Quadro "O Pesadelo" de Henry Fuseli (1741-1825)

* A Peste Onírica é um delírio subversivo. Postamos aqui nossas réles "produçõezinhas"; nossos momentâneos surtos de divagações em nome do Real do Simbólico e do Imaginário. Estão aqui nossos ensaios para que possamos alçar outros vôos num futuro próximo. Aproveitem os links, os materiais, as imagens, as viagens. Sorvam nossas angústias, nossas dores e masquem nossa pulsão como se fosse um chiclete borrachento com sabor de nada. Pirateiem, copiem, contribuam e comentem para que possamos alimentar nosso narcisismo projetivo. E sorvam de nossa libido, se assim desejarem.


sábado, 13 de junho de 2009

Soma - uma terapia anarquista (FILME).


SINOPSE DO FILME SOMA:


Cego em razão da tortura, e com grande dificuldade para andar, Roberto Freire, 75 anos, continua seu trabalho dentro de um pequeno coletivo de terapeutas anarquista no Brasil. A maior parte dos ativistas centraliza sua luta contra o autoritarismo na dominação física e destruição de lugares e pessoas, enquanto a Soma atenta-se aos efeitos psicológicos do mesmo.


Para ajudar a si mesmo, e a outros ativistas que foram torturados pela ditadura militar nos anos 60, Freire criou a terapia (corporal) Soma, incorporando os conhecimentos de Wilhelm Reich, a Capoeira Angola e o Anarquismo. Durante os últimos 30 anos, diversos grupos compostos por 10 a 20 pessoas completaram o processo terapêutico de 1 ano e meio. Alguns dos participantes deram continuidade ao processo até se tornarem terapeutas.


Wilhelm Reich foi um psicanalista discípulo de Freud e banido da sociedade de psicanálise. Ele acreditava que as pessoas assimilam as neuroses através dos modelos autoritários dentro das famílias, das escolas e no trabalho. Embora suas idéias de bioenergia e terapia em grupo tenham se espalhado por todo o mundo, apenas os grupos brasileiros da terapia Soma se voltaram para a política.


Capoeira é uma manifestação cultural brasileira em forma de luta, que os escravos disfarçavam em dança. Angola é a forma tradicional de capoeira africana. Através da capoeira os escravos lutavam pela liberdade praticando movimentos ágeis que os ajudavam a escapar do cativeiro. A Capoeira Angola possui diversos elementos que os somaterapeutas acreditam faltar na terapia tradicional: participação em grupo, música, espontaneidade, colaboração, esperteza, brincadeira e o chute ocasional.


Muitos ativistas brasileiros acreditam que a Soma foge à proposta anarquista, pois a luta contra os efeitos psicológicos é uma forma de privilégio. Os ativistas defendem que os anarquistas deveriam ocupar mais tempo combatendo o autoritarismo nas ruas. Apesar de muitos participantes da Soma serem ativistas, eles estão igualmente interessados em explorar o lado psicológico da ação.

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(Formato: divx)
(Áudio em inglês e português (algumas pessoas falam em português, a maioria em inglês).
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2º OPÇÃO:

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Atenção:

Antes de fazer o download do filme você terá que ter o BitTorrents ou o UTorrents . Abaixe o programa e abaixe o filme.
Para fazer download dos Torrents, basta clicar com o botão esquerdo do mouse em cima da figura de Download e selecionar a opção "Salvar Destino como..." !

Boa Diversão!

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Somaterapia - Uma Terapia Anarquista


Você sabe o que é essa viagem de Somaterapia? Então se liga, quem sabe sabe quem não sabe nunca vai saber. Procurando traças na net acabei encontrando essa traça aqui. Na verdade, eu sou a traça e o que encontrei foi o troço, então, devorei. Devora também. O conhecimento "absurdo" (cult, underground, sei lá) é uma ferramenta para nos libertarmos da cultura que aliena. Aquilo que o Grandessíssimo Outro nós oferece como feijão e arroz do cotidiano surdo e mudo. Crie alternativas, pense, questione, transforme, desconstrua, mas não vira um chato revolucionário ultrajovem esquerdista burocrático fanático. Ou ainda, não se transforme num misantropo sidartiano e macrobiótico. Fica no meio. Nem pense que o mundo vai mudar. Ele só se transforma. O Resto é pura pílula da felicidade com misturas psíquicas movidas pela pulsão.
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- A Peste -


A Soma - uma terapia anarquista:


Somaterapia ou SOMA é uma terapia corporal e em grupo criada no Brasil pelo escritor e terapeuta Roberto Freire. Está baseada na teoria de Wilhelm Reich, discípulo dissidente de Freud e no Anarquismo. A Soma entende o conflito neurótico - que gera conflitos e depedências - a partir das relações de poder presentes em vários níveis da sociedade. Assim, o anarquismo com ética filosófica procura permear a metodologia da Soma, permitindo a identificação do autoritarismo nas relações inter-pessoais. Além da teoria reichiana, a Soma também adota o aqui-e-agora da Gestalt-terapia e as descobertas sobre a pragmática da comunicação humana presente nos estudos da Antipsiquiatria, especialmente o conceito de Duplo-Vínculo e sua implicação nas relações afetivas.
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Foi no início da década de 1990 que a Soma introduziu definitivamente a capoeira angola em sua metodologia. A proposta surgiu da necessidade de um trabalho corporal que pudesse ser feito pelos membros dos grupos ao longo do processo terapêutico, em paralelo às sessões de terapia e que funcionasse como um exercício bioenergético complementar aos exercícios de Soma. A utilização da capoeira, que pareceu ser a mais completa mobilidade corporal, além de uma eficiente mobilização energética que ela produzia, traz também o aspecto da luta embutida em sua prática, o que possibilita perceber como se dá do ponto de vista corporal, os enfrentamentos que seus praticantes demonstram ter e as conseqüentes relações com sua vida emocional.
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O processo terapêutico da Soma dura em torno de um ano e são realizadas quatro sessões de terapia por mês, compostas de exercícios corporais e dinâmicas de grupo autogestionárias, buscando identificar os mecanismos de poder presentes nas relações sociais travadas entre os membros do grupo e sua relação no cotidiano das pessoas. Temas como singularidade, autoregulação, corpo, autoritarismos x liberdade, prazer são alguns exemplos onde a terapia centra sua ação.
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Seguindo esta perspectiva, para a Soma, as relações humanas atravessadas por malhas e conflitos políticos que estendem-se pelas várias esferas da sociedade, são capazes de produzir sérias implicações à subjetividade das pessoas. Uma destas implicações reside notadamente nos efeitos emocionais e corporais que elas tendem a causar. A partir da perspectiva do ex-psicanalista Wilhelm Reich, corpo e emoção estão intimamente relacionados, não podendo ser pensados separadamente. O corpo cronifica e materializa o autoritarismo que recebemos e praticamos. Reich mostrou a neurose como fenômeno que atinge indivíduo e sociedade e afirmou que seu locus não é a mente, mas todo o corpo (incluindo a mente) e o conseqüente desequilíbrio de sua energia vital.
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A Somaterapia propõe-se a refletir sobre a ética em vigor, que entende o outro dentro de uma ótica instrumental de uso e apropriação. Tais questões, que poderíamos pensar a partir de uma observação filosófica, também extrapolam para limiares políticos e ideológicos das práticas de convivência humana. Enfim, a Soma se coloca como uma terapia libertária, onde o comportamento humano é estudado a partir da forma como as pessoas vivem suas relações sociais. E busca criar um tipo de terapia onde a análise dos conflitos emocionais ocorra junto com o estudo de como as pessoas vivem sua relações cotidianas.
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Atualmente, a Soma é praticada no Brasil e na Europa pelo Coletivo Anarquista Brancaleone, que reúne os somaterapeutas em atividade e em formação, sob a supervisão de Roberto Freire. No Brasil, há grupos nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis, Curitiba e Porto Alegre. Na Europa, são desenvolvidos grupos em Londres, Lisboa, Barcelona e Madrid.
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Breve História da Soma


O nascimento da Soma se deu, sobretudo, no período do regime político instaurado no Brasil em 1964. A juventude militante que lutava contra a ditadura não dispunha de um método terapêutico em que pudesse confiar, politicamente, no atendimento dos desequilíbrios emocionais e psicológicos provocados em suas vidas pela rejeição e repressão autoritárias das famílias burguesas, ligadas à repressão dos militares e políticos fascistas.
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Durante muitos anos, depois de 68, Freire fez atendimento clandestino aos militantes clandestinos e foi nesses momentos que a Soma descobriu e confirmou na prática seus fundamentos teóricos e políticos, bem como encontrou a força motivadora para uma ação verdadeiramente revolucionária. Mais tarde, ele pode trabalhar legalmente e transformá-la também numa fonte de finanças para a manutenção das famílias de militantes clandestinos ou vitimadas por fuga, prisão ou morte.
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Foi fundamental o encontro e a convivência de Freire e da Soma recém-nascida com os criadores e os freqüentadores do Centro de Estudos Macunaíma, em São Paulo. Esse Centro, no tempo em que funcionava na casa de Mário de Andrade, na rua Lopes Chaves, Barra Funda (hoje Museu Mário de Andrade), durante a década de 70, era dirigido por Myriam Muniz e por Sylvio Zilber. Recebia inspiração e orientação do pintor, cenógrafo e arquiteto Flávio Império. Roberto Freire juntou-se a eles antes mesmo de morarem juntos e a trabalhar, criando ali quase toda a metodologia da Soma.
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Coletivo Anarquista Brancaleone


Trata-se de um Coletivo Libertário criado em 1991, formado pelos somaterapeutas em atividade e em formação. Sua principal função é a de desenvolver e praticar a Somaterapia, privilegiando o trabalho em autogestão e a ética libertária. Em todos esses anos de trabalho autogestivo, o Brancaleone sempre procurou reafirmar sua postura radicalmente anarquista, no que atualmente é definido como o Anarquismo Somático, onde o prazer se torna referencial ético na construção da autonomia do indivíduo. As atividades do Coletivo Brancaleone além dos grupos de Soma, se estendem também para a publicação de livros, cursos, palestras entre outros ações. Em 2006, foi criado um curso de Extensão Universitária "Introdução à Somaterapia" na UERJ, no Rio de Janeiro, levando a Soma para as salas de aula desta instituição. A entrada na Universidade, à convite do Departamento de Psiquiatria da UERJ, é um importante reconhecimento acadêmico da Soma e sua história na Psicologia brasileira.
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Atualmente é composto pelos somaterapeutas João da Mata, Jorge Goia, Vera Schroeder e pelo assistente em formação Stéfanis Caiaffo. Durantes os últimos vinte anos de atividade, os somaterapeutas estiveram trabalhando e desenvolvendo a Soma sob a supervisão de Roberto Freire. Em maio de 2008, Freire faleceu e o Coletivo Brancaleone segue desenvolvendo a Soma e o legado de seu criador.
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O Coletivo Brancaleone desenvolve grupos de SOMA no Rio de Janeiro, São Paulo, Florianópolis, Curitiba e Porto Alegre. Também em Lisboa, Barcelona, Madrid e Londres, com os somaterapeutas João da Mata e Jorge Goia.
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Referências:

- SOMA, Vol 1 - A alma é o Corpo. São Paulo: Francis, FREIRE, Roberto.
- SOMA, Vol 2 - A Arma é o Corpo. São Paulo: Francis, FREIRE, Roberto.
- SOMA, Vol 3 - Corpo a Corpo. São Paulo: Francis, FREIRE, Roberto; MATA, João da.
- O Tesão pela vida. 1. ed. São Paulo: Francis, 2006 FREIRE, Roberto; MATA, João da; GOIA, J. ; SCHROEDER, Vera.
- Viva eu, viva tu, viva o rabo do tatu! São Paulo: Francis, FREIRE, Roberto.
- A Liberdade do Corpo – Soma, Capoeira Angola e Anarquismo. São Paulo: Imaginário. MATA João da.




Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
"http://pt.wikipedia.org/wiki/Somaterapia"

quinta-feira, 28 de maio de 2009

CLÁSSICOS CABEÇA APRESENTA:


WATCHMEN - O LADO PODRE.

QUANDO: 30 de Maio

HORA: 14h

ONDE: No SINPRO

Com Professor Larry Visnievyski no Papo cabeça.

CABEÇAS VÃO ROLAR NÃO PERCA A SUA

Bulimia: História e Etimologia


Ao longo da história o significado da palavra bulimia tem seguido diferentes trajetórias.Brenda Parry-Jones em seu trabalho de revisão sobre a terminologia histórica dos transtornos alimentares refere que o termo "bulimia" remonta a antiga Grécia, a palavra derivaria do termo grego"bous", boi e "limos" , fome. Durante o período medieval e moderno tem servido para designar episódios de "voracidade insaciável", "mórbido", com um "apetite canino", como ou sem a presença de vômitos e acompanhado de outros sintomas.
Stunkard em 1990 realizou uma revisão histórica do conceito de bulimia, e destacou, como em 1743 James descreveu no Dicionário Médico da Universidade de Londres, um quadro clinico que denomina "True Boulimus" (verdadeira bulimia, em uma tradução livre), caracterizado por intensa preocupação com a comida, e pela ingestão voraz em um curto espaço de tempo, seguidos de períodos de jejum, e destacou uma segunda variante "Caninus Appetitus" aonde os episódios de voracidade são seguidos pelo comportamento compensatório de vomito.
Galeno descreveu a "Kinos orexia", ou fome canina como sinônimo de bulimia, considerando-a como conseqüência de um estado de animo anormal, posteriormente esta definição apareceu nos dicionários médicos dos séculos XVIII e XIX na forma de curiosidade médica.No século XIX Blanchez no Dicionário de Ciências Médicas de Paris (1869) também descreveu ambos os quadros.No final dos anos 70, foi descrita como a síndrome de atrações/purgações ou bulimarexia. A denominação bulimia apareceu pela primeira vez em 1980, finalmente em 1987 se adotou o tremo bulimia nervosa.
Vemos portanto que a bulimia não é um transtorno novo, já que aparece reconhecido há a séculos na literatura, mas até os finais dos anos 70 quando se diferencia como identidade psicológica independente. Russell em 1979 foi o primeiro a fazer uma descrição completa do quadro clinico, em estabelecer os primeiros critérios diagnósticos para este transtorno, e introduzir o termo "Bulimia Nervosa". Um ano mais tarde a American Psychiatric Association (APA) incluiu este transtorno no Manual Diagnóstico DSM-III(1980).
Russel em 1979 definiu 3 características fundamentais
- Os pacientes sofrem impulsos fortes e incontroláveis de comer em excesso
-Buscam evitar o aumento de peso, com vômitos e/ou abuso de laxantes ( ou outros medicamentos)
- Medo mórbido e engordar
Em 1983 Russel acrescentou outro critério diagnostico:
A exigência de um episódio anterior, manifesto ou critico de Anorexia Nervosa. Desde então se incluiu uma nova questão que continua sendo muito debatida na atualidade. A possível relação entre os diferentes distúrbios alimentares. Não é raro que um a paciente com anorexia nervosa evolucione, no futuro, para uma bulimia nervosa, existem autores que falam em um "continuum" entre ambos distúrbios. A partir deste momento, se promoveu amplamente a investigação dos distúrbios alimentares, o que permitiu uma melhor delimitação dos distintos quadros clínicos que hoje me dia são reconhecidos nas classificações atuais.

sábado, 21 de março de 2009

Abaixando Troços Importantes

Download do Livro: Vigiar e Punir – Michel Foucault:

É só correr pro Abraço – Abaixa pô:
http://www.4shared.com/account/file/16187587/c80dca4c/Michel_Foucault_-_Vigiar_e_Punir.html

http://www.fundamentalpsychopathology.org/art/mar0/13.pdf
Texto da Revista de Psicopatologia Fundamental.
Michel Foucault - Problematização do sujeito.
por:Chaim Samuel Katz

domingo, 8 de março de 2009

Não Conjecturarás em Vão


De repente aparece um louva-a-deus gigante e, logo, você acha que ele quer te comer – você fica numa angústia só. Daí a coisa fala contigo: “Oi, você sabe onde fica a loja da Daspu, qual a rua?” Ó puxa, que alívio! No mínimo você fica meio atordoado, confuso – um louva-adeus consumindo grife, bem, esse mundo tá perdido. Logo, a coisa deixou de ser coisa – ela siderou. No momento que a coisa começa a falar ela deixa de ser um monstro e passa a ser uma parte conhecida, ou reconhecida.

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O eu ideal é um andrajo que você mesmo criou, assim como na história da roupa do rei.

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O objeto mais valorizado na vida do camarada é a merda. Tá sempre reclamando e dizendo que a vida é uma merda, mas ele tá tão ligado à merda que toda vez que reclama, na verdade, proclama e valoriza a merda – já não pode mais viver sem ela.

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Sonhar com duas garrafas de leite não significa, necessariamente, as tetas da mamãe.

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O único que é feliz é o falo, basta endurecer e trazer a felicidade e, o melhor, brinca-se com ele e sem ele, esteja presente ou ausente.

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Essa é velha, mas vale a pena, denominei de Pacto Perverso:“Os alunos fazem de conta que estudam, os professores fazem de conta que dão aulas e a universidade faz de conta que forma”.

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Freud diz que o amor é um engodo. Na verdade, o amor é um engordo – depois que casa engorda.

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Psicanalistas são como prostitutas – viram, sempre, o objeto de algum sujeito.

sábado, 7 de março de 2009

O Alienista


Para quem quiser saber do Alienista, eis um pequeno resumo da obra e suas relações, no final do texto encontram-se os links que dão acesso ao livro digitalizado. Boa leitura! E não se esqueçam das palavras de Maomé:


“ Veneraveis são os dóidos, pois Alá lhes tirou o juízo para que não pecassem.”
- Machado de Assis -


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Machado de Assis

O Alienista é uma célebre obra literária do escritor brasileiro Machado de Assis. Para alguns especialistas, trata-se de uma novela, outros o consideram um conto. A maioria dos críticos porém, considera a obra um conto mais longo, por causa da sua estrutura narrativa.


Publicado em 1882, quando aparece incorporado ao volume Papéis Avulsos, havia sido publicado previamente em A Estação (Rio de Janeiro), de 15 de outubro de 1881 a 15 de março de 1882. É a base para o tipo de conto brasileiro que viria a seguir, assim como peça fundamental do Realismo. Para muitos, é considerado como o primeiro romance brasileiro do movimento realista. Uma frase dita por Machado de Assis: "Se você não é um homem, então, não têm palavras o suficiente para falar a respeito de outros homens..."


Análise da trama

Observa-se nesta obsessão do alienista em experimentar - e justificar todos os seus excessos como um benefício ao futuro da ciência - uma crítica machadiana ao cientificismo predominante no século XIX.


A obra também é um retrato irônico e cruel do sistema de internação psiquiátrica da época, muito semelhante a um presídio.


Trata-se de um grande médico, que busca reconhecer em que consiste a loucura, mas sendo mais objetivo, tenta desvendar esse grande enigma que o rodeia.


Resumo da trama

Zona de Spoilers: Se ainda não leu o livro, pare agora.


Simão Bacamarte é o protagonista, médico conceituado em Portugal e na Espanha, decide enveredar-se pelo campo da psiquiatria e inicia um estudo sobre a loucura e seus graus, classificando-os. Funda a Casa Verde, um hospício na vila de Itaguaí e abastece-o de cobaias humanas. Passa a internar todas as pessoas da cidade que ele julgue loucas; o vaidoso, o bajulador, a supersticiosa, a indecisa etc. Costa, rapaz pródigo que dissipou seus bens em empréstimos infelizes, foi preso por mentecapto. A tia de Costa que intercedeu pelo sobrinho também foi trancafiada. O mesmo acontece com o poeta Martim Brito, amante das metáforas, internado por que se referiu ao Marquês de Pombal como o dragão aspérrimo do Nada. Nem D. Evarista, esposa do Alienista escapou: indecisa entre ir a uma festa com o colar de granada ou o de safira. O boticário,os inocentes aficcionados em enigmas e charadas, todos eram loucos. No começo a vila de Itaguaí aplaudiu a atuação do Alienista, mas os exageros de Simão Bacamarte ocasionaram um motim popular, a rebelião das canjicas, liderados pelo ambicioso barbeiro Porfírio. Porfírio acaba vitorioso, mas em seguida compreende a necessidade da Casa Verde e alia-se a Simão Bacamarte. Há uma intervenção militar e os revoltosos são trancafiados no hospício eo alienista recupera seu prestígio. Entretanto Simão Bacamarte chega á conclusão de que quatro quintos da população internada eram casos a repensar. Inverte o critério de reclusão psiquiátrico e recolhe a minoria: os simples, os leais, os desprendidos e os sinceros. O alienista contudo, imbuído de seu rigor científico percebe que os germes do desequilíbrio prosperam porque já estavam latentes em todos. Analisando bem, Bacamarte verifica que ele próprio é o único sadio e reto. Por isso o sábio internou-se no casarão da Casa Verde, onde morreu dezessete meses depois, apesar do boato de que ele seria o único louco de Itaguaí, recebeu honras póstumas.


Ligações externas

O Wikisource tem material relacionado a este artigo (dividido em capítulos): O Alienista

Onde Encontrar o Livro:

O Alienista em PDF
Texto do livro na íntegra
audiobook

# E para quem quiser, um pouco mais, dê um chego no endereço abaixo que encontrará um ótimo texto: “Mania de saber: ironia e melancolia em O Alienista, de Machado de Assis”.
http://www.fundamentalpsychopathology.org/art/jun3/6.pdf .
Esse trabalho encontra-se na Revista LatinoAmericana de Psicopatologia Fundamental.

O que é Psicopatologia Fundamental:


Psicopatologia Fundamental é termo empregado, pela primeira vez, há mais de 30 anos, pelo Professor Doutor Pierre Fédida e seus associados, no âmbito da Université de Paris 7 - Denis Diderot onde, mais tarde, foi criado o Laboratoire de Psychopathologie Fondamentale et Psychanalyse, junto com um programa de Doutorado com este mesmo nome.


Psicopatologia deriva-se de três palavras gregas: psychê, que produziu psique, psiquismo, psíquico; pathos, que resultou em paixão, excesso, passagem, passividade, sofrimento e assujeitamento e logos, que resultou em lógica, discurso, narrativa. A psicopatologia seria, então, um discurso sobre o pathos, a paixão que se manifesta no psiquismo, ou seja, um discurso sobre o sofrimento psíquico.


No início do século XX, Karl Jaspers publicou Psicopatologia Geral visando descrever, de forma sistemática, as doenças mentais. Esse importante trabalho deu nome àquilo que muitos médicos faziam, principalmente na França, na Alemanha e na Inglaterra durante todo o século XIX e inaugurou uma rica tradição médica que se manifesta, até hoje, em Tratados de Psiquiatria e em Tratados de Psicopatologia Médica. Essa tradição, que muito contribui para a Psicopatologia Fundamental, está, entretanto, interessada na descrição a mais cuidadosa possível e na classificação das doenças mentais.


A Psicopatologia Fundamental, não dispensando os saberes adquiridos nem pela Psicopatologia Geral, nem por outros saberes que contribuem para a compreensão do sofrimento psíquico - a filosofia, a psicologia, a psicanálise, a literatura, as artes, o jornalismo etc - não está tão interessada na descrição e classificação da doença mental como no que é vivido e expressado pelo paciente, pois baseia-se no pressuposto de que o pathos manifesta uma subjetividade que é capaz, através da narrativa, do relato, do discurso, da expressão em palavras, de transformar a paixão e o assujeitamento numa experiência servindo para a existência do próprio sujeito e, quem sabe, à medida que for compartilhada, para outros sujeitos.


Levando-se em conta o pressuposto de que nenhum conhecimento especializado é capaz de esgotar a compreensão do sofrimento psíquico, as pesquisas realizadas no âmbito da Psicopatologia Fundamental visam encontrar palavras que exprimam, de forma a mais precisa e compreensiva possível, o pathos psíquico que se manifesta na clínica psicoterapêutica. Neste sentido, a clínica psicoterapêutica não segue o procedimento médico visando suprimir o sintoma com o remédio e considerar, com isso, que se produziu uma cura.


Podendo utilizar o remédio como um elemento do tratamento, elemento que deixa de ser um objeto final para ser algo que possui um caráter enigmático e obscuro, a clínica psicoterapêutica, na ótica da Psicopatologia Fundamental, deve estar sempre orientada no sentido de encontrar as condições metodológicas que permitam, tanto ao paciente como ao psicoterapeuta, encontrar palavras que representem, da melhor maneira possível, o pathos que é tratado nesta clínica, pois o que se experimenta, nesta mesma clínica, é que o relato o mais preciso possível sobre o pathos produz uma transformação fazendo desaparecer o sintoma e alterando a estrutura mesma do psiquismo e até mesmo dos cérebros daqueles que estão envolvidos nessa prática.


A Psicopatologia Fundamental é, então, um trabalho que visa tanto a aquisição de uma experiência inerente ao pathos, como produzir efeito terapêutico qualitativo modificando a posição do sujeito em relação a seu próprio psiquismo e, conseqüentemente, alterando sua posição e dinâmica no mundo.


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Referência Bibliográfica


- Bento, Victor Eduardo Silva. "Formulando uma Psicopatologia Fundamental, justificando-a e ilustrando-a a partir da psicanálise", in Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental. Vol. 1, no. 4, dez. 1998, pp. 11-29.


- Berlinck, Manoel Tosta, Psicopatologia Fundamental, São Paulo, Escuta, 2000.- Berlinck, Manoel Tosta. "Catástrofe e representação. Notas para uma teoria geral da Psicopatologia Fundamental". In Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, vol. II, no. 1, março 1999, pp. 9-34.


- Ceccarelli, Paulo Roberto. "A contribuição da Psicopatologia Fundamental para a Saúde Mental". In Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, vol. VI, no. 1, março 2003, pp. 13-25.


- Fédida, Pierre e Patrick Lacoste, "Psicopatologia/Metapsicologia. A função dos pontos de vista", in Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, vol. I, no. 2, junho de 1998, pp. 23-58.


- Fédida, Pierre, "De uma psicopatologia geral a uma psicopatologia fundamental. Nota sobre a noção de paradigma", in Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, vol. I, no. 3, setembro de 1998, pp. 107-121.


- Kupfer, Maria Cristina. "É possível uma Psicopatologia Fundamental da infância?", in Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental. Vol. 1, no. 4, dez. 1998, pp. 101-110.


- Miranda, Ney Branco de. "Os caminhos de uma Psicopatologia Fundamental". In Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, vol. 1, no. 4, dez. 1998, pp. 125-130.


- Pereira, Mario Eduardo Costa, "Formulando uma Psicopatologia Fundamental", in Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, vol. I, no. 1, março de 1998, pp. 60-76.


- Queiroz, Edilene Freire de e Silva, Antonio Ricardo Rodrigues da (orgs.). Pesquisa em Psicopatologia Fundamental. São Paulo: Escuta, 2002.- Singer, Flora, "La paradoja y lo negativo. Aportes para la Psicopatologia Fundamental", in Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, vol. III, no. 1, março de 2000, pp. 131-142.


- Singer, Flora. "La paradoja y lo negativo. Aportes para la Psicopatologia Fundamental". In Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, vol. III, no. 1, março 2000, pp.131-142.


- Singer, Flora. "Psicopatologia Fundamental: de uma cierta transmisión", in Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, vol III, no. 4, dez. 2000, pp. 112-121.


- Sonenreich, Carol, Giordano Estevão e Luis de Morais Altenfelder Silva Filho, "Notas sobre psicopatologia", in Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, vol. II, no. 3, setembro de 1999, pp. 124-145.


Presentation of The Field of Fundamental Psychopathology.


Mário Eduardo Costa Pereira



sábado, 17 de janeiro de 2009

VIVÊNCIA NA REALIDADE DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE - Ijuí


O Grupo de Estudos em Saúde Coletiva – GESC está realizando no período de 07 a 18 de janeiro de 2009 Vivências na realidade do Sistema Único de Saúde no município de Ijuí – RS, em parceria com a Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí) e Diretório Central dos Estudantes (DCE), com apoio da Secretaria Municipal de Saúde de Ijuí, Coordenadoria Regional de Saúde, Conselho Municipal (COMUS) e Regional (CRS) da 17 região de saúde.
Trata-se de certa forma, da reedição de estágios de vivências no SUS, recolocando a metodologia de compreensão e problematização do cenário sanitário. Sendo assim, objetiva problematizar o controle social, a formação, a gestão e a atenção em saúde, nos saberes e práticas e da produção de autonomia e incentivo ao protagonismo estudantil como agentes de mudança no campo da saúde e social em consonância aos princípios e diretrizes do SUS.
Estão participando desta Vivência 21 estudantes da área da saúde e afins da Unijuí, Ufpel, Unisinos, Unisc, Uri Santiago e Ufrgs. O mesmo é organizado por estudantes para estudantes, coordenado pela Comissão de Organização e Apoio, composta por Elton Dari Cossetin dos Santos, Franciane Scheren e Liamara Denise Ubessi, e conta com três facilitadores - um da área de Educação Física e Nutrição, um da Psicologia e outro da Biologia, envolvidos com o movimento estudantil na área da saúde e afins e práticas de educação popular em saúde.
A metodologia utilizada consiste de imersão na rede de atenção a saúde, entendendo-a de forma ampliada, não só como a articulação dos serviços, mas destes na relação com a rede e movimentos sociais. As atividades, até o presente momento, consistiram de muitas rodas de estudo e debates sobre a organização e funcionamento do SUS, roda de conversas sobre o movimento da Reforma Sanitária, políticas públicas, controle e participação social, saúde indígena, contando com a participação de Teresinha Heck Weiller, docente do Departamento de Ciências da Saúde da Unijuí, Liane Beatriz Righi, docente da Universidade Federal de Pelotas, Sr. Moacir Deves presidente do Conselho Municipal e Regional de Saúde, Lucia Otonelli Crescente, tutora do Humaniza SUS e Véra Guidolin da 17ª Coordenadoria Regional de Saúde, Eronita Vargas Barcelos, docente do Departamento de Pedagogia da Unijuí, Ieda Zimmermann e Jorge Alexandre Silva da Incubadora Solidária e Desenvolvimento Sustentável da Unijuí.
Os participantes foram a campo na Coordenadoria Regional de Saúde, nas Unidades Básicas de Saúde do Thomé de Souza e Luiz Fogliato no município de Ijuí, área indígena Três Soitas no Barra do Guarita, município de Tenente Portela –RS. No dia 13 de janeiro de 2009, os participantes da Vivência conheceram como se organiza o sistema de saúde no município de Pejuçara/RS e de como este opera com os dispositivos da Política Nacional de Humanização da Gestão e Atenção em Saúde.
Na quarta-feira estarão realizando roda de debate com o Secretário Municipal de Saúde de Ijuí, Sr. Claudiomiro Pezzeta. No turno da tarde, será realizado visita ao Centro de Atenção Psicossocial I de Ijuí e a noite discussão a organização da atenção a saúde mental e políticas públicas; no dia 15 de janeiro/06, ocorrerá ação de divulgação dos direitos dos usuários na Praça da República de Ijuí e a tarde, visita ao Hospital de Caridade de Ijuí (a confirmar) e no dia 16 de janeiro de 2009, visita a Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis – ACATA.
Esta Vivëncia encerra-se no domingo, dia 18 de janeiro de 2009, quando os participantes firmam compromissos de intervenção na realidade sanitária e social e de fortalecimento do movimento estudantil na saúde, sob a premissa de que a construção do SUS passa pelas mãos de todos e de como se pode operar a produção de vida em uma dimensão ético-político-social.

sábado, 10 de janeiro de 2009

O Que é o VER-SUS?

Vivências e Estágios na Realidade do Sistema Único de Saúde

Caracterização

O VER-SUS/Brasil é um projeto desenvolvido pelo Ministério da Sáude em conjunto com as entidades estudantis dos cursos da área da saúde e as secretarias municipais de saúde, com o objetivo de oferecer a estudantes universitários vivências e estágios no Sistema Único de Saúde com duração de 15 a 20 dias.
A missão é promover a integração dos futuros profissionais à realidade da organização dos serviços, levando-se em consideração os aspectos de gestão do sistema, as estratégias de atenção, o controle social e os processos de educação na saúde. Orientado pela abertura do sistema de saúde como espaço de ensino e aprendizagem para os estudantes da área da saúde, o VER-SUS/Brasil pretende tornar presente para os estudantes as ações de condução do sistema de saúde.
Outra dimensão contemplada nesse Projeto diz respeito à histórica dificuldade das diferentes profissões da saúde trabalharem de forma integrada. A cultura de fragmentação do setor ainda é uma realidade na qual a falta do hábito de convivência multiprofissional é uma de suas causas. Nesse sentido, o VER-SUS/Brasil oportuniza o convívio, a discussão da organização do sistema de saúde brasileiro e a aprendizagem crítica aos estudantes de diferentes cursos da área da Saúde e áreas afins.

Objetivos
Esses estágios, respeitando as diretrizes nacionais, apresentam programações diversificadas, respeitando as características locais e regionais; e têm o objetivo geral de oferecer aos estudantes a oportunidade de conhecer e refletir sobre o Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, visa:
· valorizar e potencializar o compromisso ético-político dos participantes do espaço de vivência no processo da Reforma Sanitária;
· provocar reflexões acerca do papel do estudante enquanto agente transformador da realidade social;
· contribuir para a construção da consciência acerca da saúde em seu conceito ampliado;
· sensibilizar gestores, trabalhadores e formadores do sistema de saúde, estimulando as discussões e as práticas de educação permanente, reafirmando o SUS em suas ações;
· contribuir para o amadurecimento da prática interdisciplinar e multiprofissional, para a articulação interinstitucional e intersetorial e para a integração ensino-serviço no campo da saúde;
· contribuir para o debate sobre o projeto político-pedagógico da graduação e sobre a implementação das diretrizes curriculares da saúde, de forma que contemplem as reais necessidades do SUS e da população brasileira;
· estimular a inserção dos estudantes no Movimento Estudantil e em outros Movimentos Sociais.

Público Alvo
O Projeto VER-SUS/Brasil destina-se aos estudantes universitários brasileiros da área de Saúde. A Resolução 287/98 do Conselho Nacional de Saúde define as seguintes carreiras como profissões de saúde para fins de elaboração das Diretrizes Políticas da Gestão em Políticas de Saúde: Biologia; Biomedicina; Educação Física; Enfermagem; Farmácia; Fisioterapia; Fonoaudiologia; Medicina; Medicina Veterinária; Nutrição; Odontologia; Psicologia; Serviço Social e Terapia Ocupacional. A estes foram acrescidos os cursos de Administração Hospitalar e Administração de Sistemas e Serviços de Saúde, totalizando 16 profissões da saúde envolvidas com o VER-SUS/Brasil. Também é prevista a possibilidade de participação limitada de estudantes universitários de outros cursos e de outros países.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Gaza

By José Saramago

A sigla ONU, toda a gente o sabe, significa Organização das Nações Unidas, isto é, à luz da realidade, nada ou muito pouco. Que o digam os palestinos de Gaza a quem se lhes estão esgotando os alimentos, ou que se esgotaram já, porque assim o impôs o bloqueio israelita, decidido, pelos vistos, a condenar à fome as 750 mil pessoas ali registadas como refugiados. Nem pão têm já, a farinha acabou, e o azeite, as lentilhas e o açúcar vão pelo mesmo caminho. Desde o dia 9 de Dezembro os camiões da agência das Nações Unidas, carregados de alimentos, aguardam que o exército israelita lhes permita a entrada na faixa de Gaza, uma autorização uma vez mais negada ou que será retardada até ao último desespero e à última exasperação dos palestinos famintos. Nações Unidas? Unidas? Contando com a cumplicidade ou a cobardia internacional, Israel ri-se de recomendações, decisões e protestos, faz o que entende, quando o entende e como o entende. Vai ao ponto de impedir a entrada de livros e instrumentos musicais como se se tratasse de produtos que iriam pôr em risco a segurança de Israel. Se o ridículo matasse não restaria de pé um único político ou um único soldado israelita, esses especialistas em crueldade, esses doutorados em desprezo que olham o mundo do alto da insolência que é a base da sua educação. Compreendemos melhor o deus bíblico quando conhecemos os seus seguidores. Jeová, ou Javé, ou como se lhe chame, é um deus rancoroso e feroz que os israelitas mantêm permanentemente actualizado.

sábado, 3 de janeiro de 2009

SIAMÉSICO*


“E não se esqueçam que em vossos lares tudo é muito mais falso do que aqui.”
- Jean Genet –

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Acredita em espíritos superiores? São como víboras que comem energias das pobres almas – sugando eu’s dos reflexos...
Sabe, durante a noite eu não durmo, fico fazendo listas, lembrando rostos, lendo Nietzsche e a lista telefônica. Uma vez arrisquei um nome, corri o dedo de olhos bem fechados até marcar stop crazy. Ela atendeu ao telefone após três chamadas, acho que esperava a minha indiscrição. Ela possui uma passividade bem humana – sobrevivente e artificial. Confessei desejos e misteriosamente presenças, que não quero revelar, materializaram-se, senti um perfume na pele e o coração pulsou mais forte. Fiz uma caçada silenciosa por longas semanas, meses... beber, lamber, saciar a sede atrevidamente. Os nossos olhos queimavam-se neles mesmos, nada mais além de tua íris castanha e tuas pupilas dilatadas... Milagres não acontecem todos os dias e juntar corpo com corpo é uma estupidez emocionante, coisas que o ser racional aprimora diariamente, distraidamente para fugir do cotidiano – não é uma epifania? Para aceitar o imprevisto, nós premeditamos. Tudo bem, eu confesso o meu crime, sou impessoal demais! E minha bondade de caráter é uma arte.
Todos os dias eu te segui e todos os dias até te morder, me abstive de outros corpos. Posso, nesse instante, desenhar as violetas de tua janela, lembro da cor, da dor e do sabor. Posso te conjugar no pretérito mais que perfeito, porque é uma mulher de imprevisível sabor... olhos de víbora, assim como os meus. Você me comeu e roubou o meu reflexo. E agora, quem sou?

* Vínculo Siamésico é o mais angustiante de todos os vínculos mãe-bebê, no sentido de que a criança pode experimentar a separação da mãe como se acarretasse a morte das duas, ou a impossibilidade de sobrevivência de uma delas, o que poderia acontecer, por exemplo, na situação parasitária ou na simbiótica, tal como observamos em determinadas esquizofrenias e em certos processos psicóticos. (Teoria do Vínculo – Pichon-Rivièe)

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

AQUE TIPO DE CIÊNCIA É A PSICANÁLISE?

Alfredo Jerusalinsky
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A descoberta freudiana do inconsciente colocou em xeque a ilusão da modernidade de poder transformar todo saber em conhecimento. Embora nascida no berço da ciência, a psicanálise acabou demonstrando a impossibilidade de formular qualquer enunciado capaz de capturar um real sem que nada venha a sobrar fora dessa redoma da linguagem.
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Para tal demonstração a psicanálise não se apóia centralmente na evidência da vastidão inapreensível do real – o que a colocaria fora da ciência, exposta às especulações místicas – mas na condição mesma do sujeito que produz esse enunciado. Um sujeito tal que, na medida em que sua própria existência depende desse enunciado, é desse enunciado a matéria mesma que o constitui. De tal forma, o seu funcionamento não pode ser outra coisa que a lógica do discurso que, ao mesmo tempo, habita e do qual é, ele próprio, feito. Uma lógica, então, necessariamente paradoxal, já que é o sujeito mesmo quem produz a verdade que acredita descobrir.
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Tal descoberta, produzida pela psicanálise, teve duas grandes conseqüências no campo do saber. A primeira foi o reconhecimento de que o corpo real dos humanos é regido por uma ordem simbólica que desdobra sobre esse corpo efeitos imaginários; uma ordem que prevalece sobre os automatismos neurovegetativos. Na medida em que se verifica que a condição humana desse corpo depende de que os enunciados que o simbolizam mantenham sua eficácia, a anatomia e a fisiologia perdem sua exclusividade no reino do patológico. Isto muda a leitura dos sofrimentos e estabelece os princípios de uma nova clínica. A segunda, é que, embora não constitua uma nova epistemologia (faltaria para isso ter a fé que, no método, a ciência contemporânea tem), certamente produz uma nova episteme, ou seja, um novo ponto de partida para a abertura de caminhos do saber.
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Mais de cem anos de prática psicanalítica vieram produzir não somente o desdobramento dessas novas trilhas – nos campos da antropologia, das artes, da lingüística, da historiografia, da filosofia, das ciências jurídicas, da medicina, da psicologia, da literatura, entre outros – mas também um certo saldo de conhecimentos, emergidos de sua prática de leitura dos enunciados desde o vértice da enunciação. Dito de outro modo, leitura do saber não-sabido próprio do inconsciente.
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Porém, tal perspectiva exigiu do operador – o psicanalista, no caso – situar e definir o referente que permitisse o deciframento, a decriptação, a interpretação, em suma, desse saber entredito numa linguagem cuja lógica não se equivale com a da consciência. Isto introduziu uma condição incontornável: era imperioso tomar uma decisão, fazer uma escolha que, embora seja um momento comum a todas as ciências, não tem – na psicanálise – a contrapartida que tem em todas elas da configuração imaginária dos enunciados como universais.
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O ordenamento acadêmico, precisamente, se rege por esses universais, que permitem supor os enunciados que se transmitem como certezas. Do mesmo modo que a regulamentação de profissões se apóia na idéia de uma garantia de saber, como se tal coisa pudesse se constituir simplesmente por obra de uma letra jurídica. As dificuldades da conjugação da prática analítica com a prática universitária, tanto como sua resistência a ser arregimentada por qualquer aparelho estatal, residem em tal contraposição de princípios e postulados.
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Mas sua vocação pelas “rebarbas” dos enunciados – não podia ser de outra maneira – teve e tem conseqüências também para formulação de sua própria teoria. De fato, a formação – sendo ela sempre a do inconsciente – conduz os analistas a tomar sempre o que excede o enunciado do outro, com o qual ele não faz mais do que cumprir com seu papel de analista. O que em qualquer outra prática teórica constituiria uma posição gratuitamente implicante, aproveitando uma série de banalidades para questionar o trabalho do colega, no caso da psicanálise constitui a trilha mais apropriada – a via régia – da elaboração teórica. A multiplicidade de enfoques então, em lugar de desmentir, contribui para confirmar o fundamento de sua prática.
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O risco do ecletismo se faz imediatamente presente diante de uma atividade científica assim delineada. Facilmente o conjunto das proposições derivadas de tal forma de trabalhar nas bordas do saber humano, pode tomar a aparência de uma torre de Babel. Eis ali que se faz necessário estabelecer a condição da prova que toda proposição deve passar. O rigor neste caso consiste em exigir a prova da interpretação. Isso quer dizer que qualquer formulação neste âmbito corre o risco (ou talvez devamos dizer a sorte) de, ela mesma, ser interpretada. Tal exigência, por sinal, não coloca as coisas no caminho de uma coexistência pacífica das diferentes versões. Mas, na medida em que a psicanálise pretenda se manter dentro do terreno da ciência, pela condição imposta pela sua própria descoberta, terá que sacrificar a paz para se aproximar à verdade. De outro modo, a psicanálise não seria outra coisa que a prática de uma opinião.
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Mal faria a psicanálise se, com o pretexto da exigência de um rigor, pretendesse universalizar suas próprias proposições. Acabaria apagando com o cotovelo o que tanto a mão resistiu de – finalmente – escrever.
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domingo, 28 de dezembro de 2008

Alguns Livros de André Green

* Revelações do Inacabado: Sobre o Cartão de Londres de Leonardo Da Vinci.

* Um Psicanalista Engajado: Conversas com Manuel Macias.

* O Desligamento: Psicanálise, Antropologia e Literatura.

* Narcisismo de Vida: Narcisismo de Morte.

* Orientações para uma Psicanálise Contemporânea.

* André Green e a Fundação Squiggle.

* De Locuras Privadas.

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