Quadro "O Pesadelo" de Henry Fuseli (1741-1825)

* A Peste Onírica é um delírio subversivo. Postamos aqui nossas réles "produçõezinhas"; nossos momentâneos surtos de divagações em nome do Real do Simbólico e do Imaginário. Estão aqui nossos ensaios para que possamos alçar outros vôos num futuro próximo. Aproveitem os links, os materiais, as imagens, as viagens. Sorvam nossas angústias, nossas dores e masquem nossa pulsão como se fosse um chiclete borrachento com sabor de nada. Pirateiem, copiem, contribuam e comentem para que possamos alimentar nosso narcisismo projetivo. E sorvam de nossa libido, se assim desejarem.


domingo, 25 de julho de 2010

Arquivo do Programa Roda Viva Disponível para Pesquisa:


Memória Roda Viva é um novo canal de pesquisa na internet, voltado para estudantes, professores e público em geral. Este canal oferece aos internautas um espaço para pesquisa de grandes temas nacionais e internacionais, a partir dos debates exibidos no programa Roda Viva, exibido pela TV Brasil. Os usuários têm acesso às transcrições integrais das entrevistas realizadas nos últimos 24 anos, além de um trecho de vídeo do programa e verbetes informativos.

Mais de quinhentas das principais entrevistas estão disponíveis para consulta e pesquisa. Semanalmente são inseridos outros programas, até que todos estejam na página.

Esse é o resultado de uma parceria entre a Fundação Padre Anchieta, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Selecionamos três links de interesse - Sigam os nomes:


No centenário do surgimento da psicanálise, um debate, com várias abordagens, sobre a teoria proposta por Freud para amenizar nossas inquietações existenciais.


Psicanalista que nasceu na Itália, estudou na Suíça e na França e mora no Brasil há mais de 20 anos, fala de sua coluna na Folha de S.Paulo, do lançamento de seu livro e de várias questões contemporâneas.


Psicanalista francesa defende que, no futuro, a psicanálise seja ensinada na universidade, para que não fique restrita apenas à clínica, garantindo a transmissão do saber psicanalítico.

***
Para conhecer, acesse:  http://www.rodaviva.fapesp.br

domingo, 11 de julho de 2010

Vídeos Baixe e Use - TV Câmara e Comissão de Educação e Cultura



A TV Câmara e a Comissão de Educação e Cultura lançaram, no dia 9 de Junho, o catálogo de vídeos Baixe e Use. Ele oferece material didático de boa qualidade para baixar gratuitamente. São mais de 170 documentários e reportagens especiais divididos por temas, disponíveis na página da TV Câmara.

As produções abordam assuntos como cidadania, direitos humanos e história política brasileira, sempre relacionados com os conteúdos programáticos dos ensinos médio e fundamental.

O Baixe e Use foi criado para suprir as demandas da comunidade escolar e acadêmica, que solicita cópias dos programas da TV Câmara para uso em sala de aula. Saiba mais em:


Os vídeos podem ser copiados e armazenados em qualquer computador ou pen-drive. Estão codificados em um formato que permite a reprodução em qualquer programa de execução de mídia como VLC, QuickTime Player, Windows Media Player, Media Player Classic, Real Video, etc.

As produções estão divididas por eixo temático e categoria de programas.
- Cidadania 
- Educação
- Humanidades
- Comunicação
- Política
- Saúde.....

Vale a pena baixar!

sábado, 10 de julho de 2010

Associação de Saúde Mental de Ijuí - ASSAMI



Para o povo garimpeiro e informado: se liguem, a ASSAMI está de "Blogui" novo. Informações importantes podem ser encontradas por lá, além de se ligar nos eventos e acontecimentos. Dá uma passada. E, pelo que saquei, o povo, também, pode mandar material para postar no Blogui da ASSAMI. Massa!!! E tem mais, todos os sábado à tarde, rola umas oficinas de teatro com o Mestre Juca. Cara, imperdível!!! E pelo que sei a coisa é gratuíta. O link tá lá embaixo, dá uma descidinha...pá... uuuuuuu....

Mas, afinal, o que é essa tal de ASSAMI? Nada haver com ASSIMI pão hoje, ASSAMI bolo amanhã....

Descubra o que é:

A Associação de Saúde Mental de Ijuí - ASSAMI, é uma associação civil de direito privado, sem fins lucrativos, sem distinção de raça, credo e cor, fundada em 28 de janeiro de 2008, com sede na Rua Ernesto Alves n° 399, e foro na cidade de Ijuí-RS, representando os interesses dos usuários, familiares, profissionais e apoiadores da Saúde Mental do Município de Ijuí, com tempo e duração indeterminado e de âmbito local.

A Assami tem alcançado para além das fronteiras locais, ou seja, municípios da região, fóruns nacionais (PNH) e internacionais (Itália, Buenos Aires).

São objetivos da Assami:

> Incentivar o protagonismo dos usuários, familiares, profissionais e apoiadores da saúde mental no fortalecimento da Rede de Atenção Integral à Saúde Mental em Ijuí;

> Congregar os munícipes e instituições afins para promover o debate sobre a saúde mental da comunidade local;

> Promover intercâmbio cultural, social e profissional com todos os segmentos sociais que compartilham objetivos similares;

> Estimular a participação dos associados em eventos locais, Estadual, Federal e Internacional, os quais venham fornecer subsídios para o debate e definições de políticas sociais que garantam a qualidade de vida da população;

> Contribuir para a desmistificação da doença mental e para a inserção social do doente mental como sujeito de direitos e deveres com a sociedade.

Se liga no link:

I Encontro Nacional de Estudantes Antimanicomiais - ENEAMA

4, 5, 6 e 7 de setembro de 2010 em Porto Alegre – RS

Tema: Formação dos Estudantes em Saúde Mental

Público-Alvo: Estudantes de diversos cursos de graduação vinculados a saúde mental, usuários dos serviços substitutivos de saúde mental, familiares, estudantes de residências multiprofissionais em saúde e profissionais da área.
 
O I Encontro Nacional de Estudantes Antimanicomiais será um importante evento para os estudantes do Brasil, bem como para usuários dos serviços e para o fortalecimento da nossa rede.

Esse evento é uma grande oportunidade para fomentar a troca de experiências e idéias, fortalecendo o trabalho com a saúde mental dos futuros profissionais de saúde do Brasil. A sua realização no Rio Grande do Sul o contextualiza em uma região do país que foi pioneira na reforma psiquiátrica, mas que hoje em dia está com sua rede de saúde mental bem aquém do que seria desejável.

O ENEAMA é um chamamento a organização dos estudantes a tomar conhecimento das diferentes realidades e construir uma proposta coletiva de atuação em prol de um mundo antimanicomial!

Participem!!!!

Vejam o Site do ENEAMA: http://www.eneama.cjb.net/

"A Psicanálise dos Contos de Fadas" Bruno Bettelheim (Link atualizado)



Em "A Psicanálise dos Contos de Fadas", Bruno Bettelheim faz uma radiografia das mais famosas histórias para crianças, arrancando-lhes seu verdadeiro significado. O autor mostra as razões, as motivações psicológicas, os significados emocionais, a função de divertimento, a linguagem simbólica do inconsciente que estão subjacentes nos contos infantis.



Para os garimpeiros que se interessam por mais títulos, eis uma dica preciosa:
(Vários títulos para baixar)

Link Corrigido!

O DECLÍNIO DO VALOR SIMBÓLICO DO TRABALHO


*Gonzalo P. Rohleder - UNIJUÍ - 2009.

Pelo presente, discorreremos tratando da problemática referente ao declínio do valor simbólico do trabalho. Questão essa intimamente próxima à conseqüente decomposição da lei simbólica, cujo representante seria o Pai. A partir da psicanálise, exploraremos brevemente esta temática, bem como sua implicações na subjetividade contemporânea. Algumas noções clínicas atuais nos serviram de subsídio nesse estudo, norteando nossa análise para os pontos de maior relevância dentro da proposta acima citada.

Primeiramente, partimos do conceito de trabalho como “atividade correspondente ao artificialismo da existência humana” que segundo Hannah Arendt, seria responsável pela produção de “um mundo artificial de coisas, nitidamente diferente de qualquer ambiente natural”. Através dessa atividade, deslocamo-nos a uma condição além daquela dada pela natureza.

Entretanto, o significado atribuído ao trabalho estaria sujeito a perspectiva sócio-histórica. Com o passar do tempo, cada cultura situou-o de forma particular em seu discurso. Seu valor, portanto, encontrar-se-ia ajustado à escala imaginária construída pelo ideal social de cada época. Escala organizada por uma lógica comparativa, onde o valor fundamental é o valor fálico.

O trabalho seria uma das principais formas de representação do sujeito no discurso social. O valor a ele conferido consideraria o esforço humano como pré-condição para sua elaboração. Isso porque a necessidade e a importância da mão-de-obra delegavam certo reconhecimento ao trabalhador. Ao menos era essa a lógica prevalecente antes da industrialização. Como pode se representar quando a crescente mecanização da produção destituiu o valor simbólico de sua mão-de-obra? Em termos produtivos, o homem entrara numa disputa impossível com a máquina.

Essa produção visaria, através da propaganda e dos recursos midiáticos modernos, a exaltação do objeto produzido. Passa a ser apresentado como necessidade e institui-se uma demanda. Dessa forma, este se inscreve como substituto do “objeto materno recalcado”, tornado sempre presente pelo consumo constante.

A precariedade do trabalho enquanto sistema de intercâmbio social se revela ainda nas lutas reivindicatórias. Se historicamente direitos eram conquistados por meio de manifestações e greves, o peso dessas medidas hoje em dia já é questionável. Em contrapartida, vemos como o trabalhador encontra-se compelido a integrar-se ao discurso da empresa/instituição, “vestindo a camisa” desta. Seu emprego depende disso.

Cientes de que o discurso social referido é o discurso capitalista, acompanhamos essa subversão do saber, situado agora do lado do objeto. Jerusalinsky descreve como“...hoje o sujeito fica numa total dependência para estabelecer seu valor simbólico, de sua equivalência ao objeto. Seja por possuí-lo, seja por fabricá-lo, seja por dominá-lo ou por usufruí-lo, eis como o sujeito encontra seu valor”.

Todo esse discurso seria em nome de um ideal de produção que garante a competitividade da empresa, tornando-a apta a ampliar seu capital – sem resultar necessariamente em benefício para quem nela trabalha. Portanto, as concessões em prol do trabalhador seguem uma estratégia de produção ou derivam da preocupação para com seu bem-estar da parte do “capitalista”?

Lacan em seus últimos seminários fala a respeito do discurso capitalista como sendo destinado a consumir o próprio homem. Consumido enquanto objeto produtivo responsável pela elaboração autômata de seu “mestre absoluto”, o objeto de consumo. Então vemos o humano rebaixado a condição de coisa, e a coisa enaltecida, detentora do saber alienante que a situa como indispensável para a “ascensão” ao gozo.

No dito “Estado Democrático de Direito”, de que democracia estamos falando? Democracia social ou democracia de consumo? Pois bem, o significante “consumidor” nos vêm à mente com muito mais fluência que o significante “cidadania”. Na psicanálise, o primeiro teria uma relação referente à posição do sujeito diante os objetos. Por conseguinte, o segundo seria o exercício de uma posição discursiva do sujeito no social. Qual parece prevalecer?

Sabemos que o declínio do valor simbólico do trabalho produz efeitos em toda conjuntura social. Um dos exemplos é o declínio da função paterna (FP). De que forma um pai explorado, sem reconhecimento social satisfatório e relativamente impotente pode se apresentar referência identificatória? Pois é este um modelo típico nas famílias contemporâneas.

O que se investirá sobre esse pai, para que o mesmo sustente o lugar de rival edípico (falo imaginário) e depositário do desejo da mãe? Se essa dinâmica não se dá a criança não tem apresentado um ideal de eu para orientá-la. O corte entre mãe-filho não ocorre, não há castração e portanto, inscrição simbólica. Sem falta, não há o que ser restituído através dos objetos substitutivos, o falo simbólico. Eis a psicose.

Jerusalinsky aponta que por via dessa peculiar relação objetal - onde a falta passa a ser da ordem da posse real – os laços paranóicos tendem a predominar. Ao menos se essa lógica de quebra dos sistemas de valor continuar regendo tais relações.


Bibliografia:

JERUSALINSKY A. N. . Papai não trabalha mais.. O Valor Simbólico do Trabalho e o Sujeito Contemporâneo.. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 2000, v. , p. 9-35

HARENDT, Hannah. A condição humana ¬¬– Ed. Forense Universitária - 1958

J.D. Nasio. Lições sobre os sete conceitos cruciais da psicanálise – pág. 37

LACAN, J. (1969-70) O seminário, livro XVII: O avesso da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1992.

domingo, 13 de junho de 2010

Ernesto no Pais do Futebol


Para entrar neste clima de Copa do Mundo, clima sei lá o que ao certo, pois, futebol para mim é como algo assim.... assim... sabe.... assim.... isso mesmo, nem sei definir. Bem, mas, para fazer parte deste inconsciente coletivo do futebol, encontrei este curta que ilustra de forma divertida a rivalidade de duas nações, que por sinal, são fanáticas por futebol. A curta sinopse do curta ilustra muito bem o conteúdo do filme, então divirtam-se.

Em ano de copa do mundo, o que poderia ser pior para um garoto argentino apaixonado por futebol do que morar no Brasil?
Assista ao Video:

http://curtadodia.blogspot.com/2009/12/ernesto-no-pais-do-futebol.html

Ou:

http://www.portacurtas.com.br/index.asp

sábado, 12 de junho de 2010

RELAÇÃO ENTRE SINTOMA E GOZO NA CLÍNICA PSICANALÍTICA:


***Trabalho apresentado por: MATEUS AUGUSTO PELLENS BALDISSERA. (Seminário em Psicologia e Processos Clínicos I - UNIJUÍ). Professora: Normandia Cristian Giles Castilho.

Freud fez com que sua ciência – a Psicanálise – emergisse, em grande parte, da histeria. Suas discussões com o médico Josef Breuer acerca desta permitiram um avanço clínico no que diz respeito a etiologia e ao tratamento das, até então chamadas, “doenças dos nervos”.

Os sintomas que a doença apresentava já eram amplamente conhecidos, mas de onde provinham e o que fazer com a enfermidade era uma incógnita. E foi a este questionamento que enveredou Freud. Através da escuta de suas pacientes histéricas, ele percebe que o sintoma só pode ser produzido para alguma finalidade e que este, muito provavelmente, era de origem traumática de ordem da sexualidade. Em suas “Conferências Introdutórias sobre Psicanálise” (1915-1916), encontramos:

Os sintomas (...) são atos, prejudiciais, ou, pelo menos, inúteis à vida da pessoa, que por sua vez, deles se queixa como sendo indesejados e causadores de desprazer ou sofrimento. O principal dano que causam reside no dispêndio mental que acarretam, e no dispêndio adicional que se torna necessário para se lutar contra eles. (p.361)
E continua: “os sintomas neuróticos são resultados de um conflito, e que este surge em virtude de um novo método de satisfazer a libido” (p.361), ou seja, apesar de haver um lado negativo no sintoma, ele também encontra uma forma de satisfação e é aí a gênese da resistência em eliminá-lo. Mas Freud já alertava que eliminar um sintoma não significa curar a doença, aliás, eliminar certamente não é o melhor termo, pois um sintoma supostamente eliminado deslocar-se-á à outra forma tão mais intrínseca, talvez, que outrora. Pois o que está em jogo na construção do sintoma? Freud, em “Inibições, Sintomas e Ansiedade” (1926) diz que sintoma é “o signo e o substituto de uma satisfação pulsional que não teve lugar (...), o resultado da moção pulsional tocada pelo recalcamento” (apud SCIARA, 2004, p.27). Se pensar que o sintoma atua como substituto de uma satisfação pulsional recalcada, afirma-se mais uma vez a impossibilidade de sua eliminação, pois, somente assim essa satisfação primeva toma forma. Aí entra a questão da cura em Psicanálise, o que se cura, já que o sintoma parece ser incurável? Sciara diz que “se quase não é possível mudar seu sintoma, como seu fantasma, ao menos isso ocorre quando advém nas curas, que se trata de ‘o que fazer com ele’, de se virar, de alargar sua perspectiva.” (p. 35).

Passa-se então a pensar no sintoma como algo inerente a todos. Segundo Lacan, o sintoma é substituição, é metáfora e assim sendo, só apenas ascende na linguagem. Entra-se agora em um novo conceito, o de gozo. Freud utilizava o termo alemão Lust para se referir a satisfação e, ao referir-se a uma satisfação excedente, recorria ao termo Genuss, que etimologicamente também pode ser traduzida por satisfação, prazer, etc., mas é aí que Lacan faz o desdobramento e a introdução do termo gozo, como o excedente e, por definição, à contramão da satisfação.

A partir disso, pode-se retomar a questão metafórica do sintoma, se a entrada simbólica do sujeito na linguagem só se dá através da inserção da Lei paterna, como pensar em gozo e sintoma se esse, segundo VALAS (2001), é proibido pela Lei? Segundo o autor é “porque ‘nem tudo é significante’ que Lacan é levado a introduzir a noção de gozo de modo conceitual em seu ensino” (p. 7). Assim, parte-se para a relação crucial entre desejo e gozo, onde o primeiro é conseqüência da Lei que impede o incesto e, por conseqüência o gozo deste sujeito, assim, é pelo ato da palavra que o gozo passa a existir.

Se desejo e gozo são marcados pela falta, por extensão sintoma também é.

O sintoma é para um sujeito “sua marca privada” (Melman) conforme, a marca de sua divisão, e a testemunha de seu inconsciente que fala. Ele é “viciado” nisso, de uma parte porque ele faz compromisso com seu desejo inconsciente e de outra parte, porque justamente seu gozo é ali correlato. (SCIARA, 2004, p. 32).
Lacan, em seu Seminário 20, “Mais, ainda” diz que “o superego é o imperativo do gozo – Goza!” (p. 11). Se, grosso modo, o superego (supereu) é a instância que incorpora a Lei, por que este ordenamento? No mesmo Seminário, Lacan lembra que o supereu é “correlato da castração”, esta herança da dissolução edípica só pode estar relacionada ao que Lacan chama de gozo fálico, ou gozo imparcial, ou seja, um gozo anterior (gozo do Outro) que foi impedido, e que a todo o momento precisa ser recuperado através da fantasia, por isso do mandato da instância do supereu, quase um pedido de “resgate o que perdemos”. E aí se encontra mais uma relação entre sintoma e gozo, ambos se mostram em posição objetal frente ao Outro.

Em suma, o sintoma que é apresentado pelo sujeito sempre como algo que o faz sofrer tem sim relação direta com um gozo, por isso de sustentá-lo por longos períodos em posição passiva, de queixa. Há um ganho aí, certamente de economia psíquica. Como visto, o sintoma faz parte de algo que constitui o sujeito, assim, não há como livrar-se dele, mas, em tratamento, há sim como mudar de posição frente a ele e por extensão, frente ao gozo e a fantasia, mesmo porque, segundo Lacan, “o gozo é aquilo que não serve para nada” (1985, p.11).

quinta-feira, 10 de junho de 2010

AQUELES DOIS


(História de aparente mediocridade e repressão)


Caio Fernando Abreu


Para Rofran Fernandes:


"I announce adhesiveness,

I say it shall be limitless,

unloosen il.

I say you shall yet find the

friend youwere looking for."


(Walt Whitman: So Long!)


A verdade é que não havia mais ninguém em volta. Meses depois, não no começo, um deles diria que a repartição era como "um deserto de almas". O outro concordou sorrindo, orgulhoso, sabendo-se excluído. E longamente, entre cervejas, trocaram então ácidos comentários sobre as mulheres mal-amadas e vorazes, os papos de futebol, amigo secreto, lista de presente, bookmaker, bicho, endereço de cartomante, clips no relógio de ponto, vezenquando salgadinhos no fim do expediente, champanha nacional em copo de plástico. Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra — talvez por isso, quem sabe? Mas nenhum se perguntou.

Não chegaram a usar palavras como "especial", "diferente" ou qualquer coisa assim. Apesar de, sem efusões, terem se reconhecido no primeiro segundo do primeiro minuto. Acontece porém que não tinham preparo algum para dar nome às emoções, nem mesmo para tentar entendê-las. Não que fossem muito jovens, incultos demais ou mesmo um pouco burros. Raul tinha um ano mais que trinta; Saul, um menos. Mas as diferenças entre eles não se limitavam a esse tempo, a essas letras. Raul vinha de um casamento fracassado, três anos e nenhum filho. Saul, de um noivado tão interminável que terminara um dia, e um curso frustrado de Arquitetura. Talvez por isso, desenhava. Só rostos, com enormes olhos sem íris nem pupilas. Raul ouvia música e, às vezes, de porre, pegava o violão e cantava, principalmente velhos boleros em espanhol. E cinema, os dois gostavam.

Passaram no mesmo concurso para a mesma firma, mas não se encontraram durante os testes. Foram apresentados no primeiro dia de trabalho de cada um. Disseram prazer, Raul, prazer, Saul, depois como é mesmo o seu nome? sorrindo divertidos da coincidência. Mas discretos, porque eram novos na firma e a gente, afinal, nunca sabe onde está pisando. Tentaram afastar-se quase imediatamente, deliberando limitarem-se a um cotidiano oi, tudo bem ou, no máximo, às sextas, um cordial bom fim de semana, então. Mas desde o princípio alguma coisa — fados, astros, sinas, quem saberá? conspirava contra (ou a favor, por que não?) aqueles dois.

Suas mesas ficavam lado a lado. Nove horas diárias, com intervalo de uma para o almoço. E perdidos no meio daquilo que Raul (ou teria sido Saul?) chamaria, meses depois, exatamente de "um deserto de almas", para não sentirem tanto frio, tanta sede, ou simplesmente por serem humanos, sem querer justificá-los — ou, ao contrário, justificando-os plena e profundamente, enfim: que mais restava àqueles dois senão, pouco a pouco, se aproximarem, se conhecerem, se misturarem? Pois foi o que aconteceu. Tão lentamente que mal perceberam.

II
Eram dois moços sozinhos. Raul tinha vindo do norte, Saul tinha vindo do sul. Naquela cidade, todos vinham do norte, do sul, do centro, do leste — e com isso quero dizer que esse detalhe não os tornaria especialmente diferentes. Mas no deserto em volta, todos os outros tinham referenciais, uma mulher, um tio, uma mãe, um amante. Eles não tinham ninguém naquela cidade — de certa forma, também em nenhuma outra —, a não ser a si próprios. Diria também que não tinham nada, mas não seria inteiramente verdadeiro.

Além do violão, Raul tinha um telefone alugado, um toca-discos com rádio e um sabiá na gaiola, chamado Carlos Gardel. Saul, uma televisão colorida com imagem fantasma, cadernos de desenho, vidros de tinta nanquim e um livro com reproduções de Van Gogh. Na parede do quarto de pensão, uma outra reprodução de Van Gogh: aquele quarto com a cadeira de palhinha parecendo torta, a cama estreita, as tábuas do assoalho, colocado na parede em frente à cama. Deitado, Saul tinha às vezes a impressão de que o quadro era um espelho refletindo, quase fotograficamente, o próprio quarto, ausente apenas ele mesmo. Quase sempre, era nessas ocasiões que desenhava.

Eram dois moços bonitos também, todos achavam. As mulheres da repartição, casadas, solteiras, ficaram nervosas quando eles surgiram, tão altos e altivos, comentou, olhos arregalados, uma das secretárias. Ao contrário dos outros homens, alguns até mais jovens, nenhum tinha barriga ou aquela postura desalentada de quem carimba ou datilografa papéis oito horas por dia.

Moreno de barba forte azulando o rosto, Raul era um pouco mais definido, com sua voz de baixo profundo, tão adequada aos boleros amargos que gostava de cantar. Tinham a mesma altura, o mesmo porte, mas Saul parecia um pouco menor, mais frágil, talvez pelos cabelos claros, cheios de caracóis miúdos, olhos assustadiços, azul desmaiado. Eram bonitos juntos, diziam as moças. Um doce de olhar. Sem terem exatamente consciência disso, quando juntos os dois aprumavam ainda mais o porte e, por assim dizer, quase cintilavam, o bonito de dentro de um estimulando o bonito de fora do outro, e vice-versa. Como se houvesse entre aqueles dois, uma estranha e secreta harmonia.

III
Cruzavam-se, silenciosos mas cordiais, junto à garrafa térmica do cafezinho, comentando o tempo ou a chatice do trabalho, depois voltavam às suas mesas. Muito de vez em quando, um pedia um cigarro ao outro, e quase sempre trocavam frases como tanta vontade de parar, mas nunca tentei, ou já tentei tanto, agora desisti. Durou tempo, aquilo. E teria durado muito mais, porque serem assim fechados, quase remotos, era um jeito que traziam de longe. Do norte, do sul.

Até um dia em que Saul chegou atrasado e, respondendo a um vago que que houve, contou que tinha ficado até tarde assistindo a um velho filme na televisão. Por educação, ou cumprindo um ritual, ou apenas para que o outro não se sentisse mal chegando quase às onze, apressado, barba por fazer, Raul deteve os dedos sobre o teclado da máquina e perguntoü: que filme? Infâmia, Saul contou baixo, Audrey Hepburn, Shirley MacLayne, um filme muito antigo, ninguém conhece. Raul olhou-o devagar, e mais atento, como ninguém conhece? eu conheço e gosto muito. Abalado, convidou Saul para um café e, no que restava daquela manhã muito fria de junho, o prédio feio mais que nunca parecendo uma prisão ou uma clínica psiquiátrica, falaram sem parar sobre o filme.

Outros filmes viriam, nos dias seguintes, e tão naturalmente como se de alguma forma fosse inevitável, também vieram histórias pessoais, passados, alguns sonhos, pequenas esperança e sobretudo queixas. Daquela firma, daquela vida, daquele nó, confessaram uma tarde cinza de sexta, apertado no fundo do peito. Durante aquele fim de semana obscuramente desejaram, pela primeira vez, um em sua quitinete, outro na pensão, que o sábado e o domingo caminhassem depressa para dobrar a curva da meia-noite e novamente desaguar na manhã de segunda-feira quando, outra vez, se encontrariam para: um café. Assim foi, e contaram um que tinha bebido além da conta, outro que dormira quase o tempo todo. De muitas coisas falaram aqueles dois nessa manhã, menos da falta que sequer sabiam claramente ter sentido.

Atentas, as moças em volta providenciavam esticadas aos bares depois do expediente, gafieiras, discotecas, festinhas na casa de uma, na casa de outra. A princípio esquivos, acabaram cedendo, mas quase sempre enfiavam-se pelos cantos e sacadas para contar suas histórias intermináveis. Uma noite, Raul pegou o violão e cantou Tú Me Acostumbraste. Nessa mesma festa, Saul bebeu demais e vomitou no banheiro. No caminho até os táxis separados, Raul falou pela primeira vez no casamento desfeito. Passo incerto, Saul contou do noivado antigo. E concordaram, bêbados, que estavam ambos cansados de todas as mulheres do mundo, suas tramas complicadas, suas exigências mesquinhas. Que gostavam de estar assim, agora, sós, donos de suas próprias vidas. Embora, isso não disseram, não soubessem o que fazer com elas.

Dia seguinte, de ressaca, Saul não foi trabalhar nem telefonou. Inquieto, Raul vagou o dia inteiro pelos corredores subitamente desertos, gelados, cantando baixinho Tú Me Acostumbraste, entre inúmeros cafés e meio maço de cigarros a mais que o habitual.

IV
Os fins de semana tornaram-se tão longos que um dia, no meio de um papo qualquer, Raul deu a Saul o número de seu telefone, alguma coisa que você precisar, se ficar doente, a gente nunca sabe. Domingo depois do almoço, Saul telefonou só para saber o que o outro estava fazendo, e visitou-o, e jantaram juntos a comidinha mineira que a empregada deixara pronta sábado. Foi dessa vez que, ácidos e unidos, falaram no tal deserto, nas tais almas. Há quase seis meses se conheciam. Saul deu-se bem com Carlos Gardel, que ensaiou um canto tímido ao cair da noite. Mas quem cantou foi Raul: Perfídia, La Barca e, a pedido de Saul, outra vez, duas vezes, Tú Me Acostumbraste. Saul gostava principalmente daquele pedacinho assim sutil llegaste a mí como una tentación llenando de inquietud mi corazón. Jogaram algumas partidas de buraco e, por volta das nove, Saul se foi.

Na segunda, não trocaram uma palavra sobre o dia anterior. Mas falaram mais que nunca, e muitas vezes foram ao café. As moças em volta espiavam, às vezes cochichando sem que eles percebessem. Nessa semana, pela primeira vez almoçaram juntos na pensão de Saul, que quis subir ao quarto para mostrar os desenhos, visitas proibidas à noite, mas faltavam cinco para as duas e o relógio de ponto era implacável. Saíam e voltavam juntos, desde então, geralmente muito alegres. Pouco tempo depois, com pretexto de assistir a Vagas Estrelas da Ursa na televisão de Saul, Raul entrou escondido na pensão, uma garrafa de conhaque no bolso interno do paletó. Sentados no chão, costas apoiadas na cama estreita, quase não prestaram atenção no filme. Não paravam de falar. Cantarolando Io Che Non Vivo, Raul viu os desenhos, olhando longamente a reprodução de Van Gogh, depois perguntou como Saul conseguia viver naquele quartinho tão pequeno. Parecia sinceramente preocupado. Não é triste? perguntou. Saul sorriu forte: a gente acostuma.

Aos domingos, agora, Saul sempre telefonava. E vinha. Almoçavam ou jantavam, bebiam, fumavam, falavam o tempo todo. Enquanto Raul cantava — vezenquando El Día Que Me Quieras, vezenquando Noche de Ronda —, Saul fazia carinhos lentos na cabecinha de Carlos Gardel, pousado no seu dedo indicador. Às vezes olhavam-se. E sempre sorriam. Uma noite, porque chovia, Saul acabou dormindo no sofá. Dia seguinte, chegaram juntos à repartição, cabelos molhados do chuveiro. As moças não falaram com eles. Os funcionários barrigudos e desalentados trocaram alguns olhares que os dois não saberiam compreender, se percebessem. Mas nada perceberam, nem os olhares nem duas ou três piadas. Quando faltavam dez minutos para as seis, saíram juntos, altos e altivos, para assistir ao último filme de Jane Fonda.

V
Quando começava a primavera, Saul fez aniversário. Porque achava seu amigo muito solitário, ou por outra razão assim, Raul deu a ele a gaiola com Carlos Gardel. No começo do verão, foi a vez de Raul fazer aniversário. E porque estava sem dinheiro, porque seu amigo não tinha nada nas paredes da quitinete, Saul deu a ele a reprodução de Van Gogh. Mas entre esses dois aniversários, aconteceu alguma coisa.

No norte, quando começava dezembro, a mãe de Raul morreu e ele precisou passar uma semana fora. Desorientado, Saul vagava pelos corredores da firma esperando um telefonema que não vinha, tentando em vão concentrar-se nos despachos, processos, protocolos. Á noite, em seu quarto, ligava a televisão gastando tempo em novelas vadias ou desenhando olhos cada vez mais enormes, enquanto acariciava Carlos Gardel. Bebeu bastante, nessa semana. E teve um sonho: caminhava entre as pessoas da repartição, todas de preto, acusadoras. À exceção de Raul, todo de branco, abrindo os braços para ele. Abraçados fortemente, e tão próximos que um podia sentir o cheiro do outro. Acordou pensando mas ele é que devia estar de luto.

Raul voltou sem luto. Numa sexta de tardezinha, telefonou para a repartição pedindo a Saul que fosse vê-lo. A voz de baixo profundo parecia ainda mais baixa, mais profunda. Saul foi. Raul tinha deixado a barba crescer. Estranhamente, ao invés de parecer mais velho ou mais duro, tinha um rosto quase de menino. Beberam muito nessa noite. Raul falou longamente da mãe — eu podia ter sido mais legal com ela, disse, e não cantou. Quando Saul estava indo embora, começou a chorar. Sem saber ao certo o que fazia, Saul estendeu a mão e, quando percebeu, seus dedos tinham tocado a barba crescida de Raul. Sem tempo para compreenderem, abraçaram-se fortemente. E tão próximos que um podia sentir o cheiro do outro: o de Raul, flor murcha, gaveta fechada; o de Saul, colônia de barba, talco. Durou muito tempo. A mão de Saul tocava a barba de Raul, que passava os dedos pelos caracóis miúdos do cabelo do outro. Não diziam nada. No silêncio era possível ouvir uma torneira pingando longe. Tanto tempo durou que, quando Saul levou a mão ao cinzeiro, o cigarro era apenas uma longa cinza que ele esmagou sem compreender.

Afastaram-se, então. Raul disse qualquer coisa como eu não tenho mais ninguém no mundo, e Saul outra coisa qualquer como você tem a mim agora, e para sempre. Usavam palavras grandes — ninguém, mundo, sempre — e apertavam-se as duas mãos ao mesmo tempo, olhando-se nos olhos injetados de fumo e álcool. Embora fosse sexta e não precisassem ir à repartição na manhã seguinte, Saul despediu-se. Caminhou durante horas pelas ruas desertas, cheias apenas de gatos e putas. Em casa; acariciou Carlos Gardel até que os dois dormissem. Mas um pouco antes, sem saber por quê, começou a chorar sentindo-se só e pobre e feio e infeliz e confuso e abandonado e bêbado e triste, triste, triste. Pensou em ligar para Raul, mas não tinha fichas e era muito tarde.

Depois, chegou o Natal, o Ano-Novo que passaram juntos, recusando convites dos colegas de repartição. Raul deu a Saul uma reprodução do Nascimento de Vênus, que ele colocou na parede exatamente onde estivera o quarto de Van Gogh. Saul deu a Raul um disco chamado Os Grandes Sucessos de Dalva de Oliveira. O que mais ouviram foi Nossas Vidas, prestando atenção no pedacinho que dizia até nossos beijos parecem beijos de quem nunca amou.

Foi na noite de trinta e um, aberta a champanhe na quitinete de Raul, que Saul ergueu a taça e brindou à nossa amizade que nunca nunca vai terminar. Beberam até quase cair. Na hora de deitar, trocando a roupa no banheiro, muito bêbado, Saul falou que ia dormir nu. Raul olhou para ele e disse você tem um corpo bonito. Você também, disse Saul, e baixou os olhos. Deitaram ambos nus, um na cama atrás do guarda-roupa, outro no sofá. Quase a noite inteira, um conseguia ver a brasa acesa do cigarro do outro, furando o escuro feito um demônio de olhos incendiados. Pela manhã, Saul foi embora sem se despedir para que Raul não percebesse suas fundas olheiras.

Quando janeiro começou, quase na época de tirarem férias — e tinham planejado, juntos, quem sabe Parati, Ouro Preto, Porto Seguro — ficaram surpresos naquela manhã em que o chefe de seção os chamou, perto do meio-dia. Fazia muito calor. Suarento, o chefe foi direto ao assunto. Tinha recebido algumas cartas anônimas. Recusou-se a mostrá-las. Pálidos, ouviram expressões como "relação anormal e ostensiva", "desavergonhada aberração", "comportamento doentio", "psicologia deformada", sempre assinadas por Um Atento Guardião da Moral. Saul baixou os olhos desmaiados, mas Raul colocou-se em pé. Parecia muito alto quando, com uma das mãos apoiadas no ombro do amigo e a outra erguendo-se atrevida no ar, conseguiu ainda dizer a palavra nunca, antes que o chefe, entre coisas como a-reputação-de-nossa-firma, declarasse frio: os senhores estão despedidos.

Esvaziaram lentamente cada um a sua gaveta, a sala deserta na hora do almoço, sem se olharem nos olhos. O sol de verão escaldava o tampo de metal das mesas. Raul guardou no grande envelope pardo um par de olhos enormes, sem íris nem pupilas, presente de Saul, que guardou no seu grande envelope pardo, com algumas manchas de café, a letra de Tú Me Acostumbraste, escrita à mão por Raul numa tarde qualquer de agosto. Desceram juntos pelo elevador, em silêncio.

Mas quando saíram pela porta daquele prédio grande e antigo, parecido com uma clínica ou uma penitenciária, vistos de cima pelos colegas todos postos na janela, a camisa branca de um, a azul do outro, estavam ainda mais altos e mais altivos. Demoraram alguns minutos na frente do edifício. Depois apanharam o mesmo táxi, Raul abrindo a porta para que Saul entrasse. Ai-ai, alguém gritou da janela. Mas eles não ouviram. O táxi já tinha dobrado a esquina.Pelas tardes poeirentas daquele resto de janeiro, quando o sol parecia a gema de um enorme ovo frito no azul sem nuvens no céu, ninguém mais conseguiu trabalhar em paz na repartição. Quase todos ali dentro tinham a nítida sensação de que seriam infelizes para sempre. E foram.
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A peça de teatro da CIA Luna Lunera é algo assim: Um Tesão!!

domingo, 30 de maio de 2010

Psicologia Social


Durante o caminho vamos percebendo coisas que antes não percebíamos, caminho cruzado, caminho recaminhado, caminho pedregoso e caminho paradisíaco, tem ainda o caminho penitente e o caminho sem volta.
“Eu não sei onde eu to indo, só sei que to no meu caminho”.
Bem, penso que sei onde quero chegar. Mas, eu queria dizer que nesse andar pelo mundo e pelas palavras do mundo, reencontramos fundamentos que nos guiam para todo sempre. Exagero? Penso que não. Nem quero que dividam comigo lagrimas megarenses. Apenas constatei que algo conspira para reencontros e, neste caminho do social, o qual eu escolhi, acabei me deparando com repetições agradáveis e desagradáveis. Desdobramentos de palavras esquecidas postas juntas às pedras da cerca da estrada. Por isso é sempre bom retornar aos antigos estudos, nem tão antigos assim, mas que a professora Íris Campos, maldita sejas, lançou uma semente que agora brota e rebrota. Quero dizer que o encanto pelo Social nasceu... E continua crescendo por conta das sábias palavras e os ensinamentos desta mestre que também é uma apaixonada pelo social.
Então, para quem deseja percorrer o caminho do social deixo aqui uma boa pedida para leitura. “Abaixem” o livro e aproveitem estes primeiros passos.

"Nosso modo de agir é determinado pelo grupo social ao qual pertencemos. Como, nesta convivência, definimos nossa identidade e peculiaridades? A Psicologia Social, área da Psicologia que estuda o comportamento de indivíduos enquanto seres socialmente influenciados mostra como se forma nossa concepção de mundo, sua vinculação à linguagem que aprendemos e aos valores que assimilamos. Discutindo o desenvolvimento da consciência social na escola e no trabalho, a autora nos faz compreender o que transforma os indivíduos em agentes da história de sua sociedade".

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ABAIXAR O LIVRO SIGA O LINK:

segunda-feira, 10 de maio de 2010

V Encontro Alusivo ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes


Dia 18 de maio, no Teatro do SESC – Ijuí
Com início às 13:30 hs.


Link do Comite Nacional:



MATERIAL PARA ESTUDO:


* Colóquio sobre o Sistema de Notificação em Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes Comitê Nacional de Enfrentamento a Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes Abaré - Brasília - 2004.






*Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Infanto-Juvenil - Uma Política em Movimento - 2006 Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes.
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18 DE MAIO DIA NACIONAL DE COMBATE AO ABUSO E A EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES.

sábado, 8 de maio de 2010

Psicóloga Flávia Flach: As pulseiras do sexo são para “apimentar” a inocência.


Psicóloga de crianças e adolescentes fala sobre as pulseiras e afirma que os pais deveriam aproveitar a oportunidade para falar sobre sexualidade com os filhos.


Entrevista concedida ao Portal de Notícias Ijuhy.com



A Psicóloga de crianças e adolescente, Flávia Flach, explica que a adolescência é uma fase da vida em que o interesse pelo corpo e pela sexualidade aflora. Justamente por isso é natural que os jovens têm um grande desejo em descobrir, explorar e expressar a sexualidade, com o tempo e os acontecimentos eles também vão encontrando formas para isso.

Segundo Flávia Flach, as pulseiras coloridas, que estão sendo chamadas de pulseiras do sexo, são na verdade um jogo de sedução, um jogo erótico que os adolescentes criaram para poder “apimentar a inocência.

De acordo com a psicóloga, Flávia, o que vem acontecendo deve ser entendido como uma fantasia, pois nenhuma menina usa a pulseira porque deseja ser violentada, casos que já aconteceram em algumas cidades.

Crianças e adolescente vivem em momentos diferentes, uns descobrem a sexualidade antes e os outros vão descobrindo aos poucos, isso quer dizer que nem todas as crianças ou todos os adolescentes tem um grande interesse pelas pulseirinhas do sexo, e alguns ainda usam sem saber o que na realidade significam. “Não podemos generalizar, pois, crianças e adolescentes vivem momentos de desenvolvimento da sexualidade diferentes, o que vai fazer com que tenham interpretações diferenciadas. Certamente muitas meninas usam esses acessórios só porque os acham bonitos, por modismo, enquanto outras usam as pulseiras por causa do seu código sexual”, ressalta a psicóloga.

Em pouco tempo as pulseiras do sexo se tornaram algo muito polêmico, elas entraram na vida dos adolescentes por ser uma brincadeira, mas acabaram virando um grande problema, isso devido as suas consequências. Muitos alegam usar esses acessórios para poderem fazer parte de um grupo de pessoas, no qual, usar esse acessório e tantos outros fazem parte do dia a dia. Também existem os casos em que as pessoas começam a usar certas coisas por medo de serem excluídos por quem usa".

Para Flávia, “o adolescente vive uma fase de crise, na qual acontece a redefinição da imagem corporal, consequência da perda da imagem do corpo infantil, e, além disso, ele é confrontado com necessidades de escolhas e definições que brotam dele mesmo, da família e do grupo social. Precisa definir-se como homem ou mulher, escolher a profissão, posicionar-se politicamente, etc. Assim ele é levado ao questionamento, à reflexão, e procura desenvolver um projeto de vida para si. O que sou? O que fui? Como serei? O que quero? E assim ele busca suas respostas na identificação com o grupo de iguais. Para pertencer a um grupo o adolescente deve corresponder a imagem desse grupo e muitas vezes as escolhas quanto a vestimenta e acessórios são justamente a forma que ele encontra para se identificar com seus pares.

Ao contrário do que já foi falado e muito discutido, Flávia não acredita que certos acontecimentos com crianças e adolescentes podem causar inseguranças no futuro, mas a família deve dar conselhos, conversar sobre o assunto. “O ideal seria que as famílias e as escolas aproveitassem o fato desse assunto estar vindo a tona para falar sobre a sexualidade com os adolescentes e que sexo não fosse apenas trabalhado na ordem do biológico, mas sim sobre os efeitos comportamentais e sociais que ele pode causar. Até porque hoje é a pulseira, amanhã pode ser outro acessório ou poderá aparecer outro jogo erótico que dará continuidade a isso”, afirma Flávia Flach.

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PS: Minha professora!!!! eheheheheheh... Quando eu crescer quero ser assim Ó, ora pá.

domingo, 2 de maio de 2010

O Encontro de Maria Rita Kehl com o MST


Publicado em 15 de julho de 2009
Por Patrícia Rocha, no jornal Zero Hora.

Há três anos, um integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) perguntou à psicanalista Maria Rita Kehl como a psicanálise poderia ajudar a militância. Não era a primeira vez que Maria Rita estava palestrando para uma turma de alunos da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), centro de formação e ensino idealizado pelo MST. Ela respondeu que a psicanálise não é uma prática militante, mas que muitos militantes precisariam fazer análise por razões particulares.
E explicou: – A neurose interfere na relação dos sujeitos com o laço social, o que vale para a militância.Ao contar o episódio, Maria Rita, nome de referência da psicanálise no Brasil, diz que eles entenderam imediatamente o que estava implícito naquelas palavras. E, na saída, dois administradores da escola perguntaram:
– Quando você pode começar?
Na semana seguinte, Maria Rita deu início à experiência que já dura três nos e meio.
Doutora em Psicanálise, a campineira Maria Rita trilhou uma trajetória singular. Cursou Psicologia na USP em tempos de ditadura, trabalhou sete anos como jornalista, fez mestrado sobre televisão, teve um filho quando morava em uma comunidade e só em 1981 começou a atuar como psicanalista – e logo mais poeta e ensaísta. Suas palestras e seus livros transitam por diferentes temas: TV, juvenilização, ressentimento, feminino, ética na psicanálise... O lançamento mais recente, O Tempo e o Cão – Atualidade das Depressões, teve início a partir de um pequeno incidente a caminho da ENFF, quando, premida pelo tráfego na Via Dutra, Maria Rita viu um cão atravessar a pista, mas não pôde evitar bater no animal, que sobreviveu. Travestido de metáfora, o episódio a fez refletir sobre a aceleração da vida e seus efeitos subjetivos. Neste longo percurso, analisar integrantes do MST e transitar no seio do movimento surge como a oportunidade de descobrir um universo fundado no coletivo e, como ela conta na entrevista a seguir, um privilégio.

Zero Hora – Gostaria que a senhora contasse como se aproximou do MST e tornou-se psicanalista de membros do movimento, detalhando como esses atendimentos funcionam hoje. Quantos pacientes do MST têm no momento e com quem freqüência os atende? Com base na premissa de que o pagamento, por menor que seja, é importante como forma de registrar o investimento do paciente nas sessões de psicanálise, a senhora cobra a sessão, um preço simbólico que seja?

Maria Rita Khel – O MST tem uma escola nacional de formação de lideranças, a Escola Nacional Florestan Fernandes, a 60 km de S. Paulo. Em 2005 e 2006 fui algumas vezes lá, dar aulas sobre temas de interesse deles em um curso sobre a compreensão da realidade brasileira organizado pelo professor Paulo Arantes. Nas duas vezes, alguns alunos mostraram curiosidade sobre a psicanálise. Da segunda vez, ao me perguntarem "como a psicanálise pode ajudar a militância?", eu respondi que a psicanálise não é uma prática militante, mas muitos militantes precisariam fazer análise, por motivos particulares. Expliquei, também, que a neurose interfere sempre na relação dos sujeitos com o laço social, o que vale para a militância, também. Eles me entenderam, imediatamente. Quando saí da sala, dois administradores da escola me perguntaram: “- Quando você pode começar?". Na semana seguinte estava lá, não para fazer conferência, mas para atender pacientes. Arrumaram-me um dos quartos do alojamento e os pacientes começaram a chegar: alguns dos trabalhadores fixos da escola, outros de outros Estados, que estavam lá de passagem, fazendo cursos. Desde aquela época, ou seja, há 3 anos e meio, vou quinzenalmente à ENFF e atendo quem estiver lá. Há pacientes fixos, outros que estão de passagem e vêm falar, duas ou três vezes, o que já é suficiente para acionar neles um início de intimidade com o inconsciente que eles aproveitam muito. Não cobro nada pelas sessões feitas na Escola, mas se algum deles vem a SP, fazer uma sessão extra em meu consultório, cobro 15 reais. Até hoje isso não foi motivo para eles não se responsabilizarem pela análise. Eles sabem que meu trabalho lá não é por caridade nem por amor pessoal a cada um deles - é a "minha militância". Este é o valor que eles me dão em troca do trabalho. Mas levam suas análises muito a sério, como, aliás, levam a sério quase todas as escolhas que fizeram.

Zero Hora – Para alguém que chega de fora e depara com o movimento em ação, nas atividades e eventos coletivos de que a senhora participou e, individualmente, nas pessoas que analisa o que mais lhe chamou atenção neste universo? É possível comparar questões, dores e valores que predominam entre os pacientes de seu consultório particular, em São Paulo, e os pacientes que atende na Escola Florestan Fernandes?

Maria Rita Khel – As formações do inconsciente não variam muito; lá existem neuróticos como em toda parte. Recebi alguns alcoólatras também, pois este é um dos sintomas mais freqüentes, sobretudo entre homens, na sociedade brasileira – e nas classes pobres, mais ainda. O que é muito diverso da minha clínica em SP são as histórias de vida, evidentemente. 100% dos analisandos do MST têm origem pobre, a maioria do meio rural; alguns, os mais jovens, sobretudo, já vieram das periferias das cidades, onde além da pobreza conheceram muita violência. São histórias de vida que implicam em maior sofrimento real, mas os sintomas que se formam a partir da experiência traumática não variam muito. Trata-se, sempre, de tentar escutar as pistas que indiquem o que está recalcado e fazer com que a pessoa também se escute e questione o que diz, de modo a encontrar pistas que a orientem na via de seu desejo. O que mais diverge da minha experiência com a clínica em São Paulo é que no MST não percebo, entre as queixas e indagações dos sujeitos, a prevalência do imaginário romântico-sentimental (inclusive no que diz respeito à demanda de amor, na transferência). Não é no amor que eles buscam indicadores de seu valor para o Outro – é na "luta". As histórias de sofrimento familiar, ou conjugal, raramente se centram nas demandas de amor não correspondidas, endereçadas ao pai, mãe, esposa/esposo. Não escuto essa queixa de que o pai, ou a mãe, gostava mais do irmão/da irmã/ se me ama/ se não me ama, etc. Não que a questão do valor do sujeito para o Outro não exista, mas curiosamente, ela não passa tanto pelas relações amorosas e familiares, nem pela demanda de amor ao analista.

Zero Hora – Os movimentos sociais se fundam na noção do coletivo. Esta questão transparece de alguma forma quando um membro do MST está no divã?

Maria Rita Khel – Aparece sim, nas queixas freqüentes de que o trabalho grupal, muito exigente, deixa pouca margem para os chamados "cuidados de si" – lazer, namoro, leituras, passeios, descanso. Mas não é difícil fazer com que eles percebam que o excesso de dedicação à "causa" coletiva pode ser um meio de escapar das questões singulares de cada um. Claro que estou generalizando, alguns permanecem muito mais aferrados a cumprir "o que o Outro quer de mim" do que outros etc. Ao longo de algumas análises, emergem muitos conflitos com as normas coletivas da Escola – o sujeito, ao entrar em sintonia com o desejo, torna-se rebelde. Mas essa rebeldia raramente é da ordem do individualismo, mais freqüente nas classes média e alta urbanas. Eles se rebelam contra a rigidez das normas coletivas, mas não perdem de vista o fato de que estão no movimento por escolha política e têm uma responsabilidade para com ele.

Zero Hora – A senhora sempre demonstrou uma posição de esquerda, uma postura crítica acerca da sociedade de consumo e seus valores. Como isso se reflete na realização deste projeto junto ao MST e até mesmo em sua atividade como psicanalista?

Maria Rita Kehl – Posso te dizer que sempre que saio de lá, penso que sou uma privilegiada por ter encontrado o MST e ter sido acolhida por eles como pessoa de confiança. Também me acho uma pessoa de sorte por ter sido convidada a exercer a psicanálise, sem nenhuma concessão, em meio a este que é hoje o maior movimento social do mundo, com 600 mil militantes e 2 milhões de pessoas afiliadas a ele (incluindo famílias já assentadas, que às vezes não militam mais, mas reconhecem sua filiação ao MST). Não é preciso fazer concessões para exercer a psicanálise entre eles porque, apesar da origem católica e rural, o movimento é legitimamente progressista – assim como a psicanálise, aliás.

Zero Hora – Ao passar a freqüentar um universo diferente do seu, marcado por bandeiras de luta e o sentido coletivo, em algum momento a senhora temeu a possibilidade de idealizar o movimento ou seus membros? Ou já se sentiu cobrada por membros do MST a agir de forma militante?

Maria Rita Kehl – Nunca fui cobrada a agir como eles, seja isso o que for; mesmo porque, entre eles as diferenças de modos de agir também são muito grandes. Sinto-me respeitada, inclusive em meu estilo mais aburguesado de ser: vou de carro, volto para SP depois dos atendimentos porque quero aproveitar o sábado, raramente fico lá para dormir, etc. Agora, não há dúvidas de que, para mim, é fácil idealizar o movimento. Não tanto pelo modo como eles conduzem suas lutas – tenho sérias divergências sobre algumas estratégias e falo sobre elas com pessoas que não são meus pacientes, quando os encontro no almoço ou nos debates de que ainda participo. O que eu sinto que idealizo, no MST, é a formação humana que eles conseguem obter. A maior parte dos militantes veio de meios sociais violentos, com pouca escolarização, pouca noção de dignidade e respeito, tanto do sujeito quanto na relação com o outro. No movimento, o valor da leitura, do conhecimento, da lealdade e da solidariedade, são imensos. Mesmo na clínica, onde os problemas mais profundos vêm à tona, não deixo de sentir admiração pela maioria de meus pacientes da ENFF. Para você ter uma idéia, sabe qual é a maior demanda de "ascensão social" entre eles? Não é ganhar mais ou subir para uma posição de poder: é ser incluído entre os que podem estudar mais, entre os que têm direito a freqüentar os cursos, etc. Eles são muito sérios quanto a este aspecto; e quanto à solidariedade também, apesar de todos os defeitos humanos, que são os mesmos que os de todos nós. Mas isto não significa que eu não tenha admiração pelas pessoas que atendo em minha clínica particular, em São Paulo. Tenho sim, por quase todos eles, pela coragem em enfrentar seus fantasmas, em buscar sua via. Talvez a diferença não se coloque em relação ao valor de cada sujeito, um por um, mas em relação ao "caldo de cultura" em que se vive, lá e cá.

Zero Hora – Houve um momento de maior condescendência – mesmo idealização – dos movimentos sociais no Brasil. Em sua opinião, que imagem esses movimentos têm hoje no país?

Maria Rita Kehl – Não sei responder.

Zero Hora – E como a psicanálise compreende os movimentos sociais?

Maria Rita Kehl – Não sei grande coisa as respeito. Só aponto que existe, entre alguns psicanalistas, um preconceito de que a participação num movimento social seria uma forma de alienação. Como se a adesão quase religiosa à psicanálise e às instituições psicanalíticas não fosse!...

Zero Hora – As questões do feminino e do feminismo figuram entre os temas sobre os quais a senhora já escreveu. Como avalia a posição das mulheres e as relações entre os sexos dentro do MST?

Maria Rita Khel – É uma posição muito interessante, a das mulheres. Até agora não encontrei, entre as mulheres que atendo no MST, nenhuma que não seja autenticamente feminista, no sentido mais profundo do termo. Ou seja: são mulheres bastante livres em suas escolhas sexuais e amorosas – até mesmo as que vieram de movimentos da Igreja, mas que na análise, lutam para superar os entraves da moral católica. Ao mesmo tempo, são tão decididas e dedicadas quanto os homens. É interessante a posição das mulheres no movimento: muitas delas, por exemplo, têm cargos mais altos do que seus maridos. Provavelmente, nos acampamentos, entre pessoas que vieram de outros lugares e acabam de ingressar no MST, deve haver muito machismo; este é o perfil da sociedade brasileira. Mas não o encontrei entre os "compas", como eles se chamam, que transitam no nível da ENFF. O outro detalhe interessante é que as mulheres que atendo lá, nunca submeteram a vida da militância às conveniências do casamento. Viajam pra lá e pra cá, estudam nos cursos em módulos que o MST oferece em convênios com universidades – 3 meses na faculdade, 3 meses no movimento, durante toda a duração do curso – e os maridos seguram a onda, cuidam das crianças quando elas estão fora, etc. O amor não é o centro da vida delas, o que é muito difícil de encontrar. E também não medem seu valor pelo olhar de um homem; nunca ouvi uma moça que não namora dizer que se sente inferior às outras por isso.

Zero Hora – A senhora conta em "O tempo e o cão: a atualidade das depressões", como um incidente a caminho da Escola Florestan Fernandes estimulou reflexões que culminaram neste livro que traz a depressão como sintoma social. Esse seu trânsito dentro de um movimento social e suas questões contribuiu de alguma forma para essa análise?

Maria Rita Kehl – Talvez sim, no que diz respeito ao modo de viver o tempo. Por mais tarefas que eles tenham lá, a relação com o tempo numa perspectiva não capitalista é diferente da velocidade maluca que rege a vida de quase todos nós. A relação que faço entre aceleração da vivência temporal e depressão, certamente tem um pouco a ver com minha experiência no MST.

Zero Hora – A escolha de objetos e temas de trabalho sempre revelam algo do pesquisador em questão, pelo menos uma afinidade. Na sua trajetória acadêmica e profissional, a senhora já passou pela televisão, as questões do feminino, a ditadura do corpo e a juvenilização da cultura ocidental, ética, política, depressão, além deste projeto no MST. O que este percurso revela a seu respeito?

Maria Rita Kehl – Se eu soubesse, não continuaria buscando. Deixo essa resposta pra depois da minha morte.

sábado, 24 de abril de 2010

As Drogas e a Legislação Brasileira (Downloads)

(As lesmas e o tira-gosto)

"Nossa Sociedade TEME as drogas ao mesmo tempo que as CULTUA."


Com o propósito de estudo e pesquisa sobre as políticas Públicas e a legislação brasileira sobre drogas Segue-se os links para baixar os materiais.

*
A POLÍTICA DO MINISTÉRIO DA SAÚDE PARA A ATENÇÃO INTEGRAL A USUÁRIOS DE ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS:


*
Lei Nº 11.343, de 23 de agosto de 2006 - Institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas - Sisnad; prescreve medidas para prevenção do uso indevido, atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas; estabelece normas para repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas; define crimes e dá outras providências.

*

E duas Publicações Especiais para estudarmos:
*
Embasamento político das concepções e práticas referentes às drogas no Brasil (ARTIGO):
*
CENTROS DE ATENDIMENTO DA DEPENDÊNCIA QUÍMICA - 2007:

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