Quadro "O Pesadelo" de Henry Fuseli (1741-1825)

* A Peste Onírica é um delírio subversivo. Postamos aqui nossas réles "produçõezinhas"; nossos momentâneos surtos de divagações em nome do Real do Simbólico e do Imaginário. Estão aqui nossos ensaios para que possamos alçar outros vôos num futuro próximo. Aproveitem os links, os materiais, as imagens, as viagens. Sorvam nossas angústias, nossas dores e masquem nossa pulsão como se fosse um chiclete borrachento com sabor de nada. Pirateiem, copiem, contribuam e comentem para que possamos alimentar nosso narcisismo projetivo. E sorvam de nossa libido, se assim desejarem.


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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Psicanalista política: Maria Rita Kehl fala sobre sua paixão pela polêmica e seu encantamento com a psicanálise

TAGS: Maria Rita Kehl, psicanálise

Marília Scalzo
Fotos Marcelo Naddeo

Publicação Original Revista Cult

Maria Rita Kehl está no centro da polêmica. Vencedora do Jabuti de Livro do Ano de Não Ficção – com O Tempo e o Cão: a Atualidade das Depressões –, a psicanalista, ensaísta e poeta foi ovacionada pelo público ao subir ao palco da Sala São Paulo para receber seu prêmio, no último dia 4 de novembro. Em parte, as palmas comemoravam a premiação, mas também eram um desagravo ao cancelamento de sua coluna no jornal O Estado de S. Paulo cerca de um mês antes. Os maiores prêmios do Jabuti deste ano foram muito discutidos – o de Maria Rita menos; o de Chico Buarque de Holanda, com o Livro do Ano de Ficção, mais. A maior crítica que se fez é a de que havia um viés político nas escolhas. Nas trincheiras, amigos e inimigos, como se o mundo fosse ainda dividido em dois, saíram na defesa ou no ataque aos premiados. Bem, mas essa é outra polêmica.

O fato é que Maria Rita Kehl está onde gosta de estar. “Gosto de polêmica”, diz a psicanalista, que, depois de muita análise, garante que aprendeu a não ser chata, pelo menos nesse ponto. “É uma paixão.” No consultório, atendendo seus pacientes, tem de refrear essa paixão. “Aqui, é a vitória do espírito sobre a carne”, brinca. Ouve coisas que gostaria de discutir com alguns pacientes, mas seu papel não é polemizar. Recolhe-se durante 40 horas por semana. Mas, fora dali, a coisa muda. O que aconteceu no mês de outubro, em plena ferveção das campanhas eleitorais, entre ela e o jornal em que assinava uma coluna quinzenal é sinal de que, fora das 40 horas semanais de consultas, o gosto pela polêmica prevalece. Depois de escrever e publicar uma coluna em que falava sobre o voto dos pobres (“Dois Pesos”), sua colaboração foi cancelada – “não chamo de demissão porque não era contratada”. A direção do jornal disse que a coluna foi cancelada por um movimento normal de troca de colunistas que acontece de tempos em tempos.

A coluna, que ela desde o início defendeu que não fosse “de psicanalista”, com Freud explicando todos os porquês, abordava temas diversos. Desde os mais subjetivos e íntimos, como os textos em que falava de suas memórias, do interesse despertado pelo julgamento do casal Nardoni ou sobre o mistério de “o que quer uma mulher”, até os temas políticos, que esquentaram durante o período eleitoral. “A discussão política é muito arrebatadora”, diz. Maria Rita escreveu uma coluna sobre o aborto (“Repulsa ao Sexo”), com “coisas que queria dizer há anos”. Em seguida, revoltada com as correntes que dominavam a internet, fez a última coluna sobre o voto.

Depois que a notícia de seu desligamento do jornal circulou pela internet – e que seu texto ganhou mais leitura e repercussão do que jamais alcançaria nas páginas do diário –, choveram elogios, mas as críticas foram ferozes. Não foi a primeira vez. Talvez não seja a última. Nos anos 1980, ela se lembra de ter sido insultada pelo jornalista Paulo Francis. “Eu me expus a isso. Ele era muito preconceituoso e, na época da eleição da Erundina, que é nordestina, ele escrevia Ééééérundina. Aí eu escrevi um artigo dizendo que ele era um jornalista ééééruditoporque achava que morar em Nova York lhe dava um status de pensar melhor que os outros. Ele ignorou esse artigo, mas um ano depois, na derrota do Lula em 1989, escreveu um artigo com insultos pessoais a mim, dizendo que eu era uma petista de cabeça quente, que meus pacientes tinham de ser todos internados, uma coisa horrível.”

"A discussão política é muito arrebatadora"

O gosto pela polêmica vem do berço. Mais velha e única mulher entre os quatro filhos de um casal de engenheiros, Maria Rita nasceu em Campinas e se criou em São Paulo, no que chama de uma “família excêntrica”. “Meus pais tinham certa dificuldade de inclusão na vida social. Nenhum dos dois era de São Paulo – ele do Rio, ela de Campinas. Não tinham uma grande circulação, mas vejo hoje que eram, com estilos diferentes, muito originais no modo de ver o mundo.” A casa da infância, com seus três irmãos – depois, o pai casou-se de novo e ela ganhou mais um casal de irmãos –, tinha um ambiente de muita conversa, muita discussão. “Era o ambiente que meu pai gostava de criar. Ele gostava de polemizar com os filhos e nós entramos na polêmica, cada um a seu jeito. Isso certamente me influenciou”, conta.

Outra coisa que a influenciou foi, apesar de formada em psicologia, ter começado sua vida profissional como jornalista. “Precisava trabalhar, bati na porta do Jornal do Bairro, cujo dono era o escritor Raduan Nassar, e os editores, muito simpáticos, resolveram me ensinar como escrever um texto jornalístico”, conta. “Depois, comecei a trabalhar nos jornais de esquerda, na década de 1970.” Foi editora de cultura do Movimento, que, ao lado do Opinião e d’O Pasquim, foi um dos mais importantes órgãos da imprensa alternativa durante o regime militar. Foi aí que Maria Rita se politizou: “Cursei os cinco anos da psico na USP [Universidade de São Paulo] entre 1971 e 1975, um período de violenta repressão política. Não fui para a clandestinidade e nunca apostei na luta armada como algumas pessoas cuja coragem eu admiro até hoje. Minha luta sempre foi no campo ideológico.

A formação (informal) como jornalista, anos antes de se tornar psicanalista, talvez tenha contribuído com o que pode ser visto como uma qualidade de Maria Rita: a capacidade de transitar por muitos campos e de ter um olhar mais abrangente sobre as coisas. Mas, para ela mesma, durante muito tempo, esse foi um problema. “Era como se eu não tivesse uma definição muito clara de mim mesma”, diz. Hoje, aos 58 anos, reconhece que sua dificuldade de se enquadrar – “tenho fobia de pensar que vou entrar em uma forma” – e de seguir dogmas acabou favorecendo esse olhar.

Tanto na universidade como na formação como psicanalista, os caminhos que escolheu não foram ortodoxos. “Fiz meu mestrado na USP e não defendi a tese, porque nasceu meu filho e me atrapalhei com a vida cotidiana. Não foi um conflito com a academia. Na época – 1978 a 1980 – eu quis pesquisar a influência da televisão no Brasil durante a década de 1970. Naquela época não se pensava em tomar a televisão como objeto de estudo. Minha pesquisa foi entre a teoria crítica e o jornalismo”, lembra. Na década de 1990, sua tese de doutoramento –Deslocamentos do Feminino – foi um estudo crítico sobre a mulher na psicanálise freudiana e lacaniana. “Fui pesquisar quem era a mulher na Europa do século 19: um período em que a ideia de feminilidade começava a sofrer um deslocamento que só viria a se completar com os movimentos feministas da década de 1960. “Instintivamente, minha sorte nos dois casos é que escolhi orientadores que não orientavam, então fiquei livre para pensar sem tantas amarras da formatação acadêmica.”

Ao decidir tornar-se psicanalista, Maria Rita procurou preservar a mesma liberdade. “Tornei-me psicanalista sem passar por nenhuma instituição de formação em psicanálise”, diz. “Fiz análise, fiz supervisão, estudei, fiz muitos grupos de estudo, mas não me formei em instituições. Sei que essa escolha é questionada entre os psicanalistas. Mas tenho clara a filiação teórica que orienta meu percurso: Freud, Lacan. “Lacan considerava o autodidatismo um traço dos paranoicos”, diverte-se. “Então acho que sou uma autodidata que deu certo, porque achei meu caminho.”

Mas Maria Rita não recebeu tantas críticas por sua formação à margem das instituições, o que ela atribui a uma característica da sociedade brasileira. “No Brasil, quem tem um nome – e eu já tinha nome como jornalista – deixa de ser questionado, a não ser por adversários do campo político.” Ela acredita que em seu próprio campo ninguém mais a questiona para valer. “É muito estranho isso, nem nas minhas bancas de tese fui questionada como imaginava e como gostaria de ter sido.”

Entretanto, ela, que se vê como lacaniana mesmo não tendo a formação rígida, hoje é pouco chamada para debates nas instituições lacanianas. “É como se dissessem: ‘Ela não é dos nossos’.” Seu último livro, o vencedor do Jabuti, que tem enfoque lacaniano, por exemplo, foi discutido em muitos lugares, mas em pouquíssimas instituições ligadas à teoria de Lacan.

A resistência a entrar na forma aparece novamente: “Não escrevo lacanês, faço questão. É uma questão ética. Acho que uma teoria que se fecha em seu jargão para de pensar. A aplicação automática do jargão fecha a indagação”. Em suas opções políticas, a psicanalista também não é dogmática: “Acho que procurar uma ordem social que promova justiça social e igualdade de direitos é uma tarefa tão complexa que é preciso começar a pensar a cada dia”.

“Tanto a psicanálise quanto o materialismo histórico não são teorias a ser aplicadas sobre o real. Essas grandes teorias que atravessaram o século 20 e não perderam a atualidade no século 21 são, antes de tudo, métodos de investigação sustentados por alguns pressupostos teóricos. Não podem ser tomadas como dogmas. Ajudam-nos a observar, entender e operar sobre o mundo à nossa volta.” Nesse ponto, a clínica psicanalítica encaixa-se perfeitamente em seu jeito de ser. “Mesmo tendo lido as obras completas de todos os psicanalistas do mundo, a cada paciente novo começa-se do zero. O background da psicanálise opera entre a fala do paciente e a escuta do psicanalista e do paciente”, diz. “A clínica nos obriga a ter humildade; não se faz teoria aplicada.”

E é seu encantamento com a psicanálise que faz questão de frisar: “A psicanálise é um dispositivo político, no sentido mais amplo da palavra: libertador, de uma potência extraordinária”. “O fato de o final de uma análise ser um compromisso do sujeito com seu desejo expõe uma condição que Lacan chama de trágica, mas que dá para chamar de cômica também”, fala. “Quando o sujeito depara com a fantasia que sustenta sua neurose, é como se dissesse: ‘Nossa, era só isso? Eu estava sofrendo há tanto tempo só por causa disso?’. Tem uma nota cômica, ou irônica, nesse fim da análise. Você ri um pouco das suas pretensões, do seu superego, da sua escravidão voluntária.” Isso encanta a psicanalista até hoje: “Não tem tédio, é uma profissão sem tédio”.

O tédio não existe também no serviço que presta, desde 2006, na Escola Nacional Florestan Fernandes, que forma militantes políticos e lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST). Maria Rita dá ali um plantão quinzenal como psicanalista e maravilha-se não só porque atende pessoas de uma classe social que jamais atenderia, mas porque acha que essas pessoas têm uma formação humana diferenciada, difícil de encontrar. “Eles distinguem o que é o problema deles, que é sua situação de classe. As inseguranças amorosas e indagações afetivas, que estão no centro da nossa clínica, não comparecem muito na clínica do MST. Parece que o valor das pessoas não depende tanto de se fazerem amar ou desejar pelo outro; está mais ligado à sua relação com o ideal que norteia a militância. O que também é problemático, claro, mas é interessante encontrar uma formação subjetiva um pouco diferente daquela a que estava habituada.” Uma diferença política, claro.

 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Chomsky fala, em entrevista, sobre Žižek e Lacan:



Reproduzindo...


Há poucas semanas colocaram no youtube declarações de Chomsky sobre Zizek e Lacan. Julie Wark, membro do Conselho Editorial de SinPermiso e amiga pessoal de Chomsky, as transcreveu e traduziu para o Sin Permiso (SP).

Não é nova a hostilidade do grande cientista e veterano ativista político estadounidense a todas as variantes do obscurantismo pós-modernista em geral, e em particular, da “French Theory” e seus múltiplos derivados. Já faz duas décadas, por exemplo, escrevia:

“Os intelectuais de esquerda participaram ativamente da animada vida da cultura operária. Alguns buscaram compensar o caráter de classe das instituições culturais com programas de educação operários ou mediante obras de divulgação – que tiveram um êxito muito grande – sobre matemáticas, ciências e outros temas. É doloroso constatar que hoje em dia seus pretensos herdeiros ao contrário privam os trabalhadores desses instrumentos de emancipação, informando-nos, deste modo, que o ‘projeto dos Enciclopedistas’ está morto, que temos que abandonar as ‘ilusões’ da ciência e da racionalidade.  Será uma mensagem que fará felizes os poderosos, satisfeitos por monopolizar esses instrumentos para seu próprio uso.”

E faz pouco mais de 8 anos, que Chomsky explicava que quando abre uma revista especializada de matemáticas, normalmente não entende muita coisa, mas se tem interesse em compreender algum tema em especial, “sei o que tenho que fazer”. Se dirige a um amigo ou colega com conhecimentos sobre o tema que busca explicação, e lhe pede que o explique. O objetivo se cumpre de forma habitual. Mas, em notabilíssimo contraste, quando trata de ler algo escrito pelos pós-modernos que não entende, não serve de nada. “Os que praticam estas artes não parecem capazes de explicar-me o conteúdo do que se diz”. E acrescenta uma continuação: “é o contrário do que ocorre habitualmente nas ciências, nas matemáticas, na composição musical ou em outros domínios”.

A pequena entrevista que na continuação traduzimos segue esta mesma linha, que expressa com simpática contundência a indignação do homem de ciência e do homem de ação contra o não tão inócuo charlatão de salão.

George Hegel: Em uma de nossas conversas no passado, você disse que não lhe interessava muito a teoria, nem pensa que seja útil ou que tenha aplicações práticas na hora de combater e mudar estes sistemas de poder. Não obstante, em nossos tempos um dos intelectuais esquerdistas mais polivalentes, Slavoj Žižek, tem uma perspectiva quase diametralmente oposta em seu trabalho. Ele se baseia no trabalho de Derrida e Lacan e outros para explicar sua crítica do capitalismo global, a ideologia do império, e assim sucessivamente. Me explique por que você não escreveu mais livros sobre teoria política, econômica ou social e que pensa do trabalho de Slavoj Žižek, na medida que você o leu ou conheça, seu uso do trabalho do psicanalista francês Lacan e, por suposto, de Derrida, o desconstrucionismo e todo seu legado?

O aclamado e “pop” filósofo Slavoj Zizek recebe a crítica de Noam Chomsky.

Noam Chomsly: Você se refere a “Teoria” e quando disse que não me interessava por teoria, o que queria dizer é que não me interessa essa adoção de posturas mediante o uso de termos extravagantes compostos de arquisílabos, nem, menos, a ficção travestida de dispor de uma “teoria”, quando não há nenhuma teoria em absoluto. Não nada de teoria em todo este rolo, não, não, desde logo, no sentido de “teoria” de quem esteja minimamente familiarizado com as ciências, ou com qualquer outro campo sério. Tente você buscar em todo o trabalho que mencionei alguns princípios dos quais seria possível deduzir conclusões ou proposições empiricamente verificáveis e a um nível um pouco mais alto do que se possa explicar a um menino de doze anos em cinco minutos. Veja se você pode encontrar algo assim, uma vez decodificadas todas as palavras extravagantes. Eu, não posso. Carece, pois, de interesse para mim este tipo de pavoneio presunçoso.

Žižek representa um exemplo extremo do mesmo. Não vejo o menor conteúdo no que diz. Respeito Jacques Lacan, decerto é que cheguei a conhecê-lo pessoalmente. E nesse plano, me agradava bastante. Nos reuníamos de vez em quando em Paris. Mas, para dizer a verdade, sempre pensei que era um charlatão integral. Não fazia senão floreios ante as câmeras de televisão, à maneira típica de tantos intelectuais de Paris. Não tenho a menor ideia de que por que tudo isto lhe parece a você tão influente. Eu não vejo nada que mereça ter essa influência. Quiçá você me possa explicar por que pensa que é influente; se há algo importante, eu, sou incapaz de vê-lo. Não me interessam os falsários intelectuais vazios de conteúdo.

George Hegel: Creio que lhe interessa a muita gente…, sobretudo porque este trabalho é cada vez mais popular em ambientes contestatórios… recordo que ouvi o nome de Žižek há poucos anos, e agora quando vou a diferentes círculos organizadores de acontecimentos, protestos, reuniões ou assembleias, ouço todavia seu nome ou comentários sobre seu trabalho… e me parece que você, há pouco, teve uma reunião com Angela Davis, uma conversa em Boston moderada por Vijay Prashad. Eu gostaria de ver mais conversas desse tipo, até entre gente com diferentes perspectivas, por exemplo você mesmo com Slavoj Žižek, o trabalho do qual é cada vez mais influente… Você pensa que seria útil fazer esse tipo de debate, como mínimas conversações com outras pessoas da esquerda que oferecem trabalhos a gente que sim, que os encontrem interessantes? Acredita que temos que pensar nisso?

Noam Chomsky: Disse que seu trabalho é cada vez mais influente… Permita-me que duvide. Creio que suas poses e posturas são cada vez mais influentes. Mas você pode dizer a que trabalho se refere? Porque o que é, eu não o encontro. É um bom ator. Faz blefes em cena e que as coisas pareçam apaixonantes, mais você encontra algum conteúdo? Eu, não. Não tenho o menor interesse em ter uma conversa com ele, e suponho que ele tampouco gostaria de conversar comigo. Ao contrário, a conversa com Angela Davis foi boa. É uma pessoa intelectualmente estimável, pensa seriamente e tem coisas a dizer, e algumas, interessantes.

Traduzido do Espanhol ao português por Rafael V. da Silva em 09/07/2013.
Tradução ao português publicada originalmente em:


Mais aqui na #BoiTempo.



Um duelo de gigantes em 1971 Chomsky vs Foucault:

Debate by Noam Chomsky and Michel Foucault on the question of Human Nature. (Legenda Pt):



ORIGINAL:






sábado, 20 de julho de 2013

Muito mais que uma teoria da conspiração: O Mundo Segundo a Monsanto.



Faz um par de anos que várias entidades e ações civis vêm denunciando a Multinacional Monsanto. Nada acontece! E continuamos a consumir tantos produtos que estão diretamente ligados a esta empresa, direta ou indiretamente. Não se enganem em pensar que consumimos alimentos saudáveis porque são produzidos aqui e acola com segurança. Vide a soja transgênica, que é produzida de forma massiva em nosso País (Brasil). Vários produtos são fabricados com estas sementes e nós e os animais, que depois também são consumidos, formamos uma grande cadeia, onde tudo está interligado. Vocês já perceberam os índices de câncer, como estão alarmantes?

Enfim, encontrei uma notícia sobre o Vietnã, com informações terríveis sobre crianças malformadas por conta do Agente Laranja. Não vou postar as fotos, pois são muito horríveis, mas deixo alguns fragmentos da matéria pra gente pensar.

"Desde o início da pulverização, há 51 anos, e até hoje, milhões de vietnamitas morreram, ou foram completamente incapacitado por doenças que o governo dos EUA reconhecem que estão relacionados com o agente laranja para fins de concessão de compensações para veteranos do Vietnã nos Estados Unidos. Os vietnamitas, que eram as vítimas pretendidos desta pulverização, experimentaram o mais intenso e terrível impacto na saúde humana e na devastação ambiental. Segunda e terceira gerações de crianças, nascidas de pais expostos durante a guerra e em áreas de pesadas pulverizações, chamadas de pontos quentes, sofrem deformidades indescritíveis que as autoridades médicas atribuem à dioxina no Agente Laranja".

"Os vietnamitas, expostos ao produto sofrem de câncer, danos ao fígado, doenças pulmonares e cardíacas, defeitos de capacidade reprodutiva e da pele e distúrbios do sistema nervoso. Seus filhos e netos têm graves deformidades físicas, deficiências físicas e mentais, doenças e períodos de vida mais curtos. As florestas e selvas, em grande parte do sul do Vietnã, foram devastadas e desnudadas. Seculares habitats foram destruídos e não irão gerar a mesma diversidade de centenas de anos. Os animais, que habitavam as florestas e selvas, estão ameaçados de extinção, prejudicando as comunidades que dependiam deles. Os rios e águas subterrâneas em algumas áreas também foram contaminados. A erosão e a desertificação irão mudar o ambiente, fazendo um deslocamento da cultura e da vida animal".

"Nos últimos 51 anos, o povo vietnamita têm tentado resolver este legado da guerra, tentando obter dos Estados Unidos e das empresas químicas uma responsabilização deste pesadelo que continua em andamento. Mas, uma das grandes opositoras, chama-se Monsanto...”

A Monsanto tem afiliação e proteção com/do pentágono?

O presidente Barack Obama assinou o HR 933 uma disposição chamada a Lei de Proteção Monsanto.

Os ativistas estão furiosos com a assinatura backdoor da Lei de Proteção da Monsanto para uma série de razões. O ato seria proteger a Monsanto de ser processada por perdas e danos à saúde causados pelo uso de suas culturas geneticamente modificadas. Além disso, se danos à saúde foram descobertos com o uso de alimentos geneticamente modificados, o governo dos Estados Unidos não seria capaz de bani-los do consumo.

Ou seja, estamos Ferrados mesmo!

A Monsanto criou o organismo (OGM ou GMO) sementes geneticamente modificadas, a fim de monopolizar a indústria de sementes em todo o mundo e, assim, criar mais receita.

Uma maneira que eles foram capazes de monopolizar a indústria de sementes é através de um acordo com o FMI - Fundo Monetário Internacional. Quando os países estão em dívida, eles podem pedir ao FMI empréstimos para rejuvenescer a economia. Algumas das condições do empréstimo do FMI incluem práticas sustentáveis do país que deve ser implementadas a fim de revitalizar a economia com o desenvolvimento agrícola. No entanto, uma das condições do FMI inclui o acesso preferencial aos mercados por conglomerados agrícolas, como a Monsanto. Países afetados pela Monsanto incluem Índia, México, Libéria e Paraguai. Os agricultores são obrigados a usar as sementes geneticamente modificadas, sem saber, sem saber de nada...

Seguem links:



Protesto Global Occupy Monsanto, 17 de Setembro de 2013: http://occupy-monsanto.com/tag/gmo/



Documentário sobre a Monsanto: http://youtu.be/y6leaqoN6Ys (Quando este documentário surgiu, muitas foram às polêmicas em volta dele, inclusive tem nota de esclarecimento da Monsanto em sua página, onde procura se defender). Porém, a Diretora do filme relatou em entrevistas divulgadas pela produção que tentou em vão obter respostas da Monsanto para todas as interrogações, mas que a companhia decidiu "não avaliar" seu documentário.  

“O Mundo segundo a Monsanto" (2008), é um filme que denuncia a gigante dos transgênicos:



A diretora, a francesa Marie-Monique Robin, baseou seu filme em livro de mesmo título. O documentário destaca os perigos do crescimento exponencial das plantações de transgênicos, que, em 2007, cobriam 100 milhões de hectares, com propriedades genéticas patenteadas em 90% pela Monsanto. A pesquisa durou três anos e a levou aos Estados Unidos e a países como Brasil, Índia, Paraguai e México, comparando as virtudes proclamadas dos OGM com a realidade de camponeses mergulhados pelas dívidas com a multinacional, de moradores das imediações das plantações pessoas que sofrem com problemas de saúde ou de variedades originais de grãos ameaçadas pelas espécies transgênicas.

Um capítulo do livro, intitulado "Paraguai, Brasil, Argentina: a República Unida da Soja", relata o ingresso desse cultivo nesses países, que estão hoje entre os maiores produtores do mundo, por meio de uma política de fatos consumados que obrigou as autoridades do Brasil e do Paraguai a legalizar centenas de hectares plantados com grãos contrabandeados.


Marie-Monique Robin é uma famosa jornalista independente, que, em 2004, gravou um documentário sobre a Operação Condor chamado "Esquadrões da Morte: A Escola Francesa"- para o qual entrevistou vários dos maiores repressores das ditaduras militares dos anos 70.


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