Quadro "O Pesadelo" de Henry Fuseli (1741-1825)

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sábado, 27 de julho de 2013

O Banheiro do Papa:



“Os fatos nesta história são na sua essência verdadeiros, e apenas o acaso impediu que não acontecessem como o que se conta”. (Fragmento do filme)

A frustração, decepção sofrida pelos moradores de Guaratiba/Rio de Janeiro, que não mais receberão o papa, se assemelha e muito com a história contada no filme “O Banheiro do Papa”. Melo 1988 e Guaratiba 2013 é como um túnel do tempo. Calafrio na espinha.

*

O Banheiro do Papa (El baño del Papa, em espanhol, e Les toilettes du pape, em francês), é um filme franco-uruguaio-brasileiro de 2007, escrito e dirigido por César Charlone e Enrique Fernández.

Baseado em um fato real, o filme retrata o impacto da visita do Papa João Paulo II, em 1988, em uma cidade do Uruguai, Melo, próxima à fronteira com o Brasil, onde muitos habitantes vivem de pequenos serviços, como contrabandear de bicicleta, produtos de consumo comprados em Aceguá, Rio Grande do Sul. A vinda do Papa é anunciada pela imprensa com grande alarde, noticiando milhares de pessoas no evento. No panorama de dificuldade de emprego e oportunidades, a vinda do Papa é vista pela população de Melo como uma oportunidade de abrandar a pobreza.

Um dos muambeiros da cidade é Beto, que vive em condições financeiras muito difíceis, com a esposa Carmen e Sílvia, filha que sonha ser jornalista. Para a realização do sonho da filha, Carmen guarda todas as suas economias. Mas Beto precisa comprar uma motocicleta para melhorar seus negócios de contrabando e vê na construção de um banheiro para a visita do Papa a solução.



O diálogo entre as vizinhas (Teresa e Carmen) é fantástico:

_ Vou vender sanduiche no dia do Papa!

_ Vai usar o Papa para fazer negócio?

_ Não, não é negócio. Vou Trabalhar e aproveitar esse dia, como todos. Valvulina vai montar uma barraca de chouriços.

_Acredito que virá bastante gente, sim. Mas me parece que deus castiga essas coisas.

_ Castigo? Castigo são os políticos que temos agora. O que precisamos é de um milagre.

(Enquanto dialogavam, Teresa consertava uma torneira: “Não sei consertar, mas a gente aprende!”)

Outra cena emblemática do filme é o churrasco entre os vizinhos, com um memorável batuque afrolatino fazendo o contraponto a visita do pontífice católico. O churrasco representa a união de um coletivo excluído, a esperança das pessoas e a solidariedade entre os “de baixo”, a mistura de culturas (negros, latinos, brancos pobres) e o sonho de fazer e ser. Assim, como o simples gesto de aprender a consertar uma torneira, podemos mudar, podemos romper. A utopia não pode morrer!  

Filme completo:

O filme foi retirado do tube... pse pse pse...


Resta-nos os comentários (da veja ainda por cima, ignorem):


Filme Original em espanhol (parte 1):


Mas o papa acaba não indo a Melo, muito menos a Guaratiba, para desespero dos moradores.

Guaratiba/RJ - 2003. O Papa Francisco não foi!



Não se esqueça de dar a descarga!






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