Quadro "O Pesadelo" de Henry Fuseli (1741-1825)
* A Peste Onírica é um delírio subversivo. Postamos aqui nossas réles "produçõezinhas"; nossos momentâneos surtos de divagações em nome do Real do Simbólico e do Imaginário. Estão aqui nossos ensaios para que possamos alçar outros vôos num futuro próximo. Aproveitem os links, os materiais, as imagens, as viagens. Sorvam nossas angústias, nossas dores e masquem nossa pulsão como se fosse um chiclete borrachento com sabor de nada. Pirateiem, copiem, contribuam e comentem para que possamos alimentar nosso narcisismo projetivo. E sorvam de nossa libido, se assim desejarem.
terça-feira, 23 de julho de 2013
segunda-feira, 22 de julho de 2013
I Am - Você Tem o Poder de Mudar o Mundo e Zaratustra também!
I
AM é a história de Tom Shadyac, um diretor de sucesso em
Hollywood, que após um perigoso ferimento na cabeça e experimenta uma jornada
para tentar descobrir e responder duas questões bem básicas: “O que está
errado no mundo?” e “Que podemos fazer sobre isso?” Com uma equipe de quatro
pessoas, Tom visita algumas das grandes mentes dos dias de hoje, incluindo
escritores, poetas, professores líderes religiosos e cientistas (Howard Zinn,
Lynn McTaggart, Desmond Tutu, Thom Harmann, Coleman Barks), buscando descobrir
o fundamental problema endêmico que causa todos os outros problemas, refletindo
simultaneamente em suas próprias escolhas de excesso, ambição e possível cura.
E se a solução para os problemas do mundo estivesse bem na nossa frente o tempo
todo?
Assistir no VIMEO:
Postagem meio “troncha”, mas
compactuando que devemos assistir algumas coisas para provocar outras... Documentário
naquela linha autoajuda (BULLSHIT), onde somos rodeados por vários cifrões
imaginários... e, apregoados de felicidade passageira. Mesma linha de “O
Segredo”, “Quem somos nós”, “Al Gore” e por ai vai. Oferecer, de certa forma,
aquilo que se deseja. Porém, tirem suas próprias conclusões. Vou tentar utilizar
este documentário para fazer um contra ponto com Nietzsche.
"Os mais preocupados perguntam hoje: “Como
se conserva o homem? Zaratustra
pergunta, é o primeiro e único a fazê-lo: Como será o homem superado?”
(Nietzsche, em "Assim Falou
Zaratustra")
Zaratustra proclama a falência
da civilização e a aurora de uma nova era. É o anúncio de que o homem deve
superar a si mesmo, à sua potencialidade negada. Procurando sacudir o velho
homem, que vivia enclausurado no seu pessimismo e ilusão, o novo pretende ser
substituto daquele. O superar típico do super-homem, entendido como ato de
abertura para o nada ou para o sagrado, nada mais é do que a própria vontade de
poder. O super-homem como superação implica a dimensão do divino, que, segundo
Nietzsche, seria um “ponto” na vontade de poder. Sendo assim, o divino não é
uma coisa separada do homem, tampouco uma realidade para fora de si e que tem
poder de manipulação, mas o divino e o humano se encontram no ato contínuo e
ininterrupto de superação do objeto conhecido e, por conseguinte, na
consciência do não-poder em relação ao não-objeto, isto é, ao nada.
Entre
minhas obras ocupa o meu Zaratustra um lugar à parte. Com ele, fiz à humanidade
o maior presente que até agora lhe foi feito (...) é também o mais profundo, o
nascido da mais oculta riqueza da verdade, poço inesgotável onde balde nenhum
desce sem que volte repleto de ouro e bondade. Aqui não fala nenhum “profeta”,
nenhum daqueles horrendos híbridos de doença e vontade de poder chamados
fundadores de religiões. É preciso antes de tudo ouvir corretamente o som que
sai desta boca, este som alciônico, para não se fazer deplorável injustiça ao
sentido de sua sabedoria. (NIETZSCHE, 1995, p. 19).
Precipitar o homem cada vez
mais no abismo é uma experiência necessária da qual decorrerá a aceitação incondicional
de todo acontecer. Levado isso em conta, é preciso insistir no fato de que a
negação de Deus como valor supremo coloca o homem diante de uma experiência de
superação de si: “Deus é uma suposição; mas quem beberia, sem morrer, todo o
tormento dessa suposição?” (NIETZSCHE, 1995, p. 100). É nesse sentido que o
surgimento do além-do-homem depende de todo um labor do homem sobre si mesmo,
de uma criação de si como forma de se redimir de sua humanidade: “Criar – essa
é a grande redenção do sofrimento, é o que torna a vida mais leve. Mas, para
que o criador exista, são deveras necessários o sofrimento e muitas
transformações” (NIETZSCHE, 1995, p. 101). Essa ideia de que o homem é apenas
um momento de transição para algo de melhor ou superior. Nietzsche fornece
pistas de que somente o ato de criar é capaz de redimir o homem de sua própria condição
e lançá-lo para além de si mesmo:
Mas
novamente e sempre para os homens, impele-me a minha ardente vontade de criar;
do mesmo modo é o martelo impelido para a pedra. Ah, dorme na pedra para mim, ó
homens, uma estátua, a imagem das minhas imagens! Ai de mim, que ela deva
dormir na pedra mais dura e mais feia! Agora, enfurece cruelmente o meu martelo
contra a sua prisão. Despede a pedra um pó de estilhaços; que me importa? Quero
concluir a estátua: porque uma sombra veio a mim – a mais silenciosa e leve de
todas as coisas veio a mim! A beleza do além-do-homem veio a mim como uma
sombra. Ah, meus irmãos! Que ainda me importam – os deuses!” (Assim falou Zaratustra
NIETZSCHE, 1995, p.101).
Abaixa
o Nietzsche, Assim Falou Zaratustra: (Sabotagem,
Salve, salve):
(Só
não tem catalogação bibliográfica. Ok?!)
Referências:
NIETZSCHE, Friedrich. Assim
falou Zaratustra. Trad. de Mario da Silva. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1995.
http://www.cchla.ufrn.br/saberes/
< Acessado em 21.07.2013>
Otras Geografías. Experiencias de autonomías indígenas en México (Livro):
La obra Otras Geografías.
Experiencias de autonomías en México, reúne ancestrales y renovados procesos de
autonomías entre los mayas zapatistas de Chiapas; inéditas formas de organizar
la seguridad pública y de impartir justicia en el contexto multiétnico que es
la Montaña de Guerrero; justicia entre los triquis de Oaxaca luego de largas
décadas de represión estatal-caciquil y de violencia fratricida; el control del
territorio y el autogobierno del pueblo yaqui, símbolo de resistencia
histórica; formas de comunicación para ejercer el derecho a preservar y
desarrollar la cultura y la identidad, recuperar la voz en Suljaa’, Guerrero y
San Juan Copala, Oaxaca.
Lo que constata la vigencia y
desarrollo de los procesos autonómicos entre los diversos pueblos indígenas en
sus múltiples formas, dependiendo de contextos regionales específicos.
Coordinadores:
Giovanna Gasparello y Jaime
Quintana Guerrero.
Descargalo también aquí:
domingo, 21 de julho de 2013
A Servidão Moderna, A Servidão Voluntária:
Algumas coisas para nos indagarmos e deixarmos fluir uma angústia criadora:
A democracia* e a
liberdade de expressão estão em cheque! O sistema está sendo questionando
mundialmente por milhões de pessoas...
*Democracia que não era
democracia... Mas, uma servidão voluntária...
Baudrillard, filósofo e sociólogo francês, criou a ideia de hiper-realidade, segundo a qual vivemos na era das simulações, onde construímos hiper-realidades na tentativa de ressuscitar aquilo que consideramos real, e que nos escapa... É uma representação da realidade que possui uma ordem referencial que somente reina sobre o próprio referencial. Possui um poder determinado que só pode ser exercido sobre um mundo determinado, mas, que não exerce nenhum poder sobre a recorrência indefinida da simulação, como podemos observar com o advento da crise - crise econômica, crise da democracia.
Vivemos atualmente na tentativa de reproduzir os próprios modelos de resgate de uma experiência áurea dos séculos passados. Parece existir uma impossibilidade de rompimento de desconstrução.
Baudrillard, filósofo e sociólogo francês, criou a ideia de hiper-realidade, segundo a qual vivemos na era das simulações, onde construímos hiper-realidades na tentativa de ressuscitar aquilo que consideramos real, e que nos escapa... É uma representação da realidade que possui uma ordem referencial que somente reina sobre o próprio referencial. Possui um poder determinado que só pode ser exercido sobre um mundo determinado, mas, que não exerce nenhum poder sobre a recorrência indefinida da simulação, como podemos observar com o advento da crise - crise econômica, crise da democracia.
Vivemos atualmente na tentativa de reproduzir os próprios modelos de resgate de uma experiência áurea dos séculos passados. Parece existir uma impossibilidade de rompimento de desconstrução.
Os pobres continuam
pobres! E os remediados?. Se há melhoras na educação, não há emprego; se há
boas estruturas de transporte, não se pode pagar os pedágios, carro, o ônibus;
vive-se mais tempo, mas com menos qualidade de vida; há melhor sistema de
saúde, mas não se pode contar com ele; há maior liberdade, mas a democracia
está doente.
A questão fundamental parece ser essa: indagamos se essa democracia continua sendo um instrumento real através do qual o povo se governa, elegendo seus mandatários entre as diversas tendências ideológicas (Corporativas) que formam maiorias parlamentares e devem, teoricamente, interpretar a vontade da população. Ou se a democracia é hoje refém da burocracia do sistema financeiro, que toma decisões no interesse de poucos, com o consentimento deliberado dos políticos. Será que a democracia se tornou refém da hiper-realidade ou a democracia em si faz parte desta hiper-realidade?
A questão fundamental parece ser essa: indagamos se essa democracia continua sendo um instrumento real através do qual o povo se governa, elegendo seus mandatários entre as diversas tendências ideológicas (Corporativas) que formam maiorias parlamentares e devem, teoricamente, interpretar a vontade da população. Ou se a democracia é hoje refém da burocracia do sistema financeiro, que toma decisões no interesse de poucos, com o consentimento deliberado dos políticos. Será que a democracia se tornou refém da hiper-realidade ou a democracia em si faz parte desta hiper-realidade?
(*)
Segue Documentário: A "Servidão Moderna" que é um
livro e um documentário de 52 minutos produzidos de maneira completamente
independente; o livro (e o DVD contido) é distribuído gratuitamente em certos
lugares alternativos na França e na América latina. O texto foi escrito na
Jamaica em outubro de 2007 e o documentário foi finalizado na Colômbia em maio
de 2009. Ele existe nas versões francesa, inglesa e espanhola. O filme foi
elaborado a partir de imagens desviadas, essencialmente oriundas de filmes de
ficção e de documentários.
Texto completo do
Documentário em PDF (Jean- François Brient):
Algumas sugestão de Leitura:
(Para baixar é preciso acionar senha no 4shared, pode-se cadastrar a partir do face)
Jean Baudrillard - Simulacros e Simulação.
sábado, 20 de julho de 2013
Seminário de Estudos em Análise do Discurso - Michael Pêcheux:
Acontecerá em Porto
Alegre o VI Seminário de Estudos em Análise do Discurso, de 15 à 18 de Outubro
de 2013. Evento bianual, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Letras e ao
Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e acontece em
Porto Alegre, desde o ano de 2003.
Nas suas cinco edições
– e sob a perspectiva das que ainda virão, mantendo seu caráter bianual – o
SEAD seguiu basicamente a mesma proposta: o aprofundamento teórico e analítico
das noções caras aos analistas do discurso, com uma interlocução com outras
áreas com que esta disciplina faz fronteira, como Arte, Psicanálise, História,
Antropologia, Filosofia, Jornalismo, Sociologia, Ciência Política, Literatura.
Link do Evento: http://www.ufrgs.br/analisedodiscurso/sead/index.html
Aqui podemos encontrar
os anais do evento, uma vasta gama de artigos para salvar e ler: http://www.ufrgs.br/analisedodiscurso/anaisdosead/
(Michael Pêcheux - 1938 - 1983)
Muito mais que uma teoria da conspiração: O Mundo Segundo a Monsanto.
Faz um par de anos que várias
entidades e ações civis vêm denunciando a Multinacional Monsanto. Nada
acontece! E continuamos a consumir tantos produtos que estão diretamente
ligados a esta empresa, direta ou indiretamente. Não se enganem em pensar que
consumimos alimentos saudáveis porque são produzidos aqui e acola com segurança.
Vide a soja transgênica, que é produzida de forma massiva em nosso País
(Brasil). Vários produtos são fabricados com estas sementes e nós e os animais,
que depois também são consumidos, formamos uma grande cadeia, onde tudo está
interligado. Vocês já perceberam os índices de câncer, como estão alarmantes?
Enfim, encontrei uma
notícia sobre o Vietnã, com informações terríveis sobre crianças malformadas
por conta do Agente Laranja. Não vou postar as fotos, pois são muito horríveis,
mas deixo alguns fragmentos da matéria pra gente pensar.
"Desde o início da
pulverização, há 51 anos, e até hoje, milhões de vietnamitas morreram, ou foram
completamente incapacitado por doenças que o governo dos EUA reconhecem que
estão relacionados com o agente laranja para fins de concessão de compensações
para veteranos do Vietnã nos Estados Unidos. Os vietnamitas, que eram as
vítimas pretendidos desta pulverização, experimentaram o mais intenso e
terrível impacto na saúde humana e na devastação ambiental. Segunda e terceira
gerações de crianças, nascidas de pais expostos durante a guerra e em áreas de
pesadas pulverizações, chamadas de pontos quentes, sofrem deformidades
indescritíveis que as autoridades médicas atribuem à dioxina no Agente
Laranja".
"Os vietnamitas,
expostos ao produto sofrem de câncer, danos ao fígado, doenças pulmonares e
cardíacas, defeitos de capacidade reprodutiva e da pele e distúrbios do sistema
nervoso. Seus filhos e netos têm graves deformidades físicas, deficiências
físicas e mentais, doenças e períodos de vida mais curtos. As florestas e
selvas, em grande parte do sul do Vietnã, foram devastadas e desnudadas. Seculares
habitats foram destruídos e não irão gerar a mesma diversidade de centenas de
anos. Os animais, que habitavam as florestas e selvas, estão ameaçados de
extinção, prejudicando as comunidades que dependiam deles. Os rios e águas
subterrâneas em algumas áreas também foram contaminados. A erosão e a
desertificação irão mudar o ambiente, fazendo um deslocamento da cultura e da
vida animal".
"Nos últimos 51
anos, o povo vietnamita têm tentado resolver este legado da guerra, tentando
obter dos Estados Unidos e das empresas químicas uma responsabilização deste
pesadelo que continua em andamento. Mas, uma das grandes opositoras, chama-se
Monsanto...”
A Monsanto tem
afiliação e proteção com/do pentágono?
O presidente Barack
Obama assinou o HR 933 uma disposição chamada a Lei de Proteção Monsanto.
Os ativistas estão
furiosos com a assinatura backdoor da Lei de Proteção da Monsanto para uma
série de razões. O ato seria proteger a Monsanto de ser processada por perdas e
danos à saúde causados pelo uso de suas culturas geneticamente modificadas.
Além disso, se danos à saúde foram descobertos com o uso de alimentos
geneticamente modificados, o governo dos Estados Unidos não seria capaz de
bani-los do consumo.
Ou seja, estamos Ferrados
mesmo!
A Monsanto criou o
organismo (OGM ou GMO) sementes geneticamente modificadas, a fim de monopolizar
a indústria de sementes em todo o mundo e, assim, criar mais receita.
Uma maneira que eles
foram capazes de monopolizar a indústria de sementes é através de um acordo com
o FMI - Fundo Monetário Internacional. Quando os países estão em dívida, eles
podem pedir ao FMI empréstimos para rejuvenescer a economia. Algumas das
condições do empréstimo do FMI incluem práticas sustentáveis do país que deve
ser implementadas a fim de revitalizar a economia com o desenvolvimento
agrícola. No entanto, uma das condições do FMI inclui o acesso preferencial aos
mercados por conglomerados agrícolas, como a Monsanto. Países afetados pela
Monsanto incluem Índia, México, Libéria e Paraguai. Os agricultores são
obrigados a usar as sementes geneticamente modificadas, sem saber, sem saber de
nada...
Seguem links:
Protesto Global Occupy Monsanto,
17 de Setembro de 2013: http://occupy-monsanto.com/tag/gmo/
Documentário sobre a
Monsanto: http://youtu.be/y6leaqoN6Ys
(Quando este documentário surgiu, muitas foram às polêmicas em volta dele,
inclusive tem nota de esclarecimento da Monsanto em sua página, onde procura se
defender). Porém, a Diretora do filme relatou em entrevistas divulgadas pela
produção que tentou em vão obter respostas da Monsanto para todas as
interrogações, mas que a companhia decidiu "não avaliar" seu
documentário.
“O Mundo segundo a
Monsanto" (2008), é um filme que denuncia a gigante dos transgênicos:
A diretora, a francesa
Marie-Monique Robin, baseou seu filme em livro de mesmo título. O documentário
destaca os perigos do crescimento exponencial das plantações de transgênicos,
que, em 2007, cobriam 100 milhões de hectares, com propriedades genéticas
patenteadas em 90% pela Monsanto. A pesquisa durou três anos e a levou aos
Estados Unidos e a países como Brasil, Índia, Paraguai e México, comparando as
virtudes proclamadas dos OGM com a realidade de camponeses mergulhados pelas
dívidas com a multinacional, de moradores das imediações das plantações pessoas
que sofrem com problemas de saúde ou de variedades originais de grãos ameaçadas
pelas espécies transgênicas.
Um capítulo do livro,
intitulado "Paraguai, Brasil, Argentina: a República Unida da Soja",
relata o ingresso desse cultivo nesses países, que estão hoje entre os maiores
produtores do mundo, por meio de uma política de fatos consumados que obrigou
as autoridades do Brasil e do Paraguai a legalizar centenas de hectares
plantados com grãos contrabandeados.
Marie-Monique Robin é
uma famosa jornalista independente, que, em 2004, gravou um documentário sobre
a Operação Condor chamado "Esquadrões da Morte: A Escola Francesa"-
para o qual entrevistou vários dos maiores repressores das ditaduras militares
dos anos 70.
sexta-feira, 19 de julho de 2013
Movimento Estratégico Estado Laico:
Conheça o site do
Movimento Estratégico pelo Estado Laico – MEEL, coletivo horizontal de
movimentos sociais, organizações da sociedade civil, organizações religiosas e
outros atores sociais que reconhecem a laicidade do Estado como um elemento
fundamental para assegurar a efetivação dos direitos humanos e o
aperfeiçoamento da democracia no Brasil.
Traca um Voltaire que Fica Cult
"Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las".
(Zorro)
Esta é uma das frases feitas que mais tenho visto, ultimamente, aqui pelo face. Trabalhada em posts refinados, citada nas madrugadas como livre pensamento e, pior, citada em meio a debates calorosos. Percebi que quando o interlocutor não tem mais argumentos, ele traca o Voltaire e tudo fica cult. Claro que é cult! Mas, me digam uma coisa, falem a verdade, devem ter lido lá no livro do Voltaire, né? Aquele livro.... aquele... lembra? Não vai me dizer que copiou do PENSADOR Uol? Dai é que nem citar o Zorro ou o Mike Mouse.
Ai tá serto!
Acredito que o Voltaire ficaria feliz de ver sua citação tornar-se tão famosa na contemporaneidade, justamente como artificio das liberdades civis que tanto defendeu, bem como, upa da vida ao ver fundamentalistas religiosos usarem a frase feita para justificar suas práticas alienantes, justamente ele, um pensador que criticou o poder da igreja.
Oh Candidos otimistas vamos Voltaire pros livros e sair um pouco do face e assemelhados da internet... Ou aproveitem a net para baixar os livros e ler.
Convido-vos em nome da arrogância do saber, bairrista, filosófica, subversiva e chinelona a ler Candido ou o Otimismo, depois a gente lê o Tratado Sobre a Tolerância de 1763, ou vcs acharam que o Voltaire nasceu ontem, capaz... ele foi discípulo do Sócrates e ainda fez parte da revolução sexual da década de 60 com o povo paz e amor.
Não perdoem este ser arrogante que se irritou profundamente, nem perdoem Voltaire quando ele falou da natureza manipuladora das religiões organizadas nas Cartas Inglesas ou Cartas Filosóficas. Quem sabe, depois de tudo isso a gente ainda aproveita para ler alguma coisa do Rousseau e bebemos vinho... tlvz... quem sabe por fim, então gostaria mais de beber a água de vossa fonte do que o leite de vossas vacas. E quanto às plantas de vosso jardim, eu temo não encontrar senão a lótus que não é mais que a pastagem dos animais, ou a moli que impede os homens de evoluir.
Lembranças ao Liberalismo e aos supostos defensores da liberdade - Liberdade pra mim! Pra ti Não!
Alguém conhece o Cabaret Voltaire?
(Anakin Skywalker)
"Tão pouco civilizado!"
(Obi-Wan Kenobi após matar Grievous)
— em França.
Sugestão de Blog: http://blogsdoalem.com.br/voltaire/
sábado, 8 de junho de 2013
Maquiável
Mesmo tendo sido publicado há quase 500 anos, "O Príncipe", de Nicolau Maquiavel, tem lições para nossa vida que são muito atuais...
"Vale mais ser amado ou temido? O ideal é ser as duas coisas, mas como é difícil reunir as duas coisas, é muito mais seguro - quando uma delas tiver que faltar - ser temido do que amado. Porque, dos homens em geral, se pode dizer o seguinte: que são ingratos, volúveis, fingidos e dissimulados, fugidios ao perigo, ávidos do ganho. E enquanto lhes fazeis bem, são todos vossos e oferecem-vos a família, os bens pessoais, a vida, os descendentes, desde que a necessidade esteja bem longe. Mas quando ela se avizinha, contra vós se revoltam. E aquele príncipe que tiver confiado naquelas promessas, como fundamento do ser poder, encontrando-se desprovido de outras precauções, está perdido. É que as amizades que se adquirem através das riquezas, e não com grandeza e nobreza de carácter, compram-se, mas não se pode contar com elas nos momentos de adversidade. Os homens sentem menos inibição em ofender alguém que se faça amar do que outro que se faça temer, porque a amizade implica um vínculo de obrigações, o qual, devido à maldade dos homens, em qualquer altura se rompe, conforme as conveniências. O temor, por seu turno, implica o medo de uma punição, que nunca mais se extingue. No entanto, o príncipe deve fazer-se temer, de modo que, senão conseguir obter a estima, também não concite o ódio."
(Cap. XVII - Da crueldade e da piedade; se é melhor ser amado que temido, ou antes temido do que amado) (adaptado)
terça-feira, 30 de abril de 2013
A Poesia de Pina Baush
O lugar não tem muita importância neste caso
ou até tem se quiser dar um começo, meio e fim, mas nem sabemos como
tudo começou, então, parece existir certa confusão proposital. Não vai
acarretar nenhuma consequência dizer ao certo como estamos
aqui, pelo contrário, seria apenas uma obrigação de recomeçar a dizer
de parte nenhuma, de ninguém e de nada para chegar novamente a qualquer
caminho. Não faz diferença quem quer que eu seja, onde quer que eu
esteja...
Assisti por indicação de uma amiga uma peça, uma dança uma encenação de Pina Baush que me fez ver o interior de meu crânio fixo. Lembrei de coisas feitas por mim sem querer saber de mim. Querer saber de eu antigamente se errava ou não errava, agora estou fixa não sei aonde, não sei se uso a cabeça, as mãos, os pés, as costas. Não tenho medo, tenho medo e por hora tenho medo de minha voz, medo daquilo que minhas palavras vão fazer de mim. E pouco importa se saberei ou não, se me engole ou se me vomita. Eu, de quem nada sei, sei que tenho os olhos abertos devido as lágrimas que deles escorrem sem cessar e não tratarei mais disso, apenas uma pergunta se ela se relaciona ou não, em suma, eu inventei tudo, sem ajuda de ninguém, pois não há ninguém para retardar a hora de falar de mim. Eis a pergunta: Será que nunca poderei calar-me?
Assisti por indicação de uma amiga uma peça, uma dança uma encenação de Pina Baush que me fez ver o interior de meu crânio fixo. Lembrei de coisas feitas por mim sem querer saber de mim. Querer saber de eu antigamente se errava ou não errava, agora estou fixa não sei aonde, não sei se uso a cabeça, as mãos, os pés, as costas. Não tenho medo, tenho medo e por hora tenho medo de minha voz, medo daquilo que minhas palavras vão fazer de mim. E pouco importa se saberei ou não, se me engole ou se me vomita. Eu, de quem nada sei, sei que tenho os olhos abertos devido as lágrimas que deles escorrem sem cessar e não tratarei mais disso, apenas uma pergunta se ela se relaciona ou não, em suma, eu inventei tudo, sem ajuda de ninguém, pois não há ninguém para retardar a hora de falar de mim. Eis a pergunta: Será que nunca poderei calar-me?
... ₢ ...
Os passos de Bausch eram como rotinas banais e
filosóficas, reverentes e irreverentes. Ela dizia: “Eu não estou interessada
tanto em como as pessoas se movem como ‘no que’ as move”. “O trabalho [...] é
sobre relações, infância, medo da morte e quanto nós todos desejamos ser
amados”.
"Eu só posso fazer algo muito aberto, eu não
estou mostrando uma visão. Há conflitos entre pessoas, mas eles podem ser
olhados de cada lado, de ângulos diferentes. Ou: Você pode ver isto assim
ou assim. Depende do modo que você assiste. [...] Você sempre pode assistir de
outro modo."
Os passos de Bausch eram como rotinas banais
e filosóficas, reverentes e irreverentes. Ela dizia: “Eu não estou interessada
tanto em como as pessoas se movem como ‘no que’ as move”. “O trabalho [...] é
sobre relações, infância, medo da morte e quanto nós todos desejamos ser
amados”.
"Eu só posso fazer algo muito aberto, eu não
estou mostrando uma visão. Há conflitos entre pessoas, mas eles podem ser
olhados de cada lado, de ângulos diferentes. Ou: Você pode ver isto assim
ou assim. Depende do modo que você assiste. [...] Você sempre pode assistir de
outro modo."
Os atos performáticos jamais eram gratuitos.
Estavam sempre examinando e questionando relações de poder. Se a plateia muitas
vezes sentia-se desconfortável, é porque era implicada e confrontada como
“(...) membro de uma sociedade de consumo”, preconceituosa e egoísta. E é para
essa sociedade que Bausch chamava a atenção: “(...) nós temos que olhar
novamente e novamente” e refletir sobre isso. Seu teatro remete o espectador a
sua própria realidade e exige uma cumplicidade. Algumas vezes, um doloroso
envolvimento, ao reconhecer seu próprio ‘eu’ sendo dissecado. “(...) a imagem é
um espinho no olho e os corpos escrevem um texto que desafia publicação, que
aprisiona o sentido”.
Os atos performáticos jamais eram gratuitos.
Estavam sempre examinando e questionando relações de poder. Se a plateia muitas
vezes sentia-se desconfortável, é porque era implicada e confrontada como
“(...) membro de uma sociedade de consumo”, preconceituosa e egoísta. E é para
essa sociedade que Bausch chamava a atenção: “(...) nós temos que olhar
novamente e novamente” e refletir sobre isso. Seu teatro remete o espectador a
sua própria realidade e exige uma cumplicidade. Algumas vezes, um doloroso
envolvimento, ao reconhecer seu próprio ‘eu’ sendo dissecado. “(...) a imagem é
um espinho no olho e os corpos escrevem um texto que desafia publicação, que
aprisiona o sentido”.
Pina Bausch ( 27 de julho de 1940 — 30 de Junho de 2009)
(Cena e capa do Filme Pina)
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