Quadro "O Pesadelo" de Henry Fuseli (1741-1825)

* A Peste Onírica é um delírio subversivo. Postamos aqui nossas réles "produçõezinhas"; nossos momentâneos surtos de divagações em nome do Real do Simbólico e do Imaginário. Estão aqui nossos ensaios para que possamos alçar outros vôos num futuro próximo. Aproveitem os links, os materiais, as imagens, as viagens. Sorvam nossas angústias, nossas dores e masquem nossa pulsão como se fosse um chiclete borrachento com sabor de nada. Pirateiem, copiem, contribuam e comentem para que possamos alimentar nosso narcisismo projetivo. E sorvam de nossa libido, se assim desejarem.


quinta-feira, 10 de junho de 2010

AQUELES DOIS


(História de aparente mediocridade e repressão)


Caio Fernando Abreu


Para Rofran Fernandes:


"I announce adhesiveness,

I say it shall be limitless,

unloosen il.

I say you shall yet find the

friend youwere looking for."


(Walt Whitman: So Long!)


A verdade é que não havia mais ninguém em volta. Meses depois, não no começo, um deles diria que a repartição era como "um deserto de almas". O outro concordou sorrindo, orgulhoso, sabendo-se excluído. E longamente, entre cervejas, trocaram então ácidos comentários sobre as mulheres mal-amadas e vorazes, os papos de futebol, amigo secreto, lista de presente, bookmaker, bicho, endereço de cartomante, clips no relógio de ponto, vezenquando salgadinhos no fim do expediente, champanha nacional em copo de plástico. Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra — talvez por isso, quem sabe? Mas nenhum se perguntou.

Não chegaram a usar palavras como "especial", "diferente" ou qualquer coisa assim. Apesar de, sem efusões, terem se reconhecido no primeiro segundo do primeiro minuto. Acontece porém que não tinham preparo algum para dar nome às emoções, nem mesmo para tentar entendê-las. Não que fossem muito jovens, incultos demais ou mesmo um pouco burros. Raul tinha um ano mais que trinta; Saul, um menos. Mas as diferenças entre eles não se limitavam a esse tempo, a essas letras. Raul vinha de um casamento fracassado, três anos e nenhum filho. Saul, de um noivado tão interminável que terminara um dia, e um curso frustrado de Arquitetura. Talvez por isso, desenhava. Só rostos, com enormes olhos sem íris nem pupilas. Raul ouvia música e, às vezes, de porre, pegava o violão e cantava, principalmente velhos boleros em espanhol. E cinema, os dois gostavam.

Passaram no mesmo concurso para a mesma firma, mas não se encontraram durante os testes. Foram apresentados no primeiro dia de trabalho de cada um. Disseram prazer, Raul, prazer, Saul, depois como é mesmo o seu nome? sorrindo divertidos da coincidência. Mas discretos, porque eram novos na firma e a gente, afinal, nunca sabe onde está pisando. Tentaram afastar-se quase imediatamente, deliberando limitarem-se a um cotidiano oi, tudo bem ou, no máximo, às sextas, um cordial bom fim de semana, então. Mas desde o princípio alguma coisa — fados, astros, sinas, quem saberá? conspirava contra (ou a favor, por que não?) aqueles dois.

Suas mesas ficavam lado a lado. Nove horas diárias, com intervalo de uma para o almoço. E perdidos no meio daquilo que Raul (ou teria sido Saul?) chamaria, meses depois, exatamente de "um deserto de almas", para não sentirem tanto frio, tanta sede, ou simplesmente por serem humanos, sem querer justificá-los — ou, ao contrário, justificando-os plena e profundamente, enfim: que mais restava àqueles dois senão, pouco a pouco, se aproximarem, se conhecerem, se misturarem? Pois foi o que aconteceu. Tão lentamente que mal perceberam.

II
Eram dois moços sozinhos. Raul tinha vindo do norte, Saul tinha vindo do sul. Naquela cidade, todos vinham do norte, do sul, do centro, do leste — e com isso quero dizer que esse detalhe não os tornaria especialmente diferentes. Mas no deserto em volta, todos os outros tinham referenciais, uma mulher, um tio, uma mãe, um amante. Eles não tinham ninguém naquela cidade — de certa forma, também em nenhuma outra —, a não ser a si próprios. Diria também que não tinham nada, mas não seria inteiramente verdadeiro.

Além do violão, Raul tinha um telefone alugado, um toca-discos com rádio e um sabiá na gaiola, chamado Carlos Gardel. Saul, uma televisão colorida com imagem fantasma, cadernos de desenho, vidros de tinta nanquim e um livro com reproduções de Van Gogh. Na parede do quarto de pensão, uma outra reprodução de Van Gogh: aquele quarto com a cadeira de palhinha parecendo torta, a cama estreita, as tábuas do assoalho, colocado na parede em frente à cama. Deitado, Saul tinha às vezes a impressão de que o quadro era um espelho refletindo, quase fotograficamente, o próprio quarto, ausente apenas ele mesmo. Quase sempre, era nessas ocasiões que desenhava.

Eram dois moços bonitos também, todos achavam. As mulheres da repartição, casadas, solteiras, ficaram nervosas quando eles surgiram, tão altos e altivos, comentou, olhos arregalados, uma das secretárias. Ao contrário dos outros homens, alguns até mais jovens, nenhum tinha barriga ou aquela postura desalentada de quem carimba ou datilografa papéis oito horas por dia.

Moreno de barba forte azulando o rosto, Raul era um pouco mais definido, com sua voz de baixo profundo, tão adequada aos boleros amargos que gostava de cantar. Tinham a mesma altura, o mesmo porte, mas Saul parecia um pouco menor, mais frágil, talvez pelos cabelos claros, cheios de caracóis miúdos, olhos assustadiços, azul desmaiado. Eram bonitos juntos, diziam as moças. Um doce de olhar. Sem terem exatamente consciência disso, quando juntos os dois aprumavam ainda mais o porte e, por assim dizer, quase cintilavam, o bonito de dentro de um estimulando o bonito de fora do outro, e vice-versa. Como se houvesse entre aqueles dois, uma estranha e secreta harmonia.

III
Cruzavam-se, silenciosos mas cordiais, junto à garrafa térmica do cafezinho, comentando o tempo ou a chatice do trabalho, depois voltavam às suas mesas. Muito de vez em quando, um pedia um cigarro ao outro, e quase sempre trocavam frases como tanta vontade de parar, mas nunca tentei, ou já tentei tanto, agora desisti. Durou tempo, aquilo. E teria durado muito mais, porque serem assim fechados, quase remotos, era um jeito que traziam de longe. Do norte, do sul.

Até um dia em que Saul chegou atrasado e, respondendo a um vago que que houve, contou que tinha ficado até tarde assistindo a um velho filme na televisão. Por educação, ou cumprindo um ritual, ou apenas para que o outro não se sentisse mal chegando quase às onze, apressado, barba por fazer, Raul deteve os dedos sobre o teclado da máquina e perguntoü: que filme? Infâmia, Saul contou baixo, Audrey Hepburn, Shirley MacLayne, um filme muito antigo, ninguém conhece. Raul olhou-o devagar, e mais atento, como ninguém conhece? eu conheço e gosto muito. Abalado, convidou Saul para um café e, no que restava daquela manhã muito fria de junho, o prédio feio mais que nunca parecendo uma prisão ou uma clínica psiquiátrica, falaram sem parar sobre o filme.

Outros filmes viriam, nos dias seguintes, e tão naturalmente como se de alguma forma fosse inevitável, também vieram histórias pessoais, passados, alguns sonhos, pequenas esperança e sobretudo queixas. Daquela firma, daquela vida, daquele nó, confessaram uma tarde cinza de sexta, apertado no fundo do peito. Durante aquele fim de semana obscuramente desejaram, pela primeira vez, um em sua quitinete, outro na pensão, que o sábado e o domingo caminhassem depressa para dobrar a curva da meia-noite e novamente desaguar na manhã de segunda-feira quando, outra vez, se encontrariam para: um café. Assim foi, e contaram um que tinha bebido além da conta, outro que dormira quase o tempo todo. De muitas coisas falaram aqueles dois nessa manhã, menos da falta que sequer sabiam claramente ter sentido.

Atentas, as moças em volta providenciavam esticadas aos bares depois do expediente, gafieiras, discotecas, festinhas na casa de uma, na casa de outra. A princípio esquivos, acabaram cedendo, mas quase sempre enfiavam-se pelos cantos e sacadas para contar suas histórias intermináveis. Uma noite, Raul pegou o violão e cantou Tú Me Acostumbraste. Nessa mesma festa, Saul bebeu demais e vomitou no banheiro. No caminho até os táxis separados, Raul falou pela primeira vez no casamento desfeito. Passo incerto, Saul contou do noivado antigo. E concordaram, bêbados, que estavam ambos cansados de todas as mulheres do mundo, suas tramas complicadas, suas exigências mesquinhas. Que gostavam de estar assim, agora, sós, donos de suas próprias vidas. Embora, isso não disseram, não soubessem o que fazer com elas.

Dia seguinte, de ressaca, Saul não foi trabalhar nem telefonou. Inquieto, Raul vagou o dia inteiro pelos corredores subitamente desertos, gelados, cantando baixinho Tú Me Acostumbraste, entre inúmeros cafés e meio maço de cigarros a mais que o habitual.

IV
Os fins de semana tornaram-se tão longos que um dia, no meio de um papo qualquer, Raul deu a Saul o número de seu telefone, alguma coisa que você precisar, se ficar doente, a gente nunca sabe. Domingo depois do almoço, Saul telefonou só para saber o que o outro estava fazendo, e visitou-o, e jantaram juntos a comidinha mineira que a empregada deixara pronta sábado. Foi dessa vez que, ácidos e unidos, falaram no tal deserto, nas tais almas. Há quase seis meses se conheciam. Saul deu-se bem com Carlos Gardel, que ensaiou um canto tímido ao cair da noite. Mas quem cantou foi Raul: Perfídia, La Barca e, a pedido de Saul, outra vez, duas vezes, Tú Me Acostumbraste. Saul gostava principalmente daquele pedacinho assim sutil llegaste a mí como una tentación llenando de inquietud mi corazón. Jogaram algumas partidas de buraco e, por volta das nove, Saul se foi.

Na segunda, não trocaram uma palavra sobre o dia anterior. Mas falaram mais que nunca, e muitas vezes foram ao café. As moças em volta espiavam, às vezes cochichando sem que eles percebessem. Nessa semana, pela primeira vez almoçaram juntos na pensão de Saul, que quis subir ao quarto para mostrar os desenhos, visitas proibidas à noite, mas faltavam cinco para as duas e o relógio de ponto era implacável. Saíam e voltavam juntos, desde então, geralmente muito alegres. Pouco tempo depois, com pretexto de assistir a Vagas Estrelas da Ursa na televisão de Saul, Raul entrou escondido na pensão, uma garrafa de conhaque no bolso interno do paletó. Sentados no chão, costas apoiadas na cama estreita, quase não prestaram atenção no filme. Não paravam de falar. Cantarolando Io Che Non Vivo, Raul viu os desenhos, olhando longamente a reprodução de Van Gogh, depois perguntou como Saul conseguia viver naquele quartinho tão pequeno. Parecia sinceramente preocupado. Não é triste? perguntou. Saul sorriu forte: a gente acostuma.

Aos domingos, agora, Saul sempre telefonava. E vinha. Almoçavam ou jantavam, bebiam, fumavam, falavam o tempo todo. Enquanto Raul cantava — vezenquando El Día Que Me Quieras, vezenquando Noche de Ronda —, Saul fazia carinhos lentos na cabecinha de Carlos Gardel, pousado no seu dedo indicador. Às vezes olhavam-se. E sempre sorriam. Uma noite, porque chovia, Saul acabou dormindo no sofá. Dia seguinte, chegaram juntos à repartição, cabelos molhados do chuveiro. As moças não falaram com eles. Os funcionários barrigudos e desalentados trocaram alguns olhares que os dois não saberiam compreender, se percebessem. Mas nada perceberam, nem os olhares nem duas ou três piadas. Quando faltavam dez minutos para as seis, saíram juntos, altos e altivos, para assistir ao último filme de Jane Fonda.

V
Quando começava a primavera, Saul fez aniversário. Porque achava seu amigo muito solitário, ou por outra razão assim, Raul deu a ele a gaiola com Carlos Gardel. No começo do verão, foi a vez de Raul fazer aniversário. E porque estava sem dinheiro, porque seu amigo não tinha nada nas paredes da quitinete, Saul deu a ele a reprodução de Van Gogh. Mas entre esses dois aniversários, aconteceu alguma coisa.

No norte, quando começava dezembro, a mãe de Raul morreu e ele precisou passar uma semana fora. Desorientado, Saul vagava pelos corredores da firma esperando um telefonema que não vinha, tentando em vão concentrar-se nos despachos, processos, protocolos. Á noite, em seu quarto, ligava a televisão gastando tempo em novelas vadias ou desenhando olhos cada vez mais enormes, enquanto acariciava Carlos Gardel. Bebeu bastante, nessa semana. E teve um sonho: caminhava entre as pessoas da repartição, todas de preto, acusadoras. À exceção de Raul, todo de branco, abrindo os braços para ele. Abraçados fortemente, e tão próximos que um podia sentir o cheiro do outro. Acordou pensando mas ele é que devia estar de luto.

Raul voltou sem luto. Numa sexta de tardezinha, telefonou para a repartição pedindo a Saul que fosse vê-lo. A voz de baixo profundo parecia ainda mais baixa, mais profunda. Saul foi. Raul tinha deixado a barba crescer. Estranhamente, ao invés de parecer mais velho ou mais duro, tinha um rosto quase de menino. Beberam muito nessa noite. Raul falou longamente da mãe — eu podia ter sido mais legal com ela, disse, e não cantou. Quando Saul estava indo embora, começou a chorar. Sem saber ao certo o que fazia, Saul estendeu a mão e, quando percebeu, seus dedos tinham tocado a barba crescida de Raul. Sem tempo para compreenderem, abraçaram-se fortemente. E tão próximos que um podia sentir o cheiro do outro: o de Raul, flor murcha, gaveta fechada; o de Saul, colônia de barba, talco. Durou muito tempo. A mão de Saul tocava a barba de Raul, que passava os dedos pelos caracóis miúdos do cabelo do outro. Não diziam nada. No silêncio era possível ouvir uma torneira pingando longe. Tanto tempo durou que, quando Saul levou a mão ao cinzeiro, o cigarro era apenas uma longa cinza que ele esmagou sem compreender.

Afastaram-se, então. Raul disse qualquer coisa como eu não tenho mais ninguém no mundo, e Saul outra coisa qualquer como você tem a mim agora, e para sempre. Usavam palavras grandes — ninguém, mundo, sempre — e apertavam-se as duas mãos ao mesmo tempo, olhando-se nos olhos injetados de fumo e álcool. Embora fosse sexta e não precisassem ir à repartição na manhã seguinte, Saul despediu-se. Caminhou durante horas pelas ruas desertas, cheias apenas de gatos e putas. Em casa; acariciou Carlos Gardel até que os dois dormissem. Mas um pouco antes, sem saber por quê, começou a chorar sentindo-se só e pobre e feio e infeliz e confuso e abandonado e bêbado e triste, triste, triste. Pensou em ligar para Raul, mas não tinha fichas e era muito tarde.

Depois, chegou o Natal, o Ano-Novo que passaram juntos, recusando convites dos colegas de repartição. Raul deu a Saul uma reprodução do Nascimento de Vênus, que ele colocou na parede exatamente onde estivera o quarto de Van Gogh. Saul deu a Raul um disco chamado Os Grandes Sucessos de Dalva de Oliveira. O que mais ouviram foi Nossas Vidas, prestando atenção no pedacinho que dizia até nossos beijos parecem beijos de quem nunca amou.

Foi na noite de trinta e um, aberta a champanhe na quitinete de Raul, que Saul ergueu a taça e brindou à nossa amizade que nunca nunca vai terminar. Beberam até quase cair. Na hora de deitar, trocando a roupa no banheiro, muito bêbado, Saul falou que ia dormir nu. Raul olhou para ele e disse você tem um corpo bonito. Você também, disse Saul, e baixou os olhos. Deitaram ambos nus, um na cama atrás do guarda-roupa, outro no sofá. Quase a noite inteira, um conseguia ver a brasa acesa do cigarro do outro, furando o escuro feito um demônio de olhos incendiados. Pela manhã, Saul foi embora sem se despedir para que Raul não percebesse suas fundas olheiras.

Quando janeiro começou, quase na época de tirarem férias — e tinham planejado, juntos, quem sabe Parati, Ouro Preto, Porto Seguro — ficaram surpresos naquela manhã em que o chefe de seção os chamou, perto do meio-dia. Fazia muito calor. Suarento, o chefe foi direto ao assunto. Tinha recebido algumas cartas anônimas. Recusou-se a mostrá-las. Pálidos, ouviram expressões como "relação anormal e ostensiva", "desavergonhada aberração", "comportamento doentio", "psicologia deformada", sempre assinadas por Um Atento Guardião da Moral. Saul baixou os olhos desmaiados, mas Raul colocou-se em pé. Parecia muito alto quando, com uma das mãos apoiadas no ombro do amigo e a outra erguendo-se atrevida no ar, conseguiu ainda dizer a palavra nunca, antes que o chefe, entre coisas como a-reputação-de-nossa-firma, declarasse frio: os senhores estão despedidos.

Esvaziaram lentamente cada um a sua gaveta, a sala deserta na hora do almoço, sem se olharem nos olhos. O sol de verão escaldava o tampo de metal das mesas. Raul guardou no grande envelope pardo um par de olhos enormes, sem íris nem pupilas, presente de Saul, que guardou no seu grande envelope pardo, com algumas manchas de café, a letra de Tú Me Acostumbraste, escrita à mão por Raul numa tarde qualquer de agosto. Desceram juntos pelo elevador, em silêncio.

Mas quando saíram pela porta daquele prédio grande e antigo, parecido com uma clínica ou uma penitenciária, vistos de cima pelos colegas todos postos na janela, a camisa branca de um, a azul do outro, estavam ainda mais altos e mais altivos. Demoraram alguns minutos na frente do edifício. Depois apanharam o mesmo táxi, Raul abrindo a porta para que Saul entrasse. Ai-ai, alguém gritou da janela. Mas eles não ouviram. O táxi já tinha dobrado a esquina.Pelas tardes poeirentas daquele resto de janeiro, quando o sol parecia a gema de um enorme ovo frito no azul sem nuvens no céu, ninguém mais conseguiu trabalhar em paz na repartição. Quase todos ali dentro tinham a nítida sensação de que seriam infelizes para sempre. E foram.
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A peça de teatro da CIA Luna Lunera é algo assim: Um Tesão!!

domingo, 30 de maio de 2010

Psicologia Social


Durante o caminho vamos percebendo coisas que antes não percebíamos, caminho cruzado, caminho recaminhado, caminho pedregoso e caminho paradisíaco, tem ainda o caminho penitente e o caminho sem volta.
“Eu não sei onde eu to indo, só sei que to no meu caminho”.
Bem, penso que sei onde quero chegar. Mas, eu queria dizer que nesse andar pelo mundo e pelas palavras do mundo, reencontramos fundamentos que nos guiam para todo sempre. Exagero? Penso que não. Nem quero que dividam comigo lagrimas megarenses. Apenas constatei que algo conspira para reencontros e, neste caminho do social, o qual eu escolhi, acabei me deparando com repetições agradáveis e desagradáveis. Desdobramentos de palavras esquecidas postas juntas às pedras da cerca da estrada. Por isso é sempre bom retornar aos antigos estudos, nem tão antigos assim, mas que a professora Íris Campos, maldita sejas, lançou uma semente que agora brota e rebrota. Quero dizer que o encanto pelo Social nasceu... E continua crescendo por conta das sábias palavras e os ensinamentos desta mestre que também é uma apaixonada pelo social.
Então, para quem deseja percorrer o caminho do social deixo aqui uma boa pedida para leitura. “Abaixem” o livro e aproveitem estes primeiros passos.

"Nosso modo de agir é determinado pelo grupo social ao qual pertencemos. Como, nesta convivência, definimos nossa identidade e peculiaridades? A Psicologia Social, área da Psicologia que estuda o comportamento de indivíduos enquanto seres socialmente influenciados mostra como se forma nossa concepção de mundo, sua vinculação à linguagem que aprendemos e aos valores que assimilamos. Discutindo o desenvolvimento da consciência social na escola e no trabalho, a autora nos faz compreender o que transforma os indivíduos em agentes da história de sua sociedade".

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ABAIXAR O LIVRO SIGA O LINK:

segunda-feira, 10 de maio de 2010

V Encontro Alusivo ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes


Dia 18 de maio, no Teatro do SESC – Ijuí
Com início às 13:30 hs.


Link do Comite Nacional:



MATERIAL PARA ESTUDO:


* Colóquio sobre o Sistema de Notificação em Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes Comitê Nacional de Enfrentamento a Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes Abaré - Brasília - 2004.






*Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Infanto-Juvenil - Uma Política em Movimento - 2006 Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes.
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18 DE MAIO DIA NACIONAL DE COMBATE AO ABUSO E A EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES.

sábado, 8 de maio de 2010

Psicóloga Flávia Flach: As pulseiras do sexo são para “apimentar” a inocência.


Psicóloga de crianças e adolescentes fala sobre as pulseiras e afirma que os pais deveriam aproveitar a oportunidade para falar sobre sexualidade com os filhos.


Entrevista concedida ao Portal de Notícias Ijuhy.com



A Psicóloga de crianças e adolescente, Flávia Flach, explica que a adolescência é uma fase da vida em que o interesse pelo corpo e pela sexualidade aflora. Justamente por isso é natural que os jovens têm um grande desejo em descobrir, explorar e expressar a sexualidade, com o tempo e os acontecimentos eles também vão encontrando formas para isso.

Segundo Flávia Flach, as pulseiras coloridas, que estão sendo chamadas de pulseiras do sexo, são na verdade um jogo de sedução, um jogo erótico que os adolescentes criaram para poder “apimentar a inocência.

De acordo com a psicóloga, Flávia, o que vem acontecendo deve ser entendido como uma fantasia, pois nenhuma menina usa a pulseira porque deseja ser violentada, casos que já aconteceram em algumas cidades.

Crianças e adolescente vivem em momentos diferentes, uns descobrem a sexualidade antes e os outros vão descobrindo aos poucos, isso quer dizer que nem todas as crianças ou todos os adolescentes tem um grande interesse pelas pulseirinhas do sexo, e alguns ainda usam sem saber o que na realidade significam. “Não podemos generalizar, pois, crianças e adolescentes vivem momentos de desenvolvimento da sexualidade diferentes, o que vai fazer com que tenham interpretações diferenciadas. Certamente muitas meninas usam esses acessórios só porque os acham bonitos, por modismo, enquanto outras usam as pulseiras por causa do seu código sexual”, ressalta a psicóloga.

Em pouco tempo as pulseiras do sexo se tornaram algo muito polêmico, elas entraram na vida dos adolescentes por ser uma brincadeira, mas acabaram virando um grande problema, isso devido as suas consequências. Muitos alegam usar esses acessórios para poderem fazer parte de um grupo de pessoas, no qual, usar esse acessório e tantos outros fazem parte do dia a dia. Também existem os casos em que as pessoas começam a usar certas coisas por medo de serem excluídos por quem usa".

Para Flávia, “o adolescente vive uma fase de crise, na qual acontece a redefinição da imagem corporal, consequência da perda da imagem do corpo infantil, e, além disso, ele é confrontado com necessidades de escolhas e definições que brotam dele mesmo, da família e do grupo social. Precisa definir-se como homem ou mulher, escolher a profissão, posicionar-se politicamente, etc. Assim ele é levado ao questionamento, à reflexão, e procura desenvolver um projeto de vida para si. O que sou? O que fui? Como serei? O que quero? E assim ele busca suas respostas na identificação com o grupo de iguais. Para pertencer a um grupo o adolescente deve corresponder a imagem desse grupo e muitas vezes as escolhas quanto a vestimenta e acessórios são justamente a forma que ele encontra para se identificar com seus pares.

Ao contrário do que já foi falado e muito discutido, Flávia não acredita que certos acontecimentos com crianças e adolescentes podem causar inseguranças no futuro, mas a família deve dar conselhos, conversar sobre o assunto. “O ideal seria que as famílias e as escolas aproveitassem o fato desse assunto estar vindo a tona para falar sobre a sexualidade com os adolescentes e que sexo não fosse apenas trabalhado na ordem do biológico, mas sim sobre os efeitos comportamentais e sociais que ele pode causar. Até porque hoje é a pulseira, amanhã pode ser outro acessório ou poderá aparecer outro jogo erótico que dará continuidade a isso”, afirma Flávia Flach.

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PS: Minha professora!!!! eheheheheheh... Quando eu crescer quero ser assim Ó, ora pá.

domingo, 2 de maio de 2010

O Encontro de Maria Rita Kehl com o MST


Publicado em 15 de julho de 2009
Por Patrícia Rocha, no jornal Zero Hora.

Há três anos, um integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) perguntou à psicanalista Maria Rita Kehl como a psicanálise poderia ajudar a militância. Não era a primeira vez que Maria Rita estava palestrando para uma turma de alunos da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), centro de formação e ensino idealizado pelo MST. Ela respondeu que a psicanálise não é uma prática militante, mas que muitos militantes precisariam fazer análise por razões particulares.
E explicou: – A neurose interfere na relação dos sujeitos com o laço social, o que vale para a militância.Ao contar o episódio, Maria Rita, nome de referência da psicanálise no Brasil, diz que eles entenderam imediatamente o que estava implícito naquelas palavras. E, na saída, dois administradores da escola perguntaram:
– Quando você pode começar?
Na semana seguinte, Maria Rita deu início à experiência que já dura três nos e meio.
Doutora em Psicanálise, a campineira Maria Rita trilhou uma trajetória singular. Cursou Psicologia na USP em tempos de ditadura, trabalhou sete anos como jornalista, fez mestrado sobre televisão, teve um filho quando morava em uma comunidade e só em 1981 começou a atuar como psicanalista – e logo mais poeta e ensaísta. Suas palestras e seus livros transitam por diferentes temas: TV, juvenilização, ressentimento, feminino, ética na psicanálise... O lançamento mais recente, O Tempo e o Cão – Atualidade das Depressões, teve início a partir de um pequeno incidente a caminho da ENFF, quando, premida pelo tráfego na Via Dutra, Maria Rita viu um cão atravessar a pista, mas não pôde evitar bater no animal, que sobreviveu. Travestido de metáfora, o episódio a fez refletir sobre a aceleração da vida e seus efeitos subjetivos. Neste longo percurso, analisar integrantes do MST e transitar no seio do movimento surge como a oportunidade de descobrir um universo fundado no coletivo e, como ela conta na entrevista a seguir, um privilégio.

Zero Hora – Gostaria que a senhora contasse como se aproximou do MST e tornou-se psicanalista de membros do movimento, detalhando como esses atendimentos funcionam hoje. Quantos pacientes do MST têm no momento e com quem freqüência os atende? Com base na premissa de que o pagamento, por menor que seja, é importante como forma de registrar o investimento do paciente nas sessões de psicanálise, a senhora cobra a sessão, um preço simbólico que seja?

Maria Rita Khel – O MST tem uma escola nacional de formação de lideranças, a Escola Nacional Florestan Fernandes, a 60 km de S. Paulo. Em 2005 e 2006 fui algumas vezes lá, dar aulas sobre temas de interesse deles em um curso sobre a compreensão da realidade brasileira organizado pelo professor Paulo Arantes. Nas duas vezes, alguns alunos mostraram curiosidade sobre a psicanálise. Da segunda vez, ao me perguntarem "como a psicanálise pode ajudar a militância?", eu respondi que a psicanálise não é uma prática militante, mas muitos militantes precisariam fazer análise, por motivos particulares. Expliquei, também, que a neurose interfere sempre na relação dos sujeitos com o laço social, o que vale para a militância, também. Eles me entenderam, imediatamente. Quando saí da sala, dois administradores da escola me perguntaram: “- Quando você pode começar?". Na semana seguinte estava lá, não para fazer conferência, mas para atender pacientes. Arrumaram-me um dos quartos do alojamento e os pacientes começaram a chegar: alguns dos trabalhadores fixos da escola, outros de outros Estados, que estavam lá de passagem, fazendo cursos. Desde aquela época, ou seja, há 3 anos e meio, vou quinzenalmente à ENFF e atendo quem estiver lá. Há pacientes fixos, outros que estão de passagem e vêm falar, duas ou três vezes, o que já é suficiente para acionar neles um início de intimidade com o inconsciente que eles aproveitam muito. Não cobro nada pelas sessões feitas na Escola, mas se algum deles vem a SP, fazer uma sessão extra em meu consultório, cobro 15 reais. Até hoje isso não foi motivo para eles não se responsabilizarem pela análise. Eles sabem que meu trabalho lá não é por caridade nem por amor pessoal a cada um deles - é a "minha militância". Este é o valor que eles me dão em troca do trabalho. Mas levam suas análises muito a sério, como, aliás, levam a sério quase todas as escolhas que fizeram.

Zero Hora – Para alguém que chega de fora e depara com o movimento em ação, nas atividades e eventos coletivos de que a senhora participou e, individualmente, nas pessoas que analisa o que mais lhe chamou atenção neste universo? É possível comparar questões, dores e valores que predominam entre os pacientes de seu consultório particular, em São Paulo, e os pacientes que atende na Escola Florestan Fernandes?

Maria Rita Khel – As formações do inconsciente não variam muito; lá existem neuróticos como em toda parte. Recebi alguns alcoólatras também, pois este é um dos sintomas mais freqüentes, sobretudo entre homens, na sociedade brasileira – e nas classes pobres, mais ainda. O que é muito diverso da minha clínica em SP são as histórias de vida, evidentemente. 100% dos analisandos do MST têm origem pobre, a maioria do meio rural; alguns, os mais jovens, sobretudo, já vieram das periferias das cidades, onde além da pobreza conheceram muita violência. São histórias de vida que implicam em maior sofrimento real, mas os sintomas que se formam a partir da experiência traumática não variam muito. Trata-se, sempre, de tentar escutar as pistas que indiquem o que está recalcado e fazer com que a pessoa também se escute e questione o que diz, de modo a encontrar pistas que a orientem na via de seu desejo. O que mais diverge da minha experiência com a clínica em São Paulo é que no MST não percebo, entre as queixas e indagações dos sujeitos, a prevalência do imaginário romântico-sentimental (inclusive no que diz respeito à demanda de amor, na transferência). Não é no amor que eles buscam indicadores de seu valor para o Outro – é na "luta". As histórias de sofrimento familiar, ou conjugal, raramente se centram nas demandas de amor não correspondidas, endereçadas ao pai, mãe, esposa/esposo. Não escuto essa queixa de que o pai, ou a mãe, gostava mais do irmão/da irmã/ se me ama/ se não me ama, etc. Não que a questão do valor do sujeito para o Outro não exista, mas curiosamente, ela não passa tanto pelas relações amorosas e familiares, nem pela demanda de amor ao analista.

Zero Hora – Os movimentos sociais se fundam na noção do coletivo. Esta questão transparece de alguma forma quando um membro do MST está no divã?

Maria Rita Khel – Aparece sim, nas queixas freqüentes de que o trabalho grupal, muito exigente, deixa pouca margem para os chamados "cuidados de si" – lazer, namoro, leituras, passeios, descanso. Mas não é difícil fazer com que eles percebam que o excesso de dedicação à "causa" coletiva pode ser um meio de escapar das questões singulares de cada um. Claro que estou generalizando, alguns permanecem muito mais aferrados a cumprir "o que o Outro quer de mim" do que outros etc. Ao longo de algumas análises, emergem muitos conflitos com as normas coletivas da Escola – o sujeito, ao entrar em sintonia com o desejo, torna-se rebelde. Mas essa rebeldia raramente é da ordem do individualismo, mais freqüente nas classes média e alta urbanas. Eles se rebelam contra a rigidez das normas coletivas, mas não perdem de vista o fato de que estão no movimento por escolha política e têm uma responsabilidade para com ele.

Zero Hora – A senhora sempre demonstrou uma posição de esquerda, uma postura crítica acerca da sociedade de consumo e seus valores. Como isso se reflete na realização deste projeto junto ao MST e até mesmo em sua atividade como psicanalista?

Maria Rita Kehl – Posso te dizer que sempre que saio de lá, penso que sou uma privilegiada por ter encontrado o MST e ter sido acolhida por eles como pessoa de confiança. Também me acho uma pessoa de sorte por ter sido convidada a exercer a psicanálise, sem nenhuma concessão, em meio a este que é hoje o maior movimento social do mundo, com 600 mil militantes e 2 milhões de pessoas afiliadas a ele (incluindo famílias já assentadas, que às vezes não militam mais, mas reconhecem sua filiação ao MST). Não é preciso fazer concessões para exercer a psicanálise entre eles porque, apesar da origem católica e rural, o movimento é legitimamente progressista – assim como a psicanálise, aliás.

Zero Hora – Ao passar a freqüentar um universo diferente do seu, marcado por bandeiras de luta e o sentido coletivo, em algum momento a senhora temeu a possibilidade de idealizar o movimento ou seus membros? Ou já se sentiu cobrada por membros do MST a agir de forma militante?

Maria Rita Kehl – Nunca fui cobrada a agir como eles, seja isso o que for; mesmo porque, entre eles as diferenças de modos de agir também são muito grandes. Sinto-me respeitada, inclusive em meu estilo mais aburguesado de ser: vou de carro, volto para SP depois dos atendimentos porque quero aproveitar o sábado, raramente fico lá para dormir, etc. Agora, não há dúvidas de que, para mim, é fácil idealizar o movimento. Não tanto pelo modo como eles conduzem suas lutas – tenho sérias divergências sobre algumas estratégias e falo sobre elas com pessoas que não são meus pacientes, quando os encontro no almoço ou nos debates de que ainda participo. O que eu sinto que idealizo, no MST, é a formação humana que eles conseguem obter. A maior parte dos militantes veio de meios sociais violentos, com pouca escolarização, pouca noção de dignidade e respeito, tanto do sujeito quanto na relação com o outro. No movimento, o valor da leitura, do conhecimento, da lealdade e da solidariedade, são imensos. Mesmo na clínica, onde os problemas mais profundos vêm à tona, não deixo de sentir admiração pela maioria de meus pacientes da ENFF. Para você ter uma idéia, sabe qual é a maior demanda de "ascensão social" entre eles? Não é ganhar mais ou subir para uma posição de poder: é ser incluído entre os que podem estudar mais, entre os que têm direito a freqüentar os cursos, etc. Eles são muito sérios quanto a este aspecto; e quanto à solidariedade também, apesar de todos os defeitos humanos, que são os mesmos que os de todos nós. Mas isto não significa que eu não tenha admiração pelas pessoas que atendo em minha clínica particular, em São Paulo. Tenho sim, por quase todos eles, pela coragem em enfrentar seus fantasmas, em buscar sua via. Talvez a diferença não se coloque em relação ao valor de cada sujeito, um por um, mas em relação ao "caldo de cultura" em que se vive, lá e cá.

Zero Hora – Houve um momento de maior condescendência – mesmo idealização – dos movimentos sociais no Brasil. Em sua opinião, que imagem esses movimentos têm hoje no país?

Maria Rita Kehl – Não sei responder.

Zero Hora – E como a psicanálise compreende os movimentos sociais?

Maria Rita Kehl – Não sei grande coisa as respeito. Só aponto que existe, entre alguns psicanalistas, um preconceito de que a participação num movimento social seria uma forma de alienação. Como se a adesão quase religiosa à psicanálise e às instituições psicanalíticas não fosse!...

Zero Hora – As questões do feminino e do feminismo figuram entre os temas sobre os quais a senhora já escreveu. Como avalia a posição das mulheres e as relações entre os sexos dentro do MST?

Maria Rita Khel – É uma posição muito interessante, a das mulheres. Até agora não encontrei, entre as mulheres que atendo no MST, nenhuma que não seja autenticamente feminista, no sentido mais profundo do termo. Ou seja: são mulheres bastante livres em suas escolhas sexuais e amorosas – até mesmo as que vieram de movimentos da Igreja, mas que na análise, lutam para superar os entraves da moral católica. Ao mesmo tempo, são tão decididas e dedicadas quanto os homens. É interessante a posição das mulheres no movimento: muitas delas, por exemplo, têm cargos mais altos do que seus maridos. Provavelmente, nos acampamentos, entre pessoas que vieram de outros lugares e acabam de ingressar no MST, deve haver muito machismo; este é o perfil da sociedade brasileira. Mas não o encontrei entre os "compas", como eles se chamam, que transitam no nível da ENFF. O outro detalhe interessante é que as mulheres que atendo lá, nunca submeteram a vida da militância às conveniências do casamento. Viajam pra lá e pra cá, estudam nos cursos em módulos que o MST oferece em convênios com universidades – 3 meses na faculdade, 3 meses no movimento, durante toda a duração do curso – e os maridos seguram a onda, cuidam das crianças quando elas estão fora, etc. O amor não é o centro da vida delas, o que é muito difícil de encontrar. E também não medem seu valor pelo olhar de um homem; nunca ouvi uma moça que não namora dizer que se sente inferior às outras por isso.

Zero Hora – A senhora conta em "O tempo e o cão: a atualidade das depressões", como um incidente a caminho da Escola Florestan Fernandes estimulou reflexões que culminaram neste livro que traz a depressão como sintoma social. Esse seu trânsito dentro de um movimento social e suas questões contribuiu de alguma forma para essa análise?

Maria Rita Kehl – Talvez sim, no que diz respeito ao modo de viver o tempo. Por mais tarefas que eles tenham lá, a relação com o tempo numa perspectiva não capitalista é diferente da velocidade maluca que rege a vida de quase todos nós. A relação que faço entre aceleração da vivência temporal e depressão, certamente tem um pouco a ver com minha experiência no MST.

Zero Hora – A escolha de objetos e temas de trabalho sempre revelam algo do pesquisador em questão, pelo menos uma afinidade. Na sua trajetória acadêmica e profissional, a senhora já passou pela televisão, as questões do feminino, a ditadura do corpo e a juvenilização da cultura ocidental, ética, política, depressão, além deste projeto no MST. O que este percurso revela a seu respeito?

Maria Rita Kehl – Se eu soubesse, não continuaria buscando. Deixo essa resposta pra depois da minha morte.

sábado, 24 de abril de 2010

As Drogas e a Legislação Brasileira (Downloads)

(As lesmas e o tira-gosto)

"Nossa Sociedade TEME as drogas ao mesmo tempo que as CULTUA."


Com o propósito de estudo e pesquisa sobre as políticas Públicas e a legislação brasileira sobre drogas Segue-se os links para baixar os materiais.

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A POLÍTICA DO MINISTÉRIO DA SAÚDE PARA A ATENÇÃO INTEGRAL A USUÁRIOS DE ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS:


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Lei Nº 11.343, de 23 de agosto de 2006 - Institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas - Sisnad; prescreve medidas para prevenção do uso indevido, atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas; estabelece normas para repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas; define crimes e dá outras providências.

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E duas Publicações Especiais para estudarmos:
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Embasamento político das concepções e práticas referentes às drogas no Brasil (ARTIGO):
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CENTROS DE ATENDIMENTO DA DEPENDÊNCIA QUÍMICA - 2007:

domingo, 11 de abril de 2010

A PERDA DA REALIDADE NA NEUROSE E NA PSICOSE


(1924) – Vol. XIX – Edição Eletrônica das Obras Completas de Freud.


Recentemente indiquei como uma das características que diferenciam uma neurose de uma psicose o fato de em uma neurose o ego, em sua dependência da realidade, suprimir um fragmento do id (da vida instintual), ao passo que, em uma psicose esse mesmo ego, a serviço do id, se afasta de um fragmento da realidade. Assim, para uma neurose o fator decisivo seria a predominância da influência da realidade, enquanto para uma psicose esse fator seria a predominância do id. Na psicose a perda de realidade estaria necessariamente presente, ao passo que na neurose, segundo pareceria, essa perda seria evitada.

Isso, porém, não concorda em absoluto com a observação que todos nós podemos fazer, de que toda neurose perturba de algum modo a relação do paciente com a realidade servindo-lhe de um meio de se afastar da realidade, e que, em suas formas graves, significa concretamente uma fuga da vida real. Essa contradição parece séria, porém é facilmente resolvida, e a explicação a seu respeito na verdade nos auxiliará a compreender as neuroses.

A contradição, pois, existe apenas enquanto mantemos os olhos fixados na situação no começo da neurose, quando o ego, a serviço da realidade, se dispõe à repressão de um impulso instintual. Porém isso não é ainda a própria neurose. Ela consiste antes nos processos que fornecem uma compensação à parte do id danificada — isto é, na reação contra a repressão e no fracasso da repressão. O afrouxamento da relação com a realidade é uma conseqüência desse segundo passo na formação de uma neurose, e não deveria surpreender-nos que um exame pormenorizado demonstre que a perda da realidade afeta exatamente aquele fragmento de realidade, cujas exigências resultaram na repressão instintual ocorrida.

Nada de novo existe em nossa caracterização da neurose como o resultado de uma repressão fracassada. Vimos dizendo isso por todo o tempo, e apenas devido ao novo contexto onde estamos considerando o assunto foi necessário repeti-lo.Incidentalmente, a mesma objeção surge de maneira sobremodo acentuada quando estamos lidando com uma neurose na qual a causa excitante (a ‘cena traumática’) é conhecida e onde se pode ver como a pessoa interessada volta as costas à experiência, e a transfere à amnésia. Permitam-me retornar, a título de exemplo, a um caso analisado há muitos anos atrás, em que a paciente, uma jovem, estava enamorada do cunhado. De pé ao lado do leito de morte da irmã, ela ficou horrorizada de ter o pensamento: ‘Agora ele está livre e pode casar comigo.’ Essa cena foi instantaneamente esquecida e assim o processo de regressão, que conduziu a seus sofrimentos histéricos, foi acionado. Exatamente nesse caso é, ademais, instrutivo aprender ao longo de que via a neurose tentou solucionar o conflito. Ela se afastou do valor da mudança que ocorrera na realidade, reprimindo a exigência instintual que havia surgido — isto é, seu amor pelo cunhado. A reação psicótica teria sido uma rejeição do fato da morte da irmã.

Poderíamos esperar que, ao surgir uma psicose, ocorre algo análogo ao processo de uma neurose, embora, é claro, entre distintas instâncias na mente. Assim, poderíamos esperar que também na psicose duas etapas pudessem ser discernidas, das quais a primeira arrastaria o ego para longe, dessa vez para longe da realidade, enquanto a segunda tentaria reparar o dano causado e restabelecer as relações do indivíduo com a realidade às expensas do id. E, de fato, determinada analogia desse tipo pode ser observada em uma psicose. Aqui há igualmente duas etapas, possuindo a segunda o caráter de uma reparação. Acima disso, porém, a analogia cede a uma semelhança muito mais ampla entre os dois processos. O segundo passo da psicose, é verdade, destina-se a reparar a perda da realidade, contudo, não às expensas de uma restrição com a realidade — senão de outra maneira, mais autocrática, pela criação de uma nova realidade que não levanta mais as mesmas objeções que a antiga, que foi abandonada. O segundo passo, portanto, na neurose como na psicose, é apoiado pelas mesmas tendências. Em ambos os casos serve ao desejo de poder do id, que não se deixará ditar pela realidade. Tanto a neurose quanto a psicose são, pois, expressão de uma rebelião por parte do id contra o mundo externo, de sua indisposição — ou, caso preferirem, de sua incapacidade — a adaptar-se às exigências da realidade, à ‘Angch‘ [Necessidade]’. A neurose e a psicose diferem uma da outra muito mais em sua primeira reação introdutória do que na tentativa de reparação que a segue.

Por conseguinte, a diferença inicial assim se expressa no desfecho final: na neurose, um fragmento da realidade é evitado por uma espécie de fuga, ao passo que na psicose, a fuga inicial é sucedida por uma fase ativa de remodelamento; na neurose, a obediência inicial é sucedida por uma tentativa adiada de fuga. Ou ainda, expresso de outro modo: a neurose não repudia a realidade, apenas a ignora; a psicose a repudia e tenta substituí-la. Chamamos um comportamento de ‘normal’ ou ‘sadio’ se ele combina certas características de ambas as reações — se repudia a realidade tão pouco quanto uma neurose, mas se depois se esforça, como faz uma psicose, por efetuar uma alteração dessa realidade. Naturalmente, esse comportamento conveniente e normal conduz à realidade do trabalho no mundo externo; ele não se detém, como na psicose, em efetuar mudanças internas. Ele não é mais autoplástico, mas aloplástico.

Em uma psicose, a transformação da realidade é executada sobre os precipitados psíquicos de antigas relações com ela — isto é, sobre os traços de memória, as idéias e os julgamentos anteriormente derivados da realidade e através dos quais a realidade foi representada na mente. Essa relação, porém, jamais foi uma relação fechada; era continuamente enriquecida e alterada por novas percepções. Assim, a psicose também depara com a tarefa de conseguir para si própria percepções de um tipo que corresponda à nova realidade, e isso muito radicalmente se efetua mediante a alucinação. O fato de em tantas formas e casos de psicose as paramnésias, os delírios e as alucinações que ocorrem, serem de caráter muito aflitivo e estarem ligados a uma geração de ansiedade, é sem dúvida sinal de que todo o processo de remodelamento é levado a cabo contra forças que se lhe opõem violentamente. Podemos construir o processo segundo o modelo de uma neurose com o qual estamos familiarizados. Nela vemos que uma reação de ansiedade estabelece sempre que o instinto reprimido faz uma arremetida para a frente, e que o desfecho do conflito constitui apenas uma conciliação e não proporciona satisfação completa. Provavelmente na psicose o fragmento de realidade rejeitado constantemente se impõe à mente, tal como o instinto reprimido faz na neurose, e é por isso que, em ambos os casos, os mecanismos também são os mesmos. A elucidação dos diversos mecanismos que, nas psicoses, são projetados para afastar o indivíduo da realidade e para reconstruir essa última, constitui uma tarefa para o estudo psiquiátrico especializado, ainda não empreendida.

Existe, portanto, outra analogia entre uma neurose e uma psicose no fato de em ambas a tarefa empreendida na segunda etapa ser parcialmente mal-sucedida, de vez que o instinto reprimido é incapaz de conseguir um substituto completo (na neurose) e a representação da realidade não pode ser remodelada em formas satisfatórias (não, pelo menos, em todo tipo de doença mental). A ênfase, porém, é diferente nos dois casos. Na psicose, ela incide inteiramente sobre a primeira etapa, que é patológica em si própria e só pode conduzir à enfermidade. Na neurose, por outro lado, ela recai sobre a segunda etapa, sobre o fracasso da repressão, ao passo que a primeira etapa pode alcançar êxito, e realmente o alcança em inúmeros casos, sem transpor os limites da saúde — embora o faça a um certo preço e não sem deixar atrás de si traços do dispêndio psíquico que exigiu. Essas distinções, e talvez muitas outras também, são resultado da diferença topográfica na situação inicial do conflito patogênico — ou seja, se nele o ego rendeu-se à sua lealdade perante o mundo real ou à sua dependência do id.

Uma neurose geralmente se contenta em evitar o fragmento da realidade em apreço e proteger-se contra entrar em contato com ele. A distinção nítida entre neurose e psicose, contudo, é enfraquecida pela circunstância de que também na neurose não faltam tentativas de substituir uma realidade desagradável por outra que esteja mais de acordo com os desejos do indivíduo. Isso é possibilitado pela existência de um mundo de fantasia, de um domínio que ficou separado do mundo externo real na época da introdução do princípio de realidade. Esse domínio, desde então, foi mantido livre das pretensões das exigências da vida, como uma espécie de ‘reserva’; ele não é inacessível ao ego, mas só frouxamente ligado a ele. É deste mundo de fantasia que a neurose haure o material para suas novas construções de desejoe geralmente encontra esse material pelo caminho da regressão a um passado real satisfatório.

Dificilmente se pode duvidar que o mundo da fantasia desempenhe o mesmo papel na psicose, e de que aí também ele seja o depósito do qual derivam os materiais ou o padrão para construir a nova realidade. Ao passo que o novo e imaginário mundo externo de uma psicose tenta colocar-se no lugar da realidade — um fragmento diferente daquele contra o qual tem de defender-se —, e emprestar a esse fragmento uma importância especial e um significado secreto que nós (nem sempre de modo inteiramente apropriado) chamamos de simbólico. Vemos, assim, que tanto na neurose quanto na psicose interessa a questão não apenas relativa a uma perda da realidade, mas também a um substituto para a realidade.

Papiros Virtuais


A Peste Onírica Catou na net uns livrinhos para download... Divirtan-se. Para aqueles que gostam de história e mistério é um chocolate. Para os analistas de plantão não deixa de ser uma volta a arqueologia do sujeito. Detalhe especial para quem está disposto a ler Philippe Ariès. É só baixar e correr pro abraço. Aproveitem estes papiros virtuais.




























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domingo, 28 de março de 2010

O Crime das Irmãs Papin (Sister my Sister)


O crime das irmãs Papin foi discutido por Lacan em sua tese de doutorado em Psiquiatria, datada de 1932: Da psicose paranóica em suas relações com a personalidade. O crime teve grande repercussão na França e foi, posteriormente, retratado no filme Entre elas (1994), dirigido por Nancy Meckler.

As irmãs Christine e Léa Papin (28 e 21 anos, respectivamente) trabalhavam na casa burguesa de um advogado, sua esposa e sua filha. Eram consideradas empregadas-modelo, mas não havia nenhum tipo de comunicação entre os patrões e as empregadas. As patroas eram muito rígidas, e as empregadas, consideradas misteriosas devido a seu silêncio e aos dias de descanso que passavam juntas trancadas em seu quarto.

Certo dia, quando as patroas estavam ausentes, houve uma pane no circuito elétrico da casa, causado acidentalmente por uma das irmãs. Ao chegarem as patroas, cada uma das irmãs subjuga suas adversárias, arrancando-lhes, ainda em vida, os olhos da órbita, e as espancando. Munidas de objetos que tinham a seu redor (martelo, pichel de estanho, faca de cozinha) amassam os rostos da vítimas, deixando o sexo à mostra. Cortam suas nádegas e coxas profundamente, ensangüentam o corpo de uma com o sangue da outra. Após o ritual atroz, lavam todos os instrumentos, banham-se e deitam-se na cama nuas e abraçadas. Trocam as seguintes palavras: "Agora está tudo limpo!"

Ao serem interrogadas no julgamento, não oferecem nenhuma explicação de raiva ou vingança como motivo do crime. Apenas fazem questão de assumir juntamente a responsabilidade do ato. São presas sem nenhum indício de delírio ou comportamento anormal. Algumas informações imprecisas a respeito de seus antecedentes são fornecidas por um secretário-geral e um delegado, que as conheceram na ocasião em que tentavam obter a emancipação da irmã mais jovem. Dizem tê-las considerado "meio piradas", "perseguidas". Sabe-se ainda de um pai violento e alcoólatra, que violara uma de suas filhas e as abandonara.

Na prisão, cinco meses após estar separada da irmã, Christine apresenta estados de agitação e autopunição. Em um desses episódios, tenta arrancar o próprio olho. A tentativa deixa lesões, e é necessário o uso da camisa de força. Posteriormente, indaga sobre suas vítimas, mostrando alteração na percepção da realidade. Diz que suas vítimas voltaram em outros corpos; ela mesma acreditava ter sido, em outra vida, o marido de sua irmã.

O filme Entre elas baseia-se nos fatos verídicos e se mantém fiel a estes na medida permitida por uma obra de arte. Lacan já nos falava da verdade em estrutura de ficção.
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Texto na integra:

sábado, 20 de março de 2010

Mentiras Literárias


A Psicanálise tem na literatura um ponto importante sobre a possibilidade da interpretação, “pode ser o brilho eterno de uma mente sem lembranças”, pois a linguagem é o lugar que nós mais erramos e é o lugar do limite e do infinito, ou seja, o lugar das ambivalências. Parar de pensar é algo que queremos, ora queremos esquecer, mas depois que a linguagem começa ela não para mais.
A literatura é uma questão... Porque as pessoas lêem, porque as pessoas escrevem? A literatura é uma arte e um pacto com o demônio, mostra uma mentira e os outros acreditam...
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Hum... Queres encontrar respostas? Para quais perguntas? Não sei se encontrará algumas respostas... Acha que seria uma boa idéia encontrá-las?

"...nos revelamos em nossas escrituras..." Sempre? Mesmo? Será? Quem te disse isso?

Hãm... Às vezes uma simples poesia não revela mistério algum, apenas um momento simples, de algum tempo que passou, em outro lugar, (acho que isso não é mistério, é?) sobre outras pessoas, de um outro "eu", com alguma outra música e outros pensamentos, sentimentos, apenas uma poesia sobre um instante que pouco significou que por falta de não ter o que fazer fez surgir uns versinhos, ou não, quem sabe em alguma poesia há um fato que muito significou, quem sabe, tenha esse tal mistério a ser revelado, mas pouco provável... E será que pouco provável mesmo?

Não encontrará o mistério *que procura (?), por que a (falta de coragem? Até para escrever? Será? Hum credo!) ou a vontade de esquecimento, não me possibilitou expor em minhas escritas o desejo mais secreto que tinha, tenho, desejo, mistério?? (acho que não mais agora né) até então guardado apenas para mim. Nem diários, nem agendas, nem em últimas folhas de cadernos... Não escrevi em poesia alguma meu desejo secreto, meu maior "mistério", não escrevi, não escreverei, não quero que fique em papéis esquecidos em gavetas, e também não quero que como um livro seja publicado... Apenas em mim, guardo aqui, e só.

Colaboração de

L. Poulain.

segunda-feira, 1 de março de 2010

O FEMININO, A VIOLÊNCIA E O AMOR





“Essa mulher é uma casa secreta.
Em seus cantos, guarda vozes e esconde fantasmas.
Nas noites de inverno, jorra fumaça.
Quem entra nela, dizem, não sai nunca mais.
Eu atravesso o fosso profundo que a rodeia. Nessa casa serei habitado. Nela me espera o vinho que me beberá. Muito suavemente bato na porta, e espero”.
(Eduardo Galeano – Mulheres – “Janela Sobre Uma Mulher/1)


“Não existe um significante que diga o que é ser uma mulher”.
(Lacan)



“(...) A Psicanálise não tenta descrever o que é a mulher – seria uma tarefa difícil de cumprir – mas se empenha em descobrir como a mulher se forma, como a mulher se desenvolve desde a criança dotada de disposição bissexual.”.("A Feminilidade” de 1932[1], Freud procurou responder sobre o feminino)





Nosso propósito com esta construção é falar do feminino, fazer uma interlocução com a psicanálise e a área social para que possamos dar conta do tema da violência contra a mulher, especificamente a violência doméstica. Para tanto, nos sentimos intimamente ligados à produção clínica de Freud e aos seus trabalhos sobre a histeria. Mas, queremos avisar que o tema em questão é tão amplo, que se torna difícil nos determos num único foco. Por isso nosso olhar se desdobrou – nosso olhar transformou-se num farol que quer iluminar e a tudo observar, assim, quem sabe podemos pensar algumas questões peculiares. Ou mesmo, num sentido derivado, sermos um farol que apenas quer seduzir, pois as aparências de um olho que tudo vê, pode ser falacioso... Lembrando que quem fala é uma mulher. O que quer uma mulher? Estamos no âmbito familiar. Então, que família é essa? Qual a implicação dos corpos no jogo da paixão e da violência? E o que querem os homens?

É interessante pensar que a psicanálise nasce do “encontro com as mulheres”, por assim dizer – um encontro clínico. Vários autores da área psicanalítica e afins afirmam que a psicanálise foi inaugurada pelas histéricas. Ora, nos idos de 1900, vemos irromper nas sociedades europeias as denúncias das mulheres oprimidas socialmente. As pacientes de Freud, em sua maioria mulheres, revelavam sua intimidade num encontro entre quatro paredes e denunciavam o primado do falo. Emmy Von V. disse a Freud: “Me deixe falar” e assim inaugurou a “talking cure”. Confuso, Freud não sabia, ao certo, o que as mulheres queriam dele... E Dora questionava: “O que é uma mulher?” Será que Freud, não foi o primeiro homem a suportar o grito feminino, o primeiro a dar ouvidos às loucas, malditas, bruxas, feiticeiras, cortesãs... As histéricas, por assim dizer... Com certeza, embora saibamos que o propósito, deveras era outro – era a ciência da psicanálise ou a teoria da sexualidade?!

As “denunciantes” da clínica Freudiana falavam de sua insatisfação, do isolamento, da sexualidade reprimida. Desconheciam o prazer, por vezes culpavam-se e, assim, “vomitavam”, paralisavam seus membros, tossiam nervosamente... Mulheres e adolescentes que chegavam até Freud com queixas do corpo. Meninas-mulheres destinadas ao casamento e a procriação. Casamentos de conveniências e vidas ligadas às futilidades domésticas. Mulheres de uma alta sociedade que descobriam, pouco a pouco, possibilidades sociais e culturais, como a exemplo estudar e trabalhar – uma força emancipatória – porém encontravam-se ‘esmaiadas’. E para Freud queixavam-se, não com um grito feminista especificamente, mas nascia ali, implícito o desejo de desfrutar os prazeres “proibidos” e questionar a cultura do patriarcado que estava marcado por uma decadência. Roudinesco nos diz o seguinte:


A partir de 1889, e durante um século, o pai não se constrói como tal senão porque tem obrigações morais para com aqueles a quem governa. Seu estatus lhe impõe obrigações e, caso não às observe, é capaz de naufragar na indignidade e perder seu direito a ser pai. (ROUDINESCO – FAMÍLIA EM DESORDEM – p.41)




Anthony Giddens nos diz que em 1889 a palavra sexualidade aparece publicada em um livro num sentido próximo ao que nos é hoje, ou seja, referindo-se a qualidade de ser sexual, ou possuir sexo, assim a publicação “(...) preocupava-se com o porquê das mulheres estarem predispostas a várias enfermidades que não afetavam os homens – algo atribuído a sexualidade das mulheres”. [2] O autor comenta que este fato estava relacionado à tentativa de se manter sob controle a atividade sexual feminina, pois estava à luz das preocupações da sociedade do início do século XIX. O prazer sexual das mulheres que era considerado anormal. A sexualidade, como nos diz Giddens e Foucault, “(...) é uma elaboração social que opera dentro dos campos de poder”. [3]

Pelos idos de 1920 a 1930, Freud e outros “analistas” entraram num debate sobre a psicologia da mulher. No entanto, afirmou ele, em 1928, “tudo o que sabemos do desenvolvimento inicial feminino parece-me insatisfatório e incerto”. Para Freud a vida sexual feminina tinha algo de “um continente negro”[4]. Apesar das afirmativas de Freud, era visível que ele continuava sua empreitada sobre o estudo da sexualidade e obviamente, o feminino prevalecia amplamente como um enigma, na melhor das hipóteses, um grande desafio para os estudos psicanalíticos, ainda mais se pensarmos na época vitoriana – digamos que o feminino o é, ainda, um grande desafio para a psicanálise. A passagem que segue causou um frenesi enfurecido no movimento feminista que despontava no século XIX. Ora, Inveja do Pênis?

A ênfase recai inteiramente no órgão masculino, todo o interesse da criança está dirigido para a questão de se ele se acha presente ou não. Sabemos menos acerca da vida sexual de meninas do que de meninos. Mas não é preciso envergonharmo-nos dessa distinção; afinal de contas, a vida sexual das mulheres adultas é um ‘continente negro’ para a psicologia. Mas aprendemos que as meninas sentem profundamente falta de um órgão sexual que seja igual em valor ao masculino; elas se consideram por causa disso inferiores, e essa ‘inveja do pênis’ é a origem de todo um grande número de reações femininas características. (Freud, Vol. XX (1925 - 1926) – Edição Eletrônica das Obras Completas de Freud).


Peter Gay na biografia de Freud faz a seguinte consideração acerca dos estudos psicanalíticos sobre o feminino, “(...) a caracterização da mulher como um continente inexplorado é um disfarce para que os homens se defendam, há séculos, contra o misterioso poder oculto das mulheres, qualificando todo o sexo de insondável”[5]. Ainda podemos pensar na possibilidade de uma impotência, uma insatisfação teórica de Freud, como também, na impotência do masculino para a compreensão da mulher. Bem, ainda assim, as mulheres tinham um sexo, mas sejam homens ou mulheres ama-se e deseja-se, pois a pulsão sexual não precisa de alteridade sexuada, o desejo está inscrito nos dois sexos. Roudinesco diz que “Freud introduz uma novidade na classificação, um terceiro termo, o da sexualidade psíquica fundada na existência do inconsciente”[6]. Para o inconsciente não existe feminino ou masculino, o que vai definir-se é um efeito de sentido – uma falta que se situa no significante falo, ou seja, aceitar ou não a castração. E isto vale para ambos os seres. Não se nasce homem ou mulher, embora a anatomia e a cultura sejam o destino e assim, reconhecer-se sujeito numa ou noutra posição. É preciso presentificar com o significante e inscrever uma falta estrutural, assim se dá o caminho do sujeito do inconsciente – a inscrição do desejo e a escolha do objeto.


O AMOR É UMA FALTA


“O amor é um rock e a sua personalidade é um pagode...
O amor é egoísta? Sim sim sim só cuida de si.”

- Tom Zé (O Amor) -



Porque o verdadeiro amor conduz ao ódio? Será que essa pergunta nos conduz para o desafio da violência doméstica contra a mulher? Bem, nos arriscamos nessa aproximação do doméstico, do privado e da conjugalidade e, logicamente, do afetivo; e sendo assim, das ambivalências emocionais – amor/ódio [7] – porque não dizer paixão pela morte... Pulsões de morte.

O amor é uma demanda que evidencia uma falta[8] – falta que está situada culturalmente sob os auspícios do falo. Considerando que o complexo de castração é o que abre espaço para a falta e, ainda, que a castração se dá de forma adversa nos meninos e meninas, cederíamos à ideia  provisoriamente, de que no campo das paixões, o enamoramento também se desenvolve de forma diferenciada entre homens e mulheres. Para a mulher assumir o feminino, existem três saídas: aceitar o seu lugar de objeto, ou seja aceitar a castração; negar a castração e através de uma identificação imaginária com o homem se mascarar de mulher; e, por último, ser mãe e ter o filho como um falo, ou seja, objeto de sua fantasia. Pensando por esta lógica, estaria a mulher mais exposta a paixão, ou seja, num vir a ser, numa posição de passividade, a espera de. Num encontro de. Numa busca de decifração como a Esfinge[9] parada a espera de Édipo. Confuso feminino, que precisa ser arrancado do arrebatamento do Outro materno. O amor passional é sempre feminino nos diz Gori[10].

O endereçamento de amor ao objeto Primordial carrega em si o ódio como equivalente. Ambos dirigem-se da mesma forma ao eu ou ego do sujeito. É preciso trabalhar com a perda do objeto e, para tanto, se faz necessária certa dose de agressão para se fazer sujeito autônomo, que possa responder, posteriormente, por si próprio – perder para poder tornar-se. O ódio consiste em ferir onde fomos feridos ou atingidos e, ainda, ferir-se da forma como gostaríamos de ferir um outro. Na perda do objeto amoroso um turbilhão se faz na cabeça do sujeito, a chama do ódio é incandescida. Reportamos-nos ao mito grego de Jasão e Medeia. Jasão “abandonou” Medeia, sua esposa, por conta de um enamoramento com a jovem Creusa, rica e bela princesa. Medeia, tomada de ódio e raiva pelo abandono do ser amado, não concebe perdão aos amantes. A tragédia tem seu ápice com a morte de Creusa e os filhos de Jasão e Medeia. A esposa “traída” armou uma rede de vingança na qual envolve seus dois filhos. Um crime em nome do amor. Medeia fez-se passar por amiga de Creusa fingindo perdão e apaziguamento de sua dor, no entanto, envia-lhe um belo presente envenenado que foi entregue pelas duas crianças. Medeia matou toda a família de Creusa, assim como seus filhos, para vingar-se de Jasão[11].

Em nosso trabalho com mulheres que sofrem violência doméstica, somos tentados a crer que as denunciantes, antes de serem vítimas, são também coadjuvantes de cenas de ódio e amor em suas relações. Ideia que não as culpabiliza, exatamente, como também não as eximem de participarem. O grande impasse ou contradição se faz na atuação frente ao juiz no tribunal, quando da retirada da representação judicial, pois que realmente surtiria efeito sobre o possível agressor e assim levá-lo-ia a responder por um crime. O ódio nas relações conjugais tanto pela parte de homens ou mulheres, não revelaria um tentativa de curar-se de algo? Ou seria ainda uma culpabilidade? O ódio e a raiva fazem-nos proferir blasfêmias, das mais sombrias possíveis. Tomando como exemplo um boletim de ocorrência da Delegacia de Polícia para a Mulher, onde estamos alocadas com o estágio, constatamos as mais diversas “agressões verbais”. Citamos algumas, para ilustração; “vagabunda”, “vadia”, “puta”, “cadela”, “vou te matar porque você não presta”, “você não é mulher pra mim”, “vô te cortá a cabeça”. Estas são as “declarações” mais freqüentes, que se repetem em diferentes denuncias. E não pensemos que as mulheres não declaram sua fúria apaixonada da mesma forma, pois nos BOs, também descrevem seus conjugues, se não de igual forma, semelhantes declarações são atestadas: “ele é um traste”, “um homem que não presta”, “vagabundo”, “chinero”, “bêbado, mas bom pai”, “relaxado”, “mulambo”, “vadio”, “ele não é homem pra mim” e coisas do gênero.

No inicio do texto falamos que as pacientes de Freud denunciavam na sua clínica a opressão da sociedade da época quanto às funções femininas. O que acontece contemporaneamente a partir da Lei Maria da Penha, embora num local completamente diferente, local da lei e da justiça e não de um ambiente passivo e mediador da palavra, é semelhante, se não igual, quanto ao que denunciam e o que procuram. O que querem estas mulheres? Tomando as suas descrições nos B.Os da delegacia encontramos uma falta, tanto para um quanto para o outro – primeiro uma falta de compreensão, segundo, avaliando a frase que diz “ele/ela não é mulher/homem para mim”, podemos concluir um desencontro erótico/libidinal dos corpos masculino e feminino – objetos num desencontro. Giddens[12] nos faz uma observação muito interessante, num contexto histórico dizia-se que “as mulheres queriam amor, os homens queriam sexo”. No entanto, essa observação, no mundo atual, poderia ser modificada para “as mulheres querem sexo”. Ora, após a “liberdade” sexual e o alcance de uma emancipação da mulher na sociedade contemporânea, não podíamos pensar de modo diferente, ao menos a repressão sexual feminina foi rompida consideravelmente, pois, a mulher deseja e ela é capaz de buscar o prazer sexual, como um componente básico de sua vida e relacionamentos. E então, os homens querem amor? Certamente, pois amar não é exclusividade das mulheres. Ambos tiveram amor pelo objeto primordial, assim como sentiram sua perda e cultivaram suas feridas narcísicas. Mas não estariam os homens numa posição de fragilidade frente ao domínio das mulheres e uma ascensão do feminino? Giddens[13] diz que o sexo é uma maneira de conseguir poder, então as mulheres, além de uma busca de satisfação, estariam envolvidas na busca de poder através do sexo – uma tentativa de alcance do poder fálico.

No estágio na delegacia de policia para a mulher, foi possível desenvolver um levantamento de dados, a partir dos boletins de ocorrência. Desenvolvemos um formulário de pesquisa para registrarmos dados peculiares sobre a violência doméstica. Um dos dados em específico, que vale a pena discorrer e pesquisar mais profundamente, no futuro, refere-se ao alcoolismo. Em torno de 45% dos acusados de agressão às mulheres, estavam embriagados ou sob efeito de substancias psicoativas. Um dado alarmante, supondo que este índice pode ser maior ainda, pois nem todas as mulheres declaram ou falam sobre isso no momento da denúncia.

Podemos afirmar que o alcoolismo está diretamente relacionado à violência doméstica contra mulheres. O álcool é um acelerador, um catalizador da violência. Com freqüência, a vida familiar das esposas e filhos, está às voltas com a dependência do marido, o que os torna, também dependentes ou Co-dependentes, propiciando um relacionamento específico. Giddens diz que:


(...) Uma pessoa co-dependente é alguém que, para manter uma sensação de segurança ontológica, requer outro indivíduo, ou conjunto de indivíduos, para definir as suas carências; ela ou ele não podem sentir autoconfiança sem estar dedicado às necessidades dos outros. Um relacionamento co-dependente é aquele em que um indivíduo está ligado psicologicamente a um parceiro cujas atividades são dirigidas por algum tipo de compulsividade. (GIDDENS – p.101)


Os relacionamentos permeados pelo vício, seja da bebida ou outros, comumente são permeados pelos hábitos, pela rotina cotidiana, o que também propicia recorrentes momentos turbulentos. Esta alusão de rotina ou “mesmice” é um dado presente na fala das mulheres. Um relacionamento desgastado, que na falta de amor transpõem-se ao ódio e aos apelos raivosos. Então, o ódio torna-se um elemento de cura, e, ainda assim, ligado ao amor – “o ódio enlaça o amor no abraço da ambivalência”[14]. Preserva-se um laço afetivo a partir do ódio. Neste pavoroso relacionamento de vício e ódio tende-se a evitar a intimidade com o outro; tende-se também a preservar as diferenças de gênero e as praticas sexuais não igualitárias.

Observamos que, nas audiências da Lei Maria da Penha, o “perdão” por parte das mulheres é muito comum. Elas deixam de representar e dar continuidade a um processo judicial contra seus maridos por conta da falácia: “ele prometeu que vai mudar, não vai mais beber e nem me bater”. Encontramos a mesma frase falaciosa nos dependentes químicos e alcoolistas: “Eu vou mudar”. A mesma frase vale para o relacionamento brutal onde a mulher é vitima da violência conjugal: “Para mim chega, vou mudar e sair deste relacionamento”. Aludimos à frase, o peso de uma falácia, por conta de uma carência de força, por assim dizer, pois os laços da dependência química e conjugal são muito difíceis de romper. Os participantes destas cenas têm uma fragilidade de identificação, pois constroem ligações dependentes – o vício é uma forma primária de segurança que vem do Outro. Temos, de um lado, um marido alcoolista e, de outro, uma esposa dependente da relação obsessiva. Nestes casos o amor conjugal (a compreensão), se fosse encarado como um fármaco poderia trazer, quem sabe, um respiro, uma ajuda, para a libertação dos laços viciosos. Estamos falando de um resgate afetivo dos casais envoltos em violência doméstica. Trabalho que deveria ser feito, não só com as mulheres, mas também, como prevê a Lei Maria da Penha, com os homens, autores da violência. Buscar um equilíbrio para transformar a intimidade, assim feminino e masculino possibilitarem-se viver e reinventar a vida em consonância com seus desejos.



NOTAS:


[1] FREUD – Conferência XXXIII – A Feminilidade – Vol. XXII – 1932. Edição Eletrônica das Obras Completas de Freud.

[2] Anthony Giddens – A Transformação da Intimidade: sexualidade, amor e erotismo nas sociedades modernas – p. 32.

[3] Ibid – p. 33.

[4] Peter Gay – Freud: Uma Vida para Nosso Tempo – p. 454.

[5] Ibid – p. 455.

[6] Elisabeth Roudinesco – Família em Desordem – p. 128.

[7] Amódio – termo utilizado por Lacan para ressaltar o enlace do ódio e do amor. “Não conhecer o ódio é também não conhecer o Amor”. (Lacan) – Apud Roland Gori – Lógica das Paixões – p. 77.

[8] Lacan ainda nos diz com sua máxima que “Amar é dar o que não se tem”, ou seja, não temos o falo.

[9] A Esfinge era mulher?! No mínimo pertencente ao gênero feminino. Talvez mesmo, a grande tragédia Edípica não tenha se dado somente, com assassinato do pai e o casamento incestuoso com a mãe Jocasta. Mas Édipo decifrou a Esfinge, a qual se joga de um penhasco após a decifração, ou seja, é o horror frente ao não saber-se, o horror frente ao sujeito humano (homens e mulheres).

[10] Roland Gori – Lógica das Paixões – p. 79.

[11] PORTAL GRÉCIA ANTIGA – http://greciantiga.org

[12] Anthony Giddens – A Transformação da Intimidade: sexualidade, amor e erotismo nas sociedades modernas – p. 79.

[13]Ibid – p. 81.

[14] Roland Gori – Lógica das Paixões – p. 99.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:


FREUD, Sigmund. Conferência XXXIII – A Feminilidade – v. XXII – 1932. Edição Eletrônica das Obras Completas de Freud. RJ: Imago [200?]
____. A Sexualidade Feminina – 1931 v. XXI. In: ____ Edição Eletrônica Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Freud. RJ: Imago [200?]
____. Algumas Conseqüências Psíquicas da Distinção Anatômica Entre os Sexos –1925 v. XIX. In: ____ Edição Eletrônica Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Freud. RJ: Imago [200?]
____. As Pulsões e suas Vicissitudes (Os Destinos das Pulsões) – 1915 v. XIV. In: ____ Edição Eletrônica Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Freud. RJ: Imago [200?]
____. Além do Princípio de Prazer – 1920 v. XVIII. In:____ Edição Eletrônica Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Freud. RJ: Imago [200?]
____. Os Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade – 1905 Cap. II v. VII. In: ____ Edição Eletrônica Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Freud. RJ: Imago [200?]
____. Os Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade – 1905 Cap. III v. VII. In: ____ Edição Eletrônica Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Freud. RJ: Imago [200?]
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APOSTILA DA DISCIPLINA DE METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO. Unijuí. 2001. TEXTO DO PROJETO DE ESTÁGIO COMPOSTO PELA PROFESSORA IRIS FATIMA ALVES CAMPOS. UNIJUÍ. 2008


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