Quadro "O Pesadelo" de Henry Fuseli (1741-1825)

* A Peste Onírica é um delírio subversivo. Postamos aqui nossas réles "produçõezinhas"; nossos momentâneos surtos de divagações em nome do Real do Simbólico e do Imaginário. Estão aqui nossos ensaios para que possamos alçar outros vôos num futuro próximo. Aproveitem os links, os materiais, as imagens, as viagens. Sorvam nossas angústias, nossas dores e masquem nossa pulsão como se fosse um chiclete borrachento com sabor de nada. Pirateiem, copiem, contribuam e comentem para que possamos alimentar nosso narcisismo projetivo. E sorvam de nossa libido, se assim desejarem.


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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Apocalypse Now, só um filme de guerra:


Cena clássica do filme.

Apocalypse Now (1979) ilustra, a partir de uma linguagem poética, inspirada em Joseph Conrad, o Real que nos aniquila. Somente em poesia, podemos contar deste Real. É um filme que traz a tona a inquietação existencial e o desregramento de indivíduos confrontados com a ruptura dos laços sociais. É um filme que fala de uma loucura... Ela é quase um delírio, caso houvesse uma outra voz, porém o narrador parece trabalhar para um Outro, que está mais próximo do discurso Perverso, então, não há delírio mas, uma escravidão voluntária que produz loucura e desordem, eis a obediência total, seja ela em nome de um sistema, seja em nome do fanatismo. Escravo das pulsões primitivas? Um dos personagens nos diz, “A dialética é muito simples, na lógica dialética só existe amor e ódio”. “Temos o direito de matar, mas não de julgar”.

Marlon Brando, nas filmagens.

O filme é o resultado de uma visão, visão de um quadro revelador da condição humana na sua travessia para uma margem outra, travessia fundada também pelo relato como se este fosse reflexo desta água vida navegada.

“Não eram monstros, eram homens... É preciso homens que tenham moral e, ao mesmo tempo, conservem seus instintos para matar e que não tenham julgamentos, pois é o julgamento que nos derrota”. 
(Personagem do Coronel Kurtz)

Marlon Brando.


A guerra do Vietnã, a guerra em si, é vista no filme como metáfora de uma perda – perda completa das humanidades. Não existe humanidade na guerra, talvez, nem mesmo nisto que é humano. "É um horror, horror!" Toda é qualquer guerra é a perda da linguagem. O filme mostra o homem – o homem impregnado de vida e morte, impregnado do horror verdadeiro da existência em todas as suas eras.


Francis Ford Coppola nas filmagens de Apocalypse Now.


A poesia de T.S. Eliot diz tudo que não queremos ouvir e, quando supomos ouvir, erroneamente interpretamos (Poesia citada pelo personagem, Coronel Kurtz):

The Hollow Men

I

Nós somos os homens vazios
Somos os homens de palha
Apoiados uns nos outros
A parte da cabeça cheia de palha. Ai
As nossas vozes foram secas e quando
Juntos sussurramos
São serenas e sem sentido
Como vento em erva seca
Ou pés de ratos sobre vidro partido
Na secura da nossa cave
Molde sem forma, tonalidade sem cor,
Força paralisada, gesto sem movimento;
Os que cruzaram
Com os olhos certeiros, para o outro reino da morte
Lembram-se de nós - quem sabe - não de
Violentas almas perdidas, mas somente
De homens vazios
Homens de palha.

II

Olhos que não ouso encontrar em sonhos
No imaginário reino da morte
Esses não aparecem:
Aí, os olhos são
Luz do sol numa coluna quebrada
Aí, uma árvore balança.
E há vozes
No cantar do vento
Mais distantes e mais solenes
Que uma estrela em fuga
Sem estar mais perto
No imaginário reino da morte
Que eu use também
Disfarces deliberados
Pêlo de rato, pele de corvo, estacas em cruz
Numa seara
Portar-me como o vento se porta
Mais perto não,
Não esse encontro final
No reino crepuscular.

III

Esta é a terra morta
Esta é a terra de cactos
Aqui as imagens de pedra
Erguem-se, aqui recebem
Em súplica a mão do morto
Na fuga de uma estrela que cintila.
Será mesmo assim
No outro reino da morte
Acordar sozinho na hora em que
Trememos de ternura
Os lábios capazes de um beijo
Formam preces a pedras quebradas.

IV

Os olhos não estão aqui
Não há olhos aqui
Neste vale de estrelas a morrer
Neste vale vazio
Este queixo quebrado dos nossos reinos perdidos
Neste último dos lugares de encontro
Em conjunto tateamos
E evitamos a fala
Amontoados nesta praia do túmido rio
Sem ver, a menos que
Reapareçam os olhos
Como a estrela perpétua
Rosa multifoliada
Do reino crepuscular da morte
A esperança só
De homens ocos.

(T. S. Eliot, Quarta-Feira de Cinzas, trad. João Paulo Feliciano, Hiena Ed., Lisboa, 1994, ed.bil.)



Assistir Filme Online:



Apocalypse Now não é só um filme de guerra para assistir tomando cerveja. É preciso beber da realidade para assisti-lo.  


sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Os Donos do Mundo:


Os "donos do mundo" nos fazem sangrar e sofrer...




"O não reconhecimento de certas atitudes é a principal fonte de sofrimento do outro e de nós mesmos."


terça-feira, 13 de agosto de 2013

Capitalismo, uma História de Amor (Capitalism, a Love Story):




Esta história de amor é o retrato da crise do capitalismo a partir do seu próprio berço. Michael Moore nos traz relatos dramáticos dos trabalhadores que pagam na pele o preço do amor dos EUA pelo capitalismo.


Assista no Tube:







Links Alternativos com filme completo:




segunda-feira, 29 de julho de 2013

A Revolução Será Financiada – Documentário “O Negócio da Revolução” & afins:



O Documentário “O Negócio da Revolução” que denuncia a organização OTPOR-Canvas ou até mesmo divulga seu trabalho, vem de encontro a tese de que nada escapa as garras do capitalismo contemporâneo. Tudo é business! “Nada se perde, tudo se transforma”. Nunca este jargão fez tanto sentido. Financiar revoluções é uma oportunidade e tanto para o mundo dos negócios globalizados. No entanto, não é de hoje que organizações e governos demonstram interesses escusos em outras nações para ampliarem suas economias e negócios. Na América Latina, sabemos que o governo estadunidense agiu diretamente no fatídico golpe de estado em 1964 no Brasil e nos outros países latinos na mesma época. Mas a coisa ficou mais refinada, trabalhada e moderna na contemporaneidade. Com a ascensão dos meios de comunicação cyber os golpes se legitimaram com um semblante que parece vir diretamente do povo. A tecnologia aprimorou os golpes de maneira fantástica. Criar uma organização que financia direta ou indiretamente uma revolução, ao ponto de oferecer workshops aos “revolucionários” é algo surreal ou nem tanto assim.


 Documentário:




O semblante da revolução financiada (com revolucionários profissionais) e organizada usa da insatisfação do povo, importante frisar que não é um implante artificial de insatisfações, pois, ela faz uso do descontentamento original e licito de uma massa alienada e oprimida.  No momento que essa massa é orientada, fortalecida e ouvida a revolução transcorre. O problema, pois, precisamos problematizar o caso, é quando os interesses tomam rumos diferentes. Alias, o rumo é um só, pregar a liberdade, a democracia e romper, assim, com a opressão de um governo sobre seu povo. Mas, vamos pensar na grande falácia da liberdade a partir de uma revolução financiada: Quais os interesses? Falsa liberdade, falsa democracia. A promessa é falsa desde o princípio, visto que os interesses dos financiadores começam a surgir, como por exemplo, abertura de mercados e governos manipulados conforme os interesses dos mercenários, assim, implementam neoditaduras de consumo para grandes corporações do governo Norte Americano.

Interessante este documentário vale a pena assistir e analisar. Pode, com certeza, ser pensado com relação ao que vem acontecendo no Brasil com os levantes populares. Mas se de fato a Otpor-canvas estivesse envolvida direta/indiretamente com os movimentos aqui, não faria nenhum sentido a velha militância de lutas antigas estarem ocupando as ruas pelo Passe Livre. O Movimento Passe Livre é tropicano, antropofágico e libertário. No entanto, não vamos estranhar se entre os ufanistas, que pegaram carona no movimento, usem, lá pelas tantas, o Símbolo do Punho Cerrado da Otpor.  Se até os nazifascistas estão dando as caras, é lógico que tudo pode acontecer. Mas, não entrem em paranoias generalizadas e deslegitimem o Movimento Passe Livre. Vamos investigar sempre!

A Otpor foi extinta, virou partido político na Sérvia, assim dizem, quem levanta a sua bandeira no momento é a organização CANVAS. (http://www.canvasopedia.org/), com sede em Belgrado, atua em mais de 50 países atualmente. Uma antiga modalidade estadunidense e, agora, uma nova forma de ganhar dinheiro.

Vale o alerta e as questões que ficam:

Que futuro existe para esse tipo de "revolução"?

Governos fantoches e falsas democracias?

Será que o Movimento "Ocupar Wall Street"  é financiado pelo governo EUA? (fiquei com muitas duvidas....)

As "revoluções coloridas" assim são chamadas na Europa oriental (golpes políticos apoiados pelos EUA)!




#NãoPassarão!


Para gente pensar mais além, outros documentários:

Como EUA interfere nos países - parte1 - Entrevista John Perkins:

Como EUA interfere nos países - parte2 - Entrevista John Perkins:

Entrevista Completa:


Alguns links:

O que é a OTPOR:


http://www.sourcewatch.org/index.php?title=Otpor (aqui aparecem os nomes dos financiadores).




http://www.geocities.ws/h_marroquin/Yugoslavia.html (Acho que é um povo que tá muito puto com a OTPOR-CANVAS).





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