Deusa Isísdomingo, 15 de novembro de 2009
Desejo e Surrealidade
Deusa Isís(Pulsão de Morte)(?)

“Siren” obscura, Senhora da noite, entoará novamente sua doce melodia, passaporte para a morada de Morpheus? Magnífica mansão etérea onde anseio refugiar-me. Mundo de ilimitados mundos, de infinitas portas. A cada adormecer vago errante por seus corredores onde o amado e o odiado se unem e pelos quais Desejo perscrutar entre a beleza sublime e a loucura.
Cara Dama, empresta tuas asas à minha percepção, para que nela encontre a chave da noite. Será que adentrando a senda do desconhecido verei o mundo além das aparências? Apenas fantasio o que lá encontraria: angústia? verdade? Êxtase e desespero poderiam surgir entrelaçados, não me admiraria, pois não é esse o caminho do impossível?
Diante dela ergue-se frágil, torpe e insignificante toda construção humana, cujo destino está assegurado na poeira do universo. Serenamente vê isso tudo, apenas observa a transitoriedade das coisas, sorrindo orgulhosamente por estar além destas, por transcendê-las.
Através da morte, tens o controle da vida. Comanda pela passividade. De ti emana uma aura pulsante, constante, letárgica. Em ti aposto minha esperança, oh pulsão de morte!
Dominadora do universo, guia da dispersão, tens assegurada a vitória final.”
sábado, 14 de novembro de 2009
O que é Escrever? Que Implicações tem este Gesto?
O Louco

Na Renascença viu-se surgir uma nova e estranha figura ao longo dos canais flamengos e dos rios da Renânia: a Nau dos Loucos, como ilustrou Hyeronimus Boch. Já por aquela época, os loucos tinham uma existência errante. Escorraçados das grandes cidades, expulsos de suas fortificações e condenados à peregrinação, foi-se firmando o costume de confiá-los, também, aos barqueiros. Desta prática surgia a certeza de que os insanos iriam para longe o quê – nas palavras de Foucault – “os tornava prisioneiros de sua própria partida”. É o mesmo autor quem assinala o caráter simbó1ico da atitude: "A navegação entrega o homem à incerteza da sorte; nela, cada um é confiado ao seu próprio destino; todo embarque é, potencialmente, o último. É para outro mundo que parte o louco em sua barca louca; é do outro mundo que ele chega quando desembarca"[1].
A loucura, a partir do século XVI, passa a ser vista como o oposto da razão – loucura como sinônimo de irracionalidade. O Louco ultrapassou a loucura, no sentido estrito de uma preocupação ligada ao imaginário da renascença, para tornar-se um problema sócio-político-cultural e econômico. Ele passou a ser um transgressor da norma e, consequentemente, uma fonte de problemas, ligado ao coletivo/social, que presa pela moral e os bons costumes. Portanto, os loucos eram todos aqueles que, de alguma forma, transgrediam as leis da sociedade civil – vagabundos, prostitutas, agitadores, pobres, mendigos, criminosos – tratados de maneira uniforme. No mais, eram sempre aqueles que estavam a margem de um padrão considerado normal.
A partir do século XVII, a loucura perpassa por uma classificação de ordem médica, uma espécie de higienização dos costumes. O louco começa a dialogar com o médico, mas a dinâmica da exclusão ainda encontra-se presente, pois é sempre uma classificação por conta dos opostos normal/anormal, razão/desrazão. Novas práticas suscitam uma relação de cura – a loucura é uma doença que pode ser tratada, o louco é um doente que deve ser curado para poder integrar-se e cumprir seu dever de individuo, numa sociedade trabalhadora e produtora de normas.
A exclusão do diferente permeia os discursos no modo como a loucura é vista nas diferentes épocas, seja o louco um personagem da caridade religiosa ou do tipo ocioso e perturbador da ordem ou ainda, um indivíduo doente que perturba a sociedade e é incapaz de integrar-se a ela e produzir, além de representar um perigo social. É a partir desta nova sensibilidade em relação à loucura que nasce a idéia de reclusão – as casas de internação ligadas à ciência da medicina, que no século XVIII desponta e então classifica, emergindo assim, a relação da loucura com a medicina.
Iniciamos com uma pequena ilustração histórica da loucura para, agora, nos questionarmos: O que é normal? O que é patológico? A partir de dois materiais ilustrativos, um de origem literária e outro do cinema – O Alienista, de Machado de Assis e o filme Estamira, de Marcos Prado – produziremos algumas considerações. Pensemos sobre as histórias dos personagens, até onde eles nos levam e o que querem? O que é a psicopatologia? E o que é a Psicopatologia Fundamental?
De acordo com o texto de Manoel Tosta Berlinck, “O que é Psicopatologia Fundamental”, podemos nos referir, ao sofrimento do corpo e ao sofrimento da alma. “(...) Phatos não nasce no corpo, pois vem de longe e de fora. Mas passa necessariamente pelo corpo, ele brota no corpo e rege as ações humanas.” Phatos é relativo à paixão, passividade, sofrimento, passível de tirar proveito para que se transforme em experiência – um discurso sobre o sofrimento, tornando-se patológico como entendimento terapêutico. A Psicopatologia Fundamental é uma posição – uma posição de escuta do Phatos, lugar de transformação do Discursus em experiência terapêutica, ou seja, ouvir a ficção e dar conta da arqueologia do sujeito. Enquanto isso podemos entender a Psicopatologia Geral tão somente como uma classificação das morbidades de um indivíduo, com um discurso voltado às doenças, um logos que prima pelo sentido pragmático e eficaz, na luta para manter uma normalidade hegemônica e herdeira do positivismo, mas nem por isso as duas posições psicopatológicas deixem de se visitarem e relativamente se respeitarem.
Em Estamira, vemos a história de uma senhora que trabalha em um aterro sanitário no Rio de Janeiro. Ela tem 63 anos e foi diagnosticada como esquizofrênica. Estamira nos traz a sua verdade, a sua loucura, o seu Phatos. Logo, nos amparamos não menos do que em Machado de Assis e o seu Alienista. São dois discursos permeados por aquilo que nos assusta, por aquilo que Michel Foucault melhor tematizou – a arqueologia da loucura.
Num primeiro momento queremos dissecar duas palavras. Aliénus, que do latim significa pertencente a outrem, de outrem, em conexão com o grego torna-se allótrios que significa afastar, tornar estrangeiro. De acordo com o Dicionário Houaiss, ALIENADO é que ou aquele que sofre de alienação mental; louco, maluco, doido. E ainda, que ou aquele que sofre de alienação, que vive sem conhecer ou compreender os fatores sociais, políticos e culturais que o condicionam e os impulsos íntimos que o levam a agir da maneira que age. E por último, que ou aquele que, voluntariamente ou não, se mantém distanciado das realidades que o cercam; alheado. Logo, ALIENISTA é o médico especialista em doenças mentais e que diz respeito ao tratamento dos alienados mentais.
A outra palavra é ESTAMIRA. Bem, Estamira é o nome da personagem do filme, não tem uma etimologia, pois que é única: “Eu sou Estamira”. Mas queremos, apenas a título de associação pessoal, dizer que o nome Estamira nos remete à palavra ESTAMINA, que no dicionário Houaiss, significa “capacidade vital de resistência, especialmente, a manutenção por longo tempo de uma atividade ou esforço”. Estamina é uma substância produzida pelo organismo capaz de gerar resistência física. Eis, então o que nos faz, realmente, pensar em Estamira como alguém capaz de gerar capacidade vital, frente a tantas adversidades da vida. Vemos Estamira como uma sobrevivente...
Vamos procurar algumas peculiaridades nas personagens Estamira e Alienista (citarei sempre a personagem de Machado de Assis como Alienista; refutamos o nome de Simão Bacamarte). Ambos nos oferecem um estatuto da verdade.
Em Estamira, vemos o saber religioso – o delírio místico de falar/manter contato com um ser que possui um controle remoto sobre todos os seres e que a escolheu, por assim dizer, como a transmissora da verdade. Em suas palavras: “A minha missão, além de ser Estamira, é mostrar a verdade, capturar a mentira e tacar na cara”. Estamira é o testemunho de uma condição e da condição de outros homens.
No Alienista, também encontramos o estatuto da verdade – uma condição de saber, por hora, um saber da ciência que o escolheu, ou que ele escolheu – um suposto saber, governado pela razão, mas que, no entanto, passará de Alienista para alienado. Vejamos suas palavras: “A saúde da alma, é a ocupação mais digna do médico”. Segue o narrador: “A ciência tem o inefável dom de curar todas as mágoas”. O nosso médico, mergulha, inteiramente, no estudo e na prática da medicina.
É digno de nota que, a ficção do Alienista, é uma crítica à ciência da época de Machado de Assis e, claro, permanece contemporânea. No seu conto, encontramos todas as referências ao movimento antipsiquiátrico, a classificação das patologias e a higienização dos costumes sociais, o que nos faz pensar numa associação ao texto lacaniano A Ciência e a Verdade. No entanto, por mais que nos sentimos tentados, o rumo dessa “prosa”, deveras, será outro.
Voltemos à Estamira. O mais provável, é imaginar Estamira, dentro do conto machadiano, sendo avaliada pelo Alienista e encaminhada imediatamente à “casa verde”. Mas, o Alienista transforma-se numa Estamira “moderada”. E, porque o médico passa a ser o Louco? Excessos! Tanto um quanto o outro, transbordam e passam a interagir com discursos delirantes, que sustentam verdades – a verdade de cada um.
O excesso é um critério para a maneira de ser, portanto, será sempre em relação a uma ordem de normalidade que, digamos, regula a diversidade. A palavra norma está na origem do termo normal, que significa “esquadro”.
Aparentemente, se quiséssemos classificar Estamira numa nosografia psiquiátrica e, ainda, o próprio Alienista, que realmente o fez a si próprio, quando se recolheu à “casa verde”, poderíamos ler os seus sintomas e procurá-los nos manuais de transtornos mentais e classificar, ambos, como esquizofrênicos ou algo do gênero – uma estrutura psicótica – pois, a relação deles com os outros e com o mundo que os rodeia, é delirante. Mas, essa leitura, nos coloca numa posição de observador enraizado numa cultura que reconhece a realidade e o valor da doença como relação de normal/anormal, saúde/doença. Mas, também, poderíamos embarcar na Nau de Estamira e do Alienista e, juntos, contradizermos o mundo, e dizê-lo delirante, pois só nós sabemos a verdade do indizível – e, nesse “trocadilho”, solicitarmos um controle remoto para parar tudo, pois, segundo Estamira, “o trocadilho faz as pessoas viverem na ilusão, e acreditar em coisas que não existem”. É aqui que damos ouvidos à Psicanálise e à Psicopatologia Fundamental, para que possamos ouvir o testemunho de nossa protagonista Estamira, diante das violências que sofreu, mas, sobretudo, da vitalidade e poder de criação, para suportá-las. Eis o poder da palavra.
Na renascença, os loucos foram levados por barqueiros a terras distantes, para bem longe da sociedade. Para Estamira, o aterro sanitário – a sua “terra distante” – transformou-se num refúgio, longe da cidade, mas muito próximo de seus resíduos...
A legenda que aparece escrita no quadro de Boch diz, Meester snyt die Keye ras, myne name is lubbert das, que significa Mestre, extrai-me a pedra, meu nome é Lubber Das. Lubber Das era um personagem satirico da literatura holandesa que representava a estupidez.

Algumas questões que nos nortearam e que podem, sempre, suscitar produções e interlocuções:
O que é a loucura?
O que é o normal?
O que é a psicopatologia?
O que é a psicopatologia fundamental?
Quem é estamira?
Quem é o alienista?
Quem somos nós?
[1] Michel Foucault – História da Loucura. SP: Ed. Perpectiva; 1972. (p. 10 – 12)
A Depressão na Literatura
A melancolia fez-se presente desde os escritos filosóficos de Aristóteles aos textos de Hipócrates. “A melancolia, sintetizou o “pai da medicina”, é a perda do amor pela vida, uma situação na qual a pessoa aspira à morte como se fosse uma bênção.” (Scliar, 2003, p.70)
Enquanto Hipócrates a considerava doença (bílis negra), Aristóteles a relacionou entre a genialidade e a loucura. Associou a melancolia à criatividade: o homem triste é também um homem profundo. O melancólico seria, para ele, excepcional por natureza, não por doença.
São concepções contrárias que marcaram o pensamento ocidental e fundamentam o antagonismo presente ainda nos dias de hoje.
Mesmo na bíblia, podemos encontrar referências à melancolia. Temos “As aflições e paciência de Jó”, passagem bíblica que relata as angústias de um homem fiel a Deus ante todo tipo de provação. Sentado sete dias e sete noites, com amigos que vieram em seu auxílio, Jó passou a falar de suas tristezas:
Pereça o dia em que nasci
Por que se concebe luz ao miserável
Pois agora eu estaria deitado e quieto;
Teria dormido e estaria em repouso.
A passagem acima nos remete ainda à idéia de pulsão de morte. Vemos um sujeito que em seu sofrimento busca radicalmente na morte o alívio, a tranqüilidade e a paz. De certa forma, quisera poder dissolver-se em seu objeto primário de satisfação, a mãe.
Jó caminha pela negação de sua existência, maldiz o nascimento, lamenta e deseja a morte. “Deus, tu me lançaste na lama, e me tornei semelhante ao pó e à cinza”.
Na Renascença, seguindo os ideais de Aristóteles, a arte e a intelectualidade mostraram-se permeadas pela melancolia. Esta, sendo apreciada por seu teor erudito, fez-se muito presente no barroco.
Através do romantismo podemos fazer uma breve associação entre a depressão (melancolia) e sua influência na literatura. O movimento surgiu nas últimas décadas do século XVIII, na Europa. Manifestou oposição ao racionalismo vigente, com uma visão de mundo mais centrada no indivíduo e na subjetividade. Os autores românticos voltaram-se cada vez mais para si mesmos, retratando o drama humano, amores trágicos, ideais utópicos e desejos de escapismo (fuga da realidade).
Uma temática envolvendo pessimismo e morte também pode ser encontrada em autores como Byron, Goethe, Álvares de Azevedo, entre outros.
Para Manoel Berlinck e Pierre Fédida, no romantismo não é feito o luto da perda. “É assim na alma dos românticos, cultores do vazio da depressão por meio de atividades que visam sempre o encontro de um objeto de satisfação. Perambulam pelas cidades, bares, lugares habitados por outros, que expressam uma incessante agitação, porém, animados por um persistente vazio.”
O paraibano Augusto dos Anjos pode ser um exemplo mais próximo. Cético em relação às possibilidades do amor ("Não sou capaz de amar mulher alguma, / Nem há mulher talvez capaz de amar-me"), Augusto dos Anjos fez da obsessão com o próprio "eu" o centro do seu pensamento. Não raro, o amor se converte em ódio, as coisas despertam nojo e tudo é egoísmo e angústia. Tal materialismo, longe de aplacar sua angústia, sedimentou-lhe o amargo pessimismo ("Tome, doutor, essa tesoura e corte / Minha singularíssima pessoa").
O romancista sempre revela algo de si nos personagens, e às vezes autor e obra se confundem. Foi o caso, por exemplo, de Virgínia Woolf, escritora britânica, autora de "Orlando" e "Ondas", que se suicidou por afogamento após uma crise de depressão, ou de Sylvia Plath, poeta norte-americana, que se matou intoxicada com o gás de cozinha. Na pintura, Van Gogh cortou a própria orelha e se matou com um tiro.
Logicamente, há autores que mantiveram certa distância entre a realidade e a ficção. É o caso, por exemplo, de Graciliano Ramos, autor de "Angústia", "Vidas Secas" e "Memórias do Cárcere", apenas para citar algumas.
Em 1994, Elizabeth Wurtzel lançou sua autobiografia “Geração Prozac: Jovem e deprimida na América”. No livro ela conta como era sua vida quando foi diagnosticada com depressão nervosa, de como era ao que se tornou devido ao uso de medicamentos, no caso, o Prozac.
Na mesma época, Susanna Kaysen lançava sua também autobiografia, “Moça, interrompida”. No livro ela conta uma fase de sua vida em que tentou suicídio e foi internada em uma clínica psiquiátrica. Seu diagnóstico: Transtorno de Personalidade Limítrofe (borderline personality disorder).
Foi Adolf Meyer que favoreceu a substituição do termo melancolia por depressão, já que o primeiro fazia apelo a um estado do romantismo muito presente na literatura e inadequado a ciência psiquiátrica, que estava em pleno desenvolvimento.
Esses são apenas alguns exemplos, dentre inúmeros, da ligação entre a literatura e as doenças comportamentais como a depressão.
“Ninguém atinge a aurora sem passar pela noite”. - K. Gibran -
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
LIGAÇÕES PERIGOSAS: Medéia e Creusa X Sra. K e Dora e ainda Freud e Fliess.
No Caso Clínico de Dora encontramos no texto os nomes Medéia e Creusa, de forma, digamos, estranha, pois, Freud insere esse fragmento mitológico sem dar nenhuma referência, a ponto de supormos um possível erro da edição brasileira (o que é bem provável, embora os indícios sejam outros).
Para saber mais sobre os Gregos:
PORTAL GRECIA ANTIGA – www.greciantiga.org
*Texto/Pesquisa: Mateus Baldissera
*Revisão/Pesquisa: Luciana Mai
domingo, 5 de julho de 2009
Obsessão Norte Americana pela “Personalidade Múltipla”: as querelas do inconsciente
A síndrome da “personalidade múltipla” teve uma ampliação considerável nos Estados Unidos à medida que o DSM III e IV adotava uma nomenclatura da qual desaparecera a nosologia Freud-bleuriana – abandono da teoria da sedução e “descoberta” da teoria da fantasia. Os “estudiosos” estadunidenses lidavam com o conceito de inconsciente como algo dissociado, como se fosse um campo a mais na mente humana.
O fenômeno da “personalidade múltipla” foi definido como um distúrbio da identidade, tal conceito desenvolveu-se no século XIX e desaparece por volta de 1910. No entanto, posteriormente, descrita por Henri F. Ellenberger, essa síndrome deu margem a inúmeros relatos literários. No plano clínico, traduziu-se pela coexistência, num mesmo sujeito, de uma ou mais personalidades separadas umas das outras, e cada uma das quais podia assumir alternadamente o controle das demais.
A partir de 1986, estimou-se em 6.000 o número de pacientes afetados por essa síndrome. Em 1992, considerou-se que uma em cada vinte pessoas sofria desse mesmo distúrbio, a tal ponto que, em todas as cidades norte-americanas, clínicas se especializaram no tratamento da nova epidemia.
A obsessão Norte Americana não para por aqui, os tribunais estadunidenses andavam cheios de casos, assim como os psiquiatras e psicólogos, diga-se de passagem, que, praticamente, todos trabalhavam numa proposta antifreudiana – uma espécie de intifada Norte Americana contra Freud.
Em 1989 com a ajuda do DSM, diagnosticou-se uma mulher com “distúrbio de personalidade múltipla”. Quando foi sexualmente agredida por um homem e levou o caso aos tribunais, o promotor sustentou que a mulher tinha 21 personalidades, nenhuma das quais havia consentido em manter relações sexuais. Os juristas e os psiquiatras puseram-se então a discutir se as diferentes personalidades dessa mulher seriam capazes de depor sob juramento e se cada uma delas tinha ou não suas próprias aventuras sexuais. Em 1990, o homem foi julgado culpado, pois três das personalidades da vítima depuseram contra ele. Após uma contra-perícia, entre tanto, realizou-se um novo julgamento. Alguns psiquiatras afirmaram, na verdade, que a mulher tinha 46 personalidades, e não 21. Assim, era preciso saber se essas novas personalidades também prestariam depoimento no processo...
Casos como esse tornaram-se freqüentes nos EUA. Eles mostram com clareza a que fanatismo pode levar a idéia de que todo ato sexual é em si um pecado, um estupro, um trauma, e de que todo inconsciente é uma instancia dissociada, sem dar margem alguma a subjetividade.
sábado, 13 de junho de 2009
Soma - uma terapia anarquista (FILME).

Para ajudar a si mesmo, e a outros ativistas que foram torturados pela ditadura militar nos anos 60, Freire criou a terapia (corporal) Soma, incorporando os conhecimentos de Wilhelm Reich, a Capoeira Angola e o Anarquismo. Durante os últimos 30 anos, diversos grupos compostos por 10 a 20 pessoas completaram o processo terapêutico de 1 ano e meio. Alguns dos participantes deram continuidade ao processo até se tornarem terapeutas.
Wilhelm Reich foi um psicanalista discípulo de Freud e banido da sociedade de psicanálise. Ele acreditava que as pessoas assimilam as neuroses através dos modelos autoritários dentro das famílias, das escolas e no trabalho. Embora suas idéias de bioenergia e terapia em grupo tenham se espalhado por todo o mundo, apenas os grupos brasileiros da terapia Soma se voltaram para a política.
Capoeira é uma manifestação cultural brasileira em forma de luta, que os escravos disfarçavam em dança. Angola é a forma tradicional de capoeira africana. Através da capoeira os escravos lutavam pela liberdade praticando movimentos ágeis que os ajudavam a escapar do cativeiro. A Capoeira Angola possui diversos elementos que os somaterapeutas acreditam faltar na terapia tradicional: participação em grupo, música, espontaneidade, colaboração, esperteza, brincadeira e o chute ocasional.
Muitos ativistas brasileiros acreditam que a Soma foge à proposta anarquista, pois a luta contra os efeitos psicológicos é uma forma de privilégio. Os ativistas defendem que os anarquistas deveriam ocupar mais tempo combatendo o autoritarismo nas ruas. Apesar de muitos participantes da Soma serem ativistas, eles estão igualmente interessados em explorar o lado psicológico da ação.
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(Áudio em inglês e português (algumas pessoas falam em português, a maioria em inglês).
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Atenção:
Para fazer download dos Torrents, basta clicar com o botão esquerdo do mouse em cima da figura de Download e selecionar a opção "Salvar Destino como..." !
Boa Diversão!
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Somaterapia - Uma Terapia Anarquista

Você sabe o que é essa viagem de Somaterapia? Então se liga, quem sabe sabe quem não sabe nunca vai saber. Procurando traças na net acabei encontrando essa traça aqui. Na verdade, eu sou a traça e o que encontrei foi o troço, então, devorei. Devora também. O conhecimento "absurdo" (cult, underground, sei lá) é uma ferramenta para nos libertarmos da cultura que aliena. Aquilo que o Grandessíssimo Outro nós oferece como feijão e arroz do cotidiano surdo e mudo. Crie alternativas, pense, questione, transforme, desconstrua, mas não vira um chato revolucionário ultrajovem esquerdista burocrático fanático. Ou ainda, não se transforme num misantropo sidartiano e macrobiótico. Fica no meio. Nem pense que o mundo vai mudar. Ele só se transforma. O Resto é pura pílula da felicidade com misturas psíquicas movidas pela pulsão.
Seguindo esta perspectiva, para a Soma, as relações humanas atravessadas por malhas e conflitos políticos que estendem-se pelas várias esferas da sociedade, são capazes de produzir sérias implicações à subjetividade das pessoas. Uma destas implicações reside notadamente nos efeitos emocionais e corporais que elas tendem a causar. A partir da perspectiva do ex-psicanalista Wilhelm Reich, corpo e emoção estão intimamente relacionados, não podendo ser pensados separadamente. O corpo cronifica e materializa o autoritarismo que recebemos e praticamos. Reich mostrou a neurose como fenômeno que atinge indivíduo e sociedade e afirmou que seu locus não é a mente, mas todo o corpo (incluindo a mente) e o conseqüente desequilíbrio de sua energia vital.
A Somaterapia propõe-se a refletir sobre a ética em vigor, que entende o outro dentro de uma ótica instrumental de uso e apropriação. Tais questões, que poderíamos pensar a partir de uma observação filosófica, também extrapolam para limiares políticos e ideológicos das práticas de convivência humana. Enfim, a Soma se coloca como uma terapia libertária, onde o comportamento humano é estudado a partir da forma como as pessoas vivem suas relações sociais. E busca criar um tipo de terapia onde a análise dos conflitos emocionais ocorra junto com o estudo de como as pessoas vivem sua relações cotidianas.
O Coletivo Brancaleone desenvolve grupos de SOMA no Rio de Janeiro, São Paulo, Florianópolis, Curitiba e Porto Alegre. Também em Lisboa, Barcelona, Madrid e Londres, com os somaterapeutas João da Mata e Jorge Goia.
- SOMA, Vol 1 - A alma é o Corpo. São Paulo: Francis, FREIRE, Roberto.
- SOMA, Vol 2 - A Arma é o Corpo. São Paulo: Francis, FREIRE, Roberto.
- SOMA, Vol 3 - Corpo a Corpo. São Paulo: Francis, FREIRE, Roberto; MATA, João da.
- O Tesão pela vida. 1. ed. São Paulo: Francis, 2006 FREIRE, Roberto; MATA, João da; GOIA, J. ; SCHROEDER, Vera.
- Viva eu, viva tu, viva o rabo do tatu! São Paulo: Francis, FREIRE, Roberto.
- A Liberdade do Corpo – Soma, Capoeira Angola e Anarquismo. São Paulo: Imaginário. MATA João da.
"http://pt.wikipedia.org/wiki/Somaterapia"
quinta-feira, 28 de maio de 2009
CLÁSSICOS CABEÇA APRESENTA:
Bulimia: História e Etimologia

Stunkard em 1990 realizou uma revisão histórica do conceito de bulimia, e destacou, como em 1743 James descreveu no Dicionário Médico da Universidade de Londres, um quadro clinico que denomina "True Boulimus" (verdadeira bulimia, em uma tradução livre), caracterizado por intensa preocupação com a comida, e pela ingestão voraz em um curto espaço de tempo, seguidos de períodos de jejum, e destacou uma segunda variante "Caninus Appetitus" aonde os episódios de voracidade são seguidos pelo comportamento compensatório de vomito.
Galeno descreveu a "Kinos orexia", ou fome canina como sinônimo de bulimia, considerando-a como conseqüência de um estado de animo anormal, posteriormente esta definição apareceu nos dicionários médicos dos séculos XVIII e XIX na forma de curiosidade médica.No século XIX Blanchez no Dicionário de Ciências Médicas de Paris (1869) também descreveu ambos os quadros.No final dos anos 70, foi descrita como a síndrome de atrações/purgações ou bulimarexia. A denominação bulimia apareceu pela primeira vez em 1980, finalmente em 1987 se adotou o tremo bulimia nervosa.
Vemos portanto que a bulimia não é um transtorno novo, já que aparece reconhecido há a séculos na literatura, mas até os finais dos anos 70 quando se diferencia como identidade psicológica independente. Russell em 1979 foi o primeiro a fazer uma descrição completa do quadro clinico, em estabelecer os primeiros critérios diagnósticos para este transtorno, e introduzir o termo "Bulimia Nervosa". Um ano mais tarde a American Psychiatric Association (APA) incluiu este transtorno no Manual Diagnóstico DSM-III(1980).
Russel em 1979 definiu 3 características fundamentais
- Os pacientes sofrem impulsos fortes e incontroláveis de comer em excesso
-Buscam evitar o aumento de peso, com vômitos e/ou abuso de laxantes ( ou outros medicamentos)
- Medo mórbido e engordar
Em 1983 Russel acrescentou outro critério diagnostico:
A exigência de um episódio anterior, manifesto ou critico de Anorexia Nervosa. Desde então se incluiu uma nova questão que continua sendo muito debatida na atualidade. A possível relação entre os diferentes distúrbios alimentares. Não é raro que um a paciente com anorexia nervosa evolucione, no futuro, para uma bulimia nervosa, existem autores que falam em um "continuum" entre ambos distúrbios. A partir deste momento, se promoveu amplamente a investigação dos distúrbios alimentares, o que permitiu uma melhor delimitação dos distintos quadros clínicos que hoje me dia são reconhecidos nas classificações atuais.
sábado, 21 de março de 2009
Abaixando Troços Importantes
É só correr pro Abraço – Abaixa pô:
http://www.4shared.com/account/file/16187587/c80dca4c/Michel_Foucault_-_Vigiar_e_Punir.html
http://www.fundamentalpsychopathology.org/art/mar0/13.pdf
Texto da Revista de Psicopatologia Fundamental.
Michel Foucault - Problematização do sujeito.
por:Chaim Samuel Katz
domingo, 8 de março de 2009
Não Conjecturarás em Vão

sábado, 7 de março de 2009
O Alienista

“ Veneraveis são os dóidos, pois Alá lhes tirou o juízo para que não pecassem.”
- Machado de Assis -
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
O Alienista é uma célebre obra literária do escritor brasileiro Machado de Assis. Para alguns especialistas, trata-se de uma novela, outros o consideram um conto. A maioria dos críticos porém, considera a obra um conto mais longo, por causa da sua estrutura narrativa.
Publicado em 1882, quando aparece incorporado ao volume Papéis Avulsos, havia sido publicado previamente em A Estação (Rio de Janeiro), de 15 de outubro de 1881 a 15 de março de 1882. É a base para o tipo de conto brasileiro que viria a seguir, assim como peça fundamental do Realismo. Para muitos, é considerado como o primeiro romance brasileiro do movimento realista. Uma frase dita por Machado de Assis: "Se você não é um homem, então, não têm palavras o suficiente para falar a respeito de outros homens..."
A obra também é um retrato irônico e cruel do sistema de internação psiquiátrica da época, muito semelhante a um presídio.
Trata-se de um grande médico, que busca reconhecer em que consiste a loucura, mas sendo mais objetivo, tenta desvendar esse grande enigma que o rodeia.
Zona de Spoilers: Se ainda não leu o livro, pare agora.
Simão Bacamarte é o protagonista, médico conceituado em Portugal e na Espanha, decide enveredar-se pelo campo da psiquiatria e inicia um estudo sobre a loucura e seus graus, classificando-os. Funda a Casa Verde, um hospício na vila de Itaguaí e abastece-o de cobaias humanas. Passa a internar todas as pessoas da cidade que ele julgue loucas; o vaidoso, o bajulador, a supersticiosa, a indecisa etc. Costa, rapaz pródigo que dissipou seus bens em empréstimos infelizes, foi preso por mentecapto. A tia de Costa que intercedeu pelo sobrinho também foi trancafiada. O mesmo acontece com o poeta Martim Brito, amante das metáforas, internado por que se referiu ao Marquês de Pombal como o dragão aspérrimo do Nada. Nem D. Evarista, esposa do Alienista escapou: indecisa entre ir a uma festa com o colar de granada ou o de safira. O boticário,os inocentes aficcionados em enigmas e charadas, todos eram loucos. No começo a vila de Itaguaí aplaudiu a atuação do Alienista, mas os exageros de Simão Bacamarte ocasionaram um motim popular, a rebelião das canjicas, liderados pelo ambicioso barbeiro Porfírio. Porfírio acaba vitorioso, mas em seguida compreende a necessidade da Casa Verde e alia-se a Simão Bacamarte. Há uma intervenção militar e os revoltosos são trancafiados no hospício eo alienista recupera seu prestígio. Entretanto Simão Bacamarte chega á conclusão de que quatro quintos da população internada eram casos a repensar. Inverte o critério de reclusão psiquiátrico e recolhe a minoria: os simples, os leais, os desprendidos e os sinceros. O alienista contudo, imbuído de seu rigor científico percebe que os germes do desequilíbrio prosperam porque já estavam latentes em todos. Analisando bem, Bacamarte verifica que ele próprio é o único sadio e reto. Por isso o sábio internou-se no casarão da Casa Verde, onde morreu dezessete meses depois, apesar do boato de que ele seria o único louco de Itaguaí, recebeu honras póstumas.
Onde Encontrar o Livro:
Texto do livro na íntegra
audiobook
# E para quem quiser, um pouco mais, dê um chego no endereço abaixo que encontrará um ótimo texto: “Mania de saber: ironia e melancolia em O Alienista, de Machado de Assis”.
http://www.fundamentalpsychopathology.org/art/jun3/6.pdf .
O que é Psicopatologia Fundamental:

Referência Bibliográfica




