Quadro "O Pesadelo" de Henry Fuseli (1741-1825)

* A Peste Onírica é um delírio subversivo. Postamos aqui nossas réles "produçõezinhas"; nossos momentâneos surtos de divagações em nome do Real do Simbólico e do Imaginário. Estão aqui nossos ensaios para que possamos alçar outros vôos num futuro próximo. Aproveitem os links, os materiais, as imagens, as viagens. Sorvam nossas angústias, nossas dores e masquem nossa pulsão como se fosse um chiclete borrachento com sabor de nada. Pirateiem, copiem, contribuam e comentem para que possamos alimentar nosso narcisismo projetivo. E sorvam de nossa libido, se assim desejarem.


domingo, 9 de outubro de 2011

Cortina de Fumaça: você precisa ouvir o que eles têm a dizer - Documentário


Cortina de Fumaça é um projeto independente movido pela vontade de colaborar na construção de uma sociedade mais equilibrada e alinhada com os princípios de liberdade, diversidade e tolerância.
Um documentário ousado sobre um tema polêmico que interessa a todos e que precisa ser debatido de forma honesta; a política de drogas no Brasil e no mundo, baseada na proibição de determinadas práticas relacionadas a algumas substâncias, precisa ser repensada porque muitas de suas conseqüências diretas, como a violência e a corrupção por exemplo, atingiram níveis inaceitáveis.
“O modelo atual de política de repressão às drogas está firmemente arraigado em preconceitos, temores e visões ideológicas. O tema se transformou em um tabu que inibe o debate público por sua identificação com o crime, bloqueia a informação e confina os consumidores de drogas em círculos fechados, onde se tornam ainda mais vulneráveis à ação do crime organizado”. Relatório da Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia (2009).

O documentário de 88 minutos traz informação fundamentada para o grande público através de depoimentos nacionais e internacionais. Além do Brasil, o diretor Rodrigo Mac Niven gravou na Inglaterra, Espanha, Holanda, Suíça, Argentina e Estados Unidos; visitou feiras e congressos internacionais, hospitais, prisões e instituições para conversar com médicos, neurocientistas, psiquiatras, policiais, advogados, juízes de direito, pesquisadores e representantes de movimentos civis. Dentre os 34 entrevistados, o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso; o Ministro da Suprema Corte da Argentina, Raúl Zaffaroni; o ensaista e filósofo espanhol autor do tratado “Historia General de Las Drogas”, Antonio Escohotado, o ex-Chefe do Estado Geral Maior do Rio de Janeiro, Jorge da Silva e o criminalista Nilo Batista.
O filme fala sobre a relação entre o homem e as drogas psicoativas; revela a discordância entre a atual classificação das drogas e o conhecimento científico sobre essas substâncias; discute a situação particular da Cannabis (maconha), seu uso industrial e medicinal; levanta fatos relacionados ao surgimento dos projetos proibicionista e aponta para o colapso social que algumas cidades, como o Rio de Janeiro, vivem por causa da violência e da corrupção.
O filme foi produzido, escrito e dirigido pelo jornalista Rodrigo Mac Niven, numa co-produção entre a J.R. Mac Niven Produções e a TVa2 Produções.

Para o diretor, “é preciso instigar os indivíduos a repensarem a sociedade porque ela está em constante mutação. As pessoas desconhecem informações fundamentais que determinam uma política de drogas que interfere diretamente na vida delas, na liberdade delas, na segurança delas. Uma política que ignora princípios e direitos universais de liberdade e soberania. Muita gente está lucrando com isso e quem sofre é a sociedade que não consegue enxergar tamanha é a desinformação”.



Documentário Completo You Tube:




***Documentário no Vimeo: http://vimeo.com/22144223 (Pode fazer Download autorizado pelo autor)

***Neip – Núcleo de estudos interdisciplinares sobre psicoativos: http://www.neip.info/index.php




Maria Rita Kehl: "Drogas e Psicanálise"

Conferência da psicanalista Maria Rita Kehl: "Drogas e Psicanálise", no Café Filosófico da TV Cultura.
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Link do Café: http://www.cefetsp.br/edu/eso/culturainformacao/drogaspsicanalise2.html

sábado, 8 de outubro de 2011

LACAN Obras Completas Download (atualizado link)

(Jovem Lacan pegando um bronzeado)


"Herdo de Freud, muito à minha revelia, por ter enunciado de modo propício o que podia ser extraído com boa lógica da lengalenga daqueles que ele chamou de seu bando, e que não tenho necessidade de nomear. Trata-se daquela cambada que acompanhava as reuniões de Viena e da qual se pode dizer que ninguém seguiu a via por mim chamada de boa lógica."

"Depois que Adão nomeou os animais, Evida (a mãe dos vivos) será a primeira a se servir da língua para falar com a serpente." ( Jacques Lacan, O Sinthoma - Livro 23, 1975-1976)

Para os despossuídos da Obra de Jacques Lacan mas, ávidos por consumi-la e devora-la, eis a oportunidade de baixar a obra completa. Não se reprimam, nem se assustem com a tradução em espanhol, estejam certos de que a loucura é a mesma, não importa a língua. Aliás, a língua é o melhor que temos.


*** Links: para baixar a Obra de Jacques Lacan:

O Scribd tem umas frescuras para poder baixar, mas dá pra encarar. (É preciso fazer cadastro e upar alguma coisa em troca dos downloads)



Conjunto de livros sobre psicanálise (INCLUINDO OBRA COMPLETA DO LACAN) no PirateBay que podem ser resgatados pelo torrent. O arquivo contém um conjunto de 109 livros sobre/de psicanálise, com 3,61 GB, todos em língua portuguesa.
http://thepiratebay.se/torrent/8240165

(É PRECISO BAIXAR O APLICATIVO utorrent, Se liguem nessa baixaria, pois, vem junto com o negócio, se não cuidarem, o incomodo ASK - (Ask Toolbar) que perturba nossos navegadores.)

Sugestão: entre no site acima, clique com o botão direito em GET THIS TORRENT, clique em "copiar endereço do link", abra o programa utorrent (http://download-new.utorrent.com/…/utorrent/os/windows/trac…), clique em Arquivo, clique em Adicionar Torrent da URL e dê enter. Caso não queira baixar todos os arquivos, vá na guia 'Arquivos' do utorrent, selecione os livros que você não quiser baixar, clique com o botão direito em cima deles e clique em 'Não baixar'. Para saber em que pasta seus livros estão indo, clique em Opções > preferências > diretórios.

(Com as recentes mudanças, proibições, perseguições e processos muitas ferramentas da net, links etc deixaram de funcionar)
Para baixar no Shared, se faz necessário um cadastro e senha, de resto é só correr pro abraço). Boa leitura!

*Caso este novo link não funcione, favor deixar mensagem. Reatualizado em 30.11.2014.



"Havia um tempo em que eu era um pouco dado a alardes. Dizia como Picasso - Eu não procuro, acho. Mas agora me custa mais trilhar meu caminho." (Jacques Lacan)
                                                                                                                                                                                         

sábado, 10 de setembro de 2011

Entrevista com Michael Foucault



Esta mini-entrevista de Michel Foucault (1926-1984) fue publicada en un diario italiano el 11 de septiembre de 1981, a dos días de la muerte de Lacan.

-J. Nobécourt -Suele decirse que Lacan ha sido el protagonista  de "una revolución del psicoanálisis". ¿Piensa que es exacta y aceptable esta definición de "revolucionario"?

M. F.-Yo creo que Lacan habría rechazado ese término de "revolucionario" y la idea misma de una revolución en psicoanálisis. Él quería simplemente ser "psicoanalista". Lo que a sus ojos suponía una violenta ruptura con todo lo que tendiera a hacer que el psicoanálisis dependiera de la psiquiatría, o a hacerlo un capítulo algo sofístico de la psicología. Él quería sustraer al psicoanálisis de la proximidad, que consideraba peligrosa, de la medicina y las instituciones médicas. Buscaba en él no un proceso de normalización de los comportamientos, sino una teoría del sujeto. Es porque, pese a la apariencia de un discurso extremadamente especulativo, su pensamiento no era ajeno a los esfuerzos que se habían hecho para cuestionar las prácticas de la medicina mental.

-Si Lacan, como usted dice, no ha sido un revolucionario, es totalmente cierto que sus obras han tenido una influencia muy grande en la cultura en las últimas décadas. ¿Qué es lo que ha cambiado después de Lacan en los modos de ser de la cultura?

M. F.- ¿Qué ha cambiado? Si me remonto a los años cincuenta, la época donde el estudiante que yo era leía las obras de Lévi-Strauss y los primeros textos de Lacan, me parece que la novedad era la siguiente: descubríamos que la filosofía y las ciencias humanas vivían sobre una concepción muy tradicional del sujeto, y que no era suficiente decir, con algunos, que el sujeto era radicalmente libre, y con otros, que estaba determinado por condiciones sociales. Nosotros descubrimos que había que buscar liberar todo lo que se esconde detrás del empleo aparentemente simple del pronombre "yo" [je]. El sujeto, una cosa compleja, frágil, de la que es tan difícil hablar, y sin la cual no podemos hablar.

-Lacan tuvo muchos adversarios. Fue acusado de hermetismo y de "terrorismo intelectual". ¿Qué piensa de esas acusaciones?

M. F.- Pienso que el hermetismo de Lacan se debía al hecho de que él quería que la lectura de sus textos no fuera simplemente una "toma de conciencia" de sus ideas. Él quería que el lector se descubriera él mismo [lui-même] como sujeto del deseo a través de esta lectura. Lacan quería que la obscuridad de sus Escritos fuera la complejidad misma del sujeto, y que el trabajo necesario para comprenderlo fuera un trabajo a realizar sobre sí mismo [soi-même]. En cuanto al "terrorismo", solamente subrayaré una cosa: Lacan no ejercía ningún poder institucional. Los que lo escuchaban querían escucharlo, precisamente. Solo aterrorizaba a los que tenían miedo. La influencia que uno ejerce nunca puede ser un poder que se impone.

(Trad. Gabriel Meraz)

Lacan, le "libérateur" de la psychanalyse, de Dits et écrits (IV) , Gallimard, Paris, 1994, pp. 204-205.

***Esta postagem encontra-se originalmente no Blog La Biblioteca del Psicoanalista y su Escritório. Blog de Gabriel Meraz. Endereço: http://bibliotecadelpsicoanalista.blogspot.com/

sábado, 3 de setembro de 2011

Psicanálise e Sexualidade na Contemporaneidade

A Semana Acadêmica de Psicologia da Unijuí aconteceu, passou... E, não consegui postar, com antecedência, a divulgação do evento. Mas, quero marcar o acontecido e postar a capa, para sempre que possível, voltar e lembrar como uma das melhores Semanas de estudo que tive nos últimos anos. Com certeza inspirou muitos sujeitos!


“(..) O sujeito do inconsciente não é pobre ou rico, branco ou negro, tampouco, homem ou mulher. É em sua relação com a alteridade em que para ele consistem a linguagem, a família, a sociedade, enfim, todos os elementos do que Lacan denominou o Outro, que o sujeito vai sexuar-se, definir-se homem ou mulher, e definir também seus demais atributos.”
 (Luciano Elia)





quarta-feira, 20 de julho de 2011

Da palavra errante



Por Gonzalo Penalvo Rohleder, 14 de julho de 2011

Uma velha sabedoria diz que "toda palavra é um erro". Faz sentido, a palavra sempre falha em representar aquilo que é particular, único e amplo numa alma. Palavra é símbolo, é limitada, espera interpretação, é deformada pela interpretação, ganha vida com a interpretação.

 A palavra é um erro, é verdade, mas essa é só meia verdade. Ela também é acerto, pois é tentativa de expressar o que se move sem palavras dentro de nós. A própria vida é constante ensaio e incompletude, e acaso a vida é um erro por ser incompleta?
  
Persistente e teimosa peregrina é a palavra, com uma vontade de ferro em seus percalços à busca de mencionar o que não pode ser dito. Insistente como é, chega a vacilar às vezes, mas logo encontra outros caminhos para seguir adiante - e quanto mais tortuosos mais verdadeiros me parecem. Ela é um negativo dos estados interiores e a própria vida positivada.
  
Muitas vezes a falta da palavra, o calar constitui um erro.

Que Cheiro tem o Amor?



*** Por Nairana Melo - 19/07/2011...

Ele tinha cheiro de vento norte! Disse uma amiga, numa conversa de bar. Olhares estranhos por segundos... Mas, o que é um cheiro de vento norte?
- Ora! Vocês nunca sentiram o cheiro do vento norte?
Não! Acho que nunca senti cheiro de vento norte! Mas, já senti cheiro de rosas, jasmim, de folhas secas caindo no outono, de inverno, verão, primavera... O amor é o cheiro de quem se ama. O amor é isso, cheiro, que só quem ama sabe descrever. Só quem já amou pode falar do amor. Aqueles que nunca amaram, não sabem retribuir, tampouco, entender o que é um cheiro de vento norte.
Amo porque amo o amor. Não consigo imaginar nada mais belo do que o amor, nada mais embriagante que beber do amor... amar não tem medida, não ora, não tem lugar, só sabemos discursar sobre o amor, quando dele somos tomados.
Amar é dizer de nós. É falar dos nossos desejos, dos nossos sonhos, das nossas esperanças, das nossas fraquezas. Amar é ser por vezes ridículo e, às vezes, loucos.. Nada é pequeno no amor. Quem espera os grandes momentos, para declarar seu amor a alguém, é porque não ama.
Para quem ama, o amor tem cheiro de vento, cheiro de rosas, cheiro de folhas caindo no outono, cheiro de jasmim, cheiro de chá... Cheiro do mundo, cheiro de vida!
Às vezes, esse cheiro nos reporta ao sofrimento. Esse tal amor pode nos doer. Mas, é preciso sofrer e depois de ter sofrido, amar mais ainda, depois de ter amado. Diria Mario Quintana "tão bom morrer de amor e continuar vivendo". É isso o amor, só é amor quando dele tiramos a força para viver e desejar sempre estar ao lado de quem se ama...
Enfim, ele tinha cheiro de vento norte! Tinha cheiro de amor...

Dedicado a todos que um dia já amaram e sabem falar do cheiro do seu amor... 

segunda-feira, 23 de maio de 2011

A Utopia do Amor Perfeito - Katerina Koltai (Café Filosófico):




"Lacan situa o amor como divino e Simbólico. Amor como Cortês e Imaginário, mais um masoquismo que amarra corpo e gozo na corda do Real. 
O amor expulsaria, então, o desejo tomando seu lugar?"

"Quanto mais eu faço amor mais eu tenho vontade de fazer a revolução!"

"A Incompletude é dada, mas não há quem nos complete!"

"Amar é um sofrimento constante, mas muito melhor do que o não amar!"



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E Para completar a dose de amor e utopia um sonzinho dos Beatles para seguirmos nesta busca louca por aquilo que não temos e que supomos num outro que tb nada sabe, se tem ou não tem:





Ah o amorrrrrrrrrrrrr....... Eu desejo, logo existo!




"O Amor é necessário para nossa saúde mental..."


domingo, 22 de maio de 2011

Entrevista com Contardo Calligaris no Programa Roda Viva 2010:

Entrevista com Contardo Calligaris no Programa Roda Viva. Vale a pena dar uma espiada. A entrevista foi concedida logo após as eleições presidenciais no Brasil (2010). E, obviamente, Calligaris foi cutucado, para trazer sua opinião sobre isso, já que falou de homens e mulheres...

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domingo, 8 de maio de 2011

Era das Utopias

*Pequei este texto e vídeos do YouTube. Acredito que a ordem dos vídeos não esteja correta, talvez, mesmo repetida... Não tive tempo de corrigir, portanto, postei desta forma meio anárquica. O objetivo é guardar, juntar as coisas para que possa voltar aqui e ter por perto para assistir. 
Estou tomada pela Utopia, penso que mais coisas dentro deste tema se farão presentes. Tudo responsabilidade do Professor Edson Luiz André de Souza que nos mostrou 'Uma Invenção de Utopia'.

Att, 

Lu May

Era das Utopias é uma minissérie de seis episódios divididos em três temas: 'Utopia Socialista', 'Utopia Capitalista' e 'Novas Utopias'. 'Qual sua utopia?' é a pergunta que vai guiar a nova minissérie da TV Brasil, dirigida pelo cineasta Silvio Tendler.

"O que nós queremos de fato é que as idéias voltem a ser perigosas" - Escrito num muro de Paris, 1964

Comentários TV Brasil: Utopia. O substantivo vem das palavras gregas ou e topos, que significam sem lugar. Refere-se a um lugar ou posição ideal, ainda não atingido.
Sonho impossível de realizar.
Ideal inatingível.

"Eu sempre trabalhei muito na questão das ideologias. São vinte anos de pesquisa em torno destas questões ideológicas que pautaram minha geração" - Silvio Tendler

A utopia pela igualdade entre os homens inspirou gerações. O mundo soviético inspirou os sonhadores. Com o fim da II Guerra Mundial, os Estados Unidos são a potência emergente. O american way of life passa a ser o modelo de civilização, quase uma norma. O mundo assiste a um confronto cultural, social, religioso, político e ideológico.

Os primeiros capítulos tratam do surgimento da utopia socialista e todas as suas conseqüências durante o século XX. Já os capítulos referentes à utopia capitalista mostrarão a derrocada do Socialismo com a queda do muro de Berlim, em 1989; os desdobramentos gerados e, tantos outros fatos que nos levaram às novas utopias, derivadas do conflito entre novas tecnologias e velhas mazelas. Para Tendler, a luta das atuais gerações é a preservação do planeta. "Salvar o planeta dos danos causados pela utopia capitalista e pela utopia comunista é a nova utopia", afirma o diretor.

Trailler


Novas Utopias (1)

Novas Utopias (2)


Utopia Capitalista (3)


Utopia Capitalista (4)


Utopia Socialista (5)


Utopia Socialista (6) Final


Para Baixar a série completa e em ordem siga o Link:



Imagens de Utopia

Do pouco que há em mim, ainda... Sobrou uma curiosidade, mas é só imagem. Não sei se dentro tem alguma coisa. Reproduzo essas imagens para quem sabe depois falar.
Escrevi o título como imagens de utopia. Mas qual seria a imagem da utopia? Aqui não tem imagem dela! O que seria esta forma, se é que tem forma?




sábado, 16 de abril de 2011

Documentário "O dia que Durou 21 Anos"

Passeata do Cem Mil - Brasil 1968

Os anos de chumbo no Brasil aparecem como uma memória rasa. E tudo que possa vir em  lembrança desta época, da Ditadura Militar, parece ser um delírio. Classificam esta parte da história como uma subversão. As resistências são tão poderosas que a ditadura continua a cometer censuras e barreiras. Quando digo que é um delírio, é porque tem um mecanismo em nossa sociedade que tenta fazer, desta memória, uma coisa que não existiu. E quando alguém mostra, ou se mostra publicamente, sobre o tema do golpe militar de 64, ele corre o risco de ser taxativamente, classificado como um louco. Existe uma questão obscura que oculta um passado de resistência e morte.  

Existem grupos que defendem intempestivamente este momento histórico, cultuam os pressupostos deste período com relativo gozo de prazer. Acreditam eles que a sociedade deveria se pautar nos princípios do período militar e, ainda, voltar ao estado de ditadura. Anseiam pela volta da Doutrina Nacional, com conceitos que foram incorporados nos mais diversos materiais de estudo das academias militares e, mesmo, em segmentos da educação. Quanto a esta última, muitas coisas, felizmente se transformaram e se transformam continuamente. A Doutrina Nacional contém princípios destinados a manter um status quo. Tais princípios evidenciam a figura do inimigo público, rotulado de comunismo ateu, perverso, expansionista, agitador e desestabilizador da ordem constituída. Então, todo aquele que questionar é necessariamente um inimigo. Eles  refutam os Direitos Humanos, desqualificando e negando a diferança dos homens, das classes e de suas aspirações de liberdade.

Desqualificar aqueles que anseiam pela abertura de nossa memória é praxe de alguns grupos dentro da sociedade brasileira. Nos assusta um pouco, quando estes grupos, tem se mostrado, ultimamente nos meios de comunicação, mas, principalmente nas mídias eletrônicas e alternativas. Penso, que eles, de certa forma, se fortalecem nos meios alternativos e se expressão da forma mais violenta e cruel, a exemplo, o preconceito selvagem contra homossexuais, nordestinos, negros e outros grupos das minorias organizadas. Lógico, que o preconceito não se restringe a seguidores da doutrina dos regimes autoritários. No entanto, eles se aproveitam desta deixa para formar facções que dizem preservar os "bons costumes" da família e da ordem social.

Nós não queremos o terror institucionalizado, pois entendemos que é uma afronta aos Direitos Humanos.
Faz anos que certos setores da sociedade civil lutam e se movimentam para a aberturas dos arquivos da Ditadura, mas sempre encontram entraves e desafios intransponíveis. É triste constatar que a grande maioria dos jovens brasileiros não conhece a história do período militar (Enquanto que a luta contra o regime era composta em sua maioria por jovens estudantes). Eles se encontram num quadro de alienação produzido pela condução histórica de nosso país. Conseguimos grandes êxitos no transcorrer dos anos, mas a memória continua fraca, lenta e resistente. A eleição da Presidente Dilma trouxe à tona muito, daquilo que, ainda, tentam esconder, tanto que, procuraram de todas as formas, classificar a sua história política de militância com atos de difamações grotescos, burros e desprezíveis, quando tentavam associar a sua imagem a um quadro de terrorismo. Avançamos e elegemos no Brasil a primeira mulher, a primeira militante de esquerda que participou ativamente da luta contra a ditadura e a primeira mulher guerrilheira. Mas, precisamos avançar mais, para superar as lacunas de nossa história e resgatar a nossa dignidade - resgatar, acima de tudo a verdade.

Em outros países da América Latina, como a exemplo da Argentina, que também passou por um regime ditatorial violento, com uma cifra de 30 mil mortos e desaparecidos, estabeleceu diferentes mecanismos de apuração das violações de direitos humanos. Muitas pessoas que praticaram de crimes contra os direitos humanos, foram levados ao banco dos réus. O Brasil ainda não fez isso. A luta pela verdade precisa prevalecer.

Disponibilizo aqui no Blogui, para assistir e divulgar o Documentário: "O Dia que Durou 21 Anos" de Flávio Tavares e de Camilo Tavares. 

Este documentário foi exibido na TV Brasil, nem todos viram, nem todos querem ver....

O documentário expõe a efervescência da sociedade brasileira no período de 64. Para evitar que Goulart chegasse forte às eleições de 1965, foi criado o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática), que teria dado cobertura às ações dos Estudos Unidos para derrubar João Goulart.


Documentário Completo:




Episódio 1

Episódio 2

Episódio 3


No Blog do Mello você pode encontrar comentários e outras informações.

*** Material para Download: Projeto Brasil Nunca Mais.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Políticas Públicas para a Mulher: materiais para download



Ganhei alguns livros hoje. Um baita material para pesquisa em Políticas Públicas e, claro, para pensar e trabalhar   na área social.
Nada que seja, assim, de difícil acesso, pois, todas estas traças encontram-se disponíveis para download na Biblioteca (Publicações) da Secretaria de Políticas para a Mulher do Governo Federal. Tem coisas muito boas para pesquisa.
Disponibilizo aqui alguns troços que pensei serem de boa hora.




Para seguir a construção de pesquisa visite, também, a Secretaria de Direitos Humanos do Governo Federal. Ali encontrei umas coisas massa. Livros, filmes... Está bem interessante, mas pode melhorar muito mais, principalmente, com a abertura dos arquivos da Ditadura Militar.


Baixar Livro:




Campanha pela Memória e pela Verdade:




"Para que não esqueça, para que nunca mais aconteça".

sábado, 9 de abril de 2011

Kierkegaard em 90 minutos





Um Kierkegaard para refletirmos:


"Se a ciência fosse desenvolvida no tempo de Sócrates como é hoje, os sofistas e aqueles que pretendiam ensinar filosofia teriam sido cientistas. Teriam pendurado microscópios nas portas para atrair negócios e colocado avisos anunciando: “Aprendam e vejam num poderoso microscópio como a humanidade pensa.” (E ao ler esse anúncio, Sócrates teria dito: “É exatamente assim que se comportam os homens que não pensam.”)"


Soren Kierkegaard (Afonsinas selecionados)


Abaixar Livro: KIERKEGAARD em 90 minutos - Paul Strathern.

O BRASIL DIANTE DO HORROR

Reproduzindo um texto para pensarmos....

Marcos Rolim - 09/04/2011


Theodor W. Adorno disse que, após Auschwitz, seria mesmo impossível escrever poemas.


Com isto, talvez tenha tentado mostrar que depois da radicalidade do mal, mesmo nossos sentimentos haveriam de se alterar profundamente. Não é possível, afinal, ter acesso a uma dor tão disseminada sem que o mundo se mova e outras sejam suas formas. O massacre de Realengo é algo tão absurdamente cruel que é preciso que algo de substancial mude no Brasil. Se há uma homenagem a fazer às vítimas - após o silêncio a ser repartido entre todos como uma pausa para assimilar o que não pode ser compreendido - ela deve se feita nos termos de uma mudança.

Em 1996, em Dumblane, na Escócia, um homem invadiu uma escola e matou 16 crianças e um adulto. O impacto foi tamanho que a população recolheu mais de 700 mil assinaturas, com o apoio da imprensa, pelo banimento das armas de fogo, o que foi assegurado pelo parlamento logo depois.  Desde então, armas de mão (hand guns) só podem ser usadas por policiais, e mesmo assim, apenas por um grupo deles, especialmente treinados. Pois bem, penso que é chegado o momento do Brasil discutir esta proposta. David Coimbra a defendeu em sua coluna de sexta em ZH, em contraste com a névoa de opiniões desencontradas e especulações sem sentido que marcaram boa parte da cobertura jornalística no dia da tragédia.


Precisamos, é claro, reforçar a segurança nas escolas; especialmente para assegurar uma triagem efetiva de visitantes. Mais: toda escola deve possuir um plano minucioso para o caso de tiros em seu interior ou nas vizinhanças. Algo a ser treinado em diferentes versões e com simulações repetidas, de tal forma que todos saibam o que fazer em situações do tipo. Mesmo porque é possível que Realengo se repita naquilo que se convencionou chamar de “efeito copycat” (trabalhei este e outros temas em “Desarmamento: evidências científicas: ou tudo aquilo que o lobby das armas não gostaria que você soubesse”, disponível para download em:http://bit.ly/eDqCgu)


É impossível erradicar o mal da agência humana. Ele diz respeito à condição básica da liberdade mesmo. O que podemos e devemos fazer é diminuir suas possibilidades trágicas, reduzindo o potencial de letalidade da ação. O que será muito mais difícil de fazer com 16 milhões de armas de fogo circulando no Brasil. O assassino de Realengo era, muito provavelmente, um maluco que encontrou na moral sexual tipicamente religiosa o amparo para sua misoginia. Mas fosse só isto, jamais teríamos um massacre. A tragédia se tornou possível, porque o assassino tinha duas armas de mão e muitos carregadores. Sem estes instrumentos delineados para matar, nunca os danos seriam de tal monta. Não por acaso, massacres em escolas ocorrem com tanta freqüência nos EUA, o país com mais armas nas mãos de civis em todo o mundo. A propósito, em 1997, nenhuma criança foi morta por arma de fogo no Japão. 19 foram mortas no Reino Unido; 57 na Alemanha, 109 na França, 153 no Canadá e....5.285 nos Estados Unidos (!).  Queremos caminhar para uma realidade assim?


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