Quadro "O Pesadelo" de Henry Fuseli (1741-1825)

* A Peste Onírica é um delírio subversivo. Postamos aqui nossas réles "produçõezinhas"; nossos momentâneos surtos de divagações em nome do Real do Simbólico e do Imaginário. Estão aqui nossos ensaios para que possamos alçar outros vôos num futuro próximo. Aproveitem os links, os materiais, as imagens, as viagens. Sorvam nossas angústias, nossas dores e masquem nossa pulsão como se fosse um chiclete borrachento com sabor de nada. Pirateiem, copiem, contribuam e comentem para que possamos alimentar nosso narcisismo projetivo. E sorvam de nossa libido, se assim desejarem.


segunda-feira, 22 de julho de 2013

I Am - Você Tem o Poder de Mudar o Mundo e Zaratustra também!



I AM é a história de Tom Shadyac, um diretor de sucesso em Hollywood, que após um perigoso ferimento na cabeça e experimenta uma jornada para tentar descobrir e responder duas questões bem básicas: “O que está errado no mundo?” e “Que podemos fazer sobre isso?” Com uma equipe de quatro pessoas, Tom visita algumas das grandes mentes dos dias de hoje, incluindo escritores, poetas, professores líderes religiosos e cientistas (Howard Zinn, Lynn McTaggart, Desmond Tutu, Thom Harmann, Coleman Barks), buscando descobrir o fundamental problema endêmico que causa todos os outros problemas, refletindo simultaneamente em suas próprias escolhas de excesso, ambição e possível cura. E se a solução para os problemas do mundo estivesse bem na nossa frente o tempo todo?

Assistir no VIMEO:






Postagem meio “troncha”, mas compactuando que devemos assistir algumas coisas para provocar outras... Documentário naquela linha autoajuda (BULLSHIT), onde somos rodeados por vários cifrões imaginários... e, apregoados de felicidade passageira. Mesma linha de “O Segredo”, “Quem somos nós”, “Al Gore” e por ai vai. Oferecer, de certa forma, aquilo que se deseja. Porém, tirem suas próprias conclusões. Vou tentar utilizar este documentário para fazer um contra ponto com Nietzsche.

 "Os mais preocupados perguntam hoje: “Como se conserva o homem?  Zaratustra pergunta, é o primeiro e único a fazê-lo: Como será o homem superado?”
 (Nietzsche, em "Assim Falou Zaratustra")

Zaratustra proclama a falência da civilização e a aurora de uma nova era. É o anúncio de que o homem deve superar a si mesmo, à sua potencialidade negada. Procurando sacudir o velho homem, que vivia enclausurado no seu pessimismo e ilusão, o novo pretende ser substituto daquele. O superar típico do super-homem, entendido como ato de abertura para o nada ou para o sagrado, nada mais é do que a própria vontade de poder. O super-homem como superação implica a dimensão do divino, que, segundo Nietzsche, seria um “ponto” na vontade de poder. Sendo assim, o divino não é uma coisa separada do homem, tampouco uma realidade para fora de si e que tem poder de manipulação, mas o divino e o humano se encontram no ato contínuo e ininterrupto de superação do objeto conhecido e, por conseguinte, na consciência do não-poder em relação ao não-objeto, isto é, ao nada.

Entre minhas obras ocupa o meu Zaratustra um lugar à parte. Com ele, fiz à humanidade o maior presente que até agora lhe foi feito (...) é também o mais profundo, o nascido da mais oculta riqueza da verdade, poço inesgotável onde balde nenhum desce sem que volte repleto de ouro e bondade. Aqui não fala nenhum “profeta”, nenhum daqueles horrendos híbridos de doença e vontade de poder chamados fundadores de religiões. É preciso antes de tudo ouvir corretamente o som que sai desta boca, este som alciônico, para não se fazer deplorável injustiça ao sentido de sua sabedoria. (NIETZSCHE, 1995, p. 19).

Precipitar o homem cada vez mais no abismo é uma experiência necessária da qual decorrerá a aceitação incondicional de todo acontecer. Levado isso em conta, é preciso insistir no fato de que a negação de Deus como valor supremo coloca o homem diante de uma experiência de superação de si: “Deus é uma suposição; mas quem beberia, sem morrer, todo o tormento dessa suposição?” (NIETZSCHE, 1995, p. 100). É nesse sentido que o surgimento do além-do-homem depende de todo um labor do homem sobre si mesmo, de uma criação de si como forma de se redimir de sua humanidade: “Criar – essa é a grande redenção do sofrimento, é o que torna a vida mais leve. Mas, para que o criador exista, são deveras necessários o sofrimento e muitas transformações” (NIETZSCHE, 1995, p. 101). Essa ideia de que o homem é apenas um momento de transição para algo de melhor ou superior. Nietzsche fornece pistas de que somente o ato de criar é capaz de redimir o homem de sua própria condição e lançá-lo para além de si mesmo:

Mas novamente e sempre para os homens, impele-me a minha ardente vontade de criar; do mesmo modo é o martelo impelido para a pedra. Ah, dorme na pedra para mim, ó homens, uma estátua, a imagem das minhas imagens! Ai de mim, que ela deva dormir na pedra mais dura e mais feia! Agora, enfurece cruelmente o meu martelo contra a sua prisão. Despede a pedra um pó de estilhaços; que me importa? Quero concluir a estátua: porque uma sombra veio a mim – a mais silenciosa e leve de todas as coisas veio a mim! A beleza do além-do-homem veio a mim como uma sombra. Ah, meus irmãos! Que ainda me importam – os deuses!” (Assim falou Zaratustra NIETZSCHE, 1995, p.101).


Abaixa o Nietzsche, Assim Falou Zaratustra: (Sabotagem, Salve, salve):

(Só não tem catalogação bibliográfica. Ok?!)


Referências:

NIETZSCHE, Friedrich. Assim falou Zaratustra. Trad. de Mario da Silva. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1995.

http://www.cchla.ufrn.br/saberes/ < Acessado em 21.07.2013>



Um comentário:

Luciana Mai disse...

Sacanegem! Tiraram o vídeo do ar e não encontro mais... Sorry!

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