diabo da realidade externa chegando, banhada em sangue.
Esse episódio evidencia o quanto a política (ou a realidade) invade todos os territórios. O quanto alcança a intimidade da psicanálise. O mal estar na cultura (ou na civilização) se modifica de acordo com as mutações da vida política, da cultura, da civilização. Algum analista pode hoje desconhecer as velozes mutações desse século XXI? O mundo ao derredor? Podia desconhecer a violência, o total desrespeito aos direitos humanos por parte das ditaduras na América Latina de então? Podia fazer ouvidos de mercador diante da tortura?
Não creio. A psicanálise não está à parte do mundo. Vive no furacão da realidade externa, onde o ser humano sofre as dores da existência, tem que se debater com tais dores. Nem o analista, nem o analisando podem fazer de conta que o mundo não existe. E não há muro: sempre há que se ter posição política. Analistas, inclusive. Ainda bem que a história cobra, desnuda. E Freud explica.
No mesmo livro de Cecília Coimbra, há um testemunho de Regina Chnaiderman, psicanalista, primeira tradutora de Lacan para português, início dos anos 70, onde ela afirma que a análise é um processo de desalienação:
- Os pacientes não são materiais de análise a explorar como fontes de teorização ou a transformar em indivíduos normais. Os pacientes têm que se fazer, se auto-alertar, e pelo processo analítico, criar um novo segmento de sua história e, no caso mais geral, aceder pela primeira vez explicitamente a uma historicidade ao mesmo tempo singular e coletiva.
História e psicanálise andam juntas, mesmo que alguns analistas pretendam-se à parte do mundo. O singular e o coletivo se encontram. Dialogam. E a história, não tem jeito, nunca absolverá o doutor Lobo-Carneiro, o candidato a analista, que só não chegou à condição de psicanalista devido ao demônio, santo demônio, da realidade externa, dessa cruel figura chamada história. Parabéns a Cecília, também vítima da ditadura, pelo seu excelente trabalho. Esse texto é uma homenagem a ela e a todos que não vêem a psicanálise encerrada entre quatro paredes e que a defendem como um processo emancipador dos indivíduos e da humanidade.
Isabella Rosellini...
Fissura, aquele desejo forte que faz parte da condição humana. Desejo de comer, usar, beber, engolir, apropriar-se sem cabimento algum, sem ganhos, sem perdas... Só essa coisa tipo Isabella Rosellini de ficar te comendo toda - toda vez que te olho te como e não engordo... te engulo e não me alimento. Você é assim, sem calorias, só um calorão. Assim, sem conservantes, vitaminas, uma coisa esquálida. Uma fissura adicta sem efeitos colaterais, alucinógenos, estimulantes, anestésicos... Nada! Só essa imagem estátua sem química.
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| (Isabella Rossellini e David Lynch, pelas lentes do fotógrafo Helmut Newton) |
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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Revista Cogito (Cinema e Psicanálise)
Cogito vol.14 Salvador nov. 2013
Editorial
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Clube da luta: a clivagem do eu
Barbieri, Cibele Prado
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Por que será que gostamos tanto dos filmes de zumbis?
Teixeira, Marcus do Rio
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O segredo dos seus olhos: uma narrativa em caleidoscópio
Motta, Vera Dantas de Souza
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Psicanálise e educação: considerações acerca do mestre e da mestria
Coelho, Maria Thereza Ávila Dantas; Raphael, Jackeline Kruschewsky Duarte
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Quando o lobo e o cordeiro perdem a pele: a psicanálise na escuta da pedofilia
Muribeca, Maria das Mercês Maia; Pereira, Wagner da Matta
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Cama de gato: uma ficção do desejo para além do synthome?
Diamantino, Rui Maia
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Um olhar psicanalítico sobre o universo feminino no filme 'Colcha de retalhos'
Almeida, Angela Maria Menezes de
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O entardecer das paixões
Baleeiro, Maria Clarice
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Amor de transferência: um estudo de caso baseado em In Treatment
Trindade, Gabriela; Diamantino, Rui Maia
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Amor? Filme de João Jardim. Algumas reflexões
Rocha, Guilherme Massara
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Direito, psicanálise e a erotomania em Bem-me-quer, malmequer
Teófilo, Anna Mayra Araújo
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Suicídio assistido mar adentro...
Monteiro, Marli Piva
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Bem-me-quer, malmequer - A erotomania
Barbieri, Cibele Prado
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Do inferno ao divã: uma abordagem psicanalítica de "Jack, o Estripador" como apresentado no filme Do Inferno
Sedeu, Ricardo de Lima
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Nostalgia, de Andrei Tarkovski
Faria, Anna Amélia de
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domingo, 8 de dezembro de 2013
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
A Simplicidade do Racismo em Dez Atos:
Vamos simplificar algumas coisas? Vamos simplificar as opiniões e argumentos contrários sobre as cotas raciais para educação e concursos públicos?
Simplificando é bem melhor, afinal todos os comentários e textos que são contrários as cotas são simples de entenderem. Todas as opiniões desembarcam nas mesmas ideias (é um porto cheio), embora ninguém consiga expressa-las ou dizê-las diretamente, seja pela coragem ou pelo desconhecimento do que propriamente sentimos.
1. Não sabemos o que é racismo. Não compreendemos isso dentro da gente.
2. Carregamos historicamente um racismo camuflado de boas intenções branqueadas.
3. Temos medo dos negros ou não sabemos como lidar com as pessoas negras. A não ser as mulheres negras que são lindas e gostosas. Eu não sou racista até transo com negras.
4. Temos medo que os negros tomem o lugar dos brancos por conta das várias políticas sociais.
5. Não entendemos a democracia. Nunca falamos em democracia racial no Brasil pq não sabemos do que se trata.
6. Os negros devem ficar no seu lugar de negros e os brancos no seu lugar de brancos ou seja, o mundo é branco.
7. Negros são iguais a nós brancos, ou seja eles devem concorrer como brancos. Essa é mais complicada, mas é assim, "Negros são como brancos". A igualdade é branca. Entendeu?
8. Não precisamos de políticas sociais para os negros pq isso já se configura como racismo. Voltamos a Primeira questão: Não sabemos o que é racismo!
9. Os brancos são pobres também, não só os negros. Nós brancos somos mt coitados e nos sentimos ameaçados e esquecidos pelo governo que só fica fazendo assistencialismo pros pretos pobres que querem ser ricos, então eles é que vão trabalhar que nem os brancos trabalham. Os brancos ralam, sofrem e trabalham bem mais que os negros, por isso os direitos são iguais.
10. Eu não gosto destas politicas sociais para negros, pq não gosto de negros e nem sabia que não gostava, mas como tão falando tanto de cotas me veio esse sentimento por anos reprimido. Agora eu sei que não gosto, pq os negros são marginais, violentos, estranhos e se fazem de coitados para tirar vantagens de tudo. Fomos nós que fizemos essa nação prosperar, enquanto estes vagabundos se envolveram em crimes, roubos e não trabalharam. Porém, não posso dizer isso diretamente pq é crime. Só sei dizer que racismo é crime e daí nem posso me expressar livremente. Estão roubando nossos direitos da liberdade de expressão. Fodam-se as políticas sociais pros negros eu preciso trabalhar pra pagar meus impostos e sou um homem de bem. As cotas são lamentáveis.
*Tudo baseado em fatos reais.
Infelizmente é isso que as pessoas dizem indiretamente em suas opiniões e argumentos sinceros sobre as cotas, o racismo e os negros. Embora vale dizer que parecem existir graus de racismo e preconceito, alguns mais radicais, outros mais tímidos. Mas o resumo da ópera me parece ter este tom. Gostaria mesmo de estar equivocada….
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Cotas, Racismo, Música, Black Power e Panteras Negras:
Essa música vai no coração:
("Vc teria por ele o mesmo amor, se Jesus fosse um homem de cor?")
Enquanto continuamos a debater as cotas raciais no Brasil, temos os que querem as cotas para negros, e os que a rejeitam, todos com bons argumentos. Principalmente para nós que debatemos em nossas salas de aula, aonde, na maioria das vezes, nem sequer existe um estudante negro.
A questão não são as cotas, são os negros, mas tememos dizer isso diretamente, então encontramos racionalismos polidos em argumentos que escondem nosso racismo histórico. Poucos de nós, branquelos, sabem dizer dos movimentos negros do Brasil, que dirá no mundo. Estes movimentos são moções para garantias de direitos. Nas décadas de 60 e 70 surgiu no Mundo um movimento chamado Black Power que trouxe muitas influências ao Brasil, principalmente culturais ligadas a música. Em 1977 o Rio de Janeiro vivia a gênese dos bailes black, imensas aglomerações populares em torno da soul music, do funk e do orgulho negro.
Um artista brasileiro (cantor, compositor) chamado Toni Tornado, desafiou a ditadura militar, com um gestual e repertório que lembravam o radicalismo dos Panteras Negras. O auge da transgressão foi em 1971, quando apresentou, junto com a cantora Elis Regina, a música “Black is beautiful”: (http://youtu.be/wvsyRzO5Ie8)
Durante a canção, Tornado cerrou os punhos, fazendo o gesto que caracteriza os Black Panthers, o que ocasionou sua prisão ainda no palco, do qual saiu algemado.
Não bastasse a polêmica performance, a musica sugere a superioridade do homem negro em relação ao branco e retrata o desejo de uma branca de “integrar seu sangue europeu” ao de um negro, invertendo a lógica das relações sexuais no Brasil que normativamente se dariam entre a mulher negra e um homem branco – relações estas que causaram um ressentimento muito grande na sociedade brasileira da época.
Existe democracia racial no Brasil?
Quem foram os Panteras Negras?













