Quadro "O Pesadelo" de Henry Fuseli (1741-1825)

* A Peste Onírica é um delírio subversivo. Postamos aqui nossas réles "produçõezinhas"; nossos momentâneos surtos de divagações em nome do Real do Simbólico e do Imaginário. Estão aqui nossos ensaios para que possamos alçar outros vôos num futuro próximo. Aproveitem os links, os materiais, as imagens, as viagens. Sorvam nossas angústias, nossas dores e masquem nossa pulsão como se fosse um chiclete borrachento com sabor de nada. Pirateiem, copiem, contribuam e comentem para que possamos alimentar nosso narcisismo projetivo. E sorvam de nossa libido, se assim desejarem.


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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Brasil: 50 anos do golpe civil-militar (Entrevista com Rosa Cardoso):

 

Em Abril deste ano completa-se 50 anos do golpe militar no Brasil. Nesta entrevista a Professora Rosa nos traz algumas notícias que a CNV tem investigado nestes 2 anos de atuação.

 

 

A Comissão Nacional da Verdade (CNV) foi criada pela Lei 12528/2011 e instituída em 16 de maio de 2012. A CNV tem por finalidade apurar graves violações de Direitos Humanos ocorridas entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988.

Membros

Gilson Dipp

José Carlos Dias

José Paulo Cavalcanti Filho

Maria Rita Kehl

Paulo Sérgio Pinheiro

Pedro Dallari

Rosa Maria Cardoso da Cunha

*Comissão Nacional da Verdade: http://www.cnv.gov.br/index.php

Rosa Maria Cardoso da Cunha (13 de dezembro de 1946) é advogada e professora universitária. Graduada em direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 1969, é mestre em direito penal pela USP e fez o curso de doutorado em ciência política pelo Iuperj, atualmente vinculado a UERJ. Criminalista, atuou em defesa de presos políticos no RJ, SP e no DF. Na advocacia tem trabalhado particularmente nos delitos previstos na legislação penal especial. Integrou o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (1999/2002) e foi Secretária Adjunta de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (91/94). É professora concursada da UFF e convidada de diversas outras universidades. É autora de livros jurídicos e sobre política. Foi a quarta coordenadora da CNV, entre maio e agosto de 2013.

Curiosidade: Rosa foi advogada da Presidente Dilma Rousseff que passou quase três anos presa entre 1970 e 1972 acusada de terrorismo pela ditadura militar brasileira.

 

dilma terrorista saudade

Saudade da Dilma Terrorista!!!

Tipologias do Terror:

 

a ilha 2005

Imagem do filme La Antena, 2007.

 

Os tupamaros uruguaios, o peruano Sendero Luminoso, a salvadorenha Frente Farabundo Marti de Libertação Nacional (FMLN), o filipino Novo Exército Popular e o malaio Partido Comunista, por décadas, foram rotulados de terroristas com inspiração maoísta. Também os sandinistas eram vistos como sinônimo de terror. Em seu combate, os Estados Unidos financiaram os "contras". Usaram a velha tática do terror contra terror sem nenhum respeito à soberania.

A rebeldia curda na ex-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, no Irã, no Iraque e principalmente na Turquia considera-se como o que existe de pior no terrorismo. A perseguição implacável ao PKK, por razões geopolíticas, é ajudada por muitos e combatida por poucos. No México, o subcomandante Marcos não foge da rotulagem de terrorista apesar de suas ações radicais em favor das liberdades e dos direitos da maioria indígena em Chiapas.

O Exército Revolucionário Irlandês (IRA) mais o ETA (Pátria Basca e Liberdade), colocados nos porões da tortura pela repressão do Reino Unido e da Espanha, fazem da resistência sua razão de vida.


A desintegração da Iugoslávia tampouco processou-se fora do alcance do terror, do processo chamado de limpeza étnica.

O Movimento de Resistência Afrikânder, grande caçador e matador de negros no apartheid, nunca foi considerado como movimento terrorista pelos racistas brancos da África do Sul e da antiga Rodésia. Para a elite dominante sul-africana, terrorista era o Congresso Nacional Africano.

Outro fato histórico a ser lembrado é o terrorismo das ditaduras militares de direita espalhadas entre 1960 e 1980 por toda a América Latina. No Brasil, por exemplo, o terror do regime militar contou com a ajuda de muitas burocracias na implementação da repressão. Inclusive a diplomacia brasileira não negou préstimos à ditadura a que tão lealmente serviu rastreando e denunciando as vítimas do golpe militar em exílio no exterior.

Durante o século XIX até meados da segunda parte do século XX, o Ocidente confundia anarquismo com terrorismo. Possivelmente porque os anarquistas, de forma menos condescendente que os marxistas, sempre lutaram pela radical eliminação do Estado nacional.

A utopia anarquista, dentre as utopias, talvez tenha sido a mais reprimida. O suicídio montado na prisão alemã de Stammheim contra a liderança da Facção do Exército Vermelho, somado ao fim dado às Brigadas Vermelhas, na Itália, deu provas de ações nada democráticas contra o anarquismo em nome da razão de Estado.

Dos anarquistas nasceram ideias, sonhos, quase todos transformados em pesadelo por causa da repressão.

Dos protestos estudantis nascidos na França em 1968, por paradoxal que pareçam, transformaram-se em sementes para posterior germinação do terror.

O medo e a alienação, provaram que juntos, são as drogas mais nocivas das relações sociais perpetuando, assim a lei do mais forte. O terrorismo das injustiças sociais é alimento do vírus da violência, da despolitização e do silêncio dos injustiçados. A tipificação de terrorismo geralmente sacrifica, na maioria das vezes, pobres, excluídos e miseráveis. Então, "alguém" cria de forma genial um Bacillus Anthracis e será inocentado de todo e qualquer terrorismo.

Pior de tudo isso é viver o terrorismo da omissão. Não existe paz sem voz, paz sem voz não é paz é medo!

 

*Referência:

PROCÓPIO, Argemiro. Terrorismo e relações internacionais. Rev. bras. polít. int. [online]. 2001, vol.44, n.2, pp. 62-81. ISSN 0034-7329.  http://dx.doi.org/10.1590/S0034-73292001000200004

 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Porque deixar de ser racista, meu amor, não é comer uma mulata!

 

Poesia de Elisa Lucinda, declamada pela autora no show "Por uma vida sem violência".

 

“Mas que nega linda

E de olho verde ainda

Olho de veneno e açúcar!

Vem nega, vem ser minha desculpa

Vem que aqui dentro ainda te cabe

Vem ser meu álibi, minha bela conduta

Vem, nega exportação, vem meu pão de açúcar!

(Monto casa procê mas ninguém pode saber, entendeu meu dendê?)

Minha tonteira minha história contundida

Minha memória confundida, meu futebol, entendeu meu gelol?

Rebola bem meu bem-querer, sou seu improviso, seu karaoquê;

Vem nega, sem eu ter que fazer nada.

Vem sem ter que me mexer

Em mim tu esqueces tarefas, favelas, senzalas, nada mais vai doer.

Sinto cheiro docê, meu maculelê, vem nega, me ama, me colore

Vem ser meu folclore, vem ser minha tese sobre nego malê.

Vem, nega, vem me arrasar, depois te levo pra gente sambar.”

Imaginem: Ouvi tudo isso com calma e sem dor.

Já preso esse ex-feitor, eu disse: “Seu delegado…”

E o delegado piscou.

Falei com o juiz, o juiz se insinuou e decretou pequena pena com cela especial por ser esse branco intelectual…

Eu disse: “Seu Juiz, não adianta! Opressão, Barbaridade, Genocídio nada disso se cura trepando com uma escura!”

Ó minha máxima lei, deixai de asneira

Não vai ser um branco mal resolvido que vai libertar uma negra:

Esse branco ardido está fadado porque não é com lábia de pseudo-oprimido que vai aliviar seu passado.

Olha aqui meu senhor:

Eu me lembro da senzala e tu te lembras da Casa-Grande e vamos juntos escrever sinceramente outra história

Digo, repito e não minto:

Vamos passar essa verdade a limpo porque não é dançando samba que eu te redimo ou te acredito:

Vê se te afasta, não invista, não insista!

Meu nojo!

Meu engodo cultural!

Minha lavagem de lata!

Porque deixar de ser racista, meu amor, não é comer uma mulata!

 

//Poesia de Elisa Lucinda, declamada pela autora no show “Por uma vida sem violência”, produzido no contexto da Campanha “16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres”.

 

mulher negra

 

 

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Cantada de rua: apenas parem

Abordar mulheres desconhecidas em lugares públicos é agressivo. Pesquisa aponta que 83% das mulheres não gostam das cantadas de rua.

por Nádia Lapa — publicado 11/09/2013.



Durante vários anos, eu voltava de ônibus da faculdade e descia bem em frente a um quiosque de sorvete. Aqueles, de casquinha, que eu costumava pagar com um trocado qualquer encontrado no bolso. Morava no Rio de Janeiro, cidade calorenta, e a tal sorveteria fica em plena Avenida Nossa Senhora de Copacabana, a mais movimentada do bairro.

Eram dois quarteirões entre a lanchonete e a minha casa. Antes de chegar à portaria, já tinha tomado o sorvete todo. Não por gulodice, mas porque aquela experiência tinha que terminar logo. Logo. O mais rápido possível. Era sempre início da tarde, o céu muito azul, as pessoas indo-voltando de bancos, supermercados, trabalho, farmácia. E, no meio daquelas pessoas, gente como a gente, sem qualquer aparência monstruosa, alguns incontáveis homens faziam gestos e falavam palavras obscenas. Gente que eu nunca vi. Que eu nunca mais veria. Mas que transformavam o simples prazer de tomar sorvete num verdadeiro suplício.

A sensação era horrível. Os homens olhavam para mim e faziam gestos remetendo a sexo oral, das formas mais nojentas possíveis. Eu me sentia constrangida, mas nunca parei de tomar meu sorvete - só o fazia o mais rápido que podia, além de jamais manter contato visual com qualquer estranho.

Eu pensava que tal coisa só acontecia comigo. Mulheres não temos clubinhos ou encontros semanais, como os homens no futebol ou na antiga maçonaria, para compartilhar coisas do dia a dia. Depois que comecei a escrever sobre feminismo, perguntei algumas vezes no Twitter se a abordagem agressiva ao tomar sorvete também acontecia com outras mulheres. As respostas foram sempre positivas - e incluíam outros alimentos, como churros.

Portanto, para nós, feministas, não foi nenhuma novidade o resultado da pesquisa feita pelo site Olga, de Juliana de Faria. Quase oito mil mulheres responderam o questionário elaborado pela jornalista Karin Hueck, e todas (99,6%) relataram já terem sofrido assédio na rua. "Os números são revoltantes. Mais do que isso, são assustadores. Mas, infelizmente, não são uma surpresa alguma para as mulheres. É uma prova de que nós não sentimos segurança em fazer atos corriqueiros, como caminhar pela rua", diz Juliana.

Ao contrário do que supõem os homens, mesmo sem nunca terem parado para perguntar como se sentem suas amigas, namoradas ou irmãs, as mulheres não gostam da abordagem feita por estranhos.

Segundo a pesquisa, 83% das mulheres não gostam do assédio nas ruas. A pergunta que sempre surge, como se qualquer coisa na vida da mulher tivesse o fim de se relacionar com um homem, é "como vamos paquerar agora?". Paquerando, oras. Paquera e assédio são duas coisas completamente diferentes. A primeira pressupõe o engajamento de todos os envolvidos. Isto é, existe reciprocidade. O assédio é diferente: o homem se acha no direito de importunar uma mulher que está indo para o trabalho, para academia, ou apenas tomando um sorvete.

São locais e situações que não oferecem segurança e conforto às mulheres. Nem mesmo na balada, local onde, segundo o senso comum as pessoas estão na guerra, o assédio deve acontecer. Reciprocidade, sempre. É incrível ter de explicar isso ainda hoje. E é necessário, pois 90% das mulheres já trocaram de roupa pensando no assédio. Oito a cada dez mulheres deixou de fazer algo com medo de ser assediada. O mesmo número diz ter sido assediada na balada, com puxões de cabelo e sendo seguradas pelo braço.

Isso é paquera?
Isso é saudável?

Alguma mulher já saiu correndo atrás do motorista de um carro qualquer que buzinou para ela ou fez comentários sobre alguma parte do corpo dela, constrangendo-a publicamente?

Isso é, na verdade, controle e poder - e o lembrete de que o lugar de mulher é na vida doméstica. Não ocupe espaços públicos, porque lá você será assediada/agredida/constrangida.

O assédio na rua é tão problemático que diversos cartazes na Marcha das Vadias trazem manifestações de mulheres cansadas de serem objetificadas e desumanizadas, como se seus corpos servissem apenas para deleite dos homens. O coletivo da Marcha das Vadias de São Paulo falou com o Feminismo pra quê? sobre a pesquisa do Olga: "Poder caminhar pela rua em segurança ainda não é um direito conquistado e, no dia em que se juntam a outras milhares de mulheres na Marcha, cada uma percebe que seus temores cotidianos não são exagero, mas fruto da cultura do estupro, que dissemina e legitima o assédio e o estupro como forma punição para as mulheres".

Para muitos, aqueles que não repensam a roupa e tomam sorvete numa boa nas ruas, falar sobre assédio pode parecer exagero. "O assédio sexual em locais públicos é tratado como uma não-questão. É um monstro invisível, sem estudos, pesquisas, matérias, relatórios sobre o fato. E é impossível lutar contra um problema que não temos nenhuma informação a respeito", comenta a jornalista Juliana de Faria, do Olga.

A Marcha das Vadias, mais recentemente, e outros coletivos feministas sempre bateram nesta tecla. Com a pesquisa realizada pelo Olga e as reações nas redes sociais, vindas de não feministas, já temos um panorama importante: assédio nunca é legal. Não é lisonjeiro, não faz bem pra autoestima, não deixa a mulher confortável. Chega de fiu fiu.

Para conhecer os demais resultados da pesquisa, clique aqui.



quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Russos criam “safári” de “caça aos gays” em rede social:


Sinto-me compelida em reproduzir está matéria/notícia da página do Pragmatismo Político. Primeiro pela tomada do medo, uma angústia justificada pelo que vem acontecendo no mundo e, de forma sorrateira, muitos desejam que a "coisa" da Russia se repita aqui no Brasil - caçar gays como se estivessem caçando animais. Tamanha é a intolerância destes seres. Mas, a grande questão é o que se guarda por trás destas ações de extrema violência? 

Em nosso tempo global, dificilmente uma cultura consegue manter-se isolada, as transformações são sentidas nos lugares mais distantes, por isso, sentimos a proximidade do medo, sentimos a repulsa de certos gestos e vivenciamos uma precipitação de pensamentos conservadores sem fronteiras. Sentimos a liberdade em fuga, acuada e encolhida.

Para tentar entender o que vem acontecendo no mundo quanto a resistência a sexualidade e suas diversas formas me faço a velha questão: Existe uma função fraterna? Pois, o dispositivo para melhor entender nossa civilização, nos parece ser a fraternidade. Ela estabelece que o homem, enquanto animal político, escolheu conscientemente viver em sociedade com seus semelhantes num princípio de igualdade. No entanto o valor e a justiça entre eles não são iguais, justamente porque somos todos de naturezas diferentes.


Maria Rita Khel vai nos dizer algo muito importante:

"A cristalização das fratrias, a tentativa de transformá-las de campo de experimentação em campo de produção de certezas, produzirá fatalmente a segregação e a intolerância, em nome do narcisismo das pequenas diferenças". 


Assim, não é raro que de uma formação espontânea e informal, em que semelhantes que se agrupam livremente para autorizar-se em seu desamparo e em sua diferença, produza-se uma gangue, uma seita, um clã. A segregação, a intolerância e a endogamia são destinos previsíveis para as fratrias que, geradas a partir da diversidade e da mobilidade características das sociedades democráticas, podem se transformar em círculos fechados de proteção imaginária que contrariam justamente as condições de sua origem. 

A formação de certos grupos identitários, no caso dos "protetores da família" e da ordem, procuram justamente uma Lei dos iguais em detrimento das diferenças, procuram a legitimação de experiências de liberdade - liberdade em suas concepções ideológicas. Diria mesmo que são grupos que se sentem fragilizados quanto a autoridade da lei paterna, uma orfandade simbólica que chamamos de declínio do nome do pai, neste sentido o trato com a liberdade é como uma retomada de princípios que ainda possam carregam um ideal de deus, pátria e família aos moldes de irmãos fraternos. As ações e atos violentos são a prova de um desespero pela queda de seus ideais, em resumo, se sentem ameaçados pelo que lhes convoca a responder de um outro lugar - o lugar do estranho ameaçador.

O mais interessante de tudo isso é que estão, ambos os irmãos, com medo, medos de uns dos outros. E o que poderá surgir deste medo combativo? Violência de ambos os lados!

*


Sinal da escalada da homofobia, grupo russo de extrema-direita cria em rede social “safári” para “caçar” gays:

Postado em: 21 ago 2013:

Maksim “Tesak” Martsinkevich (de regata preta e verde) com membros do grupo Occupy Pedofilia, em Kiev, capital da Ucrânia (Reprodução)

A atuação é simples e efetiva. O grupo utiliza o Vkontakte, rede social mais importante da Rússia, para anunciar a data dos “safáris” (como chamam a busca aos “criminosos”) e por módicos 250 rublos (R$ 18), qualquer um pode participar da “caça a pedófilos e a homossexuais”. Para os que estão ainda mais motivados pela “nobre causa de proteger as crianças russas”, o grupo Occupy Pedofilia faz um desconto – três caças por 600 rublos (R$ 43).

O Occupy Pedofilia, grupo russo de extrema-direita, é efeito direto da escalada da violência contra a comunidade LGBT na Rússia. Recentemente, foram aprovadas leis regionais e federais para proibir a propaganda de relações consideradas “não tradicionais” pelos parlamentares russos. A popularidade dos grupos neonazistas vem crescendo paralelamente ao sentimento homofóbico no país e a Internet tem aparecido como terreno fértil para a divulgação das ideias dos movimentos neonazistas.

No mês passado, entidades de direitos humanos acusaram Occupy Pedofilia, que se articula principalmente através das redes sociais, pela morte de um jovem gay do Uzbequistão. Apesar das fotos em que o jovem aparece ensanguentado e cercado de sorridentes membros do grupo Occupy, além das inúmeras postagens destacando o “heroísmo” dos extremistas, ninguém foi preso. Por medo de represálias, a maior parte das vítimas do grupo não denuncia à polícia.

Fundado pelo ex-skinhead Maksim “Tesak” Martsinkevich em 2012, logo após ter cumprido uma pena de três anos por incitação a crimes de ódio étnico, o Occupy Pedofilia explica em sua página oficial que o objetivo do movimento é “criar um banco de dados de pedófilos” para que “qualquer um possa conferir se tem algum colega, professor ou médico” que se encaixe no perfil-alvo do Occupy. Em uma das páginas do grupo, há mais de 160 mil seguidores.

“Pise em um homossexual como merda”, diz cartaz homofóbico (Reprodução)

Os membros do grupo Occupy dedicam seu tempo a encontrar homossexuais ou supostos pedófilos através da Internet e tudo acontece como nos habituais flertes virtuais: frases elogiando a foto do perfil, estabelecimento de uma amizade, troca de telefones e finalmente o encontro real.

Na hora do encontro, a surpresa. A vítima do trote é forçada a confessar para as câmeras que é um pedófilo ou um homossexual (para os “justiceiros russos”, os termos se equivalem) e logo em seguida passam por diversos tipos de humilhação, como ter que tirar a roupa, falar para os “entrevistadores” segurando uma banana, passar maquiagem e até mesmo beber urina. Em muitos dos casos, há também covardes agressões.

Nos vídeos postados na Internet pelo grupo e nas discussões nos fóruns (abertas a qualquer internauta), os ataques mais comuns são aos “viados” – “pidor”, como chamam vulgarmente em russo, numa diminuição do termo “pederasta” – e não aos pedófilos, como anunciam.

Em um dos casos que ganhou maior destaque, o ativista gay Artem Gorodilov, da cidade russa de Kamensk-Uralsky, foi sequestrado no meio da noite e levado até um cemitério onde está enterrado um outro ativista que se suicidou depois de ter sua sexualidade exposta pelo mesmo grupo neonazista.

Na noite em que foi sequestrado, Artem foi obrigado a correr em frente de um carro enquanto carregava uma cruz que havia sido arrancada do próprio cemitério. A Igreja Ortodoxa fez uma denúncia à polícia – por causa da cruz destruída -, os neonazis foram chamados a depor, mas soltos em seguida. Depois de ter sido interrogado pelas autoridades, um dos neonazis atacou Artem outro vez e jogou urina em cima do jovem.





Sandro Fernandes, Opera Mundi




quarta-feira, 31 de julho de 2013

XII Congreso Internacional de Salud Mental y Derechos Humanos - El Otro Soy Yo:



La consigna convocante de este XII Congreso Internacional de Salud Mental y Derechos Humanos nació en las Madres al calor de las luchas populares libradas contra los estragos del neoliberalismo.

* 5, 6 y 7 de Septiembre – Buenos Aires/Argentina.



EL OTRO SOY YO:

Como siempre, las Madres de Plaza de Mayo fueron las primeras en advertir que en nuestro país  se violaban sistemáticamente los derechos humanos en los manicomios. Ellas los recorrieron buscando, también ahí, a sus hijos. Ellas padecieron el horror de pensar que sus hijos podrían estar ahí. Y desde esa empecinada lucha por transformar la muerte en vida, tomaron las consignas para conquistar los derechos de excluidos de la vida, confinados en los manicomios.

“El otro soy yo” nos enseñó que no se trata sólo de locos encerrados, sino de resistir a cualquier intervención que aplique el poder disciplinario en el campo de la salud, y por supuesto, de la salud mental. Y eso hizo que entendiéramos que se trata de todas y todos, de nuestro derecho a la particularidad como única vía para posibilitar la inclusión.

Coraje para proponer, las Madres empezaron después del sangriento 2001 a convocar al pueblo para lanzar en el año 2002, el primer congreso. Siempre adelantadas, siempre mirando más allá de todos nosotros.

Coraje para decidir, con las Madres aprendimos a no pedir permiso, a jugarnos con pasión y alegría en la lucha por la igualdad, y en la solidaridad, y en 2010, logramos la Ley Nacional de Salud Mental 26657, ley de avanzada, de consenso, ejemplo para nuestros pueblos. Y esa ley nos dio el marco para legitimar las prácticas que desde tantos años y desde todo el país veníamos sosteniendo con el cuerpo, como ellas nos enseñaron.

Coraje para hacer, es lo que necesitamos ahora. La ley está vigente, no podemos seguir esperando, ni quejándonos ni confundiéndonos.  Ahora nos toca conquistar los espacios y transformarlos en lugares de derecho, de alegría, de vida, junto con ellas, que nos llaman, sus hijos.

Y acá estamos este año, convocados al intercambio, a compartir las experiencias, a reconocernos y a disfrutar de este encuentro, porque “el otro soy yo” nos hace revolucionarios, en este proyecto nacional y popular en el que estamos comprometidos.

Dra. Silvina Rivilli
Directora XII Congreso Salud Mental y Derechos Humano.


Link para evento:


Facebook:


Asociación Madres de Plaza de Mayo:


Universidad Popular Madres de Plaza de Mayo:






Fórum Brasileiro de Direitos Humanos e Saúde Mental:



A cidade de São Paulo sediará entre os dias 05 e 07 de Setembro de 2013, o I Fórum Brasileiro de Direitos Humanos e Saúde Mental. O Fórum será realizado pela Associação Brasileira de Saúde Mental – ABRASME, e tem por objetivo debater com os diferentes atores sociais, as questões referentes aos Direitos Humanos e a Saúde Mental em suas implicações transversais com os temas como População de Rua, Uso Abusivo de Crack, Assistência na Reforma Psiquiátrica, Políticas de Encarceramento, Saúde e Violência em relação a Juventude Negra, Ampliação da Rede de Atenção Psicossocial, Cultura, Economia Solidária, Democratização da Comunicação, entre outros.

O Fórum segue a tradição iniciada com o movimento Madres da Plaza de Mayo, da Argentina, durante um dos Congressos das Madres, que são marcados pelo debate realizado por um grande número de militantes dos movimentos sociais da América Latina. O Fórum, surgido em um dos Congressos, tem a intenção de promover um diálogo onde as idéias, questões e propostas circulem sem os caminhos específicos de apresentação de trabalhos somente. No Brasil, o Fórum avança na Luta Antimanicomial, iniciada no Brasil em fins da década de 1970 pelo Movimento Nacional de Luta Antimanicomial e pelo Movimento de Reforma Sanitária, após denúncias de violações aos direitos humanos em pessoas internadas no Centro Psiquiátrico Pedro II, no Rio de Janeiro, no ano de 1978.

Segue link do evento:


Associação Brasileira de Saúde Mental:




Cultura Inquieta



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